2. ÜSTÜN ZEKÂLI VE ÖZEL YETENEKLİLERE UYGUN ETKİNLİKLER
2.1. Üstün Zekâlı ve Özel Yeteneklilere Uygun Etkinlikler
O perfil vertical do centro do Rio de Janeiro foi, aos poucos, ganhando traços mais salientes, com a construção de novas edificações. Neste contexto, faz-se pertinente levantar as principais obras (e seus autores) que contribuíram para esta composição.
É inegável a representatividade do Edifício Sede do Ministério da Educação e Saúde, atual Palácio Gustavo Capanema, objeto deste estudo. Construído no período de 1936 a 1943, teve o projeto assinado pelos arquitetos Oscar Niemeyer, Lucio Costa (1902-1998), Afonso Eduardo Reidy (1909-1964), Jorge Machado Moreira (1904-1962), Ernani Mendes de Vasconcelos (1912-1989) e Carlos Azevedo Leão (1906-1983). Preliminarmente, vale ressaltar que na ocasião dos primeiros estudos para o projeto, do qual Le Corbusier participou, sua forma tendia para um monobloco predominantemente horizontal, que foi alterado pelos autores finais, predominando a concepção vertical. A consolidação deste edifício serviu de base para a construção de novos edifícios em altura no centro do Rio de Janeiro, fundamentados nos princípios racionalistas em voga.
Os irmãos Roberto contribuíram de forma considerável para a configuração da cena central da então capital do país, com a execução de inúmeros projetos para edifícios verticais. Dentre eles, além da Sede do A.B.I., já citada, destacam-se o Edifício Marquês do Herval (1953), localizado na Avenida Rio Branco, nº 185 (FIGURA 12); o Edifício Seguradoras (1949), na Rua Senador Dantas, nº 74, (FIGURAS 13 e 14); o Edifício sede do Instituto de Resseguros do Brasil (1941), na Avenida Marechal Câmara, nº 171,(FIGURA 15); o Edifício Valparaíso, na Avenida Almirante Barroso, nº 54, (FIGURA 16); e o Edifício sede da Companhia Souza Cruz (1962), localizado na Rua Candelária, nº 66, (FIGURAS 17 e 18).
45 Fonte: http://www.rioquepassou.com.br - acesso em 23 nov. 2013. Fonte: http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/m- roberto-arquitetos-premio-asbea-08-12- 2004.html - acesso em 23 nov. 2013.
Figura 12 – Edifício Marquês do Herval (1953), Irmãos Roberto.
Figura 13 – Edifício Seguradoras
(1949), Irmãos Roberto. Figura 14 descaracterizado e brises removidos, – Edifício Seguradoras//pilotis Irmãos Roberto.
Fonte: das autoras/2013 - acesso em 23 nov. 2013.
46 Fonte: http://www.arcoweb.com.br/arquitet ura/m-roberto-arquitetos-premio- asbea-08-12-2004.html - acesso em 23 nov. 2013. Fonte: http://www.vitruvius.com.br/r evistas/read/arquitextos/07.0 78/293- acesso em 23 nov. 2013.
Figura 15 - Instituto Resseguros do Brasil (1941), Irmãos Roberto.
Figura 18 - Sede da Companhia Souza Cruz (1962), Irmãos Roberto.
Fonte:
http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/m- roberto-arquitetos-premio-asbea-08-12-
2004.html- acesso em 23 nov. 2013.
Figura 16 – Edifício Valparaíso, Irmãos Roberto.
Figura 17 - Sede da Companhia Souza Cruz/descaracterizado, Irmãos Roberto.
Fonte: das autoras/2013 - acesso em 23 nov. 2013.
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Entre os edifícios projetados no centro da capital carioca pelo arquiteto Lucio Costa destacam-se o edifício Sede do Banco Aliança (atual Edifício Dr. João Úrsulo Ribeiro Coutinho), localizado na Praça Pio X, nº 99, e o Edifício Sede do Jockey Clube do Rio de Janeiro, na Avenida Nilo Peçanha, n° 11, já alterado. (FIGURAS 18 e 19).
Figura 19 - Edifício Sede do Banco Aliança, Lucio Costa.
Figura 20 - Edifício Sede do Jockey Clube, Lucio Costa.
Fonte: http://coisasdaarquitetura.wordpress.com/2011/06/20/edificios- marcantes-no-centro-do-rio-de-janeiro - acesso em 23 nov. 2013.
Fonte: http://coisasdaarquitetura.wordpress.com/2011/06/20/edificios- marcantes-no-centro-do-rio-de-janeiro - acesso em 23 nov. 2013.
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O arquiteto Oscar Niemeyer produziu na área central do Rio de Janeiro, além da emblemática Sede do Ministério de Educação e Saúde, os projetos para a Sede do Banco Boa Vista (Praça Pio X, nº 118), que passa atualmente por uma restauração (FIGURAS 21 e 22), o Edifício Manchete (Rua do Russel, n° 804) (Figura 23), já alterado, o Edifício Sede das Empresas Gráficas o Cruzeiro (Rua do Livramento, nº198), (FIGURA 24), e o Edifício Barão de Mauá (Av. Graça Aranha, n° 24), cuja imagem original foi modificada com a intervenção realizada após o incêndio de 1981, conforme veremos adiante (FIGURA 25).
Figura 21 - Edifício sede do Banco Boa Vista, Oscar Niemeyer.
Fonte: das autoras/2014
Figura 22 - Edifício sede do Banco Boa Vista/detalhe do fechamento do pilotis, Oscar Niemeyer.
Fonte: http://losarquitetonicos.blogspot.com.br/p/obras- oscar-niemeyer.html - acesso em 23 nov. 2013.
49 Figura 23 - Edifício Manchete, Oscar Niemeyer.
Fonte: http://visit.rio/que_fazer/edificio-manchete/ - acesso em 23 out. 2017.
Figura 24 - Edifício Sede das Empresas Gráficas o Cruzeiro, Oscar Niemeyer.
50 Figura 25 - Edifício Barão de Mauá, Oscar Niemeyer.
Fonte: http://www.rioquepassou.com.br- acesso em 23 nov. 2013.
Entre as obras de Affonso Eduardo Reidy no Rio de Janeiro, localiza-se na área central o Edifício Sede do Montepio dos Empregados do Estado da Guanabara, cujo uso atual é a Sede do Iperj (Instituto de Previdência do Estado do Rio de Janeiro), localizado na Avenida Presidente Vargas, n° 670. (FIGURA 26).
Figura 26 - Edifício sede do Montepio do Estado da Guanabara, Eduardo Reidy.
Fonte: http://www.rioprevidencia.rj.gov.br/rpcultural/cedim/institucional/periodos.htm- acesso em 23 nov. 2013.
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O arquiteto francês Jacques Pilon (1905-1962), apesar da ampla atuação na capital paulista, também deixou sua contribuição com a produção de alguns edifícios verticais na cidade do Rio de Janeiro. Na área central, são de sua autoria o Edifício Edson Passos, localizado na Avenida Rio Branco, nº 124 (FIGURA 27), e o Edifício La Maison de France, na Avenida Presidente Antônio Carlos, nº 58 (FIGURA 28).
Faz-se pertinente destacar as características plásticas dos princípios racionalistas aplicados nesses edifícios, cujas particularidades serão tratadas com mais detalhe na ocasião dos estudos de casos selecionados. Caixilhos de vidros, brise-soleil, terraços jardins, pilotis, azulejos decorados foram elementos amplamente utilizados e que definiram a linguagem arquitetônica em voga. Bruand (2008, p.91) faz um breve relato sobre a valorização dos elementos locais nos novos projetos, como o emprego de espécies nativas para os terraços jardins, a utilização de granitos encontrados nas jazidas da região, recomendações de Le Corbusier que foram seguidas posteriormente pelos arquitetos propulsores do movimento. O arquiteto franco-suíço, além de valorizar o emprego de materiais locais, indicou também o emprego de azulejos provenientes de Portugal, técnica abandonada no início do século XX e
Fonte: http://mare.nce.ufrj.br/laurd/trabalhos/ar qestr/planoA/obra.php?id=2 acesso em 31 jan. 2017. Fonte: http://www.portalclubedeengenharia.org- acesso em 23 nov. 2013.
Figura 27 - Edifício Edson Passos,
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retomada com o neocolonialismo, que foi inicialmente rejeitada pelos arquitetos racionalistas, mas amplamente utilizada posteriormente, inclusive com a produção de artistas brasileiros. De fato, as propostas de Le Corbusier contribuíram amplamente para o emprego de novos materiais, possibilitando, conforme relata o autor,
aos arquitetos brasileiros sair do impasse em que se encontravam: conciliando posições arbitrariamente consideradas como antagônicas [...], demonstravam que o estilo do século XX era internacional, mas que isso não impunha [...] o abandono das variáveis regionais que assegurassem uma expressão original (BRUAND, 2008, p. 91). A integração das artes com a arquitetura marcou consideravelmente a caracterização dos novos edifícios. O uso de murais e de esculturas nas edificações racionalistas é consequência direta desta relação. Azulejos e pastilhas, quase sempre industrializados, trabalhados em mosaicos nas mãos dos artistas engajados com o movimento constituíam autênticas obras de arte que, de certa forma, substituíam os ornamentos arquitetônicos presentes na arquitetura anterior. Se a postura internacional “anti-ornamentação” marca a arquitetura orgânica americana, o vocabulário brasileiro incorpora a arte moderna como uma ornamentação não apenas decorativa, mas incorporada à plasticidade da forma arquitetônica, da paisagem urbana e da identidade edilícia.
Os personagens da cena artística moderna brasileira também atuavam em contexto efervescente assim como mundo afora. A Semana de Arte Moderna eclodiu em São Paulo, financiada pela elite do café, e expôs para o país os principais nomes das artes plásticas em ação, tais como Anita Malfatti (1889- 1964), Tarsila do Amaral (1886-1973), Di Cavalcanti (1897-1976). Nos anos 1930 e 1940, o movimento moderno mudou seu elenco, com a entrada súbita de novos atores que respiravam o legado deixado pelos primeiros:
Já era difícil fazer uma natureza-morta razoável obrigando tachos de cobre a luzir como faíscas incandescentes. O nu perdera a graça sem uma deformação qualquer e a paisagem rural – depois de Tarsila – parecia tímida com riachos, casebres e um touro bem fornido, o que o velho Antônio Parreiras no seu ateliê em Niterói ainda urdia em suas telas (COUTINHO, 2001, p. 137).
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Dentre eles estão o mineiro José Pedrosa (1915-2002); os paulistas Bruno Giorgi (1905-1993), Cândido Portinari (1903-1962) e José Pancetti (1902- 1958); os cariocas Alberto da Veiga Guignard (1896-1962), Celso Antônio (1896-1984) e Djanira da Motta e Silva (1914-1979); o gaúcho Iberê Camargo (1914-1994); o pernambucano Cícero Dias (1907-2003); o paraibano Tomás Santa Rosa (1909-1956) e outros não menos expressivos; grande parte deles associada aos arquitetos do movimento.
Neste novo período modernizante, os murais ganharam destaque, assim como vinha acontecendo nos Estados Unidos e no México, apesar das diferenças de mote. No México, os murais “tinham efeito de pólvora” em função da Revolução Mexicana; nos Estados Unidos eram encomendados por Rockfeller para seus prédios que “pregavam lucro” e no Brasil, inicialmente, eram aplicados em prédios públicos. (COUTINHO, 2001, p. 145).
Cândido Portinari é de fato o mais conhecido muralista brasileiro. Nascido na zona rural de Brodowski, interior de São Paulo, o artista se forma na Escola Nacional de Belas Artes e em 1928 recebe um dos cobiçados prêmios de viagem promovidos pela escola com a obra Retrato de Olegário Mariano, fato que marca a sua carreira. Permaneceu em Paris até 1931 quando regressa com novos olhares, em plena Era Vargas, “influenciado pelas brumas picassianas” (COUTINHO, 2001, p. 146). Produziu para o poder político diversas obras, dentre elas as do Palácio Gustavo Capanema (FIGURA 29). Paulo Werneck (1907-1987) também se destacou na produção de painéis artísticos em edifícios modernos no Rio de Janeiro. Incentivado em grande parte pelos irmãos Roberto, produziu uma gama de mosaicos, contribuindo, desse modo, para a tradição que se estendeu pelas décadas seguintes (FIGURA 30).
Desnecessário justificar que esta produção artística acompanhava o caminhar da abstração nas artes plásticas que se instalou com as vanguardas europeias. Entretanto, é relevante apontar a intensidade com que os arquitetos imbuídos em construir o novo país abraçaram estes artistas e, juntos, integraram as duas disciplinas de tal maneira como nunca mais veio a se repetir no país. A arte penetra na arquitetura (e vice-versa) para modelar o Brasil moderno.
54 Figura 29 - Painel de Portinari no Palácio Gustavo Capanema.
Figura 30 – Painel de Paulo Werneck para o Edifício Seguradoras (irmãos Roberto).
Fonte: http://coisasdaarquitetura.wordpress.com/2011/06/20/edificios-marcantes- no-centro-do-rio-de-janeiro-acesso em 23 nov. 2013.
Fonte: http://coisasdaarquitetura.wordpress.com/2011/06/20/edificios-marcantes-no- centro-do-rio-de-janeiro/- acesso em 23 nov. 2013.
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1.3. As alterações no cenário atual: