4. BULGULAR
4.2. Mekanik özellikler
4.2.5. Aşınma dayanımı
O PAA é uma política pública que busca ampliar os mercados para agricultores familiares em todo o Brasil através do mercado institucional, além de ser um programa que na maioria das vezes complementa a renda dos produtores e dá segurança nutricional às pessoas carentes, através de uma rede socioassistencial. O governo federal desta forma atinge dois objetivos, um relacionado aos pequenos produtores e outro relacionado aos consumidores destes produtos.
Apesar de ser de caráter nacional é na escala local que ele transforma a vida de pessoas e ajuda a população de base camponesa no processo de recriação e resistência. A perda de mercados para a agricultura familiar é uma característica histórica, no entanto, a resposta atual do mercado, inclusive com este programa é de uma retomada que impulsiona os modos mais tradicionais de produzir. Para o município de Lagoa Seca se torna uma nova experiência do ponto de vista do mercado, uma revalorização de práticas que já vem de muito tempo com estes produtores tradicionais.
Com relação ao PAA em Lagoa Seca, procuramos identificar através de entrevistas semiestruturadas a posição e o pensamento dos responsáveis diretos pelo funcionamento do programa no município, a fim de que eles mostrassem a estrutura de funcionamento e as características gerais deste, como a forma de pagamento, regularidade, geração de renda, etc. Entrevistou-se o secretário de Agricultura e Meio ambiente do município e a responsável pelos projetos, por parte da secretaria.
Primeiramente, perguntou-se sobre como estes responsáveis avaliavam a agricultura familiar para o município. As duas respostas foram no sentido de destacar a importância da atividade agrícola familiar, enquanto uma fonte importante de renda do município e a que envolve mais pessoas. Já que a maior parte vive na zona rural e desta atividade depende para sustentar-se.
A segunda pergunta foi fundamentada em como funciona o PAA no município de Lagoa Seca e quais os produtos que são adquiridos. Com base nas respostas que se obteve elaborou-se um esquema para mostrar como é posto em prática o funcionamento do programa o local estudado (Ver Ilustração 03).
Na primeira fase, elabora-se o projeto junto com as associações de produtores rurais das comunidades e a Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente. Após essa primeira etapa, o projeto é enviado para a avaliação da CONAB que, por sua vez, submete o projeto a uma avaliação por parte de uma comissão que visita os agricultores e confere a autenticidade dos produtos. Uma vez aprovado, o projeto é posto em funcionamento. Os principais produtos fornecidos pelos pequenos agricultores, são eles: a laranja cravo, a banana, o couve, a alface, o coentro, a cebolinha, a galinha caipira, o abacate, a manga e o feijão vagem.
Ilustração 03: Sequência da elaboração do projeto do PAA local.
Na terceira pergunta, questionamos sobre o perfil dos produtores que fornecem ao PAA (micros, pequenos, médios produtores). A resposta dada pelo secretário de agricultura é que predominam os pequenos agricultores (até 10 hectares), aqueles de vida mais humilde que inclusive participam de outros programas sociais para a geração de renda.
Na quarta pergunta, questionou-se quantos produtores têm cadastrados no Programa. A resposta fornecida pela secretaria de agricultura foi que há quarenta fornecedores que estão cadastrados nas associações de produtores rurais comunitárias e que estão aptos a participar. Destaca-se nesse caso um número reduzido de agricultores, já que a maioria não procura a secretaria de agricultura ou as associações. Há comunidades que nem possuem associações, e isso dificulta o conhecimento do programa e uma aversão do próprio camponês em possuir, por exemplo, a DAP (Declaração de Aptidão do PRONAF) que dá direito ao acesso a estes programas federais.
Na questão subsequente, perguntou-se quais as formas de transporte das mercadorias do produtor até o PAA. A resposta foi que normalmente o transporte é feito pelo próprio presidente da associação comunitária até as escolas conveniadas e o SESC - Banco de Alimentos, em Campina Grande; quando o presidente não pode fazer este processo ele determina outra pessoa. Com relação a isso se pode observar um grande controle na mão do presidente da associação, que detém grande poder pessoal sobre a execução do programa. Seria recomendável que a prefeitura dispusesse do transporte para buscar estes alimentos.
Elaboração do projeto
Avaliação do CONAB
Seção de Visitas aos produtores
As mercadorias são destinadas a escolas e SESC - Banco de Alimentos (Mesa Brasil) Campina Grande. O representante do SESC envia esses
alimentos para comunidades carentes, Lar da Sagrada Face, etc. (J. C.,
responsável pela elaboração do programa no município, 2015). Em seguida, perguntou-se qual o destino das mercadorias adquiridas pelo PAA. (escolas, creches, restaurantes populares). A resposta foi que há diversos lugares que recebem produtos advindos da agricultura familiar de Lagoa Seca. Há escolas conveniadas no próprio município e à sede do SESC de Campina Grande, que mantém um banco de alimentos, identificado como Mesa Brasil; o representante do SESC envia estes alimentos para as comunidades carentes como o próprio lar da Sagrada Face, abrigo para idosos que fica no município de Lagoa Seca.
Após esta pergunta se questionou pela deterioração das mercadorias e se existe, em que proporção. Eles disseram não saber qual a porcentagem nem qual o produto que sofre maior deterioração durante o transporte. O próprio secretário afirmou que provavelmente exista deterioração, mas que não sabe informar. Já a responsável pela elaboração e coordenação de projetos afirmou que provavelmente o SESC ou as escolas atendidas possam dar a informação.
Diante das respostas se optou por desenhar um esquema para melhor compreensão desse circuito que faz a mercadoria depois que os pequenos produtores levam até a sede das associações (veja Ilustração 04).
Ilustração 04: Circuito da mercadoria do PAA entre o município e o destino final.
SESC- Alimentos
Associações Associações Associações Associações
Restaurantes Asilos
Escolas
Creches
Produtores Produtores Produtores Produtores
Após se obter o percurso que a mercadoria faz durante a execução do programa se perguntou: O senhor acredita que o Programa de Aquisição de Alimentos tem gerado mais renda para o agricultor familiar no município de Lagoa Seca? Por quê? Os responsáveis pelo programa no município foram bem enfáticos na resposta afirmativa. O que foi relatado por eles é que os beneficiários do programa têm adquirido veículos e equipamentos para melhorar o plantio depois do programa. A geração de renda obtida pelo pequeno produtor rural pode mudar as estruturas produtivas de modo a permitir uma geração maior de renda do que a anterior. Isto impulsiona o pequeno produtor a continuar na terra e produzir alimentos, recriando-se e resistindo.
Com relação aos preços dos produtos, se perguntou se os pagos pelo PAA são inferiores ou superiores aos praticados no mercado ou se eles têm se mantido constantes e qual a última atualização. Segundo os responsáveis, é feita uma pesquisa pela CONAB no comércio e a partir daí são estabelecidos os preços que são pagos ao produtor durante a vigência do projeto. Nesse contexto, eles não são nem inferiores nem superiores. São neste caso referentes ao período pesquisado. No entanto, há oscilação de preços no mercado durante a vigência do projeto, enquanto que os preços recebidos pelos produtores permanecem constantes.
Na décima pergunta, questionou-se se os produtores têm se queixado dos preços e quais as principais queixas. Com relação aos preços praticados, não houve reclamação de acordo com os responsáveis pelo programa. Segundo eles, o que há é uma reclamação quanto à cota que no período estudado era de até seis mil reais para cada pequeno produtor durante o período em que vigora o projeto, na verdade eles queriam que elevasse esta cota para dez mil. Os pequenos produtores acham a cota insuficiente para o volume de mercadoria produzido por eles.
Perguntou-se também como é feito o pagamento e se existe regularidade. Segundo eles, o pagamento é feito quando os produtores fazem as entregas no SESC ou nas escolas conveniadas. O responsável pela elaboração do projeto emite a nota fiscal direto para a CONAB, em seguida essa libera o pagamento, o presidente da associação saca o dinheiro e faz o pagamento para os fornecedores. A regularidade do pagamento é mediante as entregas, alguns fornecedores fazem entregas mensais e outros fazem entregas trimestrais. Dessa forma, só recebe quem entregar a mercadoria.
Depois de perguntar sobre a regularidade dos pagamentos dos produtos, perguntou-se sobre a capacidade do programa em incentivar novas práticas agrícolas: O senhor acredita que o Programa de Aquisição de Alimentos pode reforçar práticas de agricultura mais saudáveis,
como a agroecologia? De que forma? As respostas foram positivas, no sentido de dizer que a maior parte dos fornecedores planta sem agrotóxicos e isso é do conhecimento dos consumidores. Uma das dificuldades dos pequenos produtores é a falta do selo, que comprova que a produção é agroecológica; segundo eles, para conseguir o selo é muito caro para pagar as certificadoras, por isso a produção agroecológica que a secretaria sabe que existe no município entra no projeto como agricultura convencional, o que leva os pequenos produtores a uma perda considerável já que os preços dos produtos agroecológicos são maiores do que os produtos convencionais. Sem dúvidas, os pequenos produtores não estão sendo contemplados na sua plenitude de direito no programa pela falta de recursos para certificar a procedência do seu produto, e também pela burocracia exigida para consegui-la.
Perguntou-se também quais as dificuldades e sugestões para o aprimoramento do Programa de Aquisição de Alimentos. Foi citado apenas o aumento da cota para o pequeno produtor que nesse projeto é de apenas seis mil reais durante um ano. Essa cota representa uma receita média de quinhentos reais por mês, valor que é insuficiente para sustentar uma família inclusive bem menor do que um salário mínimo. Nesse sentido, podemos dizer que o programa é um auxílio para complementar a renda, mas não se constitui um vetor realmente transformador das condições do pequeno produtor.
Por último, se perguntou aos responsáveis: O Senhor considera o Programa de Aquisição de Alimentos suficiente para absorver a oferta dos pequenos produtores de Lagoa Seca? Qual o percentual dessa oferta que é adquirida pelo PAA? Nesse sentido, as respostas foram negativas, embora eles não tivessem conhecimento sobre um percentual. Eles informaram categoricamente que a oferta é muito maior do que a capacidade de compra do PAA, que o programa deveria ser ampliado para pelo menos suavizar a perda de mercado destes pequenos agricultores.