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1.7. Siyasi Yapısı ve Yönetim

2.1.1. Şii Jeopolitiği

A ilustração é uma forma de expressão que pode utilizar diferentes linguagens artísticas, como o desenho, a pintura, a colagem, a fotografia. Os suportes também podem variar, desde revistas, jornais, livros, principalmente na literatura infantil e nas revistas em quadrinhos.

As origens da ilustração editorial remontam às iluminuras na Idade Média, e as transformações por ela sofridas, no decorrer dos tempos, estão intimamente ligadas à história da imprensa e da xilogravura.

O pioneirismo na multiplicação e estampagem de imagens, anterior à multiplicação da palavra impressa, é uma característica peculiar da xilogravura, empregada a serviço da ilustração e da obra de arte. A gravação em madeira pode ser considerada uma manifestação de resistência, levando-se em conta que sua origem é milenar, e que, na forma do seu processo de realização, ela não sofreu profundas transformações, apesar das inovações tecnológicas que têm sido utilizadas de forma crescente na produção de obras nas diferentes linguagens artísticas.

Ao analisar a história da xilogravura, observa-se que a sua função ilustrativa predominou por muito tempo e foi determinante para o seu desenvolvimento em diferentes épocas e em diversas regiões do mundo. “Durante o Renascimento, época de uma humanidade inquieta, aberta à inovação, inventou-se a imprensa como meio de difusor de textos, e a gravura, como recurso para ilustrar conceitos impossíveis de exprimir apenas por palavras” (CATAFAL; OLIVA, 2003, p 6). Dois segmentos podem ser destacados: primeiro, o de ilustração comercial, voltado para jornais, livros, revistas, pequenos anúncios e rótulos. O segundo, de ilustração para capas dos folhetos de cordel.

Durante certo tempo, questionou-se o valor artístico das gravuras de ilustração, tanto pelo aspecto comercial gerado pela encomenda como pela finalidade utilitária. Por este motivo, foi considerada apenas um produto e não uma obra de arte.

É fácil constatarmos a aversão que os artistas brasileiros, sejam arquitetos, pintores ou escultores, tiveram pela ilustração. Consideram-na uma arte

“inferior”, e desse desprezo resultou um grande prejuízo para eles próprios. Porque a ilustração, com o seu cabedal de possibilidades, entre os quais podemos incluir as diversas técnicas ditas artísticas (como a xilogravura, a água-forte, a ponta-seca, o talho-doce etc.) lhe emprestariam uma contribuição de gosto, inteligência e sensibilidade que jamais um artista deve desprezar (QUIRINO apud AMARAL, 1987, p. 179, grifos do autor).

Atualmente, este ponto de vista tem sofrido modificações, e de acordo com Costella (2006, p. 125), “uma gravura pode integrar-se ao mundo artístico, apesar de seu escopo primariamente utilitário, quando consegue sustentar-se por si mesma, independentemente do assunto, o interesse estético do observador”.

Mediante esta afirmação de Costella (2006), muitas obras ilustrativas podem ser inseridas como xilogravura de arte; entretanto, para Catafal e Oliva (2003, p 12), esta modalidade, que por eles é denominada de “gravura de aplicação”, por não ser uma criação livre, fruto de uma encomenda ou obrigatoriamente ter de estar atrelada a um tema, ocorre, quando a mesma é “imaginada para ilustrar um livro, um cartaz, um ex-libris, um cartão de boas festas, etc.”. Por isto, aqui se faz necessário definir o que será considerado, neste trabalho, xilogravura de ilustração – toda estampa realizada com a finalidade de ilustrar um texto, atrelada a uma encomenda, cujo resultado estético esteja obrigado a representar, mais fielmente possível, o assunto ilustrado. A partir desta definição, inicia-se uma análise da xilogravura de ilustração no Ceará.

A ilustração em xilogravura ainda sobrevive em alguns rincões do Nordeste brasileiro, mesmo com o advento das novas tecnologias, desenvolvidas, cada vez mais, no campo das artes gráficas. Quais as razões para que se utilize ainda um processo artesanal em pleno século XXI e que foi considerado superado desde o século XIX?

A xilogravura de ilustração comercial, também chamada de utilitária, era direcionada, principalmente, ao mercado de rótulos e pequenos anúncios. “A expressão ‘gravura utilitária’ é utilizada em relação à xilografia que se destina a fins comerciais, industriais ou científicos, embora, de certa forma, todo trabalho tem o seu fim utilitário” (MARTINS, 1987, p. 76).

Fig. 21_Anúncio publicado no “Álbum

du Fígaro” na França, 1875, xilogravura.

Na Europa do século XIX, são vários os exemplos deste tipo de ilustração, em geral, realizados em xilogravura de topo, com acentuado esmero técnico, como nesta xilogravura de um anúncio publicado no Álbum du Fígaro na França, em 1875 na (fig. 21). São estampas encontradas em diversos formatos: mapas, etiquetas, vinhetas, rótulos, propagandas, produtos comerciais, industriais e até partituras musicais. O uso deste tipo de produção perdurou até os anos 40 do século XX, apesar do desenvolvimento da clicheria.33 Martins (1987) considera que a longevidade

desse processo artesanal, aparentemente superado por outros meios considerados mais avançados, deve-se ao fato de que o taco de madeira sempre possibilitou a impressão do texto e da imagem simultaneamente, o que nem sempre ocorria com

outros processos, onerando o produto final.

O aspecto financeiro é um fator quase sempre determinante para a manutenção e uso de um processo técnico, seja ele artesanal ou industrial. As questões econômicas também são determinantes no mundo da cultura. Na verdade, é preciso pensar no modo como todas as relações, incluindo as econômicas e sociais, interferem na construção dos processos culturais de uma sociedade – é o que pensa Chartier (1990). Na Europa, mesmo quando passou a ser considerada ultrapassada, com relação a outros meios de impressão mais avançados, a xilogravura de ilustração comercial resistiu até se tornar economicamente inviável. O mesmo fenômeno ocorreu no Brasil, com algumas diferenças, visto que, até hoje, ela ainda continua sendo utilizada esporadicamente em algumas cidades no interior do Nordeste. Nestes centros menores, durante quase todo o século XX, seu uso tinha como principal motivação aspectos econômicos. Isto pode ser explicado pela ausência de outros processos de impressão mais modernos, rápidos e eficazes, que substituíssem os processos artesanais.

Na atualidade, em determinadas regiões como a do Cariri, por exemplo, o seu uso acontece por uma preferência estética, conquanto, no caso específico do cordel, o interesse pela capa em xilogravura, tenha superado o interesse pelas histórias.

No Brasil, somente no século XX a xilogravura assumiu a condição de obra de arte, independentemente das funções ilustrativas. A emancipação foi alcançada com certo atraso em relação à Europa, processo que, para Veneroso (2007), iniciou- se com o surgimento dos tipos móveis de Gutenberg. Com esta inovação no campo da impressão, a xilogravura ganhou autonomia, e a partir de então, constitui-se como obra de arte, sendo assinada por seus autores, alcançado parcela da importância que já desfrutavam outras áreas das Artes Visuais e, consequentemente, adquirindo identidade. Pode ser considerada como uma segunda etapa de libertação da atuação funcional, a desvinculação do uso da impressão comercial, de rótulos, mapas e cartazes, que passaram a ser produzidos com emprego das técnicas da litografia, do offset, que sofreriam significativas mudanças com a invenção da fotografia.

Portanto, ao se libertar da função ilustrativa, no Renascimento, a gravura começa sua caminhada rumo à desfuncionalização. Mais tarde, ao se libertar do uso comercial, quando mapas, cartazes, ilustrações, marcas, rótulos passam a ser impressos por outros meios, a gravura completa seu processo de desfuncionalização, ganhando autonomia. A autonomia da gravura vai assegurar a ela a possibilidade de dialogar com outras linguagens, se realizando plenamente como linguagem (VENEROSO, 2007, p. 1512-1513).

Ao assumir a nova condição como obra de arte, conseguiu atingir um nível de importância, equiparando-se, em alguns momentos, às outras linguagens artísticas; todavia, o novo status adquirido pela xilogravura não significou o abandono total da sua principal função até período, a de ilustração; no entanto, predominava o uso da xilogravura a fio.34 Somente em São Paulo, destacou-se a xilogravura de

topo na Escola de Xilografia do Horto Florestal,35 criada em 1939; a qualidade técnica

da produção desenvolvida nesta instituição é comprovada no exercício de um aluno, como mostra a Figura 22. O professor convidado para lecionar nessa Escola foi o alemão Adolf Kholer (1882-1950). De acordo com Martins (1987), o objetivo principal da instituição era a formação de gravadores especialistas em ilustração de topo. A principal atividade era a gravação de tacos para fins comerciais, réplicas de clichês dedicados à impressão de modelos da produção xilográfica alemã. Ressalta-se que o fato de a produção ter sido, exclusivamente, de interpretação e de ilustração impediu, de certa forma, o desenvolvimento de um núcleo mais amplo, voltado também para a criação artística.

Fig. 22_Exercício de aluno da Escola de Xilogravura do Horto em São Paulo, xilogravura.

34 Xilogravura a fio (também conhecida como xilografia a fibra) – modalidade em que se grava com a matriz cortada em tábuas no sentido vertical da árvore em pé, ao comprimento de sua fibra (DASILVA, 1976, p. 61).

35 A Escola de Xilografia do Horto foi criada em 1939, localizada no Instituto Florestal de São Paulo, especializada em gravura de topo, com a finalidade de desenvolver a gravura de interpretação e ilustração. Manteve-se em atividade até o final da década de 1940.

A gravura comercial era encontrada também em outras regiões brasileiras. No Ceará, no fim do século XIX e nas primeiras décadas do século XX, as matrizes entalhadas em imburana ou cascas de cajazeira, todas gravadas a fio, eram estampadas e publicadas nos jornais. Em Fortaleza, os primeiros exemplares encontrados são pequenos anúncios comerciais que atendiam a uma variedade de produtos: a procura de escravos fujões, venda de animais, roupas, alfaiataria, leilões de charutos. Inicialmente, eram publicados no jornal O Cearense, espalhando-se por outros periódicos que foram surgindo na Capital e também no interior do Estado.

O primeiro anúncio no jornal, O Cearense, é de outubro de 1846 e não continha imagens, similarmente ao do jornal A Gazeta, do Rio de Janeiro (fig. 23), o primeiro publicado no Brasil, no qual os anúncios já constavam desde o ano de sua primeira edição, em 1808. Variavam dos tipos de estabelecimentos como casas e livros, além de venda e fugas de escravos.

Fig. 23_Primeiro anúncio publicado no jornal A Gazeta do Rio de Janeiro, 1808.

A primeira imagem em jornal no Ceará só apareceu em 1847, nas páginas do diário O Cearense (fig. 24), quase um ano após a publicação do primeiro anúncio. A ilustração foi realizada com xilogravura gravada a fio, comunicando o falecimento de um professor de uma das mais famosas instituições de ensino da capital cearense, o Liceu. Esta modalidade de gravação predominou tanto em Fortaleza quanto nas outras regiões do Estado do Ceará. Este é um dos diferenciais da produção cearense, com relação à gravura de ilustração comercial, realizada na Europa e em outras regiões brasileiras, como São Paulo, Rio de Janeiro, onde eram desenvolvidas em topo.

Fig. 24_ A primeira imagem impressa em um jornal no Ceará, O Cearense, 1847.

Entre os anúncios publicados nos jornais cearenses, além dos comerciais, havia os que denunciavam a fuga de escravos (fig. 25). Foram encontrados três modelos diferentes de ilustrações em xilogravura, duas masculinas e uma feminina, que eram publicadas no jornal O Cearense, em 1847, como pode ser visto nas figuras 26, 27 e 28.

Fig. 25_ Anúncios publicados no jornal O Cearense, comunicando a fuga de escravos, um formato para

Fig. 26, 27 e 28_Figuras utilizadas nos anúncios publicados no jornal O Cearense, Comunicando a fuga de escravos, um formato para negras e dois

para os negros, 1847, xilogravura.

Observa-se que havia uma imagem padrão com variações, publicados em outros jornais em diferentes regiões brasileiras, desde o jornal A Gazeta, no Rio de Janeiro (fig. 29); O Liberal, em Minas Gerais (fig. 30); e A Gazeta, em Campinas (fig. 31). Em todos os anúncios, o escravo se encontra em movimento, portando um saco atado a uma pequena vareta. Em Minas e em um dos modelos do Ceará, a figura ainda leva uma varinha na mão. Os aspectos estéticos das gravuras são bem parecidos, simples, com poucos detalhes, quase sem texturas. A exceção fica por conta do anúncio publicado n’A Gazeta do Rio de Janeiro (fig. 29), cuja realização técnica é mais requintada, com acentuados detalhes em tons cinza, parecendo executada por meio da litografia.

Fig. 29_Anúncio da Fuga do escravo Fortunato publicado no jornal “A Gazeta” no Rio de Janeiro,

em 1854, em litografia.

Fig. 30_Anúncio de fuga de escravo publicado no Jornal O Liberal de Minas Gerais, 1868, xilogravura.

Fig.31_Notícia de fuga de escravos reproduzida no jornal Gazeta de Campinas em São Paulo, 1870, xilogravura.

A outra região no estado do Ceará que merece destaque na produção em xilogravura de ilustração é a cidade de Sobral, cujos temas, em geral, eram similares aos anúncios veiculados nos demais jornais cearenses. As charges continham acentuado teor político e humor; características que podem ser observadas nas imagens publicadas nos jornais O Elefante, de 1935 (fig. 32), e O Vagalume, de 1937 (fig. 33).

Fig. 32_Ilustrações no Jornal O Elefante em Sobral, Ceará, 1955, xilogravura.

Fig. 33_Ilustração no jornal

O Vagalume em Sobral no Ceará,

1937, xilogravura.

Nos jornais de Sobral, além dos anúncios comerciais e das charges, era habitual a publicação de retratos de personalidades importantes da sociedade sobralense, executados em xilogravuras, como se observa na Figura 34 estampada no jornal A Cidade, em 1904.

Fig. 34_Ilustrações publicadas no jornal

Ainda em Sobral, encontram-se alguns anúncios extremamente diferenciados dos publicados em outros jornais brasileiros, relacionados ao desaparecimento de animais, como pode ser observado na ilustração no jornal A Cidade, de 1899 (fig. 36). Por intermédio desses anúncios procuravam-se burros, cavalos, bois, cujas referências eram marcas que tinham, ferradas a fogo nos seus corpos, para a comprovação de propriedade. Tais marcas eram reproduzidas em xilogravura, seguindo fielmente os modelos padrões dos instrumentos de marcação construídos artesanalmente em ferro (fig. 35), e depois publicadas nos jornais, servindo como uma forma de identificação do proprietário, ao qual o animal deveria ser devolvido.

Fig. 35_Ferros de marcação dos bois, cavalos, caprinos e ovinos.36

É notória a singularidade dos anúncios publicados nos jornais na cidade de Sobral; contudo, a mais significativa produção neste segmento se encontra na região do Cariri. Apesar da importância da xilogravura na região do Cariri, Carvalho (2000) lamenta o descaso existente a respeito da produção da xilogravura comercial, considerada menor por ser fruto de encomenda. Ele afirma que, por conta disso, a quase totalidade das peças levantadas em sua pesquisa, publicada no livro Desenho gráfico popular em 2002, é anônima.

Que fatores são determinantes para que a região do Cariri seja um grande polo de produção da xilogravura no Nordeste?

36 No sertão do Nordeste brasileiro, o costume de marcar os animais domésticos, especialmente os bichos de pelo (mamíferos), foi introduzido pelos colonizadores portugueses e, ainda hoje, é usado na região. Os bovinos, equinos, asininos e muares são marcados com ferro em brasa, Os bovinos são ferrados com dois ferros diferentes; um para indicar o lugar onde está localizada a fazenda de criar, e o outro para indicar o proprietário da rês. Por Benedito Vasconcelos Mendes.

Fig. 36_Anúncios publicados sobre o desaparecimento de animais no jornal A

Cidade em Sobral no estado do Ceará,

Na região do Cariri, a xilogravura não é mais uma das manifestações das Artes Visuais, ela é a mais importante. Esta manifestação artística passou a ser uma referência da região, sua identidade, principalmente em Juazeiro do Norte, que, na atualidade, talvez seja uma das cidades no Brasil onde mais se encontram artistas produzindo xilogravura. Este sentimento é partilhado pelo artista Stênio Diniz:

[...] aqui em Juazeiro, eu considero que é o maior centro produtor de xilogravura do Brasil. Você não vai encontrar nem na capital, Fortaleza, nem mesmo em Pernambuco, nem no Rio, você não vai encontrar uma produção de tantos xilógrafos atuando. Não vai encontrar em lugar nenhum, eu tenho viajado muito pela Europa, em muitos outros países, e também por lá não se encontra a gravura tão presente como tem em Juazeiro, e por obra e graça da gráfica Lira Nordestina. Sem essa gráfica a gravura aqui não iria existir.37

Já na concepção do professor Gilmar de Carvalho, os motivos que levaram Juazeiro do Norte a ter uma produção de destaque na área da xilogravura é que a

[...] xilogravura de Juazeiro ela entrou num circuito, numa engrenagem de rentabilidade, de uma atividade comercial, em um ritmo onde havia uma cobrança para que as pessoas produzissem. [...] Havia um mercado que talvez não interessasse aos artistas de Fortaleza, mas interessava aos artistas de Juazeiro. Porque era um mercado onde havia comércio e onde havia também fé.38

Alguns fatores podem ser responsáveis para explicar este fenômeno da primazia da xilogravura de ilustração na região do Cariri. O primeiro aspecto a ser observado é que a xilogravura cumpriu a função desenvolvida em outras regiões brasileiras pela litografia. Um exemplo encontra-se no estado de Minas Gerais. De acordo com Veneroso (2007), a primeira estamparia litográfica mineira foi instalada em 1888, em Juiz de Fora, tendo sido usada comercialmente na impressão de estampas, rótulos, anúncios, jornais, revistas e cartazes. A preferência por este segmento se deu pela acentuada vantagem de reproduzir fielmente o original desenhado, qualidades técnicas que a gravura em metal e a xilogravura não alcançavam. Um exemplar dessa produção mineira (fig. 37) é a imagem de um rótulo pertencente ao acervo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

37 Entrevista de Stênio Diniz concedida a Sebastião de Paula em 2011

Fig. 37_Imagem de rótulo pertencente ao acervo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), litografia.

Porém, até hoje, a litografia de arte não chegou ao Ceará; do uso da litografia comercial, existem apenas indícios até o presente momento, ainda são pouquíssimos os exemplares encontrados para uma maior comprovação, como no raro exemplar publicado no jornal A Verdade, em 1893 (fig. 38), de autoria de B César, na qual presta homenagem a um bispo no Ceará, em Litho-typo a vapor. Esta é uma lacuna significativa, nunca preenchida, cujos motivos estariam ligados a fatores econômicos.

Fig. 38_B César. Homenagem ao ínclitobispo do Ceará, publicado no jornal AVerdade, 1893. Litho-typo a vapor.

Segundo Carvalho (2001), a xilogravura ocupou esta carência, e os primeiros exemplares desta produção de anúncios vão indicar a primazia do texto sobre a imagem e o recurso das cercaduras, vinhetas e ilustrações, numa padronização presente na maioria nos anúncios de escravos dos jornais brasileiros da época.

Fatores econômicos levaram também a grande difusão da ilustração em xilogravura para as capas da literatura de cordel, principalmente no início do século XX. Nesse período, a recém-fundada Juazeiro do Norte passou a concentrar grande número de pequenas tipografias e ainda não era uma cidade com desenvolvimento e importância que apresenta hoje. Os pequenos anúncios comerciais em xilogravura são utilizados, esporadicamente, ainda hoje, na região do Cariri. Os motivos para que ainda hoje se lance mão desta técnica de ilustração, considerada obsoleta pelo mercado gráfico, em razão das novidades tecnológicas, mais rápidas e mais eficientes, não são mais econômicos, e sim, estéticos, graças à importância que a xilogravura da região conquistou nos últimos tempos.

Fig. 39_Walderêdo Gonçalves. Ilustração comercial, xilogravura.

O fator que pode ser apontado para a importância mantida pela xilogravura na região do Cariri é o fato de seus artistas, desde os mais renomados como Walderêdo Gonçalves (fig. 39), até os mais jovens, produzirem xilogravuras de ilustração comercial, atividade que raramente foi desenvolvida pelos artistas em Fortaleza.

Destaca-se aqui uma das diferenças entre a produção da xilogravura na região do Cariri e de Fortaleza, no segmento da xilogravura de ilustração comercial. A motivação foi de ordem econômica, pois as pequenas tipografias, sem estrutura para competir com os meios mais modernos, preferiam contratar os gravadores, substituindo o clichê de metal por matrizes xilográficas, os mesmos fatores que proporcionaram o uso das ilustrações com madeira nas capas de cordel.

Benzer Belgeler