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A. ÜRETİM BAĞLAMI

1. Üretim Şekli ve Üretimi Tetikleyen Unsurlar

Noite de terça-feira, 20 de setembro, às 7 horas. Minha adorada noiva

Saudades, saudades, muitas saudades é o que eu sinto por ti.

Escrevo-te triste por não te ver e tenho, na hora em que te escrevo, o teu querido retrato diante de mim, entre os meus livros, companheiros dos meus sofrimentos.

Minha Vivi estremecida, nunca me esquecerei do dia 18 de setembro, aniversário do dia em que tive o prazer de ver-te pela primeira vez, de admirar os teus lindos olhos, a graça de todo o teu corpo, toda a tua pessoa amável que me prendeu para sempre com os laços do mais profundo e sincero amor. Acredita, minha filha adorada do coração, que eu te tenho como o consolo maior da minha vida, a luz do meu coração, a esperança feliz da minha alma. Por minha honra te juro que, sempre serei teu, que podes viver descansada, sem desconfiança, porque o teu Cruz nunca será de outra e só à Vivi fará carinhos, dedicará extremos, amizade eterna.

Pela minha honra e pelo dia em que nos vimos pela primeira vez, juro-te que só quero a tua felicidade, só desejo dar-te prazer e tratar-te com os mimos e delicadezas, de que tenho dado provas, bastante.

A todas as horas o meu pensamento voa para onde tu estás, vejo-te sempre, sempre e nunca me esqueço de ti em toda a parte onde estou. És a minha preocupação constante, o meu desejo mais forte, a minha alegria mais do coração. Amo-te, amo-te muito, com todo o meu sangue e com todo o meu orgulho e o meu desejo poderoso é unir-me a ti, viver nos teus braços, protegido pela tua bondade pura, pelas tuas graças que eu adoro, pelos teus olhos que eu beijo. No momento em que te escrevo sinto uma grande falta de ti. Só, no meu quarto, eu só possuo, para consolar-me o teu retrato. Mas é muito pouco. Eu te queria a ti, em pessoa, para te apertar de abraços, pedindo a Deus para abençoar o nosso amor. Esta carta é como mais um juramento feito a ti pelo dia 18 de setembro, em que te vi pela primeira apanhando flores, tu, que és a flor dos meus sonhos.

Espero-te sábado, com aquele penteado de domingo, que te fazia muito bonita. Adeus! Beijo-te muito os olhos, a boca e as mãos e dou-te abraços muito apertados, bem junto ao meu coração, que palpita de saudades por ti.

Teu

A NEGAÇÃO (À SUA ARTE, À SUA PELE)

Corte, 8 de janeiro de 1889. Adorado Virgílio

Estou em maré de enjôo físico e mentalmente fatigado. Fatigado de tudo: de ver e ouvir tanto burro, de escutar tanta sandice e bestialidade e de esperar sem fim por acessos na vida, que nunca chegam. Estou fatalmente condenado à vida de miséria e sordidez, passando-a numa indolência persa, bastante prejudicial à atividade do meu espírito e ao próprio organismo que fica depois amarrado para o trabalho.

Não sei onde vai parar esta coisa. Estou profundamente mal, e só tenho a minha família, só te tenho a ti, a tua belíssima família, o Horácio e todos os outros nobres e bons amigos, que poucos são. Só dessa linda falange de afeições me aflige estar longe e morro, sim de saudades. Não imaginas o que se tem passado por meu ser, vendo a dificuldade tremendíssima, formidável em que está a vida no Rio de Janeiro. Perde-se em vão tempo e nada se consegue. Tudo está furado, de um furo monstro. Não há por onde seguir. Todas as portas e atalhos fechados ao caminho da vida, e, para mim, pobre artista ariano, ariano sim porque adquiri, por adoção sistemática, as qualidades altas dessa grande raça, para mim que sonho com a torre de luar da graça e da ilusão, tudo vi escarnecedoramente, diabolicamente, num tom grotesco de ópera bufa.

Quem me mandou vir cá abaixo à terra arrastar a calceta da vida! Procurar ser elemento entre o espírito humano?! Para quê? Um triste negro, odiado pelas castas cultas, batido das sociedades, mas sempre batido, escorraçado de todo o leito, cuspido de todo o lar como um leproso sinistro! Pois como! Ser artista com esta cor! Vir pela hierarquia de Eça, ou de Zola, generalizar Spencer ou Gama Rosa, ter estesia artística e verve, com esta cor? Horrível

És um coração partido, acabo de saber pela tua chorosa carta. Broken heart! Broken heart!

A tua Lily emigrou, doce pássaro d'amor, para esta tumultuosa cidade. Hoje vou vê-Ia e à mãe e as flores que elas espalharam pela tua lembrança e pelo teu coração, eu farei com que cheguem ainda vivas e cheirosas junto de ti. Quero ver como essa avezinha escocesa trina de amor e saudade ...

Adeus! Saudades infinitas à tua encantadora família, e que eu lhe desejo bons anos de ouro e de festas alegríssimas no meio da mais soberana das satisfações.

Abraços no celestial Horácio, no Araújo, no Jansen e no digno Lopes da nossa Tribuna e no excelente e adorabilíssimo Bithencourt.

Veste o "croisé" e vai, por minha parte, apresentar pêsames sinceros e honestos às tuas Exmas. primas, pela morte do cavalheiro, do limpo homem de distinção José Feliciano Alves de Brito. Não te esqueças. Honra-me por esse modo delicado e gentil. Abraça-te terrivelmente saudoso.

O POETA-CRÍTICO (A POESIA)

Benzer Belgeler