1.5. ŞECERE-İ ĤˇĀREZMŞÂHÎ
1.5.4. Şecere-i Harezmşâhî’nin 101b-200a Varakları Arasındaki Kısmın İçeriğ
O que deve contemplar a formação inicial do professor? A resposta é oferecida por Rodrigues e Esteves (1993, p. 40) que esclarecem haver um consenso quanto ao que deva constituir a base da preparação do professor, prévia ao exercício da atividade docente.
Com base na Recomendação Internacional da UNESCO de 1996 – Um instrumento para melhoria da condição dos professores -, esclarecem que quatro áreas são apontadas como fundamentais:
a) estudos gerais;
b) estudos dos elementos fundamentais da filosofia, da psicologia, da sociologia aplicada à educação, assim como o estudo da teoria e da história da educação, da educação
comparada, da pedagogia experimental, da administração escolar e dos métodos de ensino nas diversas disciplinas; c) estudos relativos ao domínio no qual o interessado tem a intenção de exercer o seu ensino;
d) prática do ensino e das atividades paraescolares, sob a direção de professores plenamente qualificados.
Citando a Resolução número 01 da Conferência dos Ministros da Educação Europeus (Conseil de L’Europe, 1987) continuam as referidas autoras (1993, p. 40) a apontar os princípios que devem abarcar a formação inicial, que são:
a) aquisição de capacidades humanas e sociais necessárias na condução da aula, no trabalho em equipe e na relação com os pais;
b) prática pedagógica e conhecimento do sistema escolar e do seu funcionamento;
c) domínio dos conteúdos disciplinares e da preparação didática;
d) reflexão sobre os valores e a sua transmissão.
Ainda, de acordo com esta resolução, a formação inicial deve:
• Incluir formas de apoio e de orientação aos professores
no início de carreira, no sentido de lhes facilitar a transição do período de formação para o emprego propriamente dito;
• Prepará-los para responder aos desafios que o trabalho
futuro na escola lhes colocará;
• Dotá-los de meios que lhes permitam escolher os
conhecimentos essenciais perante a missão informativa disponível;
• Incidir num mínimo de conhecimentos relativos à
investigação pedagógica, à informação e orientação, à educação intercultural, às novas tecnologias, ao ensino especial, aos direitos do homem e da democracia, às dimensões européia e mundial, à educação relativa à saúde e à segurança.
Nota-se a preocupação lançada quanto à reflexão sobre os valores e a sua transmissão e os direitos dos homens e da democracia na formação inicial
para melhor desempenho da função docente. Essa preocupação tem fundamento, posto que o educar também contempla a questão da cidadania que acaba por resvalar na questão legal. Nesse sentido, a legislação pátria51, ao estabelecer os objetivos da educação, faz expressa referência à sua missão de preparo para o exercício da cidadania. E, nesse caso, valores fundamentais, direitos e obrigações são temas que se devem incluir. Estes temas integram aqueles conhecimentos necessários ao professor intelectual crítico reflexivo.
Nesse mesmo sentido, aponta a Resolução nº 01, CNE/CP, de 18 de fevereiro de 2002, do Conselho Nacional de Educação, que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da educação básica, em nível superior (curso de licenciatura, de graduação plena).
Ao estabelecer os princípios que devem nortear os cursos formadores do profissional da educação (art. 3º.), consignou-se a necessidade de se considerar:
I – a competência, como concepção nuclear na orientação dos cursos.
II – a coerência entre a formação oferecida e a prática esperada do futuro professor, tendo em vista:
a) a simetria invertida, em que o preparo do professor, por ocorrer em lugar similar àquele em que vai atuar, demanda consistência entre o que faz na formação e o que dele se espera;
b) a aprendizagem como processo de construção de conhecimentos, habilidades e valores em interação com a realidade e com os demais indivíduos, na qual são colocados em uso capacidades pessoais;
c) os conteúdos, como meio e suporte para a constituição das competências.
d) a avaliação, como parte integrante do processo de formação, que possibilita o diagnóstico de lacunas e a aferição dos resultados alcançados, consideradas as
51 Constituição Federal, Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e
competências a serem instituídas e a identificação das mudanças de percursos eventualmente necessárias. III – a pesquisa, com foco no processo de ensino e de aprendizagem, uma vez que ensinar requer, tanto dispor de conhecimentos e mobilizá-los para a ação, como
compreender o processo de construção do conhecimento.
Constata-se, pelos princípios inseridos na Resolução, que a formação inicial não deve limitar-se à questão dos conhecimentos e teorias. Implica algo mais abrangente, sendo que as competências a serem desenvolvidas no processo de formação dos professores (da educação básica – art. 6º. da Resolução) contemplam:
• Competências referentes ao comprometimento com os valores inspiradores da sociedade democrática (dignidade humana, justiça, respeito mútuo, participação, valores);
• Competências referentes à compreensão do papel social da escola (a realidade econômica, cultural, política e social e a sua relação com a prática educativa; o papel dos pais, etc.);
• Competências referentes ao domínio dos conteúdos a serem socializados, de seus significados em diferentes contextos e de sua articulação interdisciplinar (conhecimento da disciplina e sua relação com os fenômenos da atualidade e da vida pessoal e social do aluno; compartilhar os saberes com diferentes áreas do conhecimento);
• Competências referentes ao domínio do conhecimento pedagógico (criar, planejar, realizar, gerir e avaliar situações didáticas eficazes);
• Competências referentes ao conhecimento de processos de investigação que possibilitem o aperfeiçoamento da prática pedagógica (pesquisa);
• Competências referentes ao gerenciamento do próprio desenvolvimento profissional.
A formação inicial, calcada nesses princípios e diretrizes, pode melhor atender às necessidades dos alunos, aos objetivos da educação, e à concepção de professor como intelectual crítico reflexivo. E nesse sentido, a legislação específica na área da Infância e da Juventude ganha espaço e deve ser contemplada, por fornecer elementos indispensáveis ao preparo do aluno para o exercício da cidadania, por abranger a questão da dignidade, do respeito, da liberdade e dos valores fundamentais da pessoa humana52.