2.883.186 2.596.030 Uzun vadeli ticari alacaklar
14 Maddi olmayan duran varlıklar
14.2 Şerefiye haricindeki maddi olmayan duran varlıklar (Devamı)
A questão do comércio do vidro nos finais da Idade do Bronze foi já, parcialmente, aflorada a propósito dos naufrágios referidos. Efectivamente, no que concerne à circulação vítrea neste período parece evidente, à luz do já exposto, o importante papel desempenhado pelas populações do Mediterrâneo Oriental, em particular, as da zona levantina, designadamente, Sírios e Cananeus, de onde parecem ser originárias as embarcações naufragadas em Uluburun e Cabo Gelidonya. De resto, as evidências existentes relativamente à origem das tripulações das embarcações são esclarecedoras: seriam tripulações mistas formadas, essencialmente, por marinheiros Sírios, Cananeus e Micénicos, para além de, no caso de Uluburum, um membro de origem romena ou búlgara (Singer, 2007: 31).
Os Cananeus de Biblos, antepassados dos Fenícios, não parecem, no entanto, ser os responsáveis pela primeira chegada de produtos orientais às regiões mais ocidentais do Mediterrâneo. Esse papel terá, mais provavelmente, cabido aos navegadores micénicos ou circum-micénicos. A propósito da presença micénica no Mediterrâneo Central e Ocidental, lembramos aqui o que dizem as fontes clássicas, designadamente, a Odisseia homérica: a chegada de Ulisses ao país dos lotófagos na Líbia; o doce cativeiro em que Calipso o retém na sua ilha de Ogígia, para lá das Colunas de Hércules (Estreito de Gibraltar) ou em Malta, entre outros. A navegação foi, efectivamente, o principal meio de expansão da civilização micénica havendo evidências por todo o Mediterrâneo da mesma. As marcas micénicas são particularmente sensíveis no Mediterrâneo oriental, com destaque para as ilhas de Rodes, Ialysos e Kamiros. Aliás, terá sido precisamente a colónia micénica de Rodes que desenvolveu o comércio com o Mediterrâneo ocidental entre 1400 e 1100 a.C., ainda que os testemunhos micénicos nesta área sejam francamente mais escassos. Também Chipre foi importante colónia micénica (com sede em Enkomi). É, particularmente, significativa a presença micénica em Itália, sendo os objectos encontrados, essencialmente, de origem ródia ou cipriota. As ilhas Lipari e a Sicília eram encaradas como uma das mais importantes etapas da Rota do Estanho, no trânsito para a Europa central e ilhas britânicas. A região da Apúlia era também importante pois conectava às rotas do âmbar proveniente do Báltico.
No caso da Península Ibérica, o achado de cerâmicas micénicas em Llanete de los Moros (Montoro, Córdoba) e de algumas contas de faienza (cerâmica esmaltada) em Fuente Álamo (Almeria), vieram confirmar a existência de uma rota ocidental que atravessaria a Sicília, Vivara e a Sardenha até alcançar o território peninsular (Martín, 1999: 230). Estes achados peninsulares ibéricos, serão datáveis, segundo Alfredo Martín do Heládico Final IIIA2/IIIB (1365 a 1190/1185 a.C.).
Ruíz-Galvez Priego (Ruíz-Galvez Priego, 1995: 143), considerava que as escassas evidências do comércio oriental existentes no ocidente peninsular se deviam ao facto de se tratar de um comércio marginal de tipo exploratório na busca de novos recursos. Já Vagnetti (Vagnetti, 1996: 114; 1997: 162), era da opinião que esses vestígios traduziriam intercâmbios entre a Península Ibérica e o Mediterrâneo central, mais concretamente, com a Sardenha, e não directamente com a Grécia continental. Para Martín (Martín, 1999: 248), existiu, efectivamente, um comércio claramente dirigido à Península Ibérica desde o Mediterrâneo Oriental (Levante, Chipre) e do Egeu (Grécia meridional).
Ruiz-Galvez Priego, num artigo recente (Ruiz-Galvez Priego, 2009: 94), efectuou uma reavaliação dos dados relativos à questão micénica peninsular considerando que as cerâmicas encontradas no referido sítio de Montemoro permitiram, efectivamente, encaixar num marco cronológico compreensível outros achados antigos, claramente mediterrânicos mas não fenícios, habitualmente etiquetados como pré-coloniais. A autora defende que a colonização fenícia (e também a grega) do I milénio a.C. não foi fruto do azar, de “viagens exploratórias”, ou de uma fase prévia de comércio sem colónias, mas que se deveu ao facto de os confins ocidentais fazerem já parte das rotas comerciais mediterrânicas desde algum ponto do II milénio a.C., propondo-se então a definir qual esse marco temporal.
Começa por salientar, que é só a partir dos séculos XIII/XII que surgem representações de embarcações tipo pentecotera, com capacidade de carga e suficiente autonomia para navegar sem vento, tornando possível a existência de rotas de longa distância que permitissem alcançar a Península Ibérica (Ruiz-Galvez Priego, 2009: 97). Isto significa que, anteriormente ao séc. XIV ou XIII, não se verificaram condições para uma
extensão do comércio mediterrânico para a região. Assim, a data mais provável, com base em diferentes pressupostos, para os achados cerâmicos micénicos de Montoro será entre os meados do séc. XIII a.C. – 1250 a.C. – e cerca de 1000 a.C. (Ruiz-Galvez Priego, 2009: 100).
Por outro lado, é, de facto, entre os séculos XIII/XII a.C. e X/IX a.C., que começam a existir evidências mais abundantes e contextualizadas de uma relação directa ou indirecta (a autora inclina-se para a segunda hipótese) entre o Mediterrâneo Oriental e a Península Ibérica.
Os contactos e contextos mais fiáveis e abundantes de comércio mediterrânico pré- fenício, na Península Ibérica, situam-se em datas de transição entre o II e o I milénios a.C. e mais no Sudoeste do que no Mediterrâneo espanhol, sugerindo um interesse direccionado a territórios e a produtos atlânticos localizados para lá da Península Ibérica, aos quais se podería aceder através dos sítios portugueses que, desse modo, representariam a ligação com os mundos marginais do ocidente europeu no Bronze Final. Esta integração do ocidente e, em particular, do território português neste tráfego comercial entre o Atlântico e o Mediterrâneo é comprovada pela cronologia dos primeiros ferros e importações mediterrânicas verificadas em vários sítios portugueses do Bronze Final, para além da importação de modelos culturais relacionados com o mundo mediterrânico, patentes nas representações das estelas do Bronze do Sudoeste – capacetes com cornos, escudos com chanfradura em V, etc. – e na metalurgia e ourivesaria peninsulares, caso, por exemplo, dos ponderais.
Quanto aos protagonistas deste comércio com o Ocidente, ocorrido nos finais da Idade do Bronze, tal papel parece ter cabido a Cipriotas e Cananeus, por vezes, certamente, ao serviço de outras potências. Isto porque, nem o Chipre, nem os pequenos estados periféricos cananeus colapsaram nos finais da Idade do Bronze, por terem um sistema político menos centralizado, ao contrário do que se verificou com as grandes potências da época entre as quais se encontravam, por exemplo, Micenas e Creta.
esteve por detrás das cerâmicas micénicas encontradas em Espanha e das restantes importações mediterrânicas encontradas na Península Ibérica em contextos do Bronze Final (Ruiz-Galvez Priego, 2009: 107). Estes contextos, estão todos datados de uma época em que os palácios micénicos já tinham desparecido ou estavam em vias de desaparecer. Refira-se também, a este propósito, que o paralelo para as cerâmicas de Montoro é cipriota e não micénico (Torres Ortiz, 2008).
É, precisamente, no contexto balizado entre o colapso dos palácios e a instalação dos colonos fenícios no Ocidente, entre 1250-850/825 a.C., sob a acção de agentes intermédios de origens diversas, que a autora pensa que ocorre a primeira chegada do comércio mediterrânico à Península Ibérica (Ruiz-Galvez Priego, 1999: 109) protagonizada por uma koiné de comerciantes do Levante, do Egeu e do Centro do Mediterrâneo que terá sido, assim, a responsável pela extensão das rotas mediterrânicas para a Península Ibérica e, consequentemente, pelos achados vítreos com cronologias mais antigas detectados no território português, em que se integram, como veremos adiante, alguns achados do Norte de Portugal.