4.2.3. Mülakatlardan Elde Edilen Bulguların Değerlendirilmesi
4.2.3.6. Ġlçe Belediye BaĢkanları ile Yapılan GörüĢmeler Bağlamında Elde
No contexto anteriormente descrito, a descentralização das ações de vigilância sanitária acaba por desvelar um cenário repleto de dúvidas, conflitos, erros, descaso e resistências, devido à própria especificidade de seu campo de atuação, que traz, entre outras, ações de controle da produção econômica, gerando, muitas vezes, relações conflituosas para as quais os gestores municipais não estavam acostumados, tampouco preparados.
São mudanças estruturais que exigem da administração pública e dos agentes públicos uma reformulação de suas práticas administrativas e motivação para implementá-las.
Com o processo de municipalização, os governos estaduais deixam de ser cada vez mais os executores das ações, desenvolvendo somente ações complementares e suplementares junto aos municípios.
Diante deste cenário, tem sido enfatizado o desenvolvimento de atividades educativas e de orientação ao setor regulado pela vigilância sanitária, buscando alterações no comportamento institucional, no sentido de mudar a prática tradicional de ações fiscalizadoras amparadas no poder de polícia, cuja responsabilidade é intransferível do Estado, para o desenvolvimento de ações de prevenção e promoção da saúde identificando-se, a partir dos indicadores, o perfil sanitário da população, as oportunidades de vida e os riscos à saúde. Ou seja, integrar o fazer sanitário ao fazer epidemiológico.
Os participantes da I Conferência Nacional de Vigilância Sanitária intitulada “Efetivar o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária: proteger e promover a saúde, construindo cidadania”, ocorrida em Brasília de 26 a 30 de novembro de 2.001, avaliaram que a vigilância sanitária como componente do Sistema Único de Saúde para se tornar efetiva deve obedecer, nas três esferas de governo, aos mesmos princípios e diretrizes do SUS – universalidade, integralidade, eqüidade, descentralização, participação e controle social. Um conjunto de dificuldades e desafios que deve ser enfrentado para a conquista e garantia desses princípios e diretrizes, nas práticas da vigilância sanitária:
Universalidade: a cobertura das ações de vigilância é desigual no Território Brasileiro. Em decorrência, este princípio tem precária implementação, devido, entre outras questões, à diversidade e às limitações das estruturas e recursos dos serviços de vigilância sanitária, em todas as regiões do País.
Integralidade: a vigilância sanitária se organiza de forma dissociada do SUS e atua isolada dos demais setores da sociedade. Há fragmentação nas ações e falta de articulação na atuação das Vigilâncias Sanitárias, nas três esferas de governo. Some-se a isto a inexistência de uma Política Nacional de vigilância sanitária clara e de conhecimento público. A atuação compartimentalizada, desarticulada das demais ações do SUS, dissociada das ações de vigilância epidemiológica, ambiental e de saúde do trabalhador dificulta a efetividade das ações de proteção e promoção da saúde, propósito da vigilância sanitária.
Descentralização: não há definição clara de um projeto político de descentralização que leve em conta a estrutura organizacional, o financiamento adequado, a capacitação de recursos humanos, entre outros aspectos que favoreçam o controle social. Os participantes ressaltaram que os Estados e municípios foram incumbidos de executar um conjunto de ações de vigilância sanitária, sem que lhes tenham sido assegurados os recursos necessários.
Participação popular e controle social: são princípios fundamentais de exercício dos valores democráticos que devem ser implementados no SUS como um todo, e na vigilância sanitária em particular. O limitado exercício do controle social sobre a vigilância sanitária é relacionado ao fato de que os Conselhos de Saúde dão pouca prioridade às questões dessa área, e os serviços de
Vigilância sanitária raramente divulgam informações aos Conselhos e à população em geral. Salvo raras exceções, falta a necessária parceria com diversos atores, entre os quais representações de usuários, setor regulado e conselhos profissionais.
Neste sentido, a vigilância sanitária, como parte integrante do SUS, tem buscado a reestruturação de seus serviços de modo a atender os princípios e diretrizes constitucionais.
Esta reestruturação passa pelo enfoque de se alcançar uma melhor eficiência e eficácia nos seus processos de trabalho, fugindo daquele perfil cartorial que, durante muito tempo, a caracterizou, para trabalhar com o conceito de risco imprimido na Lei Orgânica da Saúde, ou seja, destacando, além da regulação e controle da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde, um caráter eminentemente preventivo para vigilância sanitária.
São vários desafios e, desta feita, podemos argumentar que embora haja avanços, ao longo dos anos, a vigilância sanitária sempre foi tratada como área de relevância secundária no âmbito da saúde pública, e isto se revela pelo fato de que, apesar de toda normatização existente, pode-se dizer que o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária ainda não se encontra estruturado. Mesmo diante dessas transformações permanece a necessidade de se construir um sistema de vigilância sanitária articulado, seguindo os princípios que norteiam o SUS.
Isto indica que, além da divisão de tarefas entre os níveis federal, estadual e municipal, há necessidade de uma ação articulada entre eles. No entanto, o processo de descentralização não vem ocorrendo de modo homogêneo em nenhuma das esferas de governo.
A descentralização avança vagarosamente e a maioria dos serviços não está apta a desenvolver todo o conjunto de ações de modo a responder pelas necessidades da sociedade.
Nossas observações da prática administrativa e avaliações parciais evidenciam que a municipalização das ações de vigilância sanitária enfrenta várias dificuldades, entre elas podemos citar:
- falta de profissionais capacitados em vigilância sanitária;
- alta rotatividade dos profissionais contratados pelas vigilâncias municipais;
- desconhecimento dos usuários da legislação e normas sanitárias; - falta de assessoramento por parte dos órgãos estaduais e federais; Segundo Beloni (2002), essas distorções com relação ao papel da vigilância sanitária manifestam, muitas vezes, um descaso para com a área de ações coletivas, gerando nos níveis de coordenação e de execução dessas ações, expectativas, dúvidas, conflitos e erros que poderiam ser evitados em um processo organizado e participativo.
O presente estudo teve por objetivos:
• Descrever o quadro atual da municipalização das ações de vigilância sanitária, segundo a percepção dos gestores locais, em municípios da área de abrangência Direção Regional de Saúde XI, de Botucatu – SP.
• Identificar, sob o ponto de vista dos sujeitos entrevistados, dificuldades do desenvolvimento das ações de vigilância sanitária no município, bem como seus determinantes políticos, técnicos e administrativos.