Nas tabelas 8, 9 e 10 estão os resultados do nível de significância via teste
Exato de Fisher para verificar a dependência das condições de levantamento com
o número de atacantes mobilizados, o tempo de ataque e a área do ataque. Na tabela 8 verifica-se que existiu dependência das condições de levantamento e do número de atacantes mobilizados em todos os escalões, masculino e feminino, na fase de ataque e contra-ataque. Na tabela 9 observa-se que existiu dependência entre as condições de levantamento e o tempo de ataque na maioria dos escalões, masculino e feminino, com exceção do Mirim Feminino no ataque. Na tabela 10 percebe-se que existiu dependência entre as condições de levantamento e a área do ataque em inúmeros escalões, masculino e feminino, com exceção do Mirim e do Juvenil Masculino no contra-ataque. No estudo de Rocha e Barbanti (2004), que teve como amostra 12 jogos da Superliga Feminina, as condições de levantamento foram determinantes para a qualidade de distribuição do levantador, pois teve influencia no resultado do ataque.
Fase Escalão Feminino Masculino Fase Escalão Feminino Masculino
Ataque Mirim 0,00* 0,00* Ataque Mirim 0,162 0,019* Infantil 0,00* 0,00* Infantil 0,000* 0,000* Infanto 0,00* 0,00* Infanto 0,000* 0,000* Juvenil 0,00* 0,00* Juvenil 0,000* 0,000* Adulto 0,00* 0,00* Adulto 0,000* 0,025* Contra Ataque Mirim 0,00* 0,00* Contra Ataque Mirim 0,007* 0,009* Infantil 0,00* 0,00* Infantil 0,000* 0,000* Infanto 0,00* 0,00* Infanto 0,000* 0,000* Juvenil 0,00* 0,00* Juvenil 0,000* 0,000* Adulto 0,00* 0,00* Adulto 0,000* 0,001*
Tabela 8 - Estatísticas obtidas na comparação entre Condições de Levantamento e Número de Atacantes Mobilizados. (*Diferenças estatisticamente significativa para p≤0,05).
Tabela 9 - Estatísticas obtidas na comparação entre Condições de Levantamento e Tempo de Ataque.
(*Diferenças estatisticamente significativa para p≤0,05).
Fase Escalão Feminino Masculino Ataque Mirim 0,000* 0,071 Infantil 0,000* 0,001* Infanto 0,000* 0,000* Juvenil 0,000* 0,000* Adulto 0,031* 0,087* Contra Ataque Mirim 0,000* 0,033* Infantil 0,000* 0,012* Infanto 0,000* 0,015* Juvenil 0,000* 0,413 Adulto 0,010* 0,022*
Tabela 10 - Estatísticas obtidas na comparação entre Condições de Levantamento e Área do Ataque.
(*Diferenças estatisticamente significativa para p≤0,05).
Ao verificar os dados descritivos (freqüência) das variáveis Condições de
Levantamento e Número de Atacantes Mobilizados (anexo IX, pg.223)
percebe-se que com a progressão dos escalões ocorreu uma maior atuação do levantador em suspensão com o passe (recepção e defesa) em condições ideais e um aumento no número de atacantes mobilizados com o passe em condições ideais (recepção e defesa), já com o passe em condições de baixa qualidade foi mobilizado um atacante a menos.
Ao triangular este resultado com o abordado no tópico Conhecimento
Tático Declarativo (via abordagem qualitativa), percebe-se que há corroboração
entre eles. Na abordagem qualitativa verifica-se na categoria Número de
Atacantes (pg.134), da dimensão Indicadores de Jogo para Tomada de Decisão Tática, que os levantadores do escalão Mirim Masculino e Mirim Feminino
procuram concentrar o levantamento em um ou dois jogadores, já no Adulto Masculino e Adulto Feminino os levantadores aproveitam um maior número de atacantes.
Ao observar os dados descritivos (freqüência) das variáveis Condições de
progressão dos escalões ocorreu um aumento dos levantamentos de 1º tempo, com o passe em condições idéias (recepção e defesa) houve uma maior produção de levantamentos de 1º e 2º tempo em suspensão. Já com o passe em condições de baixa qualidade aconteceram mais levantamentos de 3º tempo, sendo que com condições idéias de passe (recepção e defesa) este tempo foi realizado um número maior de vezes com o levantador em suspensão. Mesmo com o passe de baixa qualidade buscou-se a utilização do 1º tempo de ataque.
Ao triangular este resultado com o abordado no tópico Conhecimento
Tático Declarativo (via abordagem qualitativa), percebe-se que há corroboração
entre eles. Na abordagem qualitativa verifica-se na categoria Gestor de Riscos (pg.116), da dimensão Virtuosismo do Jogador, que os levantadores arriscaram levantamentos com o primeiro toque sendo de baixa qualidade, com o intuito de construir situações para o atacante contra bloqueio simples ou para criar situações inesperadas pelo bloqueio adversário em momentos de pressão no placar.
Ao verificar os dados descritivos (freqüência) das variáveis Condições de
Levantamento e Área de Ataque (anexo XI, pg.229) percebe-se que com a
progressão dos escalões ocorreu uma distribuição equilibrada do levantamento entre as posições da zona de ataque, maior parte realizados em suspensão com o passe em condições ideais (recepção e defesa) e houve uma maior utilização dos ataques da zona de defesa, já com o passe em condições de baixa qualidade usou-se principalmente as posições 04 e 02. Quando há ocorrência de concentração de levantamentos é em grande parte na posição 04, seja na fase de ataque ou contra-ataque.
Ao triangular este resultado com o abordado no tópico Conhecimento
Tático Declarativo (via abordagem qualitativa), percebe-se que há corroboração
entre eles. Na abordagem qualitativa verifica-se na categoria Qualidade do
Primeiro Toque (pg.137), da dimensão Indicadores de Jogo para a Tomada de Decisão Tática, que os levantadores expuseram que a velocidade da distribuição
de jogo é dependente da qualidade do primeiro toque, com uma baixa qualidade o levantador busca dar precisão ao seu levantamento sem se preocupar tanto em jogar contra o bloqueio adversário, o que foi demonstrado com a análise de jogo com a baixa utilização da posição 03 com passes de baixa qualidade.
Segundo Rocha e Barbanti (2007), os levantadores ao atuarem em suspensão procuram realizar um salto que permita dar maior velocidade as ações ofensivas, sem alcançar a altura máxima possível, quanto maior for a altura de contato com a bola mais próximo estará da ação subseqüente (ataque). Entretanto, um levantador pode ser eficaz sem atuar em suspensão, mas não com a mesma velocidade na construção ofensiva.
No estudo de Matias et al. (2006e) observou-se um aumento de ações do levantador em suspensão e o aumento da freqüência de maiores possibilidades de ataque, 4 atacantes sendo mobilizados, ao comparar as ações de distribuição de jogo da Seleção Brasileira Masculina de 1984, em seu jogo final na Olimpíada de Los Angeles, com a Seleção Brasileira Masculina de 2004, em seu jogo final na Olimpíada de Atenas.
Ao estudar as equipes masculinas adultas do voleibol brasileiro, Ramos et al. (2004) verificaram uma distribuição de levantamentos equilibrada entre as áreas do ataque e o uso com regularidade de ataques da zona de defesa.
6.4.3. Condições de Finalização: Número de Atacantes Mobilizados,