3. Ġġ TATMĠNĠ KAVRAMI
3.1. ĠĢ Tatmini Tanımları
5.1 - Metodologia de estudo
Tendo a indústria cinematográfica brasileira sofrido as mudanças de contexto sócio- econômico descritas e, tendo mudado seu padrão de produção, em quantidade e em qualidade ao menos a julgar pelos resultados de bilheteria, de indicação a premiação obtidos pela base de dados analisada, a presente pesquisa intenciona verificar se o traço, descrito no trabalho efetuado em 1991 como etnocentrismo invertido com relação aos filmes brasileiros, encontrou alguma reversão ao longo desses anos, em decorrência da mudança do padrão de lançamentos, ou seja, se a Retomada do Cinema Nacional deveu- se à uma competição por recursos escassos, gerando uma “seleção natural” dentre as produções.
Para tal, optou-se por realizar a execução do mesmo questionário utilizado por Ayrosa em 1991, com algumas alterações: A investigação de posse ou não de aparelho de DVD, inexistente no mercado à época do primeiro trabalho a eliminação, na questão nº 16 da redação descritiva das revistas, optando-se pela livre enumeração do respondente, a atualização do Critério de Classificação Econômica Brasil da Associação Nacional de Empresas de Pesquisa – ANEP e a inserção de uma medição de atitude dos respondentes sobre cinema nacional (questão 15).
5.2 - Definição das hipóteses
Assim sendo, mantêm-se as hipóteses originais do trabalho de 1991 (H1, H2, H3, H3.1 e H3.2), agora testadas para a amostra de 1991 e de 2003, somando-se a elas a percepção da mudança de avaliação do público em relação ao cinema nacional (H4 e H5), essas testadas comparativamente entre os dois anos, sendo elas:
H1: As atitudes relativas às características dos filmes são influenciadas pela origem nacional ou estrangeira dos mesmos.
H2: As opiniões dos espectadores relativas aos filmes são influenciadas pela origem nacional ou estrangeira dos mesmos.
H3: As opiniões dos espectadores relativas aos filmes são influenciadas pela origem norte-americana ou européia dos mesmos.
H3.1: As opiniões dos espectadores relativas aos filmes estrangeiros em geral são distintas das opiniões relativas aos filmes norte-americanos em particular.
H3.2: As opiniões dos espectadores relativas aos filmes estrangeiros em geral são distintas das opiniões relativas aos filmes europeus em particular.
H4: As atitudes relativas às características dos filmes nacionais averiguadas em 2003 foram mais positivas do que as atitudes averiguadas na amostra de 1991.
H5: As opiniões dos espectadores relativas aos filmes averiguadas em 2003 foram mais positivas do que as opiniões averiguadas na amostra de 1991.
5.3 - A amostra utilizada
Uma vez que o intuito básico desse trabalho é a comparação de duas avaliações efetuadas em épocas diferentes. Mais uma vez procurou-se manter a fidelidade da amostra utilizando alunos do curso de bacharelado em Administração de Empresas da Universidade Cândido Mendes (UCAM), da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), da UNIVERCIDADE e alunos do curso de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A esse grupo foram adicionados, ainda, os alunos do curso de Administração de Empresas da UNIVERCIDADE e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). O pré-teste dos questionários foi efetuado com alunos do curso de Administração de Empresas da UERJ.
Procurou-se medir a avaliação e a atitude individual dos respondentes com relação ao cinema, não contendo o questionário, dessa forma, nenhuma pergunta que pudesse ser influenciada ou respondida com base em uma percepção coletiva sobre o objeto analisado. Tal preocupação segue a orientação de Ofori-Dankwa e Ricks (2000)
para a pesquisa acadêmica, que identifica diferenças entre comportamentos individuais e coletivos.
5.4 - A classificação utilizada
Foram extraídas da amostra utilizadas quatro extratos, em função da classe social e da freqüência de utilização.
É vital ressaltarmos que o conceito de classe social diz respeito ao provável grupo de consumo a qual o cidadão pertence, não sendo um estimador preciso de renda real. Dessa forma, foi utilizado o critério da Associação Brasileira de Institutos de Pesquisa de Mercado – ABIPEME para a amostra de 1991 e a sua atualização para a amostra de 2003, o Critério de Classificação Econômica Brasil da Associação Nacional de Empresas de Pesquisa – ANEP. Tais critérios foram adotados por terem sido, cada um à sua época, os critérios mais aceitos para tal classificação.
O critério de utilização de filmes foi tomado com base na freqüência de ida ao cinema coletada nos questionários.
A partir desses dados os respondentes foram classificados em quatro grupos, a saber:
Grupo A1: indivíduos pertencentes à classe A que freqüentam o cinema até uma vez ao mês.
Grupo A2: indivíduos pertencentes à classe A que freqüentam o cinema mais de uma vez ao mês.
Grupo B1: indivíduos pertencentes à outras classes, que não a classe A que freqüentam o cinema até uma vez ao mês.
Grupo B2: indivíduos pertencentes à outras classes, que não a classe A que freqüentam o cinema mais de uma vez ao mês.
Na amostra utilizada em 2003, contudo, um total de 20 respondentes não preencheram totalmente a parte do questionário relacionada à investigação de classe social, inviabilizando sua inserção na taxonomia descrita. Esses respondentes entraram na descrição a seguir como dados perdidos (missing data).
A tabela a seguir mostra o total de respondentes, segundo a classificação utilizada, por ano.
Análise dos dados permite-nos perceber que uma substancial mudança na amostra no que diz respeito ao uso e à classe social, expressa por um aumento no
quantitativo de indivíduos pertencentes à classe B, especialmente à B2 que passou de 43,1% em 1991 para 60,7% em 2003.
ANO: 1991
Grupo Quantitativo Percentual
A1 6 3,3% A2 93 51,4% B1 4 2,2% B2 78 43,1% Total 181 100,0% ANO: 2003
Grupo Quantitativo Percentual
Perdidos 20 7,5% A1 5 1,9% A2 65 24,3% B1 15 5,6% B2 162 60,7% Total 267 100,0%
5.5 - A coleta dos dados
Os questionários foram administrados em 2003 sem a apresentação prévia do intuito da pesquisa, sendo auto-explicativos e tendo sido totalmente respondidos, em média, em 25 minutos.
5.6 - A operacionalização das variáveis
Os dados colhidos pelos questionários foram codificados primeiramente em uma planilha digital em formato xls para Microsoft Excell para melhor manipulação dos dados e, posteriormente, exportados para o pacote estatístico SPSS (Statistical Package
for Social Sciences) para sua análise.
5.7 - Limitações do Método
O presente estudo pretende investigar a influencia da origem de um filme sobre as percepções relativas aos seus atributos. Teve sua motivação calcada no aparecimento de uma nova estrutura de incentivo à indústria cinematográfica nacional e na percepção da decorrente de melhora da qualidade do cinema nacional.
Contudo, o referencial teórico utilizado aborda apenas um espectro classificatório do produto “filme” e, os motivos que justificam os resultados obtidos
também não são observados. Apesar de existir uma crença por parte do realizador do mesmo de que a edição de novas formas de incentivo/financiamento tenha tido papel fundamental na melhora da imagem que o cinema nacional apresentou pela amostra, tal hipótese não foi testada, por estar for a do escopo do estudo. Contudo, trabalhos futuros podem, com base nas informações obtidas pela presente pesquisa, investigar os fatores responsáveis pelos resultados encontrados.
Outra limitação do estudo é o fato de a amostra utilizada ser composta por uma parcela do público total de cinema. Tal fato no recomenda cautela ao generalizarmos os resultados para todo o universo de espectadores. As informações coletadas nas entidades pesquisadas não nos permitiram inferir qual o percentual que os universitários cariocas representam no universo total dos espectadores e tampouco se as suas atitudes com relação ao produto “filme” estão em consonância com as atitudes de todos os espectadores. Pesquisas futuras encontrarão um campo fértil para análise dos diversos modos de classificação de grupos pertencentes ao público de cinema e para a avaliação de suas atitudes.
Capítulo 6 - A Análise dos Dados
6.1 - Os indicadores utilizados
Uma vez que a intenção do presente trabalho é essencialmente comparativa, os dados foram transferidos para o software de análise de forma que pudessem ser classificados (split file) pela data de coleta, criando-se assim dois grupos distintos classificados pelo ano de 1991 e de 2003. Apenas para as hipóteses H4 e H5 tal procedimento não se fez necessário pois a intenção dessas hipóteses já é investigar a plausibilidade de se separar em grupos distintos relacionados aos anos de coleta de dados (1991 e 2003) os resultados obtidos.
Para fins de análise dos dados foi utilizado o processo de Análise Discriminante Multivariada com intuito de se verificar o quanto os dados obtidos em 1991 se diferenciam dos obtidos em 2003. Este processo gera uma função discriminante que aloca coeficientes para as variáveis que possuem significância suficiente para entrar no modelo gerado. Após isso, são informados qual o percentual dos casos analisados que foram incluídos corretamente no modelo e o percentual que foram incluídos erroneamente no modelo, isto é, classificados pela função discriminante em um grupo, enquanto pertenciam a outro. Tais informações são importantes para análises complementares sobre a capacidade de predição (ou discriminação) do modelo gerado.
O modelo de análise discriminante permite a avaliação de sua significância por meio de uma série de coeficientes, tais como o Lambda de Wilks, Traço de Hotelling, o critério de Pillai, o D² de Mahalanobis e o V de Rao. Contudo, se o método utilizado para inserir as variáveis independentes no modelo for, passo a passo, contando a de maior capacidade discriminante até a de menor capacidade (stepwise method) e, inserindo a apenas as aprovadas no teste individual de significância, Hair et al. (1998:262) aconselham a utilização do coeficiente D² de Mahalanobis a fim de medir-se a significância da entrada de cada variável no modelo.
Para avaliar a significância do modelo em geral, utilizar-se-á o coeficiente Lambda de Wilks, por ser o mais indicado para a tarefa. Cabe ressaltar, contudo, as características de formação desse estimador. Tal indicador é formado pelo quociente das observações intra-grupos dividido pelo somatório das observações entre-grupos com as observações intra-grupos. Quanto maior a distância entre-grupos, menor o valor do coeficiente de Wilks e, conseqüentemente, maior sua significância (Hair et al. 1998).
Contudo, a entrada de novas variáveis no modelo, e o conseqüente aumento do número de graus de liberdade e das observações por variáveis eleva o coeficiente de Wilks. Tal fato não deve ser interpretado de forma favorável a entrada de um número reduzido de variáveis no modelo, pois o que atesta a validade da entrada é a significância de sua contribuição ao modelo. Sendo assim, o coeficiente de Wilks somente deve ser comparado com outro com o mesmo número de graus de liberdade.
6.2 - Teste da hipótese 1:
“As atitudes relativas às características dos filmes são influenciadas pela origem nacional ou estrangeira dos mesmos”
Os resultados obtidos permitem rejeitar a hipótese nula tanto para os dados coletados em 1991 quanto para os dados coletados em 2003. Em 1991, os coeficientes de Wilks obtidos para as duas seções de dados foram respectivamente 0,1722 com 6 graus de liberdade e Chi-quadrado de 627,96. Para 2003, o Lambda de Wilks calculado foi de 0,3980 com 9 graus de liberdade e Chi-quadrado de 485,95. Ambos os anos obtiveram probabilidade p<0,00001 de se haver rejeitado erroneamente a hipótese nula.
Ainda assim, diferenças foram detectadas nos modelos obtidos para os dados de 1991 e os dados de 2003.
Para os dados de 1991, foram aceitas 6 variáveis como suficientemente discriminantes para o modelo, sendo elas, respectivamente na ordem de entrada no modelo com seus coeficientes D² de Mahanalobis: sofisticação (12,98), produção (15,21), realismo (16,90), ação (17,65), dramaticidade (18,36) e som (19,12).
Os coeficientes descriminantes das variáveis que entraram no modelo são: 0,232 (som), 0,300 (produção), -0,274 (dramaticidade), 0,292 (ação), -0,287 (realismo) e 0,670 (sofisticação). Dessa forma, o atributo sofisticação seria, em 1991, o atributo mais discriminante entre a produção nacional e a estrangeira, seguido do nível de produção, e dos demais, obtendo esses pouca diferença entre si.
As médias dos atributos dos filmes colhidos em 1991, conforme tabela a seguir, permitem-nos afirmar que para a amostra utilizada o cinema brasileiro, em relação ao cinema estrangeiro é visto como tendo pior qualidade em todos os atributos utilizados, apenas com ressalva ao atributo realismo, que obteve, em uma escala de cinco pontos,
0,27 pontos a mais que o cinema estrangeiro, o que demonstra a percepção na amostra utilizada de que o cinema nacional é ligeiramente mais realista que o estrangeiro.
A tabela a seguir nos permite identificar um alto percentual (98,3%) de casos corretamente classificados, comparando-se a predição do modelo com os grupos reais. O que significa dizer o modelo “acertou” classificação quanto ao grupo dos atributos, estrangeiro ou nacional 98,3% das vezes.
Para os dados coletados em 2003, foram aceitas 9 variáveis como suficientemente discriminantes para o modelo, sendo elas, respectivamente na ordem de entrada no modelo com seus coeficientes D² de Mahanalobis: sofisticação (3,11), humor (4,01), ação (4,75), atores (5,14), produção (5,48), atualidade (5,70), realismo (5,82), dramaticidade (5,95) e som (6,03).
Os coeficientes descriminantes das variáveis que entraram no modelo são: 0,148 (som), 0,248 (produção), -0,247 (atualidade), 0,178 (dramaticidade), 0,412 (ação), - 0,175 (realismo), -0,352 (humor), 0,607 (sofisticação) e –0,319 (atores). Dessa forma, o atributo sofisticação também seria, em 2003, o atributo mais discriminante entre a produção nacional e a estrangeira, seguido de ação e humor, ambos com capacidade
Atributo Média Atributo Média
Som 4,60 Som 2,33 Produção 4,71 Produção 2,35 Atualidade 3,72 Atualidade 3,22 Dramaticidade 3,77 Dramaticidade 2,96 Ação 4,57 Ação 2,52 Realismo 3,18 Realismo 3,45 Humor 3,75 Humor 2,78 Sofisticação 4,59 Sofisticação 1,83 Atores 4,04 Atores 3,29 Enredo 3,75 Enredo 2,47 Direção 4,23 Direção 2,90 Música 4,36 Música 2,83
Filme Estrangeiro Filme Brasileiro Hipótese 1 - amostra de 1991
1991
Origem Real Estrangeiro Brasileiro Total
Estrangeiro 179 2 181
Brasileiro 4 177 181
Estrangeiro 98,8% 1,1% 100,0%
Brasileiro 2,2% 97,8% 100,0%
98,3% dos casos classificados corretamente
discriminante mais baixa e os demais outros atributos que entraram no modelo, todos com capacidades inferiores e equiparáveis.
As médias dos atributos dos filmes colhidas em 2003 revelam que, além do atributo realismo, que manteve sua diferença inalterada, o cinema brasileiro também é visto como sendo superior em humor e atores, sendo que no item humor a diferença obtida foi de 0,47 pontos, em uma escala de 5 pontos, e no item atores, a diferença obtida foi de 0,1 pontos na mesma escala. No caso desse último item, pode-se afirmar com mais segurança que os atores do cinema nacional estão sendo visto como comparáveis aos do cinema estrangeiro.
O fato do questionário ter sido coletado em uma época de forte número de lançamentos nacionais e, tanto o mercado, quanto o público ainda estar excitado com o grande sucesso do filme Cidade de Deus de Fernando Meireles, que voltou às telas nacionais em Fevereiro de 2004, após ter sido indicado para o Oscar em quatro itens (Boscov 2004), pode ter exercido alguma influência sobre tal resultado do item atores por, conforme já mencionado, ter chegado a esse resultado sem nenhum ator já conhecido do público e com um elenco de atores negros, até então inexperientes (Oricchio 2003). Outro fator que pode explicar parcialmente esse resultado é o crescente percentual na última década de atores provindos das novelas e séries televisivas, principalmente da Rede Globo, no cinema nacional.
A tabela a seguir nos permite identificar um alto percentual (90,8%) de casos corretamente classificados, comparando-se a predição do modelo com os grupos reais. O que significa dizer o modelo “acertou” classificação quanto ao grupo dos atributos, estrangeiro ou nacional 90,8% das vezes.
Atributo Média Atributo Média
Som 4,59 Som 3,39 Produção 4,55 Produção 3,37 Atualidade 3,87 Atualidade 3,82 Dramaticidade 4,01 Dramaticidade 3,58 Ação 4,59 Ação 3,06 Realismo 3,59 Realismo 3,86 Humor 3,54 Humor 4,01 Sofisticação 4,52 Sofisticação 2,75 Atores 4,09 Atores 4,10 Enredo 3,75 Enredo 3,52 Direção 4,31 Direção 3,68 Música 4,45 Música 3,70 Hipótese 1 - amostra de 2003
6.3 - Teste da hipótese 2:
“As opiniões dos espectadores relativas aos filmes são influenciadas pela origem nacional ou estrangeira dos mesmos”
Os resultados obtidos permitem rejeitar a hipótese nula tanto para os dados coletados em 1991 quanto para os dados coletados em 2003. Os coeficientes de Wilks e Chi-quadrado obtidos foram, para 1991, 0,372 com 6 graus de liberdade, com Chi- quadrado de 353,17 e, para 2003, 0,531 com 3 graus de liberdade, com Chi-quadrado de 294,50, ambos os anos com probabilidade p<0,00001 de se haver rejeitado erroneamente a hipótese nula.
Ainda assim, diferenças foram detectadas nos modelos obtidos para os dados de 1991 e os dados de 2003.
Para os dados de 1991, foram aceitas 6 variáveis como suficientemente discriminantes para o modelo, sendo elas, respectivamente na ordem de entrada no modelo com seus coeficientes D² de Mahanalobis: emocionante (2,969), apático (4,126), realista (5,214), simples (6,017), envolvente (6,551) e inteligente (6,720).
Os coeficientes descriminantes das variáveis que entraram no modelo são: 0,550 (emocionante), 0,356 (apático), 0,416 (realista), 0,424 (simples), 0,378 (envolvente) e – 0,206 (inteligente). Dessa forma, emocionante foi a sensação com maior capacidade discriminante para a amostra de 1991, seguido do agrupamento das demais sensações, com exceção de inteligente que possuiu capacidade discriminante abaixo das demais.
As médias dos atributos dos filmes colhidos em 1991, conforme tabela a seguir, permitem-nos afirmar que para a amostra utilizada o cinema brasileiro, em relação ao cinema estrangeiro é visto como sendo inferior em todos as sensações utilizadas, com diferença de menos de um ponto para os itens relaxante e realista.
2003
Origem Real Estrangeiro Brasileiro Total
Estrangeiro 251 16 267
Brasileiro 33 234 267
Estrangeiro 94,0% 6,0% 100,0%
Brasileiro 12,4% 87,6% 100,0%
90,8% dos casos classificados corretamente
A tabela a seguir nos permite identificar um alto percentual (89,2%) de casos corretamente classificados, comparando-se a predição do modelo com os grupos reais. O que significa dizer o modelo “acertou” classificação quanto ao grupo dos atributos, estrangeiro ou nacional 89,2% das vezes.
Para os dados coletados em 2003, foram aceitas apenas 3 variáveis como suficientemente discriminantes para o modelo, sendo elas, respectivamente na ordem de entrada no modelo com seus coeficientes D² de Mahanalobis: simples (1,90), realista (3,35) e emocionante (3,52).
Os coeficientes descriminantes das variáveis que entraram no modelo são: 0,679 (simples), 0,688 (realismo) e -0,223 (emocionante). Dessa forma, os itens simplicidade e realismo mantiveram-se como diferenciadores das atitudes, tendo aumentado sua capacidade discriminante em relação à amostra de 1991. Contudo o item realismo obteve não somente uma redução de capacidade diferenciadora, como também uma inversão de seu valor, o que nos indica que, para a amostra de 2003, a percepção de realismo se inverte ente o cinema nacional e estrangeiro.
1991
Origem Real Estrangeiro Brasileiro Total
Estrangeiro 166 15 181
Brasileiro 24 157 181
Estrangeiro 91,7% 8,3% 100,0%
Brasileiro 13,3% 86,7% 100,0%
89,2% dos casos classificados corretamente
Origem Predita
Atributo Média Atributo Média
Simples 3,67 Simples 2,33 Envolvente 2,32 Envolvente 2,67 Relaxante 3,05 Relaxante 2,75 Apático 3,72 Apático 3,13 Realista 3,65 Realista 2,08 Emocionante 2,31 Emocionante 2,60 Inteligente 2,39 Inteligente 2,55 Hipótese 2 - amostra de 2003
Filme Estrangeiro Filme Brasileiro Sensação Média Sensação Média
Simples 3,46 Simples 2,45 Envolvente 3,93 Envolvente 2,45 Relaxante 3,25 Relaxante 2,81 Apático 3,83 Apático 2,31 Realista 3,31 Realista 2,47 Emocionante 4,10 Emocionante 2,35 Inteligente 3,81 Inteligente 2,78
Filme Estrangeiro Filme Brasileiro Hipótese 2 - amostra de 1991
As médias dos atributos dos filmes colhidas em 2003 revelam uma avaliação pejorativa do cinema nacional para os itens analisados, com exceção dos itens envolvimento e emocionante que foram avaliados mais fortemente para o cinema nacional, contudo obtendo diferenças de médias inferiores a 0,5. Ainda assim, a variável emocionante foi aceita no modelo, o que comprova que sua variabilidade de respostas foi baixa, aumentando assim, a importância de pequenas diferenças em sua avaliação.
A tabela a seguir nos permite identificar um alto percentual (91,1%) de casos corretamente classificados, comparando-se a predição do modelo com os grupos reais. O que significa dizer o modelo “acertou” classificação quanto ao grupo dos atributos, estrangeiro ou nacional 91,1 % das vezes.
6.4 - Teste da hipótese 3:
“As opiniões dos espectadores relativas aos filmes são influenciadas pela origem norte-americana ou européia dos mesmos”
Os resultados obtidos permitem rejeitar a hipótese nula tanto para os dados coletados em 1991 quanto para os dados coletados em 2003. Os coeficientes de Wilks e Chi-quadrado obtidos foram, para 1991, 0,647 com 4 graus de liberdade, com Chi- quadrado de 155,99 e, para 2003, 0,727 com 6 graus de liberdade, com Chi-quadrado de 142,55, ambos os anos com probabilidade p<0,00001 de se haver rejeitado erroneamente a hipótese nula.
As diferenças detectadas entre os modelos obtidos com os dados de 1991 e com os dados de 2003 são descritas a seguir.
Para os dados de 1991, foram aceitas 4 variáveis como suficientemente discriminantes para o modelo, sendo elas, respectivamente na ordem de entrada no modelo com seus coeficientes D² de Mahanalobis: realista (0,863), emocionante (1,760), simples (2,038), e inteligente (2,172).
Os coeficientes descriminantes das variáveis que entraram no modelo são: - 0,308 (simples), 0,728 (realista), 0,772 (emocionante) e –0,313 (inteligente). Dessa
2003
Origem Real Estrangeiro Brasileiro Total
Estrangeiro 190 48 238
Brasileiro 33 206 239
Estrangeiro 79,8% 20,2% 100,0%
Brasileiro 13,8% 86,2% 100,0%
91,1% dos casos classificados corretamente
forma, realista e emocionante foram as sensações com maior capacidade discriminante para a amostra de 1991. Simples e inteligente obtiveram capacidades discriminantes bem inferiores.
O exame da médias dos atributos dos filmes colhidos em 1991, conforme tabela a seguir, permitem-nos afirmar que, para a amostra utilizada o cinema norte-americano, em relação ao cinema europeu, é visto como sendo superior em todos os itens analisados, com exceção da simplicidade e da inteligência. Nesses aspectos o cinema europeu é visto como mais inteligente e simples. Apenas um item, contudo, obteve uma diferença superior a 1 ponto entre as médias (realista – 1,01), o que indica que tal diferença de percepção não é tão acentuada.
A tabela a seguir nos permite identificar um alto percentual (78,5%) de casos corretamente classificados, comparando-se a predição do modelo com os grupos reais. O que significa dizer o modelo “acertou” classificação quanto ao grupo dos atributos,