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Ġzmir Ġli Halk Giyim-KuĢamının Göstergebilimsel Yöntem ile Çözümlenmes

Em sua tese de doutorado, depois transformada em livro, Sandra Jacqueline Stoll (2003) estuda o Movimento de Renovação Espírita com estudos de casos biográficos que abrangeram as vidas de Allan Kardec, Chico Xavier, Waldo Vieira e Luiz Antônio Gasparetto. Trataremos aqui de sintetizar no que consistem essas novas vertentes, falando primeiramente de Gasparetto.

Luiz Antônio Gasparetto aproxima-se da teologia da prosperidade pentecostal, tem uma abordagem psicologizante (talvez mais intensa, pois o espiritismo já é bastante psicológico) de auto-ajuda, do universo denominado Nova Era e da teologia da prosperidade (neo-pentecostal).

A trajetória de Gasparetto se inicia a partir de seu círculo familiar, em que sua mãe, Zíbia Gasparetto já exercia a mediunidade, quando a dele foi descoberta. Sua trajetória assemelha-se a de Chico Xavier no sentido de ser marcada por um período iniciático de afastamento do mundo e de pintura de quadros anônimos (psicopictografia). A primeira vez que Gasparetto teve a pintura de um quadro reconhecida ocorreu na presença de Chico Xavier, o qual disse que a pintura, por seu estilo, havia sido feita por Rembrandt. Isso aconteceu quando ele tinha 18 anos, em 1976. Desse momento em diante, seu rito de passagem, começa sua carreira mediúnica e os espíritos começam a assinar suas obras: Tolouse-Lautrec, Rembrandt, Picasso, Tissot, Monet, etc. Nessa fase ainda pertencia ao Espiritismo tradicional. Nesta época Gasparetto manifestou a Chico Xavier sua dificuldade de conciliar a tarefa mediúnica com os afazeres cotidianos, os “espíritos lhe tomavam muito tempo, se ele deixasse pintariam o dia inteiro” e “Van Gogh queria tintas importadas da Holanda e ele não tinha condições financeiras para sustentar isso”. Chico Xavier o

aconselhou nos moldes tradicionais a exercer a mediunidade gratuitamente e com sacrifício, separando “um horário para os espíritos” e diminuindo as horas de descanso.

Mais tarde Luiz Gasparetto, após tentar seguir a carreira do pai como curtumeiro, inicia o curso de psicologia. No entanto, interrompe seu curso e é levado para uma “turnê” na Europa por Elsie Dubugras, jornalista da revista Planeta que se interessava por fenômenos mediúnicos. Na Europa Gasparetto conheceu outras maneiras de lidar com a mediunidade. Posteriormente terminou seu curso de graduação e foi para os Estados Unidos fazer um curso de especialização. Era a época do boom psicanalítico e Luiz Gasparetto foi estudar no maior centro mundial de difusão de terapias alternativas localizado na Califórnia, o instituto Esalem. O complexo alternativo, conforme Jane Russo (apud Stoll, 2003: 235) é derivado de teorias distintas da ortodoxia psicanalítica baseada em Freud e Lacan. Já na década de 1980 Gasparetto fazia crítica a matriz católica:

O “moralismo espírita” constitui o principal alvo. Certos temas, como sexo e dinheiro, por exemplo, diz Luiz Gasparetto, constituem no Brasil um tabu, o que ele atribui à força da tradição católica no país, bem como à origem católica dos primeiros médiuns. [...] “No Brasil nenhum espírito toca nesse assunto. [...] Aqui só dizem: ‘ vai tomar passe, vai tomar passe!’” [...] Apesar dos espíritos terem tentado passar uma mensagem libertadora, aqui os médiuns eram católicos e a linguagem que usaram era própria de sua estrutura mental. Passou o que foi possível. O resto ficou cheio de catolicismo”. (Stoll, 2003: 232-3)

Gasparetto também considerou o “movimento espírita” muito antiquado e criticou o conteúdo das obras kardequianas afirmando ser seu conteúdo “coisa de época”, declarando ser espírita “por causa da pesquisa, do questionamento, da comparação, da busca e do método utilizado por Kardec” (Id, ibid: 233).

De volta dos Estados Unidos Luiz Gasparetto retomou suas atividades no centro espírita kardecista fundado pela família na cidade de São Paulo, Os Caminheiros e passou

ainda na década de 1980 criou o Espaço Vida e Consciência, dividindo seu tempo entre as atividades pagas desse espaço (palestras, shows, workshops, cursos) e a prática de pintura mediúnica nos moldes tradicionais (gratuita) no centro espírita.

No Espaço Vida e Consciência Luiz Gasparetto aliou “sua formação de psicólogo à experiência mediúnica” (Stoll, 2002: 389). Por mais de dez anos ele se dividiu entre este espaço e o centro Os Caminheiros, para o qual destinavam, ele e sua mãe, os recursos oriundos dos direitos autorais de suas obras mediúnicas. Essa duplicidade de espaços ocasionou a modificação na oferta de atividades do centro espírita, no qual começaram a implantar práticas que fugiam ao repertório espírita tradicional como o “passe com luzes (prática que associa o passe espírita à cromoterapia), sessões de “visualização criativa”, técnica oriunda do universo das terapias corporais alternativas e estudos com temáticas diferenciadas como “Cure seu Corpo”, “Paz mental e Emocional” ou “Prosperidade” (Stoll, 2003: 238).

Em 1995 vivenciando tensões crescentes em relação ao modelo ético-moral espírita a família Gasparetto realizou sua ruptura encerrando as atividades do centro espírita Os Caminheiros, reivindicando direitos autorais de livros já editados e criando uma nova editora, na qual pudesse se apropriar dos recursos provenientes da comercialização das obras psicografadas, prática condenada no espiritismo tradicional.

Luiz Gasparetto passou também por uma mudança na sua tutela espiritual de Tolouse- Lautrec, o qual considerava um amigo (bem diferente da relação hierárquica entre Emmanuel e Chico Xavier), para a tutela de Calunga, um preto velho, tipo de espírito outsider do panteão espírita kardecista (fora do padrão, não invocado pelos espíritas) e característico da umbanda. E desde a ruptura Gasparetto passou a dar seus cursos e palestras ora como Luiz ora incorporado como Calunga.

Após diversas tentativas de abordagem Sandra Jacqueline Stoll não teve possibilidade de entrevistar Luiz Antonio Gasparetto, mas em sua pesquisa de campo freqüentou cursos e palestras do Espaço Vida e Consciência e pôde conhecer a face pública do médium. Gasparetto se propôs a fazer uma mediunidade moderna abandonando a ética da caridade e assumindo a ética da prosperidade começando por fazer uso da mediunidade para seu próprio bem-estar (Stoll, 2002: 390). Este é o ponto no qual Luiz Gasparetto toca na teologia da prosperidade ao argumentar que o bem-estar do ser humano deve ser alcançado nesta vida, aqui e agora, não após a morte, um discurso catalisador da mobilidade social ascendente (enriquecimento). E a mediunidade moderna a que ele se refere consiste também na utilização da mediunidade não apenas para fins de cura e para promover fenômenos extraordinários, mas principalmente para “orientar a vida cotidiana dos indivíduos” porque as pessoas “hoje necessitam de autoconhecimento” (Stoll, 2003: 242).

Luiz Gasparetto não mais se define como espírita, define-se como “professor de metafísica” e acrescenta que “isso não significa nada”. Mas essa ausência de sentido escamoteia o contingente de crenças e práticas oriundas de várias matrizes religiosas contidas no universo da Nova Era ou neo-esotérico ou a vertentes ligadas ao Movimento New Age (espiritualismo, esoterismo, orientalismo, paraciências) (D’Andrea apud Stoll, 2003: 240). Nesse universo encontramos os “sem religião”, mas não “sem religiosidade”. Esse universo se define pelo...

[...] endosso do conceito de espiritualidade, categoria que se tem adotado em substituição à religião. Enquanto essa última supõe uma articulação indivíduo/ comunidade de fé, o que se expressa pelo comprometimento com preceitos ético- doutrinários e práticas rituais institucionalizadas, a noção de espiritualidade elimina a mediação institucional de acesso ao sagrado. (Stoll, 2003: 249)

O médium fala também em poder da mente, em educação emocional, bem-estar, felicidade e realização pessoal, termos próprios da auto-ajuda:

A oferta de técnicas, de fórmulas, métodos e/ou crenças que induzem ao processo de transformação do indivíduo, condição tida como necessária para que se produza o “bem –estar”, a “felicidade”, a “realização pessoal” e/ou “sucesso” [...]. (Id, ibid: 245) Luiz Gasparetto publicou títulos como Se ligue em você, Faça dar certo, Prosperidade profissional, e, ao combater a “cultura da vítima” ou, ao defender que o indivíduo “tome posse de si” promove a:

[...] dissolução da experiência social como produção coletiva [que] tende a uma absolutização do individualismo, o que se expressa pela radicalização do subjetivismo. (Id, ibid: 257)

Somente o indivíduo é responsável por seu sucesso ou insucesso, é o pensamento do indivíduo que irá transforma-lo no que ele quiser, por isso é necessário libertar-se dos rótulos sócio-culturais e dos preconceitos, para que possa encontrar a si mesmo.

Contudo, é importante ressaltar que nesse amálgama que Stoll captou no discurso de Gasparetto, continua a existir a presença de termos espíritas como reencarnação e livre- arbítrio, embora com perspectivas próprias:

Nós, reencarnacionistas, acreditamos que nascemos várias vezes, entre outras razões para adquirir o controle da mente e não para pagar débitos ou resgatar erros de outras vidas (Id, ibid: 250)

Veremos que a ruptura de Waldo Vieira foi ainda mais radical.

Benzer Belgeler