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Üretici İnsan Kaynağı, Örgütlenmesi ve Sosyolojisine Dair

Veio à tona, na fala dos entrevistados, as práticas eleitoreiras que se fazem presentes nas periferias onde residem, e que se constituem a partir das mazelas sociais desses territórios. Uma moradora relata sua necessidade e da família por uma moradia e o modo que isto foi alvo de “negociação” política em recente pleito eleitoral:

Foram lá vários políticos, pediu a presença da gente lá, 10 horas da noite a gente saiu daqui tudo satisfeito porque ia fazer...Isso já vai passando 4 campanha e nada foi resolvido no Santa Helena porque discrimina o Santa Helena e acha que o Santa Helena não merece uma chance da gente sobreviver [...]. A governadora [RosalbaCiarlini] disse que ia ajeitar o Santa Helena [comunidade onde a entrevistada têm um terreno e sonha fazer uma casa], ia fazer as casas e cadê? Na política, nas campanhas. Perguntamos a ela e ela disse “vote em mim vocês todos do Santa Helena que a gente vai ajeitar, a gente vai consertar a casa no Santa Helena”. A casa que a gente vai fazer é no Santa Helena, agora eu perguntei às assessoras e elas falaram: “não, ela não disse isso não”. Falou, falou pra mais de 20 pessoas lá no Santa Helena. O povo do Santa Helena tá tudo esperando por essa casa da governadora. Por quê? Porque nós votamos nela.

O contato dessa população com os políticos não se restringe às épocas de campanhas, momento em que fazem promessas à população sobre a melhoria de suas vidas. Como já comentado anteriormente, o grupo político que comanda a cidade, faz chegar sua palavra, também, através dos meios de comunicação. No relato abaixo, um entrevistado diz que é recorrente ouvi-los tratar dos problemas de saúde da cidade. Ao ser indagado sobre o que é o Programa de Saúde da Família, ele diz

Eu vi Sandra Rosado [Deputada Federal] falar assim de longe sabe!? Mas não sei dizer... No rádio eu vejo aquela menina [ ] é Sandra Rosado fala muito na saúde, aquela Larissa [Deputada Estadual e pré-candidata à prefeitura de Mossoró no pleito 2012], filha de Sandra fala da saúde, elas falam direto, que vão implantar aquilo, mas [ ] não chegou né!? Falam que vai sair esse [ ] esse posto de saúde mas... nada né!? Mas elas falam direto (ENT 16, p.47).

No que tange à questão política, observou-se amplo descrédito do sistema de governo de representação política por parte dos entrevistados. Evidenciam esse descrédito ao serem questionados sobre as possibilidades que visualizam para os diversos problemas apontados ao longo da entrevista. Eles assim se expressam:

Mudança de governo. Olhe, agora, por exemplo, os professores tão em greve, não sei se voltaram, a culpada quem foi? Rosalba, que havia dado o aumento e foi cortado. É mudança de governo, pra governo bom, que tenha vergonha, que não bote ladrão, que só o que tem é ladrão, é isso! (ENT 08, p.18). Aí esse é que tá o problema da saúde pública aqui no Brasil. Por quê? Porque ninguém respeita, porque que não vão roubar a polícia federal, os políticos não vão roubar? Os senadores, os deputados, os ministros, e porque é que eles metem a mão no dinheiro da saúde pública? Porque o povão é que é a vítima! O governo determina “X” pra justiça, pra o supremo, ninguém toca nem a mão nele, ninguém é louco de ir lá, mas manda o dinheiro aqui pra educação, você vê aí várias pessoas metendo a mão na merenda escolar das crianças. Entendeu? Isso ainda é um dos fatos que infelizmente funciona no Brasil. E eu não tenho a forma de como melhorar isso, eu não sei (ENT 13, p.34).

Eu acho que é, eu não sei, o trabalho, a saúde, primeiramente as coisas de Deus. Porque só Deus mesmo é quem pode fazer alguma coisa pela gente, porque os da terra tá se esquecendo de quem precisa. O pobre para ele não é nada. O pobre bota eles lá em cima, mas quando eles ganham, eles abaixam. Não arranjam nada, não fazem nada. Cansa de sair atrás né. O que eu peço a Jesus todo dia é o trabalho para ele [o fiho], porque só ele mesmo que é o solteiro, que vive comigo e que pode me ajudar. Se ele trabalhasse ele estava pagando o meu INPS, tava comprando meu remédio, tava vivendo a vida dele, que é um menino que não nega nada para mim. Não tem. O que ele mais precisa não tem, que é o trabalho (ENT 17, p. 53).

Assim também a questão dos nossos governantes porque é eles entram no poder, saem do poder, prometem e não cumprem. Então, isso é um ponto a ser levado em consideração aqui na cidade de Mossoró (ENT 19, p.62). Eu vou ser sincera com você: eu não sou muito otimista com relação a isso não. Eu não acredito muito em geral nos políticos. Não tem esse negócio que muita gente diz: “mas todos não são iguais” na minha opinião, entrou... e se não é ainda vai ficar. Se depender deles, na minha opinião não vai mudar nunca. E a gente... a gente reivindica, a gente grita, a gente... e até hoje adiantou de que? Eu quero só que alguém me diga! [de que adiantou] A gente é cidadão, certo! A gente busca, grita, reclama, e adianta de que? Mudou o que pelo amor de Deus? (ENT 20, p.79).

Rapaz, você sabe que prometer todo mundo promete. Eles vão trabalhar pra eles! Essa Rosalba [atual governadora] entrou agora e eu só vejo o quixumbo do povo dizendo como ela tá ruim. Ela vai trabalhar pra si rapaz! Pode acreditar com é! (ENT 23, p. 89).

Eu acho que a gente só conseguiria, eu acho que mudando de político, de presidente, eu acho que... porque eu não consigo acreditar nesse povo, eu comecei a conhecer política desde o tempo de Aluízio Alves, monsenhor Alfredo Gurgel, e daí para cá veio só promessa, só promessa e a gente só... a gente só se afundando, se afundando (ENT 26, p. 102).

Nestes breves relatos, percebemos como os sujeitos que governam a cidade participam da vida das pessoas que moram nas periferias da cidade. Nesses locais, por um lado, o Estado – aqui expresso na prefeitura municipal – se mostra muito ausente, pela fragilidade das políticas públicas habitacionais, de segurança, de saúde; por outro, os sujeitos que encarnam o Estado, enquanto seus representantes, lá se fazem bem presentes, seja para trocar votos por promessas de benefícios sociais, seja para “informar” e “discutir” como “autoridades” os problemas da cidade, mediante a mídia que eles mesmos controlam.

Entretanto, o Estado, ausente de suas responsabilidades sociais, é o mesmo Estado que se faz presente para, mediante renúncias fiscais e outras articulações, fazer dessa cidade um lugar privilegiado de acumulação de capital, pois aqui podem explorar uma mão de obra que, de tão necessitada de moradia, de emprego, de questões mínimas de sobrevivência, se prestam ao trabalho “pesado”, por qualquer salário. É preciso ressaltar que é sobre esse trabalho precarizado de que se valem o agronegócio da fruticultura e outros tipos de atividades comerciais que aqui chegam e sustentam o capital. Daí não ser à toa que esse mesmo capital, através do seu olhar que vê o mundo por lentes econômicas e o traduzem por uma linguagem matemática, elege aqueles lugares, que merecem todo o reconhecimento por possibilitarem tal acumulação. Seria assim que nascem as “metrópoles do futuro”, quando o capital enxerga os lugares que viabilizarão seu desenvolvimento? No caso de Mossoró, o capital se articula com o poder político oligárquico e a ele oferece a ideologia (ideologia do desenvolvimento) que serve para mostrar ao povo que a cidade está no “caminho certo”.