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Şebab Mecmuası'nda Tevk Fikret

4. Şebab Mecmuasında Tevk Fikret

Buscamos inspiração nos estudos de Santos (2005, 2014) e Rocha (2012), que trabalham com pesquisa-formação em uma abordagem multirreferencial, para adotarmos aqui o uso da expressão “dispositivo”, ao invés de instrumentos de pesquisa, de acordo com a concepção de dispositivos (ARDOINO, 2003), já referida no primeiro capítulo desta tese.

Santos (2014) esclarece que na pesquisa-formação é comum se criarem dispositivos, materiais e/ou intelectuais, que possibilitam o desvelamento do objeto no contexto do campo

da pesquisa, ou seja, criamos os dispositivos para fazer emergir as narrativas e imagens, enfim, para a produção dos dados da pesquisa com os praticantes culturais em suas práticas cotidianas:

Os sujeitos são incentivados a expressar suas itinerâncias formativas, promovendo, muitas vezes, a troca e o compartilhamento com outros sujeitos envolvidos no processo. São exemplos de dispositivos: o diário de bordo ou itinerâncias, os memoriais de pesquisa e prática profissional, conversas, entrevistas abertas, entre outros. A dialógica é potencializada pelos meios de comunicação um-um, um-todos e todos-todos. (SANTOS, 2014, p. 98)

Nesse sentido, a autora aponta ainda que é possível mobilizar uma pluralidade de registros e gêneros variados de discursos por meio das interfaces digitais. Desse modo, “os dispositivos não se configuram apenas para coletar dados, concebendo os sujeitos de pesquisa como meros objetos a serem pesquisados. O sujeito na pesquisa-formação é o ser humano que tem voz” (SANTOS, 2014, p. 98). Assim, conforme já referido, consideramos que o grupo de professores participante dessa pesquisa, tem voz, saberes construídos em suas itinerâncias, na experiência e no entrelaçamento da vida pessoal e profissional, ou seja, em sua ontogenia.

Como a multirreferencialidade nos dá abertura para bricolagem de diversas áreas do conhecimento, metodologias e dispositivos, a fim de compreendermos a complexidade das situações originadas no campo em uma “pluralidade de linguagens descritivas próprias para permitir a compreensão dessas diversas leituras” (ARDOINO, 1998, p. 37), utilizamos os seguintes dispositivos, articulados com a problemática e os objetivos da pesquisa:

1- Análise documental referente ao projeto institucional com o uso dos dispositivos móveis:

Consideramos esta análise necessária uma vez que, por meio do projeto, se constituiu um grupo de estudos com professores de várias áreas do conhecimento que desenvolveram estratégias de ensino com o uso das TD.

Para a análise documental do projeto institucional21, utilizamos dois artigos publicados em eventos relacionados ao uso das TD na educação, reportagens publicadas em revistas e informações que constam no sítio da IES. A análise desses artigos foi fundamental para compreendermos a concepção do projeto, seus objetivos e a forma como foi implementado na IES, em especial, como foi constituído o grupo de estudos que, por suas características, pode

21 Atendendo solicitação de diretorias da IES, a fim de manter o seu anonimato, não divulgaremos aqui os documentos consultados para obter informações a respeito do projeto com o uso dos dispositivos móveis.

ser considerado um grupo de pesquisa-formação. Essa análise documental nos deu suporte para ampliar nossa compreensão a respeito das ambiências formativas que tal projeto proporcionou, bem como evidenciar as influências desse projeto nas práticas pedagógicas dos professores participantes de nossa pesquisa. Assim tivemos condições de perceber como a teoria, expressa nos artigos, se articula com as práticas, expressas nas narrativas desses professores.

2- Entrevistas semiestruturadas e reflexivas com os professores

As entrevistas foram realizadas com os objetivos de evidenciar as práticas pedagógicas, identificar as estratégias integradoras relacionadas à aprendizagem ubíqua ao ensino formal e compreender o processo de formação dos professores que utilizam a comunicação e a aprendizagem ubíqua para a ressignificação de práticas pedagógicas.

Optamos por entrevistas semiestruturadas, considerando que, conforme Prodanov (2013), é um tipo de entrevista que não exige rigidez de roteiro e o entrevistador pode explorar amplamente algumas questões com liberdade para desenvolver a entrevista em qualquer direção. No entanto, corroboramos com Bardin (2007) e Yin (2005) quando apontam que é importante elaborar um plano ou roteiro para usar como guia no momento da realização das entrevistas, para evitar que se perca o foco da investigação. Esse tipo de entrevista também possibilita a inserção de novos questionamentos no decorrer do processo, que podem contribuir para o aprofundamento da temática.

Para Ludke e André (2013), a entrevista semiestruturada tem se mostrado o tipo mais apropriado para as pesquisas em educação, principalmente por seu caráter flexível, que permite preparar uma entrevista mais longa e cuidadosa, tendo em vista que os participantes da pesquisa são, geralmente, professores, gestores e comunidade escolar/acadêmica em geral.

Então, elaboramos um roteiro (APÊNDICE A) para a realização das entrevistas com os professores participantes da pesquisa, que serviu para manter o foco da problemática investigada, porém não seguimos este roteiro de forma linear. À medida que dialogávamos com os professores, as questões surgiam no decorrer da nossa conversa. Os professores tiveram liberdade para falar de suas experiências formativas, assim como também nos autorizamos a falar das nossas próprias experiências. Acreditamos que nossos encontros se configuraram em um espaço de convivência, no qual compartilhamos saberes e experiências em um processo de autoformação.

Os professores nos acolheram na própria IES para a realização das sete entrevistas, que foram gravadas por meio de dispositivo móvel (iPad) e transcritas manualmente, pois nos deparamos com limitações técnicas ao utilizarmos software gratuitos para transcrição. Cada entrevista durou aproximadamente 60 minutos, totalizando 420 minutos de áudio. Transcrevemos as entrevistas na íntegra e posteriormente as enviamos por e-mail, para possibilitar aos professores uma reflexão acerca da própria entrevista, dando-lhes a oportunidade de acrescentar ou excluir informações. Apenas uma professora fez alterações na entrevista; os demais professores não fizeram alterações nos arquivos enviados.

Destacamos que, durante as entrevistas, solicitamos aos professores a disponibilização dos dispositivos utilizados em suas práticas, bem como as representações dos trabalhos produzidos pelos estudantes, tais como imagens das postagens dos grupos criados no

Facebook, dos aplicativos desenvolvidos, das discussões realizadas nos fóruns, das visitas

realizadas fora da universidade, entre outras. No entanto, não recebemos por e-mail, conforme havíamos combinado na ocasião das entrevistas, os arquivos contendo esses dispositivos e imagens solicitadas, motivo pelo qual a análise e interpretação ficaram restritas às narrativas dos professores.

3- Construção de um dispositivo para representação do contexto e proposições da pesquisa:

No movimento da construção dessa pesquisa, sentimos a necessidade de construir um dispositivo (Figura 6) que, além de representar nossas percepções a respeito do contexto da pesquisa, também representa as proposições construídas na articulação da epistemologia, num diálogo com a empiria e nossa experiência enquanto professoras-pesquisadoras.

Figura 6 - Representação do contexto e proposições da pesquisa

Fonte: A autora (2016).