2. ÜSTÜN ZEKÂLI VE ÖZEL YETENEKLİLERE UYGUN ETKİNLİKLER
2.3. Üstün Zekâlı ve Özel Yetenekli Çocuklara Yönelik Etkinlik Planlama
A cidade do Rio de Janeiro passa na atualidade por significativas transformações urbanísticas e arquitetônicas para receber dois importantes eventos esportivos mundiais, a Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016. Revitalizações urbanísticas, operações urbanas, renovações arquitetônicas, retrofits são termos comumente utilizados para relatar essas alterações no cenário urbano da capital carioca.
As remodelações urbanísticas pelas quais a cidade passou no início do século XX, já mencionadas, foram baseadas em diversas justificativas, tais como o crescimento da população, os tratados urbanísticos em voga, as comemorações do primeiro centenário do país, a nova República. Em conjunto, alteraram significativamente o cenário urbano e foram alvo, da mesma forma que na atualidade, de embates entre preservacionistas e os defensores da “modernização,” que desconhecem que, para tanto, não é necessário promover a perda da identidade. Portanto, temos na atualidade um quadro urbanístico resultante de várias alterações na imagem da cidade, mas que, de certa forma, está arraigado no imaginário da sociedade e que contribuiu para conceder à cidade o título de patrimônio cultural da humanidade. Contudo, apesar do título da primeira cidade da World Heritage List a ser considerada integralmente “Patrimônio Mundial como Paisagem Cultural” recebido pela UNESCO (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization) em 2012, tal título não garante investimentos políticos, legais e econômicos para sua preservação.
A nova dinâmica econômica atrai investidores de diversos setores, gerando uma demanda imobiliária comercial sem precedentes nos últimos anos, principalmente na zona central da cidade, com uso predominante de negócios. Com um espaço geográfico saturado e com uma quantidade significativa de edifícios abandonados ou deteriorados, o retrofit tem sido a melhor solução, além de estudos no setor apontarem que o processo é mais viável
29 No dicionário on line Merriam-Webster há a seguinte definição para o termo retrofit:
“to furnish (as a computer, airplane, or building) with new or modified parts or equipment not available or considered necessary at the time of manufacture”
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economicamente do que iniciar um empreendimento novo.30 Comumente praticado nos Estados Unidos e na Europa, essas transformações visam o reaproveitamento do edifício com a substituição das instalações prediais, mantendo apenas a sua estrutura e alterando, na maioria dos casos, o caráter físico do edifício, transformando-o em uma edificação completamente diferente da original.
Um exemplo de edificações verticais retrofitados31 no Rio de Janeiro é o
Edifício Manchete (FIGURAS 31 a 38), de autoria do arquiteto Oscar Niemeyer, localizado Rua do Russel, número 804, no Bairro Glória. Desocupado após a falência da Editora Bloch em 2000, a edificação ficou praticamente sem uso, quando em junho de 2010 foi adquirida pelo grupo BR Properties, responsável por sua transformação. Construído na década de 1960 para servir de sede dos empreendimentos da Editora Bloch, o edifício foi concebido com características particulares da arquitetura moderna corbusiana, apresentando cortinas de vidro, brises, painéis de azulejos, terraço jardim e esculturas, dentre elas a escultura Carcará, de Bruno Giorgi.
Figura 31 e 32 – Localização e implantação do Edifício Manchete.
30 O tema foi debatido em alguns eventos relacionados ao setor imobiliário, tais como o 5º
INFRA RIO, encontro de Gestores em Facility e Property Management, em setembro de 2011 no Rio de Janeiro e no Real Estate Invesment World em 2012, em São Paulo.
31 A palavra ainda não está incluída nos dicionários de língua portuguesa, entretanto o termo
tem sido comumente utilizado na área de maquinários e da construção civil, inclusive, na forma verbal.
57 Figura 33 – Edifício Manchete antes do retrofit, Oscar Niemeyer.
Figura 34 - Vista interna do hall do Edifício Manchete, antes do retrofit.
Fonte: http://www.midiaclipping.com/2010/07/predio-da-manchete-no-rio-e-vendido-por.html - acesso em 23 nov. 2013.
Fonte: http://ligadonorio.blogspot.com.br/2012/08/antigo-predio-da- manchete-tera-empresas.html
58 Figura 35 - Edifício Manchete durante o retrofit.
Figura 36 - Edifício Manchete durante o retrofit. Estrutura à mostra.
Fonte: http://www.midiaclipping.com/2011/10/veja-fotos-da-reforma-do-edificio.html- acesso em 23 nov. 2013.
Figura 37 - Edifício Manchete após o retrofit.
Fonte: http://www.buildings.com.br/edificio/5105-edificio-manchete- acesso em 23 nov. 2013.
Fonte: http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?p=87549049- acesso em 23/11/2013
59 Figura 38 - Vista interna do Edifício Manchete após o retrofit.
Fonte: http://www.buildings.com.br/edificio/5105-edificio-manchete- acesso em 23 nov. 2013.
Comparando as imagens é possível constatar as alterações da edificação em relação às suas características originais. O edifício foi totalmente “remodelado” e seus elementos descartados, com exceção da sua estrutura. O curtain wall da fachada frontal foi totalmente substituído por um modelo atualizado, com vidro espelhado, o que alterou significativamente a imagem da edificação. Para minimizar este efeito, optaram pela colagem de uma fita na face exterior do vidro, provavelmente em alumínio, para reproduzir o antigo efeito das esquadrias. Até mesmo as linhas das lajes dos pavimentos que marcavam a fachada foram simuladas com fitas na horizontal. Internamente não houve esta tentativa e todos os elementos foram alterados sem critério. As obras de arte desapareceram. Neste caso, nem a imagem foi salva, apesar da tentativa evidente. Segundo informações escassas, o projeto do retrofit foi conduzido pelo escritório de Oscar Niemeyer. 32
O Edifício Barão de Mauá, (FIGURAS 39 a 42), também de autoria do arquiteto Oscar Niemeyer e atualmente sede da Companhia Vale do Rio Doce no Rio de Janeiro, passou por intervenção similar, após um incêndio ocorrido em dezembro 1981, quando praticamente todos os seus andares foram afetados. 33
32 Dado disponibilizado na internet por um dos profissionais que acompanhou a obra.
http://paniscumovum.blogspot.com.br/2013/07/jose-carlos-jesus-presidente-da.html
60 Figura 39 e 40 - Edifício Barão de Mauá, antes (esquerda) e após (direita) o incêndio. Projeto
de Oscar Niemeyer.
Figura 41 e 42 - Edifício Barão de Mauá após o retrofit.
Fonte: http://www.rioquepassou.com.br-
acesso em 12 maio 2014. Fonte: http://www.rioquepassou.com.br- acesso em 12 maio 2014.
Fonte: http://www.diarioliberdade.org- acesso em 12 maio 2014. Fonte: http://www.panoramio.com/user/24749 47?with_photo_id=77359632- acesso em 12 maio 2014.
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Localizado na Av. Graça Aranha, nas imediações do Palácio Gustavo Capanema, portanto em área protegida, a edificação recebeu a alcunha de “noivinha do MEC”34 (CZAJKOWSKI, 2000, p.5). O projeto de reforma, após o incêndio, foi assinado pelo próprio autor da obra original, que lhe deu características totalmente diferentes. Suas fachadas, antes totalmente envidraçadas, foram inteiramente modificadas. Duas delas (norte e sul) se transformaram em empenas cegas revestidas em mármore. A fachada oeste foi revestida com brises móveis e a leste com vidros espelhados. É outra edificação, de original resta apenas a sua volumetria e estrutura.
Os edifícios apresentados aqui não são protegidos isoladamente, porém estão inseridos em área de tombamento de outras edificações, devendo, portanto, passar pelo crivo dos órgãos no caso de reformas. É importante evidenciar os exemplos de perda do caráter físico dos edifícios em função desta prática cada vez mais usual, capaz de alterar a cena urbana da cidade do Rio de Janeiro caso os órgãos de preservação não acelerem o processo de proteção dos ícones do nosso passado recente. Em um momento em que temos a chance de preservar a imagem da área central do Rio de Janeiro, visto que já não há mais terrenos disponíveis nesta região para novas construções, o processo de renovação irá mais uma vez se impor em função das falhas ou omissões dos órgãos protecionistas. Não nos cabe condenar ou apoiar tais ações, mas avaliar os limites, desdobramentos e consequências.
Em outros países a prática também é comum. Salvo (2006), ao discorrer sobre a restauração do Edifício Pirelli em Milão, destaca que apesar do reconhecimento do valor de muitos arranha-céus, em detalhe para aqueles com a tecnologia dos curtain walls, as intervenções praticadas na Europa setentrional e América do Norte alinham-se com a prática repristinatória, traduzindo-se em “pesadas operações corretivas, voltadas a remediar a obsolescência tecnológica” (SALVO, 2006, P. 207).
A restauração do Edifício Pirelli é reconhecida como exemplar no caso de intervenções em arquitetura moderna, conforme aponta Carbonara:
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[...] Por mérito sobretudo de Maria Antonietta Crippa e de Pietro Petraroia, o arranha-céu milanês foi livrado de uma triste espécie de modernização e adequação tecnológica, que teriam elevado suas qualidades de "desempenho", cancelando sua memória e substância histórica. Ele se tornou, ao contrário, o campo de experimentação de um autêntico processo de restauração, reativando, em chave conservativa e não substitutiva, as competências específicas de construtoras e produtores de perfis de alumínio, naturalmente através do filtro de um projeto arquitetônico consciente e da contribuição de restauradores (como, por exemplo, para o tratamento das amplas superfícies de pastilhas). Foi auto-imposta a finalidade de não salvaguardar por consolação apenas a imagem, como com freqüência acontece, mas também a substância construtiva do monumento e o seu caráter contemporaneamente industrial e artesanal. Todo o caso teve, muito brandianamente, como premissa ineludível o "reconhecimento", feito de maneira inteligente também pelos próprios vértices políticos do Governo da Região Lombardia, do arranha-céu como "obra de arte" e como testemunho histórico significativo (CARBONARA, 2006 p. 18).
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