4.2. AraĢtırmanın üçüncü alt amacı olan mesleki benlik saygısı ile umut düzey
6.2.2. Ġleri AraĢtırmaya Dönük Öneriler
Para White (1988 pg.43), no Japão os relacionamentos são tanto meio como o fim de uma criação bem-sucedida, que é, sem dúvida, uma responsabilidade materna. Ela chega a afirmar que: “Consequentemente o relacionamento humano principal da cultura japonesa é o
Araújo, afirmando que os valores são construídos com base na projeção de sentimentos positivos que o sujeito tem sobre objetos e/ou pessoas e/ou relações e/ou sobre si mesmo, explicita a seguinte situação:
Novamente para explicitar como se dá o processo de construção de valores, podemos imaginar como exemplo a relação de uma criança com a pessoa que cuida dela, a abraça, a alimenta, lhe dá carinho e a ouve. Existe uma grande possibilidade de que a criança projete sentimentos positivos sobre a tal pessoa, que geralmente é chamada de mãe, que goste dela, e que essa mãe se torne um valor para a criança. (Araújo in Educação e Valores, 2007, pg.21-22)
Esta pesquisa entende que a formação da moralidade japonesa está enredada em uma teia de sentimentos, onde a mãe seja muito importante, por ser a primeira a estabelecer as conexões entre o mundo e seu filho. Porém pensamos que a família, os professores, os amigos e toda a sociedade japonesa, reforçam estas construções fazendo com que as crianças acreditem que este seja o modo certo de se viver.
4.3.1 Mãe e filho – O “Amae”
White relata (60-64) o que significa ser uma boa mãe no Japão. Indica que pesquisas recentes revelam que 76% das mulheres japonesas dizem que sua principal responsabilidade é perante os filhos. Muitas chegam a abandonar a carreira após terem o primeiro filho. No Japão, uma pessoa que tenta conciliar atividades profissionais diferentes é vista como confusa e até suspeita. Nesse país qualquer tipo de atividade é vista como exigente de 100% de esforço absoluto e, portanto, uma mãe que trabalhasse fora não conseguiria dar os 100% necessários nem na empresa, nem em casa.
O investimento emocional da mãe japonesa começa com a gravidez, onde a mãe já é vista como responsável pela saúde e inteligência futuras da criança. Os conselhos japoneses vão desde advertências para que haja bastante repouso, amarrar a barriga com faixas apertadas, não comer certas comidas, ler apenas livros positivos, animadores, e usar meias, pois estas coisas produziriam o bem estar do feto.
O taikyo ou “educação no útero” tem uma história de longa tradição no Japão e subentende uma intervenção positiva do ponto de vista cognitivo e moral no desenvolvimento
antes do nascimento. A maioria dos pais grava os sons do útero, pois segundo suas crenças ouvi-los beneficiaria os recém-nascidos em sua adaptação ao mundo exterior. O recém- nascido é visto como uma folha em branco, uma tábula rasa, sem habilidades ou inabilidades especiais. Então o papel materno é o de prover um meio e estimulação adequada, e fornecer todo o necessário para estabelecer a criança na sociedade até chegar à escola e durante a fase escolar.
As mães japonesas estão quase sempre com seus bebês, costumam dormir e tomar banho com eles. Em vez do uso de carrinhos, os bebês são carregados próximos ao corpo da mãe, geralmente amarrados às costas dela. Essa proximidade promoveria uma intimidade necessária ao relacionamento de mãe e filho.
O trabalho da mãe japonesa é o de preparar a criança para a vida, ajudar a formar uma ponte entre a casa e o mundo exterior. Ela é a responsável da exposição das normas dos ambientes sociais e institucionais à criança. A comunidade de vizinhos, parentes e professores, avaliarão constantemente as qualidades da mãe e as de seu filho, portanto convém que ela acompanhe atentamente o caráter e predileções da criança, socializando-a segundo os valores vigentes, ao mesmo tempo em que trabalhando suas habilidades específicas, e ainda mantendo o perfil materno apropriado dentro desse contexto. Quão bem uma mãe educa é medido por essa avaliação. Portanto o investimento materno em seu filho é visto como um investimento em si mesma.
A mãe japonesa atenta para o desenvolvimento social, psicológico e cognitivo do filho. Cooperação, reciprocidade e sensibilidade estão na lista de qualidades desejáveis na criança. Estas qualidades não são ensinadas explicitamente dentro da intensidade do relacionamento mãe e filho e sim na sua subjetividade.
4.3.2 Professor e Aluno
Quando o professor entra na sala de aula, as crianças se levantam fazendo uma pequena reverência e dizem “Sensei, onegai shimassu”26
, que poderia ser traduzido como, “Professor, por favor conceda-nos o favor de nos ensinar”. Isto é muito mais que uma fórmula
26
de respeito e humildade, e a palavra sensei ressoa mais profundo do que a palavra professor utilizada no ocidente.
É uma prática dos professores no Japão visitarem seus alunos pelo menos uma vez ao ano. Os alunos também costumam visitar seus professores, indo às suas casas nos feriados de Ano Novo. Mesmo o professor universitário desenvolve uma intimidade amparadora e educativa com seus alunos, uma intimidade que transcende as matérias acadêmicas e os métodos das salas de conferência.
No Japão o magistério é uma profissão muito respeitada e considerada como um compromisso que a pessoa assume para toda a vida.
Os salários estão acima da média dos salários recebidos por professores americanos. Porém como em qualquer lugar do mundo também estão sujeitos a situações conflitantes em relação às autoridades escolares, colegas de trabalho, pais e alunos. Encontram-se também no centro dos debates sobre as reformas do ensino, e sobre a pressão imposta pelos exames vestibulares. O consenso sociocultural sobre a importância da educação é compensado com grande apoio que os professores recebem das escolas e da comunidade em geral.
4.3.3 O grupo
Segundo Vygotsky o ser humano aprende por meio do legado de sua cultura e da interação com outros humanos, a agir, a pensar, a falar e também a sentir. Esses indivíduos são pertencentes a diferentes grupos culturais, e têm os caminhos de seu desenvolvimento psicológico fortemente marcados por essa pertinência. Então os processos cognitivos e afetivos, os modos de pensar e de agir, são carregados de conceitos, relações e práticas sociais referenciadas nesse grupo. Nessa perspectiva podemos dizer que a afetividade humana é
construída culturalmente27.
O Japão é um país onde a vida do grupo é tomada como muito importante, é uma vida julgada e apoiada por um consenso social que estabelece os padrões de desempenho e
27
comportamento. Perante essa sociedade itens de moralidade nunca se colocam em termos escritos, estando os mesmos subentendidos nas convenções sociais.
À medida que as crianças vão crescendo nessa cultura, aprendem a lidar com as diferenças apresentadas nesse complexo círculo de interações, mas ao mesmo tempo também recebem apoio e proteção ao seu “ser individual”. Assim, para corresponder aos padrões sancionados pelo consenso social japonês, é realmente necessário ser um bom membro do grupo e isso não significa que você deva abrir mão de sua pessoalidade. Atender as qualidades exigidas significa uma condição, onde tanto o ser público como o ser pessoal serão homenageados.
Diferentes culturas tratam questões como liberdade, responsabilidade, igualdade de oportunidade e até mesmo de sacrifício, diferentemente. No caso do Japão, diferentemente do ocidente, as crianças aprendem desde cedo a não ficarem alheias ao mundo que está à sua volta. Elas aprendem desde cedo que suas ações terão reflexo sobre o grupo e sobre si mesmas.
A distinção feita pelas sociedades ocidentais entre moralidade “social” e “pessoal” raramente se faz no Japão. Um dilema moral quase sempre é visto como um problema social ou interpessoal. O japonês faz parte de uma rede de relacionamentos permanentes, o que os leva a se esforçarem é a vontade de perpetuar os relacionamentos de apoio, que dão valor, continuidade e sentido às suas vidas individuais.
No Japão a moralidade é fundada no respeito, dever, obrigação e responsabilidade perante o grupo. O senso de responsabilidade pelos outros permeia todos os relacionamentos sociais japoneses. No entanto a ação coletiva não nega o papel das habilidades e energias individuais, sendo a sua contribuição plenamente reconhecida.