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4. BÖLÜM: BULGULAR VE YORUM

4.9. Öğretmen Adaylarının Baba Mesleği DeğiĢkenine Göre ĠletiĢim Becerileri Puan

Em 15 de novembro de 1906, foi realizada uma parada militar no prado da Mooca, que contou com a presença do próprio presidente do estado, do secretário de Justiça, do comandante geral da Força, entre outras autoridades civis e militares. A demonstração resultou no que foi considerado o primeiro grande sucesso da missão francesa, como registra Amaral (1966, p. 67):

No dia imediato, um dos jornais que haviam criticado a escolha de uma missão instrutora estrangeira, escrevia: ‘Um sucesso – e sucesso brilhante, completo, indiscutível a parada da Força Pública ontem, no Prado da Mooca. Tivemos realmente, e aqui externamos sem nenhum despautério louvaminheiro – a impressão agradável de um aspecto genuinamente marcial e bizarro naquela disciplinada coluna de mil e tantos homens, que se moviam com firmeza, que marchavam com desembaraço e harmonia, sem uma discrepância, sem a menor vacilação como se todos eles fossem um só indivíduo. E está aí, nessa uniformidade, presteza e precisão de movimentos a empolgante beleza daquele belo conjunto de evoluções realizadas.’

A partir dessa parada militar, a missão francesa consagrou-se em São Paulo e o processo de profissionalização e militarização da Força ganhou nova dimensão. Os oficiais franceses tiveram oportunidade de demonstrar o resultado de seus trabalhos para os políticos que os tinham contratado e angariaram a simpatia da imprensa e de parcela da população. Andrade e Câmara (1931) descrevem o sucesso da missão da seguinte forma:

A Força Publica perdeu, de modo surpreendente, os seus velhos hábitos de disciplina mal compreendida e de técnica defeituosa, para transformar-se num conjunto homogêneo de forças morais e de forças materiais, as quais, ainda hoje, são o seu apanágio. (p. 60).

Enquanto a FPESP estava em pleno processo de modernização e profissionalização, o próprio Exército passou por reformulações e reorganizações, em especial, promovidas pelo ministro da Guerra, o Marechal Hermes da Fonseca. Entre as medidas de modernização do EN, destaca-se a criação, em 4 de janeiro de 1908, das regiões de inspeção, como segue:

Art. 118. Ficam creadas 13 regiões de inspeccão, assim distribuídas: a) Amazonas e território do Acre;

b) Pará e Aricary; c) Maranhão e Piauhy;

d) Ceará e Rio Grande do Norte; e) Parahyba e Pernambuco; f) Alagôas e Sergipe; g) Bahia e Espirito Santo; h) Rio de Janeiro e Minas; i) Districto Federal; j) S. Paulo e Goyaz;

k) Paraná e Santa Catharina; l) Rio Grande do Sul;

w) Matto Grosso. (Brasil, 1908a).

Neste dispositivo legal, percebe-se a criação de uma inspetoria militar para a região de São Paulo e Goiás, que, segundo o regulamento do art. 105 da Lei nº 1.86062, seria a Décima Inspetoria Militar Permanente. Em 1908, o próprio ministro da Guerra, o Marechal Hermes da Fonseca, visitou São Paulo e assistiu a uma apresentação de tropas da FPESP na várzea do Canindé, cujos exercícios incluíram evoluções de ordem unida, simulações de combate e prática de tiro. O ministro e os oficiais que o acompanhavam teriam elogiado o nível de preparo da tropa da FPESP, fato que culminou com um elogio dado pelo secretário de Justiça de São Paulo, como destaca Amaral (1966, p. 89):

A tarde desse mesmo dia o Dr. Washington Luís enviava ao Comandante Geral da Força Pública o seguinte aviso, que redigira:

‘23 de abril de 1908, nº 549. Ao Comandante Geral da Força Pública. O Sr. Marechal Ministro da Guerra assistindo, em companhia do seu estado-maior aos exercícios militares realizados pelo 1º batalhão de infantaria e comandado pelo tenente-coronel Pedro Arbues Rodrigues Xavier, e pelo Corpo de Cavalaria, comandado pelo tenente-coronel Antônio Batista da Luz. O Snr. Presidente do Estado manda pois que as praças, inferiores e oficiais, que tomaram parte nesses exercícios sejam elogiados em ordem do dia e eu determino que o presente aviso seja transcrito na certidão de assentamentos dessas praças e desses inferiores e na fé de ofício desses oficiais.

Saúde e fraternidade. WASHINGTON LUÍS’.

62 O art. 105 da Lei nº 1.860, de 4 de janeiro de 1908, foi regulamentado pelo Decreto nº 7.053, de 6 de agosto de

O General Antônio Vicente Ribeiro Guimarães (Brasil, 1909a), primeiro comandante do Colégio Militar do Rio de Janeiro (Costa e Cunha, 2011), assumiu o comando da Décima Inspetoria Militar Permanente, em 1909, sendo que, como a instrução da tropa e dos oficiais era uma constante preocupação do Exército e o currículo do comandante demonstrava que um dos interesses desse oficial era o ensino, seria natural que o general ficasse atento ao que ocorria na FPESP. Cabe ressaltar o interesse da própria missão militar francesa de que oficiais do EN ficassem impressionados com o nível de instrução da tropa da FPESP, o que serviria de forte mecanismo de propaganda dentro do contexto de competição por mercados para o fornecimento de material bélico por parte do governo francês e do governo alemão.

Em 1910, a sede da Décima Inspetoria Militar foi instalada na Avenida Tiradentes (Correio Paulistano, 1910), ao lado da Escola Politécnica e próxima ao Quartel da Luz, onde estavam instalados o Regimento de Cavalaria, o 1º e 2º Batalhões de Infantaria da FPESP e a Companhia Escola. Essa aproximação física e os interesses mútuos fomentaram uma relação de visitas constantes e de certa solidariedade entre os oficiais do Exército aquartelados em São Paulo e os oficiais da FPESP, em especial com relação ao Regimento de Cavalaria, que passou a ser frequentado por oficiais da Décima Inspetoria Militar, que praticavam equitação e participavam de provas de hipismo. Entre os oficiais da FPESP que estreitaram laços com os oficiais do EN, merecem destaque os grandes instrutores de hipismo da década de 1910: o Sargento do exército francês, comissionado no posto de Capitão da FPESP, Frederic Sttatmüller e o Tenente da FPESP Miguel Costa.

Essa relação, aliás, contribuiu para a contratação de uma missão militar francesa de instrução por parte do EN, em 1919, e serviu como mecanismo de ligação entre alguns oficiais rebeldes do Exército e da FPESP, em 1924, quando a ideologia do soldado-cidadão contaminou até mesmo membros da milícia paulista. Uma prova disso foi o envolvimento de oficiais do Regimento de Cavalaria da FPESP, como o Major Miguel Costa e o Tenente João Cabanas, na revolução iniciada em 5 de julho de 1924, em São Paulo, planejada por oficiais da 2ª Região Militar, como o Tenente Newton Estillac Leal.