• Sonuç bulunamadı

Evde ya aşırı derecede yardımcıdır ya da hiç yardım etmez Benlik Saygısıyla Ġlgili AraĢtırmalar

BENLĠK SAYGISI ĠLE ĠLGĠLĠ KAVRAMSAL ÇERÇEVE

9. Evde ya aşırı derecede yardımcıdır ya da hiç yardım etmez Benlik Saygısıyla Ġlgili AraĢtırmalar

O direito internacional do meio ambiente não chegou, em nível global, a apreen- der de maneira adequada a gestão das fl orestas, apesar dos esforços expendidos durante a Conferência do Rio de Janeiro (1992), ápice da evolução do direito internacional ambiental.

Com efeito, os Estados ali reunidos não adotaram senão um documento de cunho abertamente declaratório em relação à gestão das fl orestas no mundo, num primeiro consenso global em torno ao tema. Esta característica está clara- mente explicitada a partir de seu título: Declaração de princípios com autoridade

não juridicamente obrigatória para um consenso global sobre manejo, conservação e desenvolvimento sustentável de todos os tipos de fl orestas.

8 Caso da Declaração de Estocolmo (1972), da Declaração da ONU sobre o direito ao desenvolvimento (1986), da Declaração do Rio de Janeiro (1992), da Convenção sobre a diversidade biológica (1992), dentre outros documentos.

9 Em direito brasileiro vale notar que, além do Código Florestal de 1965, ora na berlinda, temos a lei de concessão de fl orestas públicas (lei n. 11.284/2006), que institui a sustentabilidade como princípio da gestão fl orestal.

Dita declaração, cujo objetivo é “contribuir para o manejo, a conservação e o desenvolvimento sustentável das fl orestas e [...] propiciar suas múltiplas e complementares funções e usos”,10 foca na cooperação internacional como ins-

trumento necessário para uma adequada gestão fl orestal no mundo. Coopera- ção que deve ser implementada sob vários aspectos, como é o caso da destinação de recursos e da transferência de tecnologia aos Estados menos desenvolvidos economicamente, do fomento à pesquisa, da capacitação institucional, assim como pela valorização e pelo reconhecimento dos conhecimentos tradicionais associados aos produtos e serviços fl orestais.

Esses produtos e serviços, na declaração, são considerados sob o pálio do

valor múltiplo das fl orestas, indicado nos seguintes usos fl orestais: madeira e seus

subprodutos, água, alimentos, forragem, remédios, combustível, abrigo, em- prego, lazer, habitat para a vida silvestre, diversidade de paisagens, sumidouros e reservatórios de carbono, além de outros produtos fl orestais.

A declaração, em todo caso, incentiva o uso racional da terra, incitando os Estados a adotarem políticas públicas que se vinculem a esse objetivo, dentro de um contexto de sustentabilidade, tendo em vista o atendimento das ne- cessidades sociais, econômicas, ecológicas, culturais e espirituais das gerações presentes e futuras. E, mais, a elaboração de políticas públicas nessa área deve dar -se de forma transparente e participativa, considerando não apenas “o papel vital de todos os tipos de fl orestas na manutenção do equilíbrio e dos processos ecológicos em nível local, nacional, regional e global”,11 como também sua

função social, notadamente em relação às populações tradicionais e àquelas que dependem diretamente, por sua condição socioeconômica, dos produtos e ser- viços fl orestais.

No que tange especifi camente aos aspectos econômicos da gestão fl orestal no mundo, vale destacar que, no comércio de produtos fl orestais, tanto em ní- vel interno quanto em nível internacional, devem -se considerar os custos socio- ambientais dessa exploração, justamente diante da necessidade de conservação, manejo e utilização sustentável desses bens ambientais.

Aliás, no que tange à conservação e à preservação fl orestal, o texto de 1992 incentiva a remuneração por serviços ambientais, além de preocupar -se com a degradação fl orestal pela poluição. Em verdade, afi rma, de uma parte, a neces- sidade de se remunerar os proprietários rurais que mantenham as fl orestas já existentes ou que agreguem mais massa fl orestal às suas terras, tendo em vista o seu valor múltiplo. E, de outra parte, menciona a importância de se controlar a 10 Cf. item “b” do preâmbulo.

APONTAMENTOS SOBRE A GESTÃO FLORESTAL NO BRASIL 185

poluição atmosférica, em especial as chuvas ácidas, diante de seu poder destru- tivo das massas fl orestais.12

Pelo direito ambiental brasileiro, nota -se, contrariamente à esfera interna- cional, que a proteção jurídica das fl orestas já tem um percurso trilhado faz algum tempo.

O primeiro Código Florestal do país13 é de 1934, vindo para regulamentar

a ocupação do território rural brasileiro,14 considerando o binômio “necessi-

dades econômicas” versus “possibilidades ambientais”. O Código de 1934 ins- tituiu as fl orestas como sendo bem de interesse comum a todos os brasileiros, status que condiciona o exercício do direito de propriedade.

Nesse sentido, merece destaque o fato de que as fl orestas ditas “protetoras” e as “remanescentes” eram tidas como de conservação perene e, em princípio, inalienáveis. Esta sua condição desapareceria desde que o proprietário da terra se obrigasse — de per se, por seus herdeiros ou sucessores — a mantê -las conser- vadas, segundo os ditames da lei.15 O código de 1934 falava, ainda, no direito

de preempção do Poder Público em relação às terras particulares com cobertura fl orestal indivisa com terras — e fl orestas — públicas,16 além da possibilidade

de expropriação das áreas fl orestais.

Contudo, o Código apresentava matizes de uma visão ainda utilitarista do meio ambiente, ao permitir, por exemplo, que se indenizasse o proprietário rural pelas áreas que não pudessem ser aproveitadas, assim declaradas pelo Po- der Público, por sua função ecológica.17 Note -se, ainda, que o uso de material

lenhoso para o transporte ferroviário ou fl uvial exigia dos proprietários de fl o- restas contíguas a essas vias de transporte autorização prévia do Poder Público, nos termos do artigo 25 do decreto de 1934. Ocorre que esse mesmo disposi- tivo, em seu parágrafo primeiro, estabeleceu o silêncio administrativo positivo relativo ao pleito de autorização: em não respondendo a Administração em 30 dias, estava a licença de desmate concedida. E mais, nas regiões com grande cobertura fl orestal, o proprietário deveria apenas dar conhecimento de seu em- preendimento à Administração.18

12 Princípio 6, “e”, princípios 8 e 15, respectivamente.

13 Decreto n. 23.793, de 23 de janeiro de 1934, DOU de 21 de março de 1935.

14 Note -se, entretanto, que, contrariamente ao Código de 1965, cujas modifi cações instituídas pela lei n. 7803/1989, e que não se aplica às áreas urbanas, o Código de 1934 chega, mesmo, a incentivar a conser- vação de árvores nessas áreas, nos termos de seu art. 18.

15 Nos termos dos arts. 4º, 5º e 8º do Código de 1934. 16 Art. 16 e par. único.

17 Nos termos dos artigos 11 e parágrafo único, assim como do artigo 12, do Código de 1934. 18 Nos termos do artigo 25, § 2º.

Vale destacar, igualmente, os casos em que se verifi cava necessário o re- fl orestamento de terras particulares, por sua topografi a — o dispositivo legal certamente se preocupou com a erosão nas encostas e nos topos de morro. Nesses casos, o proprietário poderia se opor ao refl orestamento defi nido como necessário pelo Poder Público, exsurgindo, daí, o direito de expropriar a área objeto de recomposição fl orestal. Todavia, se o refl orestamento fosse custeado pelo proprietário, este teria direito a compensações, como hoje se pretende com a remuneração por serviços ambientais.19 Em todo caso, segundo RODRI-

GUES (2010:476):

O grande problema para a efetivação desse Código foi [...] ser o Ministério da Agricultura competente para [...] efetuar a totalidade do inventário fl orestal do território brasileiro, missão fundamental até hoje não inteiramente cumprida, apesar da moderna tecnologia disponível, inclusive com a possibilidade de utilização de satélites es- peciais. E, graças a isso, o Código Florestal fracassou.20

No ano de 1965 foi adotado novo Código Florestal, buscando trazer ao ordenamento jurídico brasileiro normas protetoras da cobertura fl orestal que contemplassem, de um lado, a necessária produtividade do campo — que então abrigava ainda grande parte da população brasileira — e, de outro, a ocupação das áreas urbanas — já à época em patogênico inchaço e desorde- nado crescimento.

Tudo isso buscou o Código de 1965 num contexto que, à semelhança do Código de 1934, considerava as fl orestas existentes no território nacional, assim como as demais formas de vegetação, como de utilidade às terras que revestiam. Foi a cobertura vegetal brasileira elevada à condição de bem de interesse co- mum a todos os habitantes do país, daí que usá -las em desrespeito às regras do Código passou a confi gurar uso nocivo da propriedade.21

Pode -se dizer, sem margem de erro, que atualizando o Código de 1934, o Código de 1965 buscou lançar como princípio para o uso das terras brasileiras os matizes do que hoje se conhece por desenvolvimento sustentável.

19 Cf. art. 13 e § 1º do Código de 1934.

20 José Eduardo Ramos Rodrigues, Código Florestal e Unidades de Conservação, in FIGUEIREDO et. al. (Orgs.). Código fl orestal 45 anos: estudos e refl exões. Curitiba: IBAP, 2010.

APONTAMENTOS SOBRE A GESTÃO FLORESTAL NO BRASIL 187