4. ŞİRKET FAALİYETLERİ VE FAALİYETLERE İLİŞKİN ÖNEMLİ GELİŞMELER
4.12 Şirketler topluluğuna bağlı bir şirketse; 4.10’de bahsedilen hukuki işlemin yapıldığı veya önlemin
A Igreja, até o ano 312, ainda vivia, de certa forma, a herança de seus primeiros tempos. Até esse momento, apesar do processo de institucionalização crescente, a experiência cristã ainda estava marcada pela coragem do martírio e pela vivência fraterna. O Edito de Milão, em 313, como se refere Gramsci, transforma profundamente a vida eclesial cristã:
Depois do Edito de Milão, o cristianismo sofre uma transformação profunda, conseqüência de suas relações com o aparelho de Estado imperial: de ideologia das classes subalternas, o cristianismo se torna a concepção do mundo oficial do Império; de organização de massa não- violenta, a Igreja se torna aliada do Império, seu sustentáculo ideológico. O movimento de resistência não-violenta dá lugar a um aparelho ideológico que doravante utilizará a ajuda do braço secular para vencer seus adversários. ( Portelli, 1984, p. 53)
Logo após sua confirmação oficial no poder, vencendo Maxêncio em 312, Constantino (306-337) concede imunidade aos sacerdotes cristãos, igualando-os aos sacerdotes pagãos. A partir daí, eles passaram a receber ajuda financeira do Estado, pois estavam integrados nos quadros religiosos oficiais.
Gramsci afirma ainda que esta aliança com o Império Romano modifica a Igreja em sua relação com o movimento das classes subalternas, na forma de organização eclesiástica e da vivência da religião em si. E é com esta nova face, diz ele, com a qual a Igreja vai tornar-se a estrutura ideológica do mundo feudal.
Leonardo Boff comenta sobre essa nova etapa da Igreja, nesta mesma direção, afirmando que a Igreja parece que não estava, apesar das perseguições,
preparada para enfrentar evangelicamente os desafios próprios do poder. Ela não aboliu a ordem preexistente. Assumiu-a e adaptou-se a ela. (Boff, 1981, p. 87).
A entrada definitiva do cristianismo nos quadros do Império aconteceu com a lei de 28 de fevereiro de 380 de Teodósio, o Grande, declarando o cristianismo religião de Estado. Com esta lei, o cristianismo passa a ser obrigatório para todos os súditos. Pouco tempo depois, quem não acatasse esta decisão era declarado herege ou louco e deveria ser banido da sociedade como conspirador contra a ordem política estabelecida, que era, ao mesmo tempo, religiosa.
Os imperadores Honório e Teodósio II, em 423, impõem o banimento e até a pena de morte àqueles que participassem dos sacrifícios pagãos. O imperador Justiniano, em 529, em seu código civil, liquida oficialmente o paganismo, fazendo com que as prescrições bíblicas e eclesiásticas fossem também regras estatais. Incrementa-se, então, a entrada em massa de pessoas ao cristianismo, não como fruto de um processo de adesão sincera, mas de imposição e coerção social. Instala-se, assim, um cristianismo culturalmente marcado pelo medo, que passará a ser referência para a pedagogia missionária na Igreja, expressa em vários catecismos. A fé deixa de ser semente para tornar-se imposição.
E como bem lembra Durkheim, as ‘causas primeiras’ pouco a pouco deixam de ser percebidas por causa dos inúmeros sistemas de interpretações que acabam deformando o sentido primordial da proposta, adaptando-a, pouco a pouco, aos interesses da classe dominante.
Em 325, o primeiro Concílio Ecumênico de Nicéia, convocado por Constantino, impôs a igualdade entre os patriarcas de Jerusalém, Alexandria, Antioquia e Roma. Mas o bispo de Roma já tinha autoridade especial. Teodósio, o imperador que oficializou o cristianismo, foi quem empregou a palavra papa. Decretos imperiais legalizaram o poder papal. Entre 440 e 461, governou Leão I, que foi o fundador da primazia de Roma. O Egito do imperador Valentiniano III confirmou a primazia do bispo de Roma no Ocidente.
Quando se autodenomina Igreja Católica Romana, não é por acaso, isto é, aqui a romanidade é entendida como centro de referência e mesmo de identificação do cristianismo católico.
Boff comenta sobre a importância que passou a ser dada a Roma,
A ideologia romana de que a dea Roma9 era responsável pela grandeza do império foi sendo lentamente transformada por Ambrósio10 (+ 397),
Prudêncio11 (+ 405) e Leão Magno12 (+ 461) numa ideologia cristã,
apresentando Cristo e os príncipes dos apóstolos Pedro e Paulo como fautores reais da grandeza. Prega S. Leão Magno: << Ambos os apóstolos foram os que conduziram (ó Roma) a tão grande fama... Através da Religio Divina deverás estender teu poder ainda mais do que outrora mediante o poder profano>>. (Boff, 1981, p. 135-136)
O poder absoluto da Igreja instituição desenvolveu-se como qualquer outro poder totalitário que o mundo já conhecia. Ao contrário dos primeiros tempos, a
ecclesia deixa de significar a comunidade dos cristãos, para tornar-se a poderosa
instituição.
O resultado desse processo foi a implementação de uma forma de exercício e distribuição de ‘poder sagrado’ altamente centralizado em Roma e controlado por um grupo seleto de membros da hierarquia eclesiástica.
Os cristãos que constituíam apenas ¼ do império assumem a direção ideológica. Para cumprir essa função cultural, a Igreja teve que constituir seus quadros, instaurar um corpo de peritos, formados na cultura dominante filosófica, jurídica e organizacional de então. É o clero. Seus membros se impõem como intelectuais orgânicos dos interesses eclesiais articulados com os interesses da ordem imperial. De perseguido, o cristianismo se transforma em perseguidor. Nesta função, como já observou Gramsci, no Ordine Nuovo, o cristianismo significa o protótipo de uma revolução total. Consegue cobrir todos os campos, alcançando a todos, desde os recém-nascidos aos moribundos, e expressando-se na filosofia, no direito, nas artes, na teologia e no cotidiano da vida da população... Os demais segmentos da sociedade são subalternizados e cooptados para o projeto hegemônico sacerdotal-imperial. (Boff, 2000, p. 183-184).
Neste contexto, a difusão do evangelho não se faz mais com a convicção e o ardor dos missionários dos primeiros séculos, levando em conta as características culturais de cada povo, mas, agora, vale a imposição de uma cultura já cristianizada, a cultura da elite romana, com conseqüente desestruturação das culturas autóctones e populares.
9 dea Roma – significa deusa Roma.
10 É conhecido como Santo Ambrósio; foi Bispo de Milão e doutor da Igreja. 11 Poeta cristão
Até o século XI o poder da Igreja é um poder tutelado pelo império. A Igreja tinha se transformado num grande espaço onde os imperadores dispunham dos cargos eclesiásticos, usando e abusando deles. Por sua vez, a Igreja-instituição, imbuída de poder, lançou mãos até de artifícios ilegais, como falsificação de decretos e documentos, para atingir suas ambições.
O Estado da Igreja nasceu em 756, a partir do Patrimônio de São Pedro, concedido por Pepino, o breve, ao vencer os lombardos. O papado justificava mais pretensões territoriais com base num documento falso, Donatio Constantini (Dação de Constantino), segundo o qual Constantino teria doado o Ocidente à Igreja. A Igreja (hierarquia) torna-se cada vez mais rica e poderosa, como descreve Luxemburgo (1986)
Logo que a religião cristã se tornou uma religião de Estado, o clero exigia que as ofertas fossem trazidas tanto pelos pobres como pelos ricos. Desde o século VI o clero impôs uma taxa especial, o dízimo (a décima parte das colheitas), que tinha de ser paga à Igreja. Esta taxa esmagava o povo como um pesado fardo... O dízimo era imposto sobre qualquer porção de terra, sobre qualquer propriedade... Assim, os pobres não só perderam a ajuda e o apoio da Igreja, mas viram os padres aliarem-se com os seus outros exploradores: príncipes, nobres, agiotas... Além dos dízimos e de outras taxas, a Igreja se beneficiava, neste período, de grandes doações, legados feitos por ricos libertinos de ambos os sexos que desejavam compensar, no último momento, a sua vida de pecado. Deram e voltaram a dar à Igreja dinheiro, casas, aldeias inteiras com seus servos e algumas vezes rendas de terra ou direitos consuetudinários de trabalho. (Luxemburgo, 1986. p. 43)
A monarquia pontifical se fortalecia. Eleitos pelo povo e pelo clero, bispos e arcebispos passaram a ter seus nomes confirmados em Roma.