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Şekil 4.33 : İstiridye kabuğu tasarımı (Stella, 1987, s.9).

Mais do que contar a participação da mulher na história, interessa mais a história da consciência feminina da relação de submissão e subalternidade e sua reação a essa realidade. De acordo com Reed (2008), data do século XVIII os primeiros questionamento do axioma que os homens eram naturalmente superiores. De acordo com esse mito, a supremacia masculina não é um fenômeno social característico de um momento determinado da história, mas sim uma lei natural.

Desprende dessa afirmação que essa ‘inferioridade’ vinha ao encontro do modo de produção e acumulação de riquezas dos povos até então. Tanto é certo que a reação a esse status quo acontece, e não por acaso, quando a burguesia ascende ao poder na Inglaterra (Revolução Industrial, a partir de 1750) e na França (Revolução Francesa, 1789). Inaugura-se o sistema capitalista, baseado no binômio capital-trabalho.

Até então, as mulheres eram destinadas a atividades domésticas, já que as atividades geradoras de riquezas para os nobres – agricultura – exigia maior força física. Com o advento das indústrias, o Estado, agora nas mãos da burguesia, não podia mais prescindir da mão-de- obra feminina, que podia, como o homem, suportar (sic) quatorze ou dezesseis horas diárias de trabalho e com uma vantagem, com salários mais baixos. Se havia vivido inferiorizada por séculos e séculos, por que pagar - lhe igual ao homem?

Olympe de Gouges liderou as mulheres que queriam ter voz ativa no processo da Revolução Francesa. Reclamou o direito de voto às mulheres, o direito de exercer um ofício e o reconhecimento das uniões concubinárias. Advogou, também, por melhores condições para a maternidade. Chegou a propor um referendum sobre a escolha do sistema de governo. Em 1791, dois anos após a queda da bastilha, lança o histórico ‘Declaração dos Direitos das Mulheres e das Cidadãs (VERRUCI, 1999). Um ano depois, registra Silveira R. (2008), a escritora inglesa Mary Wollstonecraft escreveu um livro sobre as reivindicações dos direitos das mulheres, tais como a cidadania e uma educação igual para ambos os sexos.

No século XIX, a teoria socialista de Marx e Engels, coloca a mulher como parte das relações de exploração na sociedade de classes. Os teóricos do materialismo dialético começam a construir as teorias que deram base para a construção do conceito de gênero. O socialismo cientificista e revolucionário de Marx e Engels adota como um dos seus princípios a igualdade de direitos de homens e mulheres (FLEXA, 2007).

O movimento sufragista, já no século XX, tem dupla importância: a conquista do direito a voto – que representa poder e participação, assim como a popularização da luta das mulheres contra a subalternidade. No Brasil, as mulheres alcançaram esse direito em 1932, antes da França (1948), Itália, Japão (1945) e Argentina (1947).

Outro momento fundamental no avanço do feminino se deu na 2ª. Guerra Mundial. Tanto nos Estados Unidos como na França, Inglaterra, Alemanha e União Soviética, milhares de mulheres, em virtude da ausência masculina, invadiram o mundo do trabalho, principalmente nas indústrias e no serviço público (SILVEIRA R., 2008). A autora afirma que essa presença no mercado de trabalho mudou o perfil da classe trabalhadora e desencadeou importantes mudanças de comportamento e de valores entre as mulheres. Esperava-se que, quando a guerra acabasse, as mulheres voltassem para “os seus papeis tradicionais de dona de casa”. Houve até campanha nesse sentido, de setores mais conservadores. Entretanto, a situação era irreversível: de um lado, os países precisavam de esforço de recuperação do atraso econômico – garantindo assim a existência das vagas; do outro lado, a maioria das mulheres entenderam que ser ‘dona de casa’ era apenas um dos seus papéis.

Na década de 1960, eclodiram, sobretudo nos EUA, muitos movimentos sociais de contestação, entre eles, o das mulheres contra a sua subalternidade e exclusão do poder, por sua autonomia e direitos. Na mesma época, a pílula anticoncepcional, e na década seguinte, a migração campo-cidade e a explosão urbana, revolucionaram os costumes e ajudaram a mudar os papéis femininos e masculinos dentro da família (DEL PRIORE, 2010).

As mulheres, conforme relata Silveira R. (2008), ocuparam e ampliaram os espaços no mercado de trabalho. Os movimentos feministas conquistaram políticas públicas específicas para as mulheres, com destaque a direitos reprodutivos, saúde de um modo geral, educação, acesso às representações partidárias, contra a discriminação e a violência.

Del Priore (2010) conclui que os valores se transformaram. O crescimento de mulheres no de trabalho, o progresso científico, a contracepção, a liberalização dos costumes e o divórcio

mudaram, de forma irreversível, as instituições casamento e família. Os papéis foram revistos. O público e o privado agora são femininos e masculinos.

A inserção da mulher no mercado de trabalho de forma significativa e em todas as esferas da economia é, na opinião de Flexa (2007), a mudança mais significativa ocorrida na sociedade contemporânea. Esse fenômeno permitiu iniciar a ruptura da dicotomia entre os papéis público e privado atribuídos segundo o gênero. Essa ruptura produziu transformações marcantes no modo como homens e mulheres passaram a construir suas identidades e a administrar suas relações de casamento e família. Ainda segundo a autora, ao romper com tal dicotomia, as mulheres desafiaram a metanarrativa patriarcal legitimadora de um dos pilares da hierarquia sexual na sociedade moderna. Colocou-se em xeque a concepção de uma natureza feminina cujo lugar social era exclusivamente o mundo privado.

Segundo Walkerdine (2012) o que ainda permanece hoje é uma sociedade conservadora que ainda resiste e condiciona as jovens mulheres para a passividade. A feminilidade é vista como uma série de funções frequentemente impostas por agentes de socialização, sendo as mães, as professoras e outras mulheres, as mais rigorosas.

A mulher, assim como o homem, não tem ou deixa de ter capacidades geneticamente determinadas para qualquer atividade intelectual. A presença de um maior número de mulheres em determinadas áreas e a sua ausência em outras é um condicionamento sociologicamente construído (WALKERDINE, 2012).

Na opinião de Sorj (2005) o feminismo foi um dos mais bem-sucedidos movimentos políticos e sociais do século XX, pois promoveu verdadeira mudança de comportamentos voltada para a promoção de mais liberdade e igualdade entre os sexos, sem aspirar à tomada do poder. Não se pode esquecer que vidas foram ceifadas devido à resistência que alguns setores teimaram em promover. Entretanto, as armas das mulheres estavam no campo do convencimento e da persuasão, pela condução de campanhas e manifestações, pela divulgação de ideias na mídia e pela mudança das leis. Além do mais, foi um movimento sem matiz ideológico, um movimento plural, sem dono nem estruturas de controle centralizadas, sem excomungados, renegados ou dissidentes.

E durante todo esse processo, lembra Silveira R. (2008), as mulheres foram produzindo uma massa enorme de estudos, pesquisas, debates sobre a sua condição, em variados campos do conhecimento: História, Sociologia, Ciência Política, Antropologia, Direito, Educação,

Biologia, Medicina etc. A partir dos anos de 1960-1970, os Estudos de Gênero se constituíram em um dos maiores campos de estudo de Universidades de todo o mundo. E o que é Gênero? A literatura sobre gênero é vasta na Sociologia, Antropologia, Ciência Política e Psicologia. Não se pode dizer o mesmo na área de estudos organizacionais, que, invariavelmente, o tema é abordado sob a ótica da relação entre chefia e subordinado, carreira, remuneração, vida profissional e familiar, e diferenças geracionais. Isto é, no pragmatismo das organizações existe pouco espaço para uma discussão teórica. Assim, optou-se, por dedicar um espaço maior ao conceito de gênero.

Benzer Belgeler