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4. BULGULAR

4.1. Simülasyon Sonuçları

4.1.1. Açıklayıcı Olmayan Prior Bilgiye Dayalı Simülasyon Sonuçları

IV. 1. Inventário do Espólio Total e em Estudo

Ao longo de seis campanhas de trabalhos arqueológicos (1979-1984), no adro da Igreja de Santa Maria do Castelo (Castelo Branco), foram recolhidos 918 fragmentos cerâmicos, 1409 objectos metálicos, 191 numismas, diversos artefactos em azeviche (12), cabedal (10), osso (4) e vidro (13), 44 fragmentos de espólio arqueozoológico, 56 elementos pétreos, um conjunto de sementes e ainda restos de madeira, estuque, carvão e turfas.

No que diz respeito às cerâmicas, uma vez que não foi possível efectuar grande número de reconstruções, o levantamento formal das peças teve que ser feito apenas em função das partes constituintes das mesmas, essencialmente bordos e fundos (não esquecendo as asas e as paredes decoradas). Do conjunto em estudo, após as colagens, só foi possível atribuir função a 650 fragmentos.

Em relação à cerâmica dita comum, dentro das loiças de servir à mesa foram recolhidos: 11 asas, 5 bordos, 3 fundos e 1 parede de jarro; 4 bordos, 8 fundos e 1 parede de prato; 14 asas, 15 fundos e 2 paredes de púcaro; 4 bordos e 3 fundos de taça. Do grupo das loiças de cozinha identificaram-se: 1 bordo e 6 fundos de alguidar; 1 pega de cafeteira; 3 bordos de frigideira; 16 asas, 59 bordos, 69 fundos e 20 paredes de panela; 13 bordos e 4 fundos de tampa e/ou testo. Das peças de armazenamento e/ou transporte obtiveram-se: 1 fundo de ânfora (fig. 60.2)); 3 asas, 9 bordos e 1 fundo de bilha, 26 asas, 8 bordos, 13 fundos e 1 parede de cântaro; 1 asa, 18 bordos, 69 fundos e 20 paredes de pote; 1 asa, 4 bordos, 4 fundos e 9 paredes de talha. Dentro dos contentores de fogo recolheu-se 1 fragmento de candeia, 1 fundo e 1 fragmento de grelha de defumador e 1 fragmento de grelha de fogareiro. Contam-se também dentro do conjunto da cerâmica comum 3 marcas de jogo, 1 peso de tear (fig. 60.1) e 68 fragmentos de telhas, tijolos e tijoleiras.

No que se refere às cerâmicas esmaltadas e/ou vidradas identificou-se a funcionalidade de 100 fragmentos. Na loiça de mesa incluem-se: 3 asas, 1 bordo e 1 parede de jarro; 12 bordos, 14 fundos e 10 paredes de prato; 10 bordos e 10 fundos de

taça e 1 fundo de garrafa. Dentro deste tipo de cerâmica existem ainda 6 bordos, 2 fundos e 9 paredes de alguidar, 2 marcas de jogo e 18 fragmentos de azulejos.

Deste universo seleccionaram-se para estudo 132 fragmentos cerâmicos, a saber: alguidar (1 bordo e 1 fundo), azulejo (4 fragmentos), bilha (9 bordos e 1 fundo), cafeteira (1 pega) candeia (1 asa), cântaro (4 bordos e 3 fundos), defumador (1 fragmento de grelha), frigideira (3 bordos), garrafa (1 bordo e 1 fundo), jarro (4 asas, 2 bordos e 2 paredes), marca de jogo (3), panela (21 bordos e 2 fundos), pote (4 bordos e 4 fundos), prato (5 bordos, 9 fundos e 1 parede), púcaro (2 asas 4 fundos), taça (5 bordos, 8 fundos e 1 parede), tacho (2 bordos) talha (1 asa, 2 bordos, 1 fundo e 2 paredes) e tampas/testo (4 bordos e 2 fundos).

No que diz respeito aos artefactos em azeviche, osso, cabedal e vidro, são na maioria peças associadas aos enterramentos na necrópole. Das 13 peças em vidro foi possível identificar, além de 3 anéis, 1 pulseira (?) e algumas contas, 2 fragmentos de garrafas, 1 asa de chávena (?) e 1 pé de cálice. Em azeviche e osso existem vários fragmentos de contas, cruzes e também uma pequena figa. Em cabedal foram encontrados 10 fragmentos de sapato. Deste conjunto constam do catálogo as peças mais completas e pelo menos um exemplar de cada.

No conjunto de objectos metálicos recolhidos estão presentes muitas peças normalmente associadas à vida quotidiana das populações. Alguns deles estam relacionados com os sepultamentos existentes neste espaço de necrópole constituído pelo adro da Igreja de Santa Maria do Castelo. Assim, de 1409 objectos recuperados foi possível identificar funcionalidade para 1377, que são os seguintes: 400 alfinetes, 2 anéis, 2 anilhas, 1 aplique de móvel, 8 argolas, 1 bala de mosquete, 17 bolas de pedreira, 4 botões, 2 brincos, 1 cabo de sinete, 1 cadeado, 2 chaves, 1 corrente, 2 cruzes, 2 dobradiça, 1 fecho de livro, 4 fechos de cinturão, 2 ferradura, 1 firmal, 3 fivelas, 3 fuzilhões, 1 ilhós, 2 lâminas de faca, 7 medalhas, 1 pega de caldeiro, 1 pintadeira, 12 pontas de atilhos, 882 pregos e 1 virote de besta. Deste conjunto seleccionaram-se as peças mais significativas, nomeadamente as total ou parcialmente completas. No caso dos alfinetes e dos pregos foi possível criar tipologias formais, que poderão indicar a que fim estes se destinavam.

Presente está igualmente o estudo dos 191 numismas recuperados, encontrando-se um deles preservado com o tecido que lhe estava associado. Outros

exemplares também estavam envolvidos em tecido, que lhes foi retirado no momento do restauro, encontrando-se actualmente preservado em invólucros próprios.

No catálogo estão ainda alguns elementos em material pétreo, como sejam as 12 estelas funerárias e uma tampa de sepultura, malhas de jogo e/ou tampas e uma bala de funda.

Exumaram-se no adro da igreja ainda 44 fragmentos de espólio arqueozoológico, nomeadamente restos de dentição e ossos de articulações analisados e estudados por Miguel Teles Antunes.

IV. 2. Cronologia e Paralelos

Uma vez que para o espólio estudado não foi registada a sua contextualização estratigráfica, é extremamente importante o recurso a paralelos para obter uma datação relativa do mesmo.

A existência de regionalismos levanta igualmente problemas, uma vez que para se atribuir uma datação a essas peças é necessário ter em linha de conta a realidade local do ponto de vista material. Na região da Beira, à excepção dos castelos de Castelo Novo e de Penamacor, muito embora já terem tido lugar várias intervenções (Belmonte, Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Idanha-a-Velha, Fundão, Sabugal, Sortelha, Vilar Maior, ...), poucos foram os locais onde o espólio medieval e/ou moderno foi alvo de estudo com posterior publicação dos resultados.

São por isso apontados paralelos com locais intervencionados no resto do país, para os quais existem cronologias bem datadas, quer do ponto de vista estratigráfico, quer através de numismas que aferem o primeiro. É também possível observar este tipo de espólio em pinturas contemporâneas das produções cerâmicas.

Existem poucos estudos em Portugal sobre materiais não cerâmicos, nomeadamente quando estes correspondem a cronologias tardias, quer medievais, quer modernas. Apesar disso, nos últimos anos têm sido efectuadas intervenções arqueológicas onde este tipo de artefactos foi recolhido, estudado e em alguns casos publicado em revistas ou catálogos de exposições. São exemplos deste caso os trabalhos arqueológicos decorridos nos conventos de Santa-Clara-a-Velha de Coimbra (2004) e de São Francisco de Santarém (2002), na Igreja de Nossa Senhora da Conceição do

Cadaval (Cardoso, 2007), na Igreja do Convento do Carmo (Ferreira, 1999; Ferreira e Neves, 2005) e no Mosteiro de São Vicente de Fora, ambos em Lisboa. No último caso, as peças deste tipo de espólio encontram-se em exposição no local, mas os resultados do sua análise estão dispersos por várias publicações. Existem ainda alguns estudos de caso, cujo catálogo destaca essencialmente o espólio cerâmico, mas que não deixa de publicar outro tipo de materiais (Castelo Novo, Palmela, Penamacor, Silves e Sintra).

IV. 2. 1. As Cerâmicas

O conjunto da cerâmica comum é sem dúvida o mais numeroso e com maior amplitude cronológica de todo o espólio em estudo. Há uma predominância das panelas, seguindo-se-lhe os potes e os cântaros, normalmente em pastas laranjas ou castanhas.