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Şiirin çocuklara sağladığı yararları şunlardır;

OKUL ÖNCESİ ÖĞRETMENLİĞİ

HAREKET KAVRAMI ALGILAMA

36. Şiirin çocuklara sağladığı yararları şunlardır;

alemã. Isto não se discute nesta tese. O que se problematiza são as estratégias para homogeneizar a autoimagem da cidade, a manutenção da situação, de um tipo idealizado de indivíduo e de estrutura social que, de geração a geração, por uma série de fatores e de teias de interdependência, fizeram de Blumenau uma configuração social complexa e heterogênea, embora projetada socialmente como cidade de alemães.

Para fortalecer algumas teias, já descritas no primeiro capítulo, e manter a força da tradição, algumas instituições foram planejadas, dirigidas, acompanhadas e fortalecidas ao longo dos anos, e mantiveram-se, em menor grau, é verdade, na estrutura da cidade. Exemplo disto são os clubes de caça e tiro, tipicamente construídos no tempo da colônia como lugar das manifestações culturais populares. Como já afirmado também no capítulo primeiro, o clube 25 de Julho foi, e continuou sendo, um dos mais tradicionais neste quesito, pois mantém até hoje um grupo de teatro que usa predominantemente o idioma alemão.

Beber chopp, dançar ao ritmo das bandinhas típicas alemãs. Os bailes animados pela sanfona e pelo bandoneon93 compõem velha tradição dos primeiros clubes de atiradores, característicos do associativismo alemão. As bandinhas típicas eram nas décadas de 1980-

1999, foco de investimento da prefeitura municipal de Blumenau, inclusive fazendo parte da organização curricular das escolas municipais, no projeto “Bandas” desde 1989, que se manteve vivo mesmo na troca de gestões municipais.

Tradição fortalecida, o 23º batalhão de infantaria reforçou estas manifestações, pois se agregou às bandas municipais e escolares com seu corpo musical, presente em todas as festividades, fossem cívicas ou pertencentes ao folclore alemão.

Folclore alemão. Imbuída de reproduzi-lo na configuração blumenauense, nasceu a Oktoberfest na década de 1980. Veiculada na imprensa em nível nacional e internacional como festa representativa do soerguimento da cidade após duas grandes enchentes (1983, 1984, esse último ano como sendo o da primeira Oktoberfest), a “festa do chopp” desde sua primeira edição foi vendida como sendo uma festa representativa dos costumes e tradições alemãs, mas, sobretudo, como microevento cultural que vinha provar a capacidade do povo blumenauense de erguer-se vitorioso diante das turbulências e imprevistos do cotidiano.

Na verdade, a origem da festa não foi a partir da primeira grande enchente, em 1983. A festa foi projetada pela rede hoteleira e pelo Clube de Diretores Lojistas (CDL) desde 1981, como forma de potencializar o turismo na cidade, tendo como premissa importar para Blumenau o modelo da festa alemã do chopp vivida em Munique. (Acib, 1989).

Como já citado anteriormente, foi nesse período que o setor têxtil passou a viver dificuldades, não em virtude das grandes enchentes, como se costumou propagar pela cidade, mas em função de macroeventos econômicos, efeito dos processos de internacionalização do capital, turbulência na economia nacional, mudanças na política cambial e alterações nas regras de controle de preço, que se fizeram sentir também na economia blumenauense.

Apesar disso, o segundo slogan propagado na cidade foi: “Em Blumenau, tudo alles blau” (tudo azul). Campanhas de embelezamento foram empenhadas pela prefeitura e pela secretaria de turismo, sobretudo no que diz respeito ao plantio de flores nas praças, jardins, marquises de estabelecimentos comerciais. O governo do estado na época lançou também uma “promoção” na isenção de impostos para restaurantes e similares que oferecessem pratos típicos como destaque. Além disso, a prefeitura lançou o campeonato anual de Blu Garden, para premiar o jardim mais bonito da cidade, campeonato que durou até o ano de 1996. Isso para manter o status de “cidade jardim”.

Vale lembrar, conforme já apresentado no capítulo anterior, que em meados da década de 1880, o Dr. Blumenau punia monetariamente os colonos que não embelezassem seus jardins, que não deixassem seus terrenos limpos, inclusive os passeios públicos, ou seja, as vias de acesso à moradia. Na década de 1980 era simbolicamente punido o blumenauense que

não fizesse valer o status de Blumenau “campo de flores”, embelezada pelo bom cidadão, trabalhador, ordeiro, pois que consegue reerguer sua cidade coletiva e solidariamente, colaborando para seu soerguimento.

Também se descreveu, no capítulo anterior, o papel (Gofmann, 1983) que o clube de caça e tiro 25 de Julho ocupou no cenário da atuação da elite local, assim como no enaltecimento do Dia do Colono e de sua figura empreendedora no palco da cidade, que buscava se fortalecer nas tradições, nos costumes, na Kultur alemã.

Foi exatamente o clube 25 de Julho que lá estava na primeira Oktoberfest, no ano de 1984, quando da segunda grande enchente (Flores,1997). Foi ele que recepcionou os quarenta turistas alemães que vieram especialmente para abrilhantar a festa em Blumenau.

Poder-se-ia aqui utilizar o conceito de Hobsbawn de “tradição inventada”? Tal como ele a concebe, ou seja, a tradição como sendo rituais e regras que buscam traçar uma continuidade com o passado, criando memórias que funcionem como estoque de manifestações culturais, sentimentos, lembranças, mesmo que sejam recentes, mas que ficam guardadas como se fossem representativas do passado?94

Ou poder-se-ia utilizar a categoria de Gofmann (1988), que chama de fachada comportamentos construídos e estigmatizados como representações de um “eu coletivo” no cotidiano, em diferentes cenários, por diferentes agentes?

A Oktoberfest foi mais uma das estratégias políticas para “germanizar” o território blumenauense e permitir a manutenção da situação de alguns valores do Deutschtum, muitas décadas depois da instauração da “pátria estreita”, da “colônia alemã fechada”95. Nas décadas de 1980-1999, a Oktoberfest e seu personagem central, o Vovô Chopão, compunham as festividades e nas atividades escolares das crianças na (pré)-escola do Kolleg.

Benzer Belgeler