2. BÖLÜM: ALAN YAZIN
2.3. ĠletiĢim Becerisi Kavramı
2.3.1. Öğretmenlerin iletiĢim becerileri
2.3.1.1. Sınıf içi iletiĢim
2.3.1.1.1. Öğretmenlerin etkin dinleme becerileri
Com a proclamação da Independência, a Academia Real Militar mudou seu nome para Imperial Academia Militar (Brasil, 1822), permanecendo sem grandes alterações até que, em 1832, já no período regencial, novamente mudou seu nome para Academia Militar da Corte, ocorrendo a primeira reforma no sistema de formação dos oficiais (Brasil, 1832), período em que o e ensino dos oficiais do Exército e da Marinha foi unificado na mesma escola. Em 1833, houve a segunda reforma (Brasil, 1833), quando foi novamente separada a formação dos oficiais do Exército da dos oficiais da Marinha, ressurgindo a Academia Real dos Guardas- Marinha, porém o currículo permaneceu centrado no ensino das matemáticas, como se pode depreender da análise do quadro a seguir:
16 Segundo Cunha (1982), até o século XX, o vocábulo ‘trem’ significava um conjunto de objetos, daí a
Quadro 2 – Currículo da Escola Militar, segundo os Regulamentos de 1832 e 1833.
ANO DISCIPLINAS
Regulamento de 1832 Regulamento de 1833
1º ANO Aritmética; Álgebra; Geometria; Trigonometria; Desenho. Aritmética; Álgebra; Geometria; Trigonometria; Desenho. 2º ANO
Álgebra; Trigonometria; Cálculo Diferencial e Integral; Geometria Descritiva; Desenho.
Álgebra; Trigonometria; Geometria
Descritiva; Mecânica; Cálculo Diferencial e Integral; Desenho.
3º ANO
Mecânica; Arquitetura; Física/Química; Mineralogia; Pirotécnica.
Tática; Estratégia; Castrametação; Fortificação de Campanha; Artilharia; Física/Química; Mineralogia; Desenho. 4º ANO Trigonometria Esférica; Ótica; Astronomia; Geodésia; Topografia; Navegação. Trigonometria Esférica; Ótica; Astronomia; Geodésia; Desenho. 5º ANO
Tática; Estratégia; Castrametação;
Fortificação Passageira; Mecânica Aplicada à Artilharia; Desenho.
Arquitetura Militar e Civil; Fortificação Permanente; Minas; Ataque e Defesa de Praças; Astronomia/Geodésia; Artilharia. 6º ANO
Fortificação Permanente; Ataque e Defesa de Praças; Sítios Memoráveis; Arquitetura; Desenho de Arquitetura.
Hidrostática; Hidrodinâmica; Construção Prática; Desenho.
7º ANO
Material de Construção; Resistência dos Materiais; Nivelamento; Reconhecimento do Terreno; Castrametação de Alicerces, Abóbodas, Pontes, Estradas, Aquedutos, Portos e Canais; Explicação do Uso das Máquinas.
Fonte: Adaptado de Motta (2001).
Neste quadro, é possível perceber que, no Regulamento de 1832, não houve grandes alterações: os cursos de cavalaria e infantaria eram ministrados no primeiro e no segundo ano; o curso de artilharia foi reduzido para quatro anos; e o curso de engenharia tinha sete anos. Além disso, os engenheiros passaram a contar com três especialidades: a engenharia “militar”, a engenharia “geógrafa” e a engenharia de “pontes e calçadas”. Ressalte-se, ainda, que a direção do estabelecimento passou a ser exercida pelos professores e que a Academia Real dos Guardas-Marinha fundiu-se à Academia Militar da Corte, período em que a formação dos oficiais do Exército e da Marinha era feita na mesma escola (Machado, 2011).
Já com o Regulamento de 1833, o curso foi reduzido para seis anos, permanecendo os cursos de infantaria e cavalaria com dois anos, o de artilharia com quatro e o de engenharia com seis. Por sua vez, a formação dos oficiais da Marinha voltou a ser realizada em outra escola, o que significou o ressurgimento da Escola Real dos Guardas-Marinha. A reforma tinha por escopo fortalecer o regime militar da escola; assim, de acordo com o novo estatuto, o comandante da escola deveria ser sempre um oficial oriundo dos corpos científicos – artilharia ou engenharia –, bem como foi dada ao comandante a competência de punir disciplinarmente os
alunos, com sanções que podiam chegar à exclusão. Ainda, passaram a ser realizadas revistas e formaturas, e foi estabelecido que os alunos deveriam usar uniformes acompanhados de espadas (vide Anexo II).
No entanto, essa “militarização” da escola não durou muito tempo; em 1835, um decreto determinou que a escola voltasse ao Estatuto de 1832 (Brasil, 1835), sendo novamente dirigida por um professor, o que reduziu o processo de militarização da escola e distanciou a formação dos alunos das necessidades do Exército no tocante à formação de oficiais (Motta, 2001).
No final do período regencial, em 1839, a Academia Militar passou pela sua terceira reforma e teve seu nome alterado para Escola Militar (Brasil, 1839a, 1839b); além disso, o sistema francês de duas escolas17 foi adaptado para uma escola única, com os alunos divididos em companhias: uma de cavalaria e infantaria, e outra de artilharia e engenharia, as quais eram comandadas por oficiais instrutores encarregados das aulas práticas. Dessa forma, ao lado do ensino teórico, surgiu o ensino prático das técnicas militares, de modo a alcançar o escopo dessa reforma, que era equilibrar os conhecimentos científicos com os conhecimentos práticos, ou seja, “[...] ajustar no currículo e num regime escolar único, os currículos e regimes da Politécnica de Paris e da Escola de Aplicação de Metz.” (Motta, 2001, p. 65).
Buscando solucionar o problema da falta de interesse da juventude com relação à carreira militar, o ministro da Guerra, Sebastião de Rego Barros, incluiu no Estatuto de 1839 um dispositivo que concedia aos alunos “paisanos” os privilégios e os vencimentos da graduação de segundo-sargento18. Já para os alunos “militares”, foram estipulados a posição e os vencimentos de, conforme o caso, primeiro-sargento, alferes ou tenente19; ainda, para os oficiais-alunos que frequentavam a Escola Militar para aprimorar seus conhecimentos e progredir na carreira, foi estabelecido que, a cada habilitação, teriam acesso a um posto na carreira20.
Em 1840, o ministro da Guerra, Marechal Salvador Jose Maciel, ampliou os benefícios aos alunos, declarando, na Câmara dos Deputados, que “[...] os homens possuidores de meios
17 “Nas suas grandes linhas o sistema francês consistia, portanto, em desdobrar a formação do oficial em duas
escolas: a Politécnica, encarregada dos conhecimentos científicos, e as escolas de aplicação e de especialização, que tomavam a si os conhecimentos de caráter profissional (Metz para a Artilharia e a Engenharia, Sainte-Cyr para a Infantaria e a Cavalaria)[...].” (Motta, 2001, p. 65)
18 Conforme o art. 13 do Regulamento nº 29, de 22 de fevereiro de 1839, “os Alumnos, que não forem Militares,
terão desde a Matricula a Graduação, e vencimenios de 2º Sargentos.” (Brasil, 1839b).
19 Vide a primeira parte do art. 15 do Regulamento nº 29, de 1839, como segue: “Art. 15. Os Alumnos, que
houverem sido habilitados nas matérias do lº anno do 1º Curso, terão a Graduação, e os vencimentos de 1º Sargentos; no fim do 1º Curso terão a Patente de Alferes, ou de 2º Tenentes, e destes os que tiverem a habilitação do 2º Curso, terão a Patente de 1º Tenente.” (Brasil, 1839b).
20 Vide a segunda parte do art. 15 do Regulamento nº 29, de 1839, a seguir: “Os Oficiaes terão no fim de cada hum
ou de influências preferiam caminhos menos difíceis e menos árduos que a vida militar [...].” (Maciel, 1840 apud Trevisan, 1993, p. 23). Em outras palavras, a classe dos antigos cadetes, ligados às famílias aristocráticas, estaria desaparecendo21. Para aliciar mais jovens, o ministro “[...] propõe a criação do posto de ‘alferes-alumno’, como a melhor solução para ‘atrair para o Exército as vocações desprovidas de recursos financeiros’[...].” (Trevisan, 1993, p. 23). Trevisan (1993) conclui que essas mudanças indicavam alterações no perfil socioeconômico dos jovens que procuravam o oficialato das armas, o que acarretou também mudanças e uma nova fase do ensino militar brasileiro.
Na sequência, novas reformas, em 1842 (Brasil, 1842a) e 1845 (Brasil, 1845), acabaram com a tentativa de equilíbrio entre o ensino científico e o ensino prático; os currículos implementados podem ser analisados no quadro a seguir:
Quadro 3 – Currículo da Escola Militar, segundo os Regulamentos de 1842 e 1845.
ANO DISCIPLINAS
Regulamento de 1842 Regulamento de 1845
1º ANO Aritmética; Álgebra; Geometria; Trigonometria; Desenho. Aritmética; Álgebra; Geometria; Trigonometria; Desenho. 2º ANO Álgebra Superior; Geometria Analítica;
Cálculo Diferencial e Integral; Desenho.
Álgebra Superior; Geometria Analítica; Cálculo Diferencial e Integral; Geometria Descritiva; Desenho.
3º ANO Mecânica Racional e Aplicada; Física Experimental; Desenho.
Mecânica Racional e Aplicada; Física Experimental; Desenho.
4º ANO Trigonometria Esférica; Astronomia; Geodésia; Química/Mineralogia; Desenho.
Trigonometria Esférica; Astronomia; Geodésia; Química/Mineralogia; Desenho. 5º ANO
Topografia; Tática; Estratégia; Fortificação Passageira; História Militar; Direito Militar, das Gentes e Civil; Desenho.
Topografia; Tática; Estratégia; Fortificação Passageira; História Militar; Direito Militar, das Gentes e Civil; Desenho.
6º ANO Fortificação Permanente; Ataque e Defesa de Praças; Minas; Botânica/Zoologia; Desenho.
Fortificação Permanente; Ataque e Defesa de Praças; Minas/Artilharia;
Geologia/Montanhística/Metalurgia; Desenho.
7º ANO Arquitetura Civil e Militar; Hidráulica; Geologia/Montanhística/Metalurgia; Desenho.
Arquitetura Civil e Militar; Hidráulica; Desenho de Arquitetura; Máquinas Hidráulicas.
Fonte: Adaptado de Motta (2001).
Percebe-se, do estudo destes currículos, a manutenção da preponderância das matemáticas. O ensino profissional e o ensino científico foram separados, foram abolidos os exercícios de campo e a disciplina da escola foi deixada para um segundo plano.
21 Como vimos anteriormente, Schulz (1971) analisou o período e detectou que, ainda na primeira metade do
A distância entre o ensino profissional e o ensino científico aumentou, em 1844, com a criação do título de bacharel para quem concluísse o curso de sete anos e de doutor em ciências matemáticas para aqueles que tivessem sido aprovados plenamente em todos os sete anos do bacharelado. Surgiu, dessa forma, a figura do bacharel-militar e do doutor-militar (Motta, 2001), em oposição à figura dos bacharéis e doutores das Faculdades de Direito e Medicina.
Ainda durante o período regencial, o Exército envolveu-se em diversos conflitos, como as rebeliões regenciais, e os oficiais formados na Escola Militar, com uma formação excessivamente teórica, tinham dificuldades de aplicar na prática seus conhecimentos. Assim, nas unidades operacionais do Exército, surgiu outro tipo de oficial, aquele formado na “Tradição dos Corpos de Tropa”: o “colarinho de couro” ou tarimbeiro22, que galgava os postos por mérito em combate. Destacam-se, entre esses oficiais, nomes como o do General Manuel Luís Osório e do Brigadeiro Antônio de Sampaio.
Na década de 1850, durante a Guerra contra Uribe e Rosas (1851-1852), o ministro da Guerra23 passou a se preocupar com a formação profissional dos oficiais do Exército. O quadro era considerado grave; o próprio Almanaque Militar de 1857 informa que os oficiais dos corpos técnicos (engenharia, artilharia e Estado-Maior) tinham passado pela Escola Militar, sendo que “[...] apenas 31 dentre os 354 de infantaria e a 20 dos 119 da cavalaria [...]” (Schulz, 1971, p. 238) tinham passado por um curso superior.
Dessa forma, ainda na década de 1850, surgiram tentativas para solucionar o problema da falta de experiência dos oficiais formados na Escola Militar e da falta de conhecimentos técnicos dos oficiais formados na “Tradição dos Corpos de Tropa”. A primeira solução foi a Lei de Promoções (Brasil, 1850), que estipulava que, para ser promovido a capitão, era necessário o curso completo de sua arma. Como isso inviabilizaria a promoção dos oficiais formados na “Tradição dos Corpos de Tropa” e existiam muitos oficiais nessa condição, incluindo oficiais superiores, foi criada uma exceção para os oficiais de infantaria e de cavalaria. Para essas armas, somente um terço dos oficiais dos quadros necessitaria da formação na Escola Militar. Além disso, em 1851, foi criado um curso de infantaria e cavalaria no Rio Grande do Sul, onde se concentrava a maioria das tropas. Efetivamente instalado em 185324, esse curso deu
22 Nesse período, surgiu o termo ‘tarimbeiro’, derivado da palavra ‘tarimba’, que era a cama de campanha do
soldado, uma cama tosca e rude. Inicialmente, de forma pejorativa, os oficiais com pouca instrução – os oficiais formados na “Tradição dos Corpos de Tropa” – receberam tal alcunha. Posteriormente, o termo passou a ser usado de forma positiva, sendo relacionado ao oficial que tinha experiência em combate (Machado, 2011).
23 Durante a Guerra contra Uribe e Rosas, o ministro da Guerra do Brasil era o Tenente-Coronel Manuel Felizardo
de Sousa Melo, bacharel em matemática pela Universidade de Coimbra. Ele foi lente da Academia Real Militar quando capitão do Corpo Real de Engenheiros.
24 Nas mesmas instalações, funcionaram a “[...] Escola Militar de Porto Alegre (1851-57); Militar Preparatória
oportunidade para que muitos oficiais tivessem instrução teórica próximo das unidades em que serviam (Machado, 2011).
Enquanto isso, na capital, visando à solução da questão do ensino teórico e do ensino prático, tentou-se adotar o modelo francês de duas escolas: uma teórica e outra de aplicação. Para tanto, em 1855, a Escola Militar foi dividida em duas: permaneceu, no Largo de São Francisco, a Escola Militar, ministrando um curso científico de forma semelhante à Escola Politécnica de Paris; e, para o ensino aplicado, semelhantemente à Escola de Aplicação de Metz, foi criada em 1855, no Forte de São João, a Escola de Aplicação, voltada para o ensino prático. Em 1858, a Escola de Aplicação passou a funcionar em um novo prédio, na Praia Vermelha. Nessa nova instalação, foi instituído um regime escolar militar, composto por dois tipos de instrução: o ensino teórico e o ensino prático. Pode-se analisar os currículos teórico e prático da Escola de Aplicação, segundo o Regulamento de 1855, no quadro a seguir:
Quadro 4 – Currículo da Escola de Aplicação, segundo o Regulamento de 1855.
ANO DISCIPLINAS/CONTEÚDOS
Ensino teórico
AULA PROVISÓRIA
Aritmética; Álgebra Elementar; Geometria Elementar; Metrologia; Princípios de Geometria Analítica a Duas Dimensões, Compreendendo a Trigonometria Plana. 1º ANO
Topografia Militar; Tática; Castrametação; Estratégia; Fortificação de Campanha; Elementos de Estática e Dinâmica com Aplicação à Balística no Vácuo; História Militar; Noções de Direito das Gentes e de Legislação Militar.
2º ANO Balística no Meio Resistente; Fortificação Permanente; Ataque e Defesa de Praças; Fortificação Subterrânea; Arquitetura Militar.
Ensino prático (ao longo dos dois anos)
Exercícios: descrição, nomenclatura, manejo e uso das diferentes armas e máquinas de guerra;
pirotecnia militar; prática de balística; natação e equitação; evolução e manobras das diferentes armas; levantamento de plantas, nivelamentos e reconhecimentos militares; marchas, acampamentos, embarques e desembarques; construções de pontes militares; trabalhos de fortificação de campanha; ataque e defesa de postos e de praças; prática do serviço de paz e de guerra; administração dos corpos.
Desenhos: desenho linear, de paisagens, topográfico, de arquitetura militar e de máquinas de guerra. Fonte: Adaptado de Motta (2001).
Foram, ainda, estabelecidos regime de internato, disciplina rigorosa, marchas, formaturas e exercícios com armas. Já sob o aspecto da estética militar, o uniforme de 1834 foi alterado em 1856 e os alferes-alunos permaneceram usando espadas (vide Anexo II).
Província (1874-76) [...] [já a] Escola Militar da Província [foi] transferida [...] em 1883 [...]” (Bento, 1987, p. 9), para novas instalações, ainda na cidade de Porto Alegre.
Citando Castro, Santos (2007) analisa a formação da cultura escolar dos alunos da Escola Militar a partir da implementação do Regulamento de 1855, em especial, com relação ao regime de internato, e considera que
com o regime de internato implantado a partir de 1855, o Corpo de Alunos ganha coesão e solidariedade horizontal. Surge o Espírito-de-Corpo, e podemos observar aqui, como opera o ‘currículo oculto’ da escola que modela e homogeneíza os comportamentos. Como nos lembra Celso Castro (1995), a partir do momento em que se democratiza o acesso às Escolas Militares, a identidade social do oficialato passa a estar vinculada à instituição criando um
ethos específico. (p. 321).
A formação dos oficiais do Exército especializou-se e os cursos foram “hierarquizados”. Os alunos dos cursos de infantaria e cavalaria frequentavam o primeiro ano da Escola Militar do Largo de São Francisco e o primeiro ano do curso da Escola de Aplicação da Praia Vermelha, em que recebiam instruções teóricas e práticas. Por sua vez, os alunos dos cursos de artilharia e engenharia deviam cursar as duas escolas, em um regime que alternava teoria e prática. Ainda, para incrementar o ensino prático, foi criada, em 1859, a Escola de Tiro de Campo Grande (Brasil, 1859), na cidade do Rio de Janeiro. Com isso, passaram a existir duas escolas para a formação prática: a Escola de Aplicação e a Escola de Tiro (Machado, 2011).
Em 1858, a Escola Militar do Largo de São Francisco passou a ser denominada Escola Central, quando o ministro da Guerra, General Jerônimo Francisco Coelho, reformou o currículo da escola, sob três “linhas” mestras, como segue:
1) A Escola Central deve ser uma espécie de centro ou tronco para o ensino das doutrinas comuns às diferentes especialidades, e tomar a si, de modo específico, as ciências matemáticas, físicas e naturais.
2) A distinção entre engenharia civil e militar acabará com os inconvenientes da acumulação destas duas espécies em um só indivíduo, que ficava sendo um engenheiro enciclopédico mas sem habilitações perfeitas.
3) A criação do curso ‘preparatório’ permitirá que o aluno de 1º ano seja liberado do ensino de matemática elementar. (Motta, 2001, p. 127).
Seguindo essas três linhas mestras, o currículo proposto para a Escola Central criou um curso preparatório, com duração de um ano, no qual seriam ministradas as disciplinas que consideradas fundamentais para que um aluno pudesse prosseguir seus estudos na Escola Militar. No quadro a seguir, observam-se as disciplinas do curso preparatório, segundo o Regulamento de 1858:
Quadro 5 – Currículo do curso preparatório, segundo o Regulamento de 1858.
AULA DISCIPLINAS/CONTEÚDOS
1ª AULA Francês; Latim. 2ª AULA Geografia; História.
3ª AULA Aritmética; Metrologia; Álgebra; Geometria.
Fonte: Adaptado de Motta (2001).
Além disso, o Regulamento de 1858 separou o curso de engenharia militar do curso de engenharia civil e previu o seguinte currículo:
Quadro 6 – Currículo da Escola Militar, segundo o Regulamento de 1858.
ANO DISCIPLINAS
1º ANO Álgebra, inclusive superior; Geometria Analítica; Trigonometria Plana; Física Experimental; Meteorologia; Desenho Linear, Topográfico e de Paisagem. 2º ANO Geometria Descritiva; Cálculo Diferencial, Integral, das Probabilidades, das Variações e Diferenças Finitas; Química; Desenho Descritivo e Topográfico. 3º ANO Mecânica Racional e Aplicada às Máquinas em Geral; Mineralogia e Geologia; Desenho de Máquinas. 4º ANO Trigonometria Esférica; Ótica; Astronomia; Geodésia; Botânica/Zoologia; Desenho
Geográfico. 5º ANO
Mecânica Aplicada; Arquitetura Civil; Construção de Obras de Pedra, Madeira e Ferro; Estudos dos Materiais Correspondentes e suas aplicações; Estradas, Vias Férreas, Aterro e Dissecação de Pântanos; Montanhística e Metalurgia; Desenho de Arquitetura e Execução de Projetos.
6º ANO Canais Navegáveis; Portos, Rios e Barras; Derivação e Encanamento D’Água; Aquedutos, Fontes e Poços Artesianos; Desenho de Construções e de Máquinas Hidráulicas.
Fonte: Adaptado de Motta (2001).
Na década de 1860, com as reformas do ministro Sebastião do Rego Barros (Brasil, 1860) e a primeira reforma Polidoro (Brasil, 1862, 1863), o curso de engenharia foi separado do curso de artilharia e a Escola Militar da Praia Vermelha passou a ministrar os cursos das três armas: artilharia, cavalaria e infantaria. Enquanto isso, a Escola Central passou a ministrar somente os cursos de engenharia, tanto para civis quanto para militares, e algumas matérias do curso de Estado-Maior. Com isso, iniciou-se a separação definitiva do curso de engenharia civil da formação militar (Machado, 2011).
Durante a primeira reforma Polidoro, em 1863, o currículo da Escola Militar da Praia Vermelha foi ajustado para três anos, como se pode perceber no quadro a seguir:
Quadro 7 – Currículo da Escola Militar, segundo o Regulamento de 1863.
ANO DISCIPLINAS
1º ANO
Álgebra Superior; Geometria Analítica; Física Experimental; Noções de Mecânica; Química Inorgânica e suas aplicações à pirotecnia; Desenho Topográfico; Topografia e Reconhecimento do Terreno.
2º ANO
Tática; Estratégia; Castrametação; História Militar; Fortificação Passageira; Noções de Fortificação Permanente; Noções de Balística; Direito das Gentes; Noções de Direito Natural e de Direito Público; Legislação Militar; Desenho de Projeções; Geometria Descritiva.
3º ANO
Cálculo Diferencial e Integral; Mecânica; Balística Teórica e Aplicada; Tecnologia Militar; Artilharia; Sistema de Fortificação Permanente; Ataque e Defesa de Praças; Minas Militares; Desenho de Fortificação e de Máquinas de Guerra.
Fonte: Adaptado de Motta (2001).
Além da redução da duração do curso, a grande alteração foi a implementação de um regime disciplinar mais rígido. Destacam-se, nesse período, os professores Tenente-Coronel Francisco Antônio Raposo, Major José Carlos de Carvalho e Capitão João Carlos Vilagran Cabrita, com destaque para a produção de livros didáticos nacionais para o ensino militar25 (Motta, 2001).
O currículo da Escola Central de 1863, por sua vez, permaneceu com seis anos, continuando essa escola a ser um grande centro de estudos matemáticos. Seu currículo pode ser visto no quadro a seguir:
Quadro 8 – Currículo da Escola Central, segundo o Regulamento de 1863.
ANO DISCIPLINAS
1º ANO Álgebra Elementar e Superior; Geometria; Trigonometria Retilínea e Esférica; Desenho Linear e Topográfico; Noções de Topografia. 2º ANO
Geometria Analítica; Teoria Geral das Projeções; Elementos do Cálculo Diferencial e Integral; Mecânica; Física Experimental; Resolução Gráfica, Problemas de Geometria Descritiva e suas aplicações à teoria das sombras.
3º ANO Cálculo Diferencial e Integral; Mecânica; Química Inorgânica; Desenho de Máquinas. 4º ANO Astronomia; Topografia e Geodésia; Botânica e Zoologia; Química Orgânica; Desenho Geográfico. 5º ANO
Mecânica Aplicada às Construções; Arquitetura Civil; Resistência dos Materiais; Rios, Canais e Encanamentos; Navegação Interior; Estradas, Pontes, Vias Térreas e
Telégrafos; Mineralogia e Geologia; Desenho de Arquitetura.