• Sonuç bulunamadı

I. BÖLÜM

1. İSİMLER

1.1. Adlar

1.1.11. Şaman

Por conta da grande presença de brasileiros vivendo na cidade várias instâncias governamentais e não-governamentais foram criadas em resposta a todos os tipos de contingências referentes a essa população estrangeira vivendo no Japão. Visando “amenizar” os primeiros problemas encontrados pelos brasileiros vivendo no Japão – em especial os

referentes aos “choques culturais” entre os dois países, Hamamatsu fomentou uma explosão de instituições, associações e NPOs para brasileiros.

O esforço é reflexo de uma série de estudos envolvendo o “Fenômeno Decasségui” pela academia japonesa, cuja produção em parte se voltou, como aponta Sasaki (2009), para a identificação e categorização dos “problemas” e entraves enfrentados pelos brasileiros vivendo no Japão. Segundo a autora, neste período de produção bibliográfica voltada para a “criminalização” da imigração o governo japonês decidiu incentivar uma série de projetos sociais para os grupos migratórios residentes no país.

Considerada pelas autoridades japonesas como um dos casos de sucesso na recepção de uma população estrangeira no país, Hamamatsu incentiva através de projetos legais a criação de entidades que, em sua totalidade, abarcam os “problemas” da comunidade brasileira vivendo no local.

A criação destas entidades articula iniciativas provinciais, federais e particulares e conta com uma série de benefícios que varia desde isenções fiscais até mesmo a transferência de divisas para a execução de atividades sociais, alvo de muitas pessoas de todo o tipo de

sorte51. De qualquer forma, diante da explosão de entidades assistenciais no município,

considerava particularmente difícil transitar pela cidade sem esbarrar em uma entidade ou outra, tornando-se um fato etnográfico bastante pertinente durante o decorrer da pesquisa de campo.

Logo que me estabeleci na cidade tanto os meus informantes que já conhecia antes de partir para o Japão como os que conheci naquele momento já me indicavam pessoas específicas com quem conversar e sobre o que conversar, delimitando drasticamente a minha área de pesquisa nas primeiras semanas. Como exemplo, devo lembrar o meu primeiro encontro mais acima, com Eduardo e que assim foram se desdobrando em reuniões do mesmo tipo em outros lugares da cidade.

De certa forma, cada entidade se debruçava sobre um escopo de “problemas” bastante específicos que asseguravam o funcionamento desta ou daquela instituição, existindo em certos momentos disputas políticas declaradas e não-declaradas pela cidade e em espaços

51 Como me disse um informante, diante dos benefícios oferecidos pelo governo japonês, muitos brasileiros

abraçam a idéia da criação de NPOs e entidades assistenciais que se debruçam sobre os “problemas dos brasileiros em Hamamatsu”, contudo, nem sempre agindo com boa fé. Muitos brasileiros buscam criar entidades meramente para a obtenção dos benefícios, realizando poucas ou quase nenhuma atividade assistencial na cidade.

determinados. Por fim, não durou muito tempo para que a imprensa japonesa e brasileira começasse igualmente a me procurar para debater sobre os “problemas” dos brasileiros na cidade.

Por duas vezes fui convidado para debater na Rádio Phoenix sobre os “problemas” dos brasileiros na cidade, em especial relacionados com a “educação de crianças brasileiras na cidade” e com a “falta de integração entre brasileiros e japoneses, falta de conhecimento ou medo da ‘cultura japonesa’”. Nesta oportunidade ambos os locutores me perguntaram sobre como foi a minha adaptação ao Japão e em quê os brasileiros poderiam atuar para lidar com a “grande distância entre as duas culturas”, a brasileira e a japonesa.

A questão da “distância” e “integração” extravaza as entidades assistenciais e chega na

imprensa brasileira, como na matéria de capa da última edição da Revista Alternativa52,

publicação brasileira no Japão cuja edição 292 traz os seguintes dizeres na capa: “Casamento globalizado - Brasileiros contam como é possível conviver, no Japão, com outras culturas e costumes dentro de casa”.

Uma entidade com maior área de abrangência e autonomia na cidade de Hamamatsu é a HICE – Hamamatsu Foundation for International Communication and Exchanges, anteriormente uma associação de auxílio às populações estrangeiras na cidade de modo geral, não se restringindo aos brasileiros. Hoje uma Fundação e mantida pela Prefeitura de

Hamamatsu, a HICE53 oferece suporte às dificuldades de idioma, questões legais, trabalhistas,

culturais e até mesmo atendimento psicológico em vários idiomas, reunindo em uma unidade principal quase todos os seus serviços multilíngües.

Assim que cheguei no saguão da HICE pude encontrar nas paredes vários flyers, livros e cartilhas publicados em japonês, inglês, português, chinês, espanhol e tagalog, além de vários pôsteres afixados nas paredes indicando atividades “integradoras” para os vários grupos migratórios na cidade. Destes, a HICE organiza campeonatos de culinária entre os vários grupos, além de oferecer cursos de idiomas gratuitos de japonês e inglês para imigrantes, além de português para japoneses, cursos sobre “cultura japonesa” com a participação do Museu de História de Hamamatsu, etc.

52 Revista Alternativa Online, disponível em <http://www.alternativa.co.jp/tabid/117/language/pt-

BR/Default.aspx?mid=99>, Acesso em 17 de setembro de 2012.

53 O modelo é considerado de relativo sucesso na província, até que foi adotado em partes pela cidade vizinha de

Talvez por conta do seu tamanho, expressividade e autonomia diante de todas as demais instituições assistenciais na cidade, a HICE é a única instituição que não é afetada pelas disputas políticas de entidades brasileiras menores. “A HICE é bem diferente, a gente é uma associação só, a HICE é bem diferente”, me disse um informante de uma entidade local. Como ouvi de informantes de duas NPOs brasileiras diferentes, a HICE de certa forma se deslocou deste campo político ao assumir um status mais abrangente, caminho que aparentemente é almejado por outras entidades.

Benzer Belgeler