2.4. Mal / Hizmet Üretim ve Satışları
2.5.7. Şirketin Sermayesinin Karşılıksız Kalma Durumu
A partir da década de 80, a atenção de países europeus e americanos se voltou para ajustes estruturais com reformas orientadas para o mercado. Essas reformas se deslocaram para a ênfase à reforma do Estado, particularmente, para a reforma administrativa. Isso se deveu à necessidade de reconstruir ou redefinir o Estado num mundo globalizado.
No Brasil, essas reformas aconteceram por volta da década de 90, com a finalidade de transformar a administração burocrática em gerencial. Segundo Bresser Pereira (2006, p. 21- 22), essa reforma teria o objetivo de possibilitar "uma administração pública moderna e eficiente, compatível com o capitalismo competitivo [e seria, portanto], necessário flexibilizar o estatuto da estabilidade dos servidores públicos de modo a aproximar os mercados de trabalho público e privado".
Desse modo, promover a reforma significaria reduzir o Estado a fim de limitar suas funções como produtor e regulador de bens e de serviços. Para muitos, era necessário refundar a República visando aprimorar a democracia e torná-la mais participativa e direta e reformar a administração pública para transformá-la em gerencial e compatível com contexto internacional. No bojo dessas reformas, posteriormente à década de 90, estados e municípios iniciaram reformas dos seus serviços públicos. Essa é uma realidade do estado de Pernambuco que, em 2007, fez uma reforma administrativa em diversos campos. Porém de mais envergadura foi a que foi feita nos campos da saúde, da educação e da segurança. No caso da educação, foi implantado o Programa de Modernização da Gestão Pública - Metas - para a Educação e estabelecidos objetivos e metas prioritárias. A partir dessas diretrizes, o Estado implantou um modelo de gestão baseado num sistema de monitoramento, na avaliação e nos resultados do sistema educacional.
É notável,nessa ação, que o Estado quis se reformar ao substituir o modelo burocrático e implantar um modelo gerencial para a educação com base em resultados. De acordo com Przeworski (2006), essa reforma consiste em equipar o Estado com instrumentos para uma intervenção efetiva e criar incentivos para que os servidores públicos atendam aos interesses públicos de modo a criar mecanismos de accountability, em que seja possível o os políticos eleitos monitorarem a burocracia, e os cidadãos serem capazes de saber quem é responsável pelo que na burocracia estatal.
Diante desse contexto, buscamos uma aproximação de entendimento sobre a reforma estatal implantada no contexto educacional de Pernambuco. Para isso, foram analisados 18 documentos, em que foram identificadas 48 ocorrências da categoria 'reforma'– 40, nos documentos políticos, 02, nos documentos regulatórios, e 06, nos administrativos. Ressaltamos que, de acordo com o Apêndice B, a categoria 'reforma' somente aparece nos documentos políticos com duas ocorrências, e as demais aparecem referenciadas como 'melhoria' ou 'mudança' e foram identificadas em todos os grupo de documentos.
A análise dos documentos e os achados expressos nos trechos do Quadro 3, abaixo, possibilitaram-nos fazer algumas inferências como estas: quando a categoria 'reforma' se apresenta associada a 'melhoria', ela aparece relacionada à melhoria do processo ensino- aprendizagem, a partir dos indicadores educacionais, acompanhado de um discurso de promoção da qualidade social da educação; quando vem associada a 'mudança', apresenta-se nos documentos vinculadas ao modelo de gestão implantado pelo Estado.
Quadro 3 - Trechos dos Documentos / Categoria Reforma
"A partir de 2007, o Ministério da Educação, por meio do Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE- institui o Plano de Ações Articuladas – PAR- em que passa a disponibilizar mais recursos para a reforma e a construção de prédios escolares."
"promover a melhoria no processo de ensino e aprendizagem".
"fortalecer a política de valorização e remuneração dos profissionais da educação, visando, primordialmente, à melhoria da qualidade do ensino prestado nas Unidades Escolares da Rede Estadual".
"O Sistema de Avaliação Educacional de Pernambuco e as Metas para a Educação Básica constituem uma política pública cuja diretriz é assegurar a melhoria da qualidade social da educação pública".
"O sistema de monitoramento tem como finalidade acompanhar os indicadores de processo (frequência de estudantes e professores, cumprimento do currículo, estudantes abaixo da média, aulas previstas x aulas dadas, cumprimento do calendário letivo, estudantes não alfabetizados, estudantes com distorção idade-série) nas escolas estaduais e disponibilizar informações seguras para a tomada de decisões e correção de rumos, objetivando a melhoria constante dos indicadores de resultados (taxa de aprovação, resultados de avaliações externas como SAEPE e Prova Brasil, Idepe e Ideb)".
"O Programa está focado na melhoria dos indicadores educacionais do Estado, sobretudo, do índice de Desenvolvimento da Educação Básica - IDEB e do Sistema de Avaliação da Educação de Pernambuco - SAEPE, onde o Governo definiu metas a serem cumpridas, ano a ano, pelos gestores das unidades de ensino e das Gerências Regionais de Educação (GREs)".
"Há pouco mais de quatro anos, Pernambuco promoveu uma grande mudança no seu modelo de gestão, com transformações que produziram resultados visíveis por todo o Estado".
Podemos perceber, portanto, nos trechos acima, que a reforma empreendida no campo educacional, no estado de Pernambuco, vem fortalecer o discurso empreendido na década de
90 e defendido, principalmente, por Bresser Pereira (2002, 2005, 2006a, 2006b, 2006c, 2007, 2013) de que o Estado deveria se adequar ao contexto globalizado, do qual deveria adotar um modelo de gestão gerencial baseado na descentralização, no controle de resultados, na competição e no controle social.
Isso se evidencia quando o estado de Pernambuco entende a melhoria do processo de ensino-aprendizagem como o alcance de indicadores de resultados pré-estabelecidos, porquanto o planejamento voltado para a avaliação, o resultado, o monitoramento e o controle são característicos da abordagem administrativa gerencial, o que indica uma adequação do sistema educacional para o atendimento às demandas criadas pelo acirramento do capital.
Para Przeworski (2006), a reforma tem o objetivo de fortalecer a capacidade do aparelho estatal de cumprir seu papel. No entanto, é preciso fazer um exame apurado da reforma, pois, segundo Spink (2006), a experiência latino-americana deixou a desejar, e muitas das reformas empreendidas na década de 90 levaram em consideração apenas a dimensão técnica e quase ignoraram a dimensão política, o que nos serve de alerta, pois a reforma é, antes de tudo, política, e a falta de alternativas discursivas pode acarretar consequências. Spink (2006, p. 163) acrescenta que,
examinando as teorias e as explicações sobre a reforma que tem surgido do debate acerca do assunto que tiveram parte ativa nesse debate, é a dimensão técnico- voluntarista do como fazer certo que tem preponderado sobre qualquer discussão de adequação política. As teorias políticas de reforma, ainda que presentes na literatura de ciências políticas raramente aparecem nos fóruns de reforma, neles, são outros conjuntos de teorias que servem de base ao debate. De modo geral esses podem ser agrupados de acordo com quatro temos recorrentes: "quantidade", "competência", "estratégia" e "poder". (SPINK, 2006, p. 163)
Afonso (2009) assevera, no entanto, que as reformas educacionais têm muito aver com os processos de legitimação singulares às sociedades industriais contemporâneas, por isso não se deve dar atenção especial somente às funções manifesta das dessas reformas, mas também às latentes. Assim, ficam claro os sinais de que ocorreu e/ou está a ocorrer, a partir da implantação da "reforma" da gestão educacional em Pernambuco, uma modificação na orientação das tarefas do Estado e no reconhecimento de que a burocracia estatal está a caminhar para o modelo gerencial de gestão orientado para o atendimento dos cidadãos (clientes).
Diante desse contexto, coube-nos examinar a categoria 'Estado', visto que a reforma se deu na estrutura estatal visando melhorar o serviço público, no caso aqui estudado, a educação pernambucana. De acordo com Afonso (2009, p. 95-98), "o Estado não pode deixar de ser
integrado como um elemento chave na análise das políticas educativas, [pois][...]o Estado e o modo como esse funciona nas sociedades capitalistas é uma condição indispensável para problematizar a função da escola e da educação".
No exame dos documentos, e de acordo com o Apêndice B, foram identificadas 106 ocorrências da categoria 'Estado' – 73, nos documentos políticos; 14, nos regulamentórios, e 19, nos administrativos. A categoria 'Estado' aparece nos achados como forma organizacional como entidade que tem poder soberano para governar um povo em uma área territorial delimitada. Percebemos também que isso ocorre em todos os documentos, no entanto, é exclusividade do grupo de documentos administrativos e regulatórios. Isso pode ser evidenciado no quadro 4, abaixo.
Quadro 4 - Trechos dos Documentos - Categoria Estado "O GOVERNADOR DO ESTADO DE PERNAMBUCO"
"Art. 1º Fica instituído, no âmbito do Estado de Pernambuco, o Bônus de Desempenho Educacional - BDE".
"Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco, em 05 de julho de 2007".
"no âmbito do Estado de Pernambuco, e dá outras providências".
Outra dedução feita a partir dos achados foi sobre o papel do Estado, que é apresentado nos documentos como garantidor do bem-estar social ou Estado-providência. No entanto, todo o planejamento educacional pauta-se na eficiência e eficácia com vistas às necessidades do mundo globalizado que são características do Estado Neoliberal28.
Seguindo o pensamento de Sousa apud Afonso (2009), o Estado-providência é um pacto entre o capital e o trabalho, em que o Estado tem o papel de compatibilizar capitalismo e democracia; uma relação tensa entre acumulação e legitimação; um elevado nível de despesas em investimento e consumo sociais; e uma estrutura administrativa consciente de
28
A visão Neoliberal de Estado entende que o este "deve restringir-se a garantir a propriedade e os contratos, devendo, portanto, desvencilhar-se de todas as suas funções de intervenção no plano econômico e social. sua política macroeconômica deveria ser neutra, tendo como único objetivo o déficit público zero e controle do aumento da quantidade de moeda para que esta cresça de forma constante à mesma taxa do crescimento natural do PIB; sua política industrial, nenhuma, e sua política social, na versão mais pura do neoliberalismo, também nenhuma, dados os efeitos inesperados e perversos qua as políticas sociais teriam" (BRESSER PEREIRA, 1998, p. 57-58).
que direitos sociais não são benevolência do Estado. Então, levando em consideração as ideias desenvolvidas por Habermas (1980) sobre as tipologias de crise do capitalismo (econômica, de racionalidade, legitimidade e motivação), coube-nos fazer algumas considerações sobre o contexto educacional de Pernambuco.
Em 2007, o estado de Pernambuco vivia uma crise de racionalidade administrativa, pois seu sistema de ensino encontrava-se com os piores resultados do IDEB no Brasil. Isso provocou um questionamento sobre a qualidade da escola pública pernambucana e obrigou a se redefinirem os propósitos da educação no Estado, o qual colocou em pauta a 'modernização' do modelo de gestão educacional e se apoiou, fundamentalmente, em estratégias administrativas, a fim de expandir e reorganizar o sistema educativo. Desse modo, o Estado preocupou-se em elaborar uma política educacional voltada para o atendimento dos interesses econômicos, quando implantou um sistema de gerenciamento da educação que tem como base a avaliação, o monitoramento e a pactuação de metas.
A descrença no sistema educativo vivenciada naquele momento reflete a crise de
legitimidade, que teve como foco o discurso de uma educação de boa qualidade social
pontuada como acesso, permanência e formação plena do aluno e pautada nos princípios de inclusão e cidadania. Esse discurso veio na tentativa de restabelecer a legitimidade do Estado para atender aos propósitos pretendidos pela sociedade e as instituições educacionais.
Para além da crise de legitimidade, temos vivenciado, em contexto mundial e, mais especificamente, a partir do Século XXI, uma fase de profunda insatisfação dos jovens com as perspectivas de futuro, e as escolas parecem não responder a essa realidade. Desse modo, evidencia-se a crise de motivação anunciada por Habermas (1980), a qual tende a estimular mudanças nas políticas educativas e, sobretudo, voltadas para introduzir formas de avaliar - a partir de matrizes curriculares previamente estabelecidas - nos sistemas de ensino. Essas avaliações são consideradas como uma forma de promover a motivação dos alunos e o desenvolvimento do Estado.
Isso, mais uma vez, caracteriza a estreita ligação entre as reformas educacionais e os interesses econômicos internacionais, além de ser um equívoco entender que a motivação independe das discussões (legitimidade) sobre como os conteúdos estudados podem promover a aprendizagem significativa para o aluno. Afonso (2009, p. 108) entende que
promover a motivação deixa de ser um processo pedagógico, cujo objetivo seria criar predisposição positiva para os alunos aprenderem conhecimentos que valem a pena ser aprendidos, para passar a ser um processo sócio-político, gerido pelo Estado, de acomodação às realidades da crise econômica: a motivação, que deve ser
essencialmente um processo de encorajamento educativo, pode transformar-se assim numa estratégia de gestão da crise. (AFONSO, 2009, p. 108)
É nesse contexto que surge, em Pernambuco, o Estado-avaliador que, segundo Afonso (2001, 2009, 2012), expressa o ethos competitivo que admite a lógica de mercado, através da importação do modelo de gestão do setor privado que dá ênfase a resultados. Nesse contexto, a avaliação aparece como um pré-requisito para a implantação desses mecanismos de gestão. Isso se justifica porque, como estamos vivenciando o acompanhamento dos níveis da educação nacional, é necessário criar e manter altos padrões de inovação científica e tecnológica para enfrentar a competitividade internacional e estabelecer objetivos claros e bem definidos por meio dos quais se possam medir os indicadores e as performances dos sistemas educacionais.
As inferências acima discutidas podem ser visualizadas nos trechos extraídos dos documentos analisados, apresentados no Quadro 5, mostrado abaixo.
Quadro 5 - Trechos dos Documentos - Categoria Estado
"A eficácia e eficiência são dois atributos básicos da educação de qualidade social para todos e relaciona-se com a capacidade do Estado em garantir o direito à educação pública de qualidade para todos que dela necessitam".
"Educação de qualidade social e para todos é condição para o desenvolvimento e para a conquista da justiça social, fortalecendo as bases para consolidar um estado com alto Índice de Desenvolvimento Humano, reconhecido por ofertar as condições econômicas, políticas, sociais, culturais e ambientais para que todos os indivíduos desenvolvam suas potencialidades e tenham garantidos os direitos plenos da cidadania".
"Assegurar, por meio de uma política de Estado, a educação pública de qualidade social para todos, focada em resultados, visando garantir o acesso, a permanência e a formação plena do estudante, pautada nos princípios de inclusão e cidadania".
"MISSÃO
ASSEGURAR, POR MEIO DE UMA POLÍTICA DE ESTADO, A EDUCAÇÃO PÚBLICA DE QUALIDADE, FOCADA EMRESULTADOS, VISANDO GARANTIR O ACESSO,A PERMANÊNCIA E A FORMAÇÃO PLENA DO ALUNO,PAUTADA NOS PRINCÍPIOS DE INCLUSÃO E CIDADANIA".
"O Programa está focado na melhoria dos indicadores educacionais do Estado, sobretudo, do índice de Desenvolvimento da Educação Básica - IDEB e do Sistema de Avaliação da Educação de Pernambuco - SAEPE, onde o Governo definiu metas a serem cumpridas, ano a ano, pelos gestores das unidades de ensino e das Gerências Regionais de Educação (GREs) ".
"Garantir oportunidades por meio da educação para todos os pernambucanos é considerado estratégico para diminuir a distância entre o desenvolvimento econômico e social, consolidando as bases para um estado com alto índice de desenvolvimento humano, reconhecido por ofertar as condições econômicas, políticas, sociais, culturais e ambientais para que todos os indivíduos desenvolvam suas potencial idades e tenham garantidos os direitos plenos da cidadania".
Como se verifica nessas argumentações, as crises educacionais e, consequentemente, as reformas educacionais para sanar essa crise, mantêm uma ligação direta com as condições e as consequências do funcionamento do sistema econômico. Assim, a forma como o Estado gere a educação é inerente às condições econômicas e às estratégias adotadas para enfrentar as demandas da economia.