II. Dolaylı Bozulma: Eski maden hafriyat yerleri, örtü ve atık yığınları, maden binaları ile mineral zenginleştirme tesislerinin bulunduğu yerlerde toprak yapısı, su
2.7. Ağır Metaller ve Çevreye Etkiler
A entrada no ambiente hospitalar e o contato com os doentes representa para a maioria dos profissionais de saúde uma vivência carregada de ansiedade e expectativa, sendo esta, ao mesmo tempo desejada e temida, embora na maioria das vezes, necessária em termos de exigências acadêmicas.
Isto nos faz pensar nas palavras de Morato numa de suas comunicações em um evento de intercâmbio científico14, ao ressaltar que a formação acadêmica do psicólogo não dá conta de sua
prática clínica, que por sua vez, é tarefa bastante complexa. Tomando emprestado essas palavras da
14 Essa reflexão foi desenvolvida por Morato na ocasião do III simpósio Nacional de práticas clínicas em
autora, ousamos tecer uma reflexão. Nossa formação é repleta de lacunas e mesmo que fosse completa não daria conta desta prática, dada sua originalidade e imprevisibilidade, como por exemplo, as atividades de caráter clínico envolvendo o contato com crianças gravemente doentes no âmbito hospitalar. Cada atendimento é único. Cada paciente, um universo. Não possuímos receitas prontas, embora aprendamos o manejo de algumas teorias e técnicas psicoterápicas. Sabemos que é somente na relação intersubjetiva que conseguimos apreender, com mais propriedade, os sentidos da ação clínica. O outro representa sempre um desafio, sobretudo em se tratando de um outro doente. Talvez isso exemplifique um pouco o medo que o recém-formado enfrenta ao iniciar sua atividade profissional. Em outras palavras, aprende-se fazendo, e fazendo é que se aprende; por isso o medo de errar, a insegurança e a cobrança por acertar sejam elementos tão comuns quando se parte da teoria para a prática.
Nesse sentido, Morato (1999a) nos aponta o saber clínico psicológico como sendo originário em razão de não poder ser convertido totalmente em teoria. É um saber que surge como uma articulação constante entre conhecimento explícito (teoria) e conhecimento tácito (experiência), engendrando reflexões a partir do próprio fazer cotidiano. Fazer clínica não é simplesmente praticar. É mais que isso. É colocar-se junto. É estar com-o-outro no sentido mais próprio do termo. Pensamos que o fazer clínico não pode se reduzir a um simples dar respostas, nem tampouco em passar a mão
na cabeça, mas na promoção e busca pela emergência do Ser, pela ressignificação do modo de estar-
no-mundo. A clínica não se reduz a um mero local do fazer, nem à forma específica de se fazer. Ao contrário, define-se, fundamentalmente, pela ética enquanto saber instituinte, sendo constituída por e a partir dela, uma vez que envolve a própria subjetividade do psicólogo enquanto instrumento de trabalho (Figueiredo, 1996).
Ao nosso ver, a relação do psicólogo com a criança doente e com a instituição hospitalar é permeada pela preocupação com o acontecer de sua clientela, e é ocupando-se do acontecer que o psicólogo cuida (Feijoo, 2002). Ao estar-junto-com essa criança, o psicólogo realiza um movimento
onde a distância útil é mantida de forma a resguardar a especificidade de sua prática. No entanto, este movimento de aproximação-afastamento não exclui o psicólogo da angústia emergente desse campo de atuação, o que nos faz pensar sobre as possíveis implicações de tal fenômeno para sua subjetividade e modo de intervenção terapêutico. Contudo, isto não implica na anulação do cuidado e da aproximação compreensiva.
Ao cuidar da vida dos outros, o psicólogo é convocado diretamente a revisar e examinar a sua própria vida, sua personalidade, conflitos e frustrações. Morato (1999a, p.69) acrescenta que: “ a sua sensibilidade experienciada no encontro com o outro é que propicia a condição de conhecimento, compreensão e comunicação para o cuidado e a cura.”
O contato com este contexto de trabalho exige uma assistência psicológica que envolva atitude e posicionamento clínico. Isto nos faz pensar no que chamamos de experiência. É a experiência que possibilita o "como" saber-fazer. Isso nos leva a pensar que a ação do psicólogo no ambiente hospitalar parece pautada pela contextualização das necessidades e do momento e envolve, dentre outras coisas, saber ouvir e compreender.
Mesmo sabendo dos altos índices de cura do câncer infantil, nem é preciso ir muito longe para constatar que a oncologia pediátrica ainda é uma área permeada pela iminência de morte, tratamentos invasivos e sofrimento.
Nossa experiência nos revela que ser psicólogo nesta área, diz respeito, dentre outras coisas, ao sujeito que é demandado (a todo instante) a manejar conhecimentos teóricos da clínica, bem como a encarar os desafios impostos pelo contexto prático numa constante re- criação e re-invenção de práticas.
Além disso, faz-se necessário que o psicólogo lance mão de uma dada abordagem clínica pautada pela necessidade do aqui-agora e pelo referencial teórico-técnico, que inclui, dentre outras coisas, ludoterapia, técnicas de relaxamento, acompanhamento sistemático aos familiares,
psicoterapia, supervisão clínica, reunião com a equipe, grupos de apoio aos pais e pacientes, dentre outros.
De acordo com nossa experiência prática e com o estudo anteriormente realizado em Recife- PE, o trabalho do psicólogo na oncologia pediátrica exige, dentre outras coisas, a utilização de recursos terapêuticos provenientes da cultura local, e presentes na experiência clínica deste profissional, como por exemplo, música, contos literários, atividades sócio-educativas.
Neste sentido, o tratamento da criança com câncer parece exigir não só do psicólogo, mas de toda a equipe profissional, um trabalho intensivo, além de cuidados específicos, pois, não raro, as crianças encontram-se bastante fragilizadas tanto física como emocionalmente. Isto demanda uma relação de atenção mais criteriosa, uma vez que o câncer não se configura de forma isolada. Ao contrário, implica diversas modificações nas esferas familiar, social e psicológica. São implicações que parecem antecipar a emergência/necessidade da intervenção psicológica, uma vez que pais, familiares e responsáveis encontram-se imersos no sofrimento, e às vezes depressivos ao vivenciarem esta situação nova. Surgem, então, dificuldades para lidar com tal acontecimento, que não raro, remete-os à condição da finitude, vazio e falta de sentido.
As conseqüências da doença e do tratamento, as fases de evolução e as dificuldades associadas ao tratamento parecem surgir como atualizadores e amplificadores da angústia de morte. E isso é algo que envolve todos os cuidadores, inclusive o psicólogo.
A morte aparece, então, como “pano de fundo” de uma situação constatada via diagnóstico, parecendo querer “roubar a cena” da maioria dos atores nela envolvidos. Recorremos a Bromberg (2000) para realçar melhor a questão da morte que é vista como afastamento, silêncio, irreversibilidade. O fato de estudarmos a morte não nos dá o preparo “total” para enfrentar as perdas, nem imunidade às emoções, pois a saudade continua doendo do mesmo jeito e a sensação de perda é inestimável. O que muda é a forma com que a enfrentamos e o modo de aproveitar melhor a convivência em vida.
Para Heidegger, a morte significa a impossibilidade de possibilidades, o que limita e frustra o homem diante de sua existência, remetendo-o inexoravelmente à sua condição de desamparo, ou seja, de ser-aí lançado no mundo.
Diante desse contexto, recorremos a Kovács (1994) para concluir nossa compreensão da relação psicólogo-criança no ínterim da prática clínica. Ela argumenta que a prática psicoterapêutica nas situações que envolvem iminência de morte não visa a cura ou o prolongamento da vida, nem tampouco "conformar" o paciente, mas sim, a abertura de um espaço para que este possa falar daquilo que tiver necessidade. Com isso, vemos que a prática do psicólogo nessa área está muito mais direcionada na ressignificação da vida.