2. MATERYAL VE YÖNTEM
2.5 Yapay Sinir Ağları
Como apresentado no capítulo sobre a metodologia desta pesquisa, foram realizados estudos de caso com os dois maiores escritórios de advocacia do Brasil: Pinheiro Neto Advogados e Tozzini, Freire, Teixeira e Silva Advogados, conforme classificação da recente publicação do Jornal Gazeta Mercantil: Análise Setorial - Escritórios de Advocacia (2002). Esta introdução aos estudos de caso apresenta uma descrição do cenário onde estes escritórios estão inseridos, também tomando por base a pesquisa realizada pela Gazeta Mercantil45.
Segundo levantamento realizado em fevereiro de 2001 pelo Conselho Federal da OAB, existem entre 450.000 e 500.000 advogados devidamente habilitados ao exercício da profissão, destacando a maior concentração no estado de São Paulo, com mais de 220.000 advogados registrados. Como ainda não se pode garantir a perfeita acuidade nestas informações, a OAB iniciou em dezembro de 2001 um processo de recadastramento dos advogados. Com mais precisão, no entanto, sabe-se que anualmente mais de 40.000 novos bacharéis deixam as faculdades de Direito; somente no Rio Grande do Sul são 2.000 novos profissionais.
Com a Lei 8.906/94, Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advogados do Brasil, que trata e regulamenta a constituição das sociedades de advogados, passou-se a ter um controle dos novos registros realizados a partir de 1995. Somente em São Paulo, observou-se um crescimento anual médio superior a 20% nestes registros, com uma surpreendente projeção de um crescimento de 40% para o ano de 2001.
45 Não existe qualquer outra publicação que apresente de forma tão detalhada a indústria de
Segundo o estudo da Gazeta Mercantil, a distribuição geográfica das sociedades de advogados tem correlação com o nível de atividade econômica do país. Segundo dados do CESA (Centro de Estudo das Sociedade de Advogados) em levantamento realizado em agosto de 2001, 53,6% dos escritórios de advocacia associados ao CESA estão localizados em São Paulo, 13,5% no Rio de Janeiro, 8,6% em Minas Gerais e 5,1%, 3,8% e 2,3% nos estados do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, respectivamente. Assim, temos um freqüência relativa de quase 87% desses escritórios de advocacia estabelecidos entre as regiões Sul e Sudeste do país. Dentre os associados do CESA estão os mais importantes escritórios de advocacia do país, incluindo os dois objetos estudados nesse trabalho. De acordo com profissionais que analisam o mercado, existem três tipos de escritório de advocacia: (a) os grandes escritórios "full service", que atendem as grandes corporações, nacionais e internacionais, em praticamente todas as suas necessidades jurídicas, e concentram o maior movimento financeiro do mercado; (b) os outros escritórios, com não mais de 10 advogados, que atendem o mercado tradicional, e possuem um grande potencial de crescimento vinculado a uma lacuna inexplorada do mercado, mas crescimento este dependente da implementação de novas técnicas gerenciais e adoção de tecnologias de informação, visando um crescente ganho marginal pela escala de produção46; (c) as "boutiques" de advocacia, com grande nível de especialização, que, por este motivo, conseguem captar causas de maior valor agregado, não dependem de novas tecnologias, mas seu sucesso está associado aos nomes de grandes juristas, e deles de fato dependem; têm como clientes empresas e também os grandes escritórios de advocacia, que contratam seus pareceres (opiniões legais).
Os objetivos desse trabalho estão voltados aos grandes escritórios de advocacia, descritos no item 'a' do parágrafo anterior.
Do ranking dos escritórios de advocacia apresentado na pesquisa da Gazeta Mercantil, merece destaque o número médio de sócios e advogados e a média de idade dos escritórios listado (30 maiores). O número médio de advogados dentre os 30 listados é 61 e o número médio de sócios é 14, perfazendo uma razão de 4,26 advogados por sócio, inferior à média dos maiores escritórios de advocacia do mundo (7). 25 anos é a idade média dos escritórios de advocacia, sendo que 38% desses foram constituídos na década de 1990. Este dado demonstra a grande mudança que ocorreu no mercado brasileiro de advocacia nos últimos anos.
Ocorreu, também a partir da década de 1990, o movimento de expansão dos escritórios de advocacia para outras regiões fora do eixo Rio de Janeiro - São Paulo. Este movimento acompanhou o fenômeno de formação de novos centros econômicos no país. Desta forma, os escritórios de advocacia acompanharam seus clientes que passaram a estabelecer operações em outros estados brasileiros, como Minas Gerais, Bahia, Ceará, Paraná e Rio Grande do Sul. Apesar da maioria dos escritórios estabelecer suas novas bases nas capitais dos estados, muitos optaram por direcionar suas atividades ao interior dos estados, garantindo ainda maior proximidade de seus clientes. Esta proximidade, julga-se necessária para assuntos de consultoria que exigem contatos com maior freqüência entre o escritório e seu cliente, mas na maioria das vezes são assuntos de baixa complexidade jurídica. No entanto, esta proximidade física garante um importante vínculo com os clientes, reforçando a política de relacionamento dos escritórios.
As capitais de estados brasileiros que mais têm recebido atenção dos grandes escritórios de advocacia em sua estratégias de expansão são Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS) e Curitiba (PR). No interior dos estados tem-se observado investimentos nas cidade de Campinas, Ribeirão Preto e Sorocaba, todas
no estado de São Paulo; Londrina e Maringá (PR); e até pequenas cidades, mas bem localizadas estrategicamente, como São Bento do Sul (SC).
As áreas de atuação dos escritórios de advocacia que mais se desenvolveram nos últimos dez anos e que possibilitaram a formação e crescimento dos grandes escritórios de advocacia estão relacionadas com a onda de privatizações e fusões e aquisições ocorrida neste período. Os setores de telecomunicações, energia, petróleo e gás, financeiro e mercados de capitais, mineração, siderurgia, transporte e saneamento e indústria química receberam o maior volume de investimento e foram responsáveis pela mudança do perfil econômico de muitas regiões.
O Estado do Paraná, por exemplo, recebeu investimentos estrangeiros no setor automotivo, na segunda metade da década de 1990, superiores a R$ 20 bilhões e conseguiu colocação para 500 mil novos trabalhadores, empregos diretos (120 mil) e indiretos. Neste período, o estado alterou seu perfil econômico ao transforma-se no segundo polo automotivo do país.
No entanto, é importante observar que os escritórios de advocacia que conquistaram importantes clientes neste período, entraram em uma segunda fase de manutenção desses clientes, relacionada ao início das operações dos novos empreendimentos ou a contingências das organizações adquiridas nos processos de fusões e aquisições. No primeiro caso, as novas empresas firmam contratos com fornecedores, necessitam de planejamento tributário, importam máquinas, contratam pessoas, enfim, iniciam suas operações. No segundo caso, há um inevitável descontentamento de todos os stakeholders relacionados com a empresa adquirida: muitos funcionários são demitidos, muitos contratos com fornecedores e parceiros comercias são rescindidos, sendo substituídos pelos da empresa compradora. Eventualmente, consumidores também sentem-se lesados nesses processos de
transição. Milhares de ações judiciais de contencioso trabalhista e cível nascem pela dificuldade de se gerir a integração de estruturas distintas.
Em ambas as situações, os grandes escritórios entram em um processo de estabilização e maturação de suas estruturas.
O crescimento observado no Brasil nestes últimos anos também tem atraído a atenção de escritórios estrangeiros. O provimento n. 91/00 do Conselho Federal da OAB procura regulamentar e restringir a atuação de escritórios estrangeiros no país, limitando-os a assessoria de clientes brasileiros sobre a legislação do país de origem do escritório estrangeiro - este mesmo tratamento também é dado aos escritórios brasileiros que buscam o mercado externo. Baker & McKenzie e Clifford Chance, que estão respectivamente entre os maiores escritórios dos Estados Unidos e Inglaterra, atuam já há muitos anos no Brasil, mesmo sem a devida regularização. Este fato ocorre por falta de previsão em legislações anteriores ou por pseudo- regularizações através de associações com escritório de advocacia brasileiros. Atualmente a OAB tem buscado mecanismos para reduzir a presença de advogados estrangeiros irregulares, empresas de consultoria e auditoria prestando serviços legais, e escritórios multidicisplinares.
A pesquisa da Gazeta Mercantil também buscou informações sobre a avaliação dos clientes sobre os escritórios de advocacia prestadores de serviço e os critérios consideramos para a tomada de decisão de contratação, que abordam nível de especialização na área desejada, percentual de sucesso em ações congêneres, disponibilidade de tempo e qualidade do atendimento e o preço cobrado pelos serviços prestados. O má qualidade dos serviços tem sido apontada como um dos principais fatores para a redução do número de escritórios de advocacia contratados pelas organizações. Tem-se preferido a manutenção de um ou dois escritórios full- service. Este fator impulsiona mais ainda a consolidação dos grandes escritórios de advocacia.
As maiores reclamações a respeito de escritórios de advocacia não dizem respeito à qualidade técnica, mas à qualidade do serviço. Pouco tempo dedicado ao atendimento do cliente e falta de informações atualizadas sobre os andamentos dos processos são os pontos mais citados. O investimento em soluções de tecnologias de informação, baseadas no uso intensivo da Internet e a criação de departamentos especializados no relacionamento (departamentos de marketing) com os clientes têm sido as respostas apresentadas pelos escritórios de advocacia a esta insatisfação do mercado. Tem-se investido também no treinamento dos advogados relacionado com captação de novos clientes.
A definição de preços a serem cobrados pela prestação de serviços legais é, sem dúvida, um dos fatores de maior relevância no momento da contratação. As organizações contratantes têm exercido forte pressão sobre o mercado, provocando um aumento de concorrência por preço, acompanhando uma tendência de outros setores. A manutenção da qualidade técnica do serviço, no entanto, é considerada pelo mercado um pré-requisito básico. Desta forma, os escritórios de advocacia têm investido em aspectos complementares ao serviço prestado, como qualidade de atendimento e disponibilização de facilidades tecnológicas.
O Código de Ética e Disciplina da OAB (1995) estabelece alguns critérios que orientam a determinação dos honorários profissionais:
Art. 35. Os honorários advocatícios e sua eventual correção, bem como sua majoração decorrente do aumento dos atos judiciais que advierem como necessários, devem ser previstos em contrato escrito, qualquer que seja o objeto e o meio da prestação do serviço profissional, contendo todas as especificações e forma de pagamento, inclusive no caso de acordo.
Art. 36 - Os honorários profissionais devem ser fixados com moderação, atendidos os elementos seguintes:
I - a relevância, o vulto, a complexidade e a dificuldade das questões versadas; II - o trabalho e o tempo necessários;
III - a possibilidade de ficar o advogado impedido de intervir em outros casos, ou de se desavir com outros clientes ou terceiros;
IV - o valor da causa, a condição econômica do cliente e o proveito para ele resultante do serviço profissional;
V - o caráter da intervenção, conforme se trate de serviço a cliente avulso, habitual ou permanente;
VII - a competência e o renome do profissional; VIII - a praxe do foro sobre trabalhos análogos.
Art. 41. O advogado deve evitar o aviltamento de valores dos serviços profissionais, não os fixando de forma irrisória ou inferior ao mínimo fixado pela Tabela de Honorários, salvo motivo plenamente justificável.
Art. 42. O crédito por honorários advocatícios, seja do advogado autônomo, seja de sociedade de advogados, não autoriza o saque de duplicatas ou qualquer outro título de crédito de natureza mercantil, exceto a emissão de fatura, desde que constitua exigência do constituinte ou assistido, decorrente de contrato escrito, vedada a tiragem de protesto.
Art. 43. Havendo necessidade de arbitramento e cobrança judicial dos honorários advocatícios, deve o advogado renunciar ao patrocínio da causa, fazendo-se representar por um colega.
Na prática, no entanto, cada vez mais o mercado tem encontrado o equilíbrio de preços que vem satisfazer mais os anseios do contratante, mas ainda mantendo a prática da advocacia como uma atividade rentável.
Das modalidades de contratação de honorários advocatícios, as mais usuais são as seguintes: (a) honorários pelo valor da hora trabalhada, variando conforme o nível do advogado (sócio, senior, pleno ou junior); (b) honorários fixados com base em um percentual do valor da ação, normalmente entre 10% e 20%, podendo ser pagos parte no início da ação e parte quando se encerra ou todo o valor ao final da ação; (c) valor fixo mensal cobrado para questões de consultoria, independente da demanda; (d) valor fixo mensal por ação, normalmente cobrados para grandes volumes de ações do contencioso cível ou trabalhista; (e) honorários fixados por fase processual ou ato praticado.
Composições entre modalidades também tem sido praticadas mais recentemente. É comum a cobrança de um valor fixo mensal acrescido de honorários fixados com base no uso do tempo, quando se excede um determinado limite de horas determinado em contrato. Também tem sido observada a cobrança de valor fixo mensal por ação acrescido de um percentual de sucesso para um grupo de ações, normalmente grandes volumes.
No Brasil, a cobrança de honorários por hora trabalhada sempre teve boa aceitação nos mercados do Rio de Janeiro e São Paulo, onde concentrava-se a
maioria das empresas estrangeiras estabelecidas no Brasil. Com a descentralização do investimento estrangeiro no país e mesmo a expansão das empresas nacionais, o regime de honorários-tempo passou a ser bem aceito em outras regiões. Atualmente, no entanto, esta modalidade de contratação tem sido substituída por outras, especialmente pela necessidade que tem o cliente sobre a previsão de gastos com serviços jurídicos e sua adequação com o orçamento empresarial.
O mercado de advocacia tem apontado para certas áreas como as de maior potencial de crescimento, modificando o perfil tradicional do mercado centrado em questões tributárias e contenciosas: o setor de infra-estrutura (telecomunicações e energia, principalmente), direito ambiental e tecnologia. Geograficamente, no entanto, o mercado ainda tende a uma concentração maior nas regiões Sul e Sudeste, apesar de alguns grandes escritórios de advocacia já estarem instalados em outras regiões.
O crescimento do mercado brasileiro de advocacia pode ser comprovado por uma análise estatística da movimentação de processos nos tribunais estaduais e federais, em suas diversas instâncias. Entre 1990 e 2000 houve um crescimento de 132% no número de processos que deram entrada na Justiça Estadual de 1º Grau
em todo o país, passando de 3.617.064 processos para 8.391.189. Nos Tribunais de Justiça estaduais o crescimento foi ainda maior, com um aumento superior a 288% (de 125.388 para 486.841) para o mesmo período. Na Justiça de Federal de 1º
Grau, o aumento no número de novos processos foi de 308,1%. E no Tribunal Regional Federal, Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal os aumentos foram, respectivamente de 385,1%, 1.212,9% e 467,26%.
Na Justiça do Trabalho, os aumentos não foram tão impressionantes, mas ainda assim são expressivos. Na Justiça do Trabalho de 1º Grau, em todo o país, no período entre 1990 e 2000, houve um aumento de 39,4% no número de novos
processos, passando de 1.233.410 ações para 1.718.795. Nos Tribunais Regionais do Trabalho, o aumento foi superior a 189%.
No entanto, se analisarmos o grau de eficiência do sistema judiciário brasileiro pelo número de entrada de novos processos frente ao número de processo julgados, teremos um quadro de melhoria na eficiência da Justiça Estadual das regiões Norte e Nordeste, com aumento superior a 20%. Já nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, houve uma queda significativa, em alguns casos chegando a 29,8%. Deve-se ressaltar que onde houve queda de eficiência na razão entrada:saída de processos, o aumento no número de novos processos foi bastante significativo. Na Justiça Estadual da região Sul, por exemplo, este aumento foi superior a 495% entre 1990 e 2000. Por outro lado, regiões que ganharam em eficiência tiveram aumentos menos expressivos no número de novos processos. Na Justiça Estadual de 1º Grau da região Nordeste este aumento foi de apenas 44,2%.
Desta análise, pode-se concluir que o sistema judiciário brasileiro não seguiu o mesmo ritmo de crescimento das demandas judiciais.
Este aumento das demandas judiciais aponta para outro aspecto relevante para este trabalho: maior acesso à informação e menor custo de aquisição desta informação. Tomando como exemplo a evolução do Direito do Consumidor, a sociedade atualmente sabe como e quando exercer seus direitos em resposta a qualquer irregularidade na relação de consumo. Mais, sabe identificar as irregularidades que antes passavam despercebidas. O acesso à informação e a mudança de postura do consumidor, mais proativa e exigente, resultaram neste aumento nas demandas judiciais.
Desta forma, fecha-se um fluxo circular crescente do qual fazem parte as organizações, a sociedade e os escritórios de advocacia. O simples aumento vegetativo dos atritos gerados pelas imperfeições na relação organização-sociedade
é suficiente para acelerar o crescimento dos escritórios de advocacia. No entanto, são catalisadores neste processo aspectos como o aumento no volume de investimentos no país, o aumento da demanda e o melhor e mais fácil acesso à informação, aspectos que potencializam os vetores nos dois sentidos.