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IV. BULGULAR VE YORUM

4.6. Nitel Bulgular ve Yorum

4.6.1. Ġstasyon Tekniğinin Olumlu Özelliklerine Yönelik Bulgular ve Yorum

Tal como abordada por Bogdan e Biklen (1994), a pesquisa qualitativa pode ser definida, de modo geral, pelo interesse na compreensão o mais completa possível dos fenômenos investigados, o que se manifesta na ênfase sobre

processos e não sobre resultados ou produtos. Por essa razão, o ambiente natural e as ações e interações dos sujeitos envolvidos se configura como a fonte principal dos dados, o que requer a permanência do pesquisador por um tempo considerável no local em que o objeto de estudo pode ser observado, de maneira que este possa ter acesso direto aos modos como e às circunstâncias sob as quais ocorre. Tendo em vista que os fenômenos do real não são diretamente perceptíveis ou verificáveis, o pesquisador se constitui, pois, em instrumento principal de pesquisa, valendo-se de técnicas e instrumentos para registrar a realidade e poder estudá-la.

Esse tipo de abordagem requer o exame da realidade que considere a potencialidade de todos os fatos observados, considerando-os fonte de pistas que permitam uma compreensão mais esclarecedora do objeto de estudo. Pressupõe ainda a consideração da perspectiva dos sujeitos, por meio do registro dos modos como estes interpretam as situações, dos significados que lhes atribuem, requerendo do investigador um contato aprofundado com os indivíduos, em seus contextos naturais (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p. 47-51).

A opção pela abordagem qualitativa se consubstanciou, pois, na busca de um contato o mais próximo possível com a professora colaboradora e a turma junto à qual atuou durante nossa imersão em campo, através do acompanhamento e do registro de suas práticas cotidianas. Esse modo de proceder nos permitiu a aproximação com o contexto em que essas práticas se desenvolveram, fator imprescindível para sua compreensão.

Considerando que nessa perspectiva de investigação, a observação da realidade passa pelo pesquisador, devemos atentar para o fato de que o estudo assim realizado não é absolutamente neutro nem isento de subjetividade. A respeito dessa questão, Tardif e Lessard (2007) trazem uma contribuição importante. Ao abordar os planos analítico e interpretativo da pesquisa que tematiza o trabalho do professor, esses estudiosos assinalam que o campo de pesquisa é um espaço criado pelo olhar teórico do pesquisador, um espaço onde a subjetividade deste se mistura à de outros sujeitos. Nesse espaço eminentemente interacional, a inteligência do pesquisador, bem como seus valores, emoções, crenças e preconceitos são colocados à prova, por isso, ele precisa estar atento às variações, às diferenças e às nuances que aparecem quando se estudam as práticas efetivadas pelos sujeitos no ambiente escolar (TARDIF; LESSARD, 2007, p. 38-39).

Também sobre essa questão, Bogdan e Biklen (1994, p. 67-68) comentam que os pesquisadores qualitativos, a fim de minimizar o efeito que sua subjetividade possa ter nos dados produzidos, utilizam métodos que auxiliem a ultrapassar alguns dos seus “enviesamentos”. Entre esses métodos, os autores citam o tempo passado em campo, a revisão cuidadosa dos dados recolhidos e sua descrição criteriosa, considerando as muitas dimensões dos fenômenos estudados. A despeito desses cuidados, estão cientes de que não é possível eliminar totalmente os “enviesamentos” dos investigadores. Assim sendo, os resultados a que se chega com a pesquisa não devem ser considerados uma garantia da verdade, mas uma das maneiras de interpretar dada realidade e contribuir para sua compreensão.

É importante esclarecer que consideramos nossa investigação um estudo de caso. Para Bogdan e Biklen (1994, p. 89), esse tipo de estudo: “consiste na observação detalhada de um contexto, ou indivíduo, de uma única fonte de documentos ou de um acontecimento específico”. Robert Yin (2005) nos apresenta uma definição mais esclarecedora, ao abranger as características que distinguem os estudos de caso de outras estratégias de pesquisa utilizadas nas ciências sociais. Este autor considera que esse tipo de estudo se adequa às investigações em que se busca responder a questões do tipo “como” e “por que”, nas situações em que o pesquisador tem pouco controle sobre os acontecimentos, ou seja, em que os comportamentos dos sujeitos envolvidos não podem ser manipulados (nem é esse o interesse do estudo), e o foco se volta para “fenômenos contemporâneos inseridos em algum contexto da vida real” (YIN, 2005, p. 19). A necessidade de realização de um estudo de caso está relacionada ao anseio de compreender fenômenos sociais complexos, pois permite “preservar as características holísticas e significativas dos acontecimentos da vida real — tais como ciclos de vida individuais, processos organizacionais e administrativos, mudanças ocorridas em regiões urbanas, relações internacionais e a maturação de setores econômicos” (YIN, 2005, p. 20). Em nosso estudo, voltamo-nos para a observação de um indivíduo, uma professora universitária formadora, no intuito de compreender a configuração de seu trabalho na universidade, considerando-o a partir da articulação entre as dimensões institucional e sociocultural e a dimensão didática que o conformam.

A fim de operacionalizar nossa investigação, recorremos à observação participante, considerada por Bogdan e Biklen (1994, p. 16), uma entre “as

estratégias mais representativas da investigação qualitativa”. Realizamos também entrevistas com a professora (gravadas em áudio), anotações em um diário de campo, registros por meio de gravações em vídeo (e eventualmente em áudio) das interações ocorridas em sala de aula, aplicação de questionários (aos alunos), além da coleta de documentos escritos e digitalizados (materiais didáticos, documentos institucionais). Quanto aos instrumentos utilizados na constituição dos dados, foram os seguintes:

 Diário de campo;

 Câmera filmadora Sony, modelo Handycam DCR-SR21;

 MP3 Player da Sony (modelo NWZ-B172F), na função de gravador de áudio.

 Questionários.

Tendo esclarecido a abordagem de pesquisa adotada e identificado as técnicas e os instrumentos utilizados no processo de constituição dos dados, descreveremos, na subseção seguinte, como se constituiu esse processo.