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ŞANTİYELERDE ALINACAK ÖNLEMLER

KURU TEMİZLEMECİLERDE ALINMASI GEREKEN ÖNLEMLER

16. ŞANTİYELERDE ALINACAK ÖNLEMLER

Florence Nightingale, a precursora da Enfermagem moderna, viveu no período de 1820 a 1910, reconhecidamente pioneira no que se refere ao pensamento filosófico, científico e ético para a Enfermagem(26).

Os pais de Florence ofereceram a ela uma educação esmerada e diferenciada daquela oferecida às mulheres de sua época. Seu pai, que havia estudado na Universidade de Cambridge, notabilizou-se pelas ideias progressistas em relação à melhoria da sociedade e educação da mulher. Os seus ensinamentos incluíram filosofia, história, religião, italiano, latim, grego, música, mas foi em matemática que ganhou destaque. Ela demonstrou grande capacidade de raciocínio, usando estes conhecimentos nos cálculos que fez como estatística e epidemiologista. Sua inteligência e cultura eram bastante incomuns, principalmente para uma época em que a mulher era educada para a vida doméstica. Aos 17 anos de idade Florence descreveu, em seu diário pessoal, uma experiência mística que considerou o “chamamento” da sua vocação e que deu força à sua convicção de que não estava destinada a uma “vida comum”. Durante 16 anos ela se dedicou a vencer a resistência de sua família à sua decisão em se tornar enfermeira(27).

Sua formação foi desenvolvida junto a instituições de saúde em outros países como a Alemanha, em Kaiserswerth, onde recebeu treinamento e aprendeu os primeiros passos da disciplina enfermagem (regras e horários rígidos, religiosidade, divisão do ensino por classes sociais); e França, em Paris, no Hotel-Dieu, onde acompanhou o tipo de trabalho assistencial e administrativo que realizavam, suas regras, sua forma de cuidar dos doentes, fazendo anotações, gráficos e listas das atividades desenvolvidas, e aplicou um questionário já utilizado anteriormente na Alemanha e em visitas que fez a hospitais do Reino Unido. Dessa forma, aprofundou seus estudos na prática de Enfermagem, embasando o seu conhecimento em experiências que já vinham sendo realizadas em outros países(27,28). Em 1853, visitou o Hospital Lariboisiére, em Paris, que havia sido construído recentemente e surpreendeu-se com a arquitetura da construção em plano, que permitia a entrada de luz e ar fresco. Logo, ela relacionou a reduzida taxa de mortalidade no hospital à arquitetura(27).

Florence tornou-se Lady Superintendent da Institution for Sick Gentlewomen, em Londres, onde se manteve no cargo até o desenrolar da guerra da Crimeia(27). Seu trabalho na Guerra da Crimeia teve grande repercussão, sendo considerado um marco de divisão na história da Enfermagem(29). Ela foi a primeira mulher a ser nomeada para uma posição oficial no Exército Britânico. Rapidamente apreendeu a situação em Scutari, o principal hospital militar Britânico, enfrentando dificuldades como: falta de recursos; ausência das mais elementares condições de higiene; hostilidade dos médicos e demais oficiais militares; preconceitos do sexo masculino; crescente número de feridos e doentes vindos da frente de batalha; indisciplina e falta de preparação das suas enfermeiras. Após o primeiro mês, já proporcionava roupa lavada para os soldados e respectivas camas, melhoria das dietas hospitalares e manutenção das enfermarias, entre outros feitos(27).

Ela recebeu o respeito da Rainha Vitória e de vários membros do governo por sua genialidade administrativa, e conquistou o afeto da população pelo seu cuidado aos doentes e feridos. Florence tornou-se um símbolo, consagrada como a “Dama da Lâmpada” ou “Anjo da Crimeia”. Ao regressar a Londres, recebeu um prêmio em dinheiro, formou o Nightingale Found, e utilizou para reformar hospitais civis e criar um instituto para a formação de enfermeiras. Em 1859, iniciou as negociações que culminaram com a fundação da Escola de Enfermagem Nightingale, em 1860, anexa ao Hospital San Thomas(27).

Cabe mencionar que as ideias de Nightingale, acerca da Enfermagem como profissão, chocavam-se com a ideologia da Era Vitoriana, correspondente à prática da Enfermagem, que era considerada como uma forma de ocupação manual desempenhada por empregadas domésticas, e cujo sentido da palavra se restringia a pouco mais do que a administração de medicamentos e aplicação de emplastros(28).

Nesse período ela debilitou-se por uma doença adquirida na Crimeia, impossibilitando-a de assumir a direção da Escola de Enfermagem. Desde então, até seus últimos dias de lucidez, Florence manteve contato próximo com o desenvolvimento da escola, enviando anualmente um conjunto de conselhos práticos e morais para a sua melhoria e funcionamento. Destacava o desenvolvimento de competências práticas como base da aprendizagem, inclusive já considerava que havia necessidade de atualização profissional a cada 5 a 10 anos, demonstrando pensamentos avançados para a época e que devem ser seguidos atualmente pelas enfermeiras(27).

Assim, mesmo um século depois de sua morte, o pensamento de Florence ecoa fortemente na vida contemporânea e traz, apesar de mais de 100 anos de distância, elementos

fundamentais para reflexão sobre o agir profissional, particularmente no que se refere à interface saúde e meio ambiente(26).

Com o então surgimento da Enfermagem moderna, no século XIX, o ambiente físico já era alvo de interesse. Nightingale apresentava uma capacidade peculiar de documentar as atividades e reflexões diárias, além de se comunicar bem por meio de cartas, que tratavam também de assuntos relacionados à saúde. A partir de suas “Notas” pessoais, fez um relatório para o governo e o público em geral sobre a necessidade de reforma dos prédios de hospitais. Ela inicia o prefácio deste relatório com a seguinte afirmativa: “Parece um princípio estranho enunciar como o primeiro requerimento para o hospital que ele não deve causar nenhum mal ao doente.”. Ela se preocupava com as altas taxas de mortalidade nos hospitais e relacionava grande parte dos casos de morte à arquitetura da construção(30). Em outra publicação, Notas sobre Enfermagem: o que é e o que não é(7), ela enfatizou a necessidade de reorganizar os serviços de atendimento aos doentes. Ela discutia que a manipulação do ambiente físico proporcionava atividades de promoção e prevenção da saúde, e valorizava também a atenção centrada no interpessoal e psicológico do paciente, para o alcance de seus objetivos.

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Benzer Belgeler