Na parte 3 do Projeto Colaborativo (p. 99), as participantes elaboraram o cronograma com as atividades que foram realizadas com os alunos do Ensino Médio na escola de campo de estágio. No seguinte trecho, elas discutem sobre a distribuição dos alunos nos grupos:
14/10/2010 – [Beth] Presentar a los alumnos la webquest y un guión con el cronograma de las actividades.
[Rosa] también debemos hacer la división de los grupos y la división de ciudades, por sorteo o cosa así....
[Violeta] Ok. Podemos ya empezar el proyecto...
[Dalia] Vivaaa... hemos empezado!!!!
Bueno... los grupos de los alumnos de la clase TUR1NA son... Grupo 1: Amanda Luiza, Isabelle y Cristiane (Ginebra) Grupo 2: Gabriela, Franciely y Anna Luiza (Venezuela)
Grupo 3: Amanda Cristina, Vitor, Marina y Caroline (Marsella) Grupo 4: Mariana, Stella y Jéssica, Mariane (San Andrés - Colombia) Grupo 5: Steffanie, Raíssa (Isla Martinica)
Grupo 6: Lucas, Juliana e Isabella (Marsella)
Grupo 7: Herbert, Bruna, Thalita y Patrick (Isla Martinica) Grupo 8: Karla, Rita y Camila (Colombia)
Creo qu
e podemos añadir los nombres de ellos en la webquest, podemos también añadir la dirección del cuento para que los alumnos puedan accederlo también...
[Beth] Dalia , creo que los nombres no. Pero el enlace con el cuento sí.121
A professora orientadora do estágio propõe para o dia 14/10/2010 a apresentação da WQ aos alunos da escola e sugere a apresentação de um cronograma para os alunos. Rosa dá a ideia de fazer a divisão dos grupos dos alunos para desenvolverem a tarefa da WQ e
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14/10/2010 – [Beth] Apresentar aos alunos a webquest e um roteiro com o cronograma das atividades. [Rosa] também devemos fazer a divisão dos grupos e a divisão de cidades, por sorteio ou coisa assim.... [Violeta] Ok. Podemos já começar o projeto...
[Dalia] Vivaaa... começamos!!!!
Bom... os grupos dos alunos da turma TUR1NA são... Grupo 1: Amanda Luiza, Isabelle e Cristiane (Genebra) Grupo 2: Gabriela, Franciely e Anna Luiza (Venezuela) Grupo 3: Amanda Cristina, Vitor, Marina e Caroline (Marselha) Grupo 4: Mariana, Stella e Jéssica, Mariane (San Andrés - Colômbia) Grupo 5: Steffanie, Raíssa (Ilha Martinica)
Grupo 6: Lucas, Juliana e Isabella (Marselha)
Grupo 7: Herbert, Bruna, Thalita e Patrick (Ilha Martinica) Grupo 8: Karla, Rita e Camila (Colômbia)
Acho que podemos acrescentar os nomes deles na webquest, podemos também acrescentar o endereço do conto para que os alunos possam acessá-lo também...
Violeta, em seguida, concorda, dizendo que já podem começar o projeto com os alunos. Dalia mostra-se entusiasmada com o início do projeto e enumera os oito grupos de uma das turmas; depois, afirma que já podem colocar os nomes dos alunos e o endereço eletrônico do conto de García Márquez na WQ. Neste fragmento, notamos a sintonização das participantes em relação à divisão dos grupos inicialmente proposta por Rosa e percebemos que a professora de campo fornece os propiciamentos, com a lista dos grupos dos alunos elencados e dos respectivos países e/ou cidades para o desenvolvimento da narrativa digital. Ressalta-se, ainda, o entusiasmo de Dalia, ao enfatizar que iniciaram o projeto: “Vivaaa... hemos empezado!!!!”.
A professora do estágio evidencia uma restrição, que se refere à segurança de não expor os nomes dos alunos no site da WQ, uma vez que a página ficaria aberta e, como muitos deles eram menores, não seria adequado expor os seus nomes publicamente. As restrições não são inerentemente negativas, e este exemplo demonstra isso. E com isso, as alunas aprendem a planejar uma proposta didática, tendo em conta diversos aspectos, tais como, pensar na organização dos grupos e no cronograma e preocupar-se com questões de segurança na web; ou seja, não expor os nomes dos alunos (menores) na página, que é pública.
Essa parte do diálogo entre as participantes e a sua atuação demonstram um engajamento na produção do material de ensino para aquele contexto escolar, e isto dá evidências de uma participação engajada na prática, e que estabelece uma aproximação dos sujeitos dos dois contextos escolares – a escola de campo e a universidade. Como observamos, a participação na prática é fundamental naquilo que os estudantes aprendem, conforme nos afirma Greeno (1998). A participação das alunas e professoras no Projeto Colaborativo possibilitou aprendizagens, a saber: usar a interface da WebQuest; desenvolver o planejamento didático-metodológico da WebQuest; desenvolver, juntamente com as professoras de campo e a orientadora, o planejamento do projeto, tendo em vista os alunos da escola de campo.
Nesta última seção deste capítulo, as sintonizações para propiciamentos e restrições das alunas e professoras no projeto mostram evidências do caráter situado dos letramentos digitais que se caracterizam, não como “algo autônomo”, mas como práticas sociais de leitura e escrita, em um contexto sociocultural escolar de escrita colaborativa, em um ambiente on-line, e as aprendizagens oriundas desses letramentos são compreendidas como aspectos da participação das alunas e professoras nessas práticas sociais.
5 CONGRESSOS ON-LINE
Nesta seção, analisaremos os modos de participação das professoras em pré- serviço em dois eventos de letramento digital, nas disciplinas APEE I e APEE II. A atividade refere-se à participação das alunas em dois congressos on-line que integraram o programa proposto nas duas disciplinas – APEE I e APEE II –, como observamos no recorte dos cronogramas dos cursos:
APEE I – 2010/2
06/11/10 De 09 às 22:30
Participação no Congresso VII Evidosol/IV CILTEC – Online APEE II – 2011/1 07/06/11 1 De 09 às 21:00
Participação no VIII Evidosol/ V CILTEC- Online
A razão da inserção dos congressos on-line no programa das duas disciplinas baseou-se na visão situada da aprendizagem na formação inicial das professoras em pré- serviço e a integração de tecnologias durante suas experiências como alunas nas disciplinas do Estágio Supervisionado. Esta perspectiva considera a aprendizagem distribuída em uma estrutura complexa e se dá in situ, onde as pessoas se apropriam do conhecimento em ação, ou seja, as pessoas agem em cenários, e não apenas na mente dos indivíduos. Pensamos que os contextos físico e social em que uma atividade ocorre são parte integrante dessa atividade. Para as alunas, ao participarem de congressos dessa natureza e não ter as aulas apenas na sala de aula convencional, abrem-se outros modos e loci de aprendizagem. Acreditamos que a participação em eventos de letramento digital como esses geram novos focos de aprendizagem na prática.
De acordo com os conceitos expostos sobre aprendizagem situada, a aprendizagem caracteriza-se como uma mudança de participação em uma prática social. Essa mudança pode ser identificada pela trajetória de participação inicial do sujeito, denominada
pelo descritor analítico proposto por Lave e Wenger (1991) de PPL (Participação Periférica Legítima), para uma participação central. Assim como Goés (2010), pensamos que o reconhecimento da mudança de participação das alunas, e com um foco maior em Violeta, possibita caracterizar essa participação como uma forma de aprendizagem de letramentos, como veremos nas próximas seções.