2. ELEKTRONĠK TĠCARETĠN VERGĠLENDĠRĠLMESĠ
2.2. ELEKTRONĠK TĠCARETĠN TÜRK VERGĠ MEVZUATI AÇISINDAN
2.2.2. ĠĢyeri Kavramı
Na perspectiva de Vigotski, aprendizagem e desenvolvimento não são coincidentes, embora se inter-relacionem de forma complexa (VIGOTSKI, 2001). Para Vigotski, “[...] o desenvolvimento cognitivo depende da aprendizagem, e não o contrário. E esta é função da interação social entre crianças ou aprendizes com adultos ou parceiros mais capazes, respeitado o limite [...]” (GASPAR, 2007, p.68) daquilo que pode ser chamado de zona de desenvolvimento iminente (PRESTES, 2010), que pode ser entendida como desnível cognitivo máximo dentro do qual, por exemplo, o ensino, em um processo de colaboração (também chamado de interação social pelos pesquisadores vigotskianos), pode atuar para que o aprendiz possa começar a aprender (GASPAR, 2007).
A zona de desenvolvimento iminente é a distância entre o nível de desenvolvimento atual e o nível de desenvolvimento iminente em que o indivíduo se encontra. O primeiro nível se refere a aquilo que a criança ou um aluno, por exemplo, consegue fazer autonomamente, enquanto o segundo diz respeito a aquilo que o indivíduo consegue fazer com a colaboração de um parceiro mais capaz (VIGOTSKI, 2001).
Nesta perspectiva, sem desprezar o que o indivíduo já sabe/consegue fazer autonomamente (suas funções já amadurecidas), ou seja, o limiar inferior da aprendizagem, há que se considerar também o limiar superior da aprendizagem, visto que
só nas fronteiras entre esses dois limiares a aprendizagem pode ser fecunda. Só entre elas se situa o período de excelência do ensino de uma determinada matéria. A pedagogia deve orientar-se não no ontem mas no amanhã do desenvolvimento da criança. Só então ela conseguirá desencadear no curso da aprendizagem aqueles processos de desenvolvimento que atualmente se encontram na zona de desenvolvimento imediato (VIGOTSKI, 2001, p.333).
Importante dizer que, no Brasil, o conceito de zona de desenvolvimento iminente foi traduzido como “zona de desenvolvimento proximal” e “zona de desenvolvimento imediato”, como é o caso da citação anterior (VIGOTSKI, 2001).
Neste texto é utilizado o termo “zona de desenvolvimento iminente”, tradução feita por Prestes (2010). De acordo com tal autora, esta é a tradução que mais se aproxima do termo utilizado por Vigotski, pois a característica essencial deste conceito
[...] é a das possibilidades de desenvolvimento, mais do que do imediatismo e da obrigatoriedade de ocorrência, pois se a criança não tiver a possibilidade de contar com a colaboração de outra pessoa em determinados períodos da sua vida, poderá não amadurecer certas funções intelectuais e, mesmo tendo essa pessoa, isso não garante, por si só, o seu amadurecimento (PRESTES, 2010, p.173).
A coincidência entre a possibilidade maior ou menor do indivíduo aprender algo no processo de colaboração com a sua zona de desenvolvimento iminente mostra a relevância de tal processo (GASPAR, 2007).
A cada novo conteúdo abordado abre-se uma nova zona de desenvolvimento. Tomando, por exemplo, os conteúdos de eletrostática, a partir do momento que o aluno passa explicar os conceitos de carga elétrica bem como de atração e repulsão, ou, a solucionar problemas que envolvam tais conceitos sem a orientação de um parceiro mais capaz, tal conteúdo, que antes estava no nível de desenvolvimento iminente deste aluno, passa a fazer parte de seu nível desenvolvimento atual. Neste exemplo, abre-se uma nova zona de desenvolvimento iminente que poderia ter como um novo nível de desenvolvimento iminente a possibilidade de aprendizagem do conceito de campo elétrico.
Em colaboração, a criança ou um aprendiz sempre pode fazer mais que sozinho(a), mas
[...] não infinitamente mais, porém só em determinados limites, rigorosamente determinados pelo estado do seu desenvolvimento e pelas suas potencialidades intelectuais. Em colaboração, a criança se revela mais forte e mais inteligente que trabalhando sozinha, projeta-se ao nível das dificuldades intelectuais que ela resolve, mas sempre existe uma distância rigorosamente determinada por lei, que condiciona a divergência entre a sua inteligência ocupada no trabalho que ela realiza sozinha e a sua inteligência no trabalho em colaboração (VIGOTSKI, 2001, p. 329).
Portanto, segundo Gaspar (2007), o aproveitamento da zona de desenvolvimento iminente depende do processo de interação social (processo de colaboração). Se este não for eficaz, o aprendiz poderá não utilizar toda a sua potencialidade cognitiva. Neste sentido, uma interação social torna-se mais frutífera na medida em que se pauta entre os limites determinados pela zona de desenvolvimento iminente (VIGOTSKI, 2001).
No exemplo relacionado à eletrostática, se o aluno ainda não está familiarizado com os conceitos de carga elétrica, de atração e repulsão, dificilmente haverá êxito em um contexto de ensino-aprendizagem em que o professor supõe que o aluno já saiba os conceitos mencionados ao objetivar o ensino de lei Coulomb ou campo elétrico, ou seja, neste caso, a zona de desenvolvimento iminente não é aproveitada integralmente na interação social entre professor e aluno, de modo que dificilmente tal aluno passará a explicar ou resolver autonomamente problemas que envolvam a compreensão concernente à lei de Coulomb ou campo elétrico.
A teoria vigotskiana considera que o desenvolvimento decorre da colaboração por meio da imitação, que é a fonte do surgimento das propriedades especificamente humanas da consciência. Deste modo
[...] o momento central para toda a psicologia da aprendizagem é a possibilidade de que a colaboração se eleve a um grau superior de possibilidades intelectuais, a possibilidade de passar daquilo que a criança consegue fazer para aquilo que ela não consegue por meio da imitação. Nisto se baseia toda a importância da aprendizagem para o desenvolvimento, e é isto o que constitui o conteúdo do conceito de zona de desenvolvimento imediato. A imitação, se concebida em sentido amplo, é a forma principal em que se realiza a influência da aprendizagem sobre o desenvolvimento (VIGOTSKI, 2001, p. 331).
Portanto, para Vigotski a imitação possibilita ao sujeito reconstruir internamente aquilo que ele observa externamente (REGO, 1995). Neste sentido, a imitação não se trata de um processo meramente mecânico, pois o aprendiz só pode/consegue imitar o que se encontra na sua zona de desenvolvimento iminente. Desta maneira, se um aluno sabe aritmética, mas tem dificuldade para resolver problemas complexos, a demonstração da solução de um desses problemas poderá levar este aluno imediatamente a desenvolver a sua própria solução. Entretanto, se for demonstrada, a um aluno que não tenha conhecimentos da Matemática do Ensino Superior, a solução de uma equação diferencial ou de uma integral, é bem provável que não haverá nenhum movimento no desenvolvimento dele com vistas a sua atividade autônoma na resolução dessa equação (VIGOTSKI, 2001). Para que ocorra imitação se faz necessário ter alguma possibilidade de que o aprendiz possa passar a fazer com autonomia aquilo que ele faz com o auxílio de um parceiro mais capaz (GASPAR, 2007).
De acordo com Gaspar (2007), ao vincular a ideia de colaboração/interação social à imitação, Vigotski deixa claro que “[...] uma interação social só pode existir efetivamente em relação ao desenvolvimento de uma tarefa, se houver entre os
parceiros que a realizam alguém que saiba fazê-la [...]” (p.70), ou seja, um parceiro mais capaz.
Nesta perspectiva, tomando o processo de ensino-aprendizagem de Física de um aluno cego que frequenta as salas de aula regular e de recursos, os parceiros mais capazes podem ser: seu professor de Física, que está imbuído de conhecimentos específicos de tal disciplina; seu professor da sala de recursos, que o auxiliará na escrita de simbologia em braille; um colega que tenha aprendido o conteúdo e que o auxilia e; o próprio aluno cego como parceiro mais capaz de seus outros colegas.
Considerando, portanto, o processo de ensino-aprendizagem a partir do referencial vigotskiano, tem-se que o processo de colaboração (interação social) tem algumas implicações sobre aquele (o processo de ensino-aprendizagem), a saber: a) não há aprendizagem sem colaboração e b) a eficiência do ensino com vistas a promover aprendizagem depende da eficiência do processo de colaboração, uma vez que esta pode não atingir integralmente a zona de desenvolvimento iminente do aprendiz (GASPAR, 2007).