Composto em observância ao contido no artigo 119 da Constituição Federal, é integrado por pelo menos145 sete ministros, assim escolhidos:
I - mediante eleição, pelo voto secreto:
a) três juízes dentre os ministros do Supremo Tribunal Federal; b) dois juízes dentre os ministros do Superior Tribunal de Justiça;
II - por nomeação do presidente da República, dois juízes dentre seis advogados de notável saber jurídico e idoneidade moral, indicados pelo Supremo Tribunal Federal. Algumas observações sobre essa composição devem ser destacadas. Inicialmente, deve-se observar que para cada membro titular, será escolhido, para mandato de igual duração (2 anos), um membro suplente (art. 119, da CF), sendo permitida uma única recondução.
Além disso, a Carta Política de 1988 tratou de promover a delimitação das atribuições administrativas dos integrantes do Tribunal Superior Eleitoral.
145 Quando o texto constitucional afirma que a composição é de, no mínimo, sete membros, autoriza a conclusão
de que nada obsta um aumento no número de integrantes da mais elevada Corte Eleitoral do país, podendo a ampliação ocorrer ou vir a ser realizada por conduto de lei complementar. Idêntico raciocínio pode vir a ser posto em prática com relação ao Superior Tribunal de Justiça, para o qual a Constituição Federal afirma que será composto de no mínimo 33 ministros (art. 104, da CF).
O parágrafo único do artigo 119 da Constituição da República estabelece que o presidente e o vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral devem ser escolhidos dentre os ministros do Supremo Tribunal Federal, enquanto que o corregedor-geral deve ser escolhido dentre os ministros oriundos do Superior Tribunal de Justiça, sendo a escolha promovida pelos sete membros integrantes da mais alta Corte Eleitoral do país.
Os dois ministros recrutados da advocacia não ocupam funções administrativas no âmbito do Tribunal Superior Eleitoral e também nos Tribunais Regionais Eleitorais, salvo em hipóteses excepcionais de férias e plantões.
De acordo com a previsão contida no artigo 16, parágrafo 1º do Código Eleitoral, não podem fazer parte do Tribunal Superior Eleitoral “cidadãos que tenham entre si parentesco, ainda que por afinidade até o quarto grau”.
Ainda dentre as particularidades da Justiça Eleitoral, os ministros do Tribunal Superior Eleitoral não se submetem a aprovação de seus nomes ao Senado Federal, sendo essa exceção a única existente dentre os Tribunais Superiores.146
A doutrina explica essa situação, com a seguinte justificativa:
(...) cinco de seus sete membros já foram aprovados pelo Senado quando de sua indicação para o Supremo Tribunal Federal e para o Superior Tribunal de Justiça, respectivamente, e não faria sentido exigir aprovação pelo Senado apenas para os dois membros da advocacia; poder-se-ia criar uma hierarquização dentro do Tribunal.147
Por fim, merecem destaque quatro questões exclusivamente referentes aos advogados que integram o Tribunal Superior Eleitoral e também os Tribunais Regionais Eleitorais. Ei- las:
146 Dentre as atribuições privativas do Senado da República, avista-se “aprovar previamente, por voto secreto,
após a arguição pública, a escolha de magistrados nos casos determinados na Constituição (arts. 101, parágrafo único, 104, parágrafo único, 111, § 1º e 123) de ministros do TCU indicados pelo presidente da República (art. 73, § 2º, I), de governador de Território, de presidente e diretores do banco central (com minúscula, para significar que será de qualquer banco, tenha o nome que tiver, que exerça as funções de banco central, que hoje é o Banco Central do Brasil), do Procurador-Geral da República (art. 128, §1º) e de titulares de outros cargos que a lei determinar (abre-se aqui a possibilidade de ampliar esse controle prévio do Senado Federal sobre as nomeações para cargos na esfera federal)” (SILVA, José Afonso da, Curso de direito constitucional positivo, cit., p. 522).
a) ausência de interferência ou participação da OAB na escolha dos postulantes à vaga de ministro (âmbito do TSE) ou juiz eleitoral (na esfera dos TREs);
b) inexistência de quinto constitucional no Tribunal Superior Eleitoral e no Tribunal Regional Eleitoral, não havendo magistrados oriundos do Ministério Público, devendo os recrutados ser escolhidos exclusivamente dentre os advogados;
c) ausência de impedimento para o exercício da advocacia, pois a magistratura eleitoral não impõe vedação aos juristas indicados e com assento nessas cortes (TSE ou TREs) de continuarem o exercício da advocacia (pública ou privada), somente havendo impedimento, evidentemente, quanto à advocacia eleitoral;
d) inexistência de limitação de idade (máxima e mínima) para compor essas cortes especializadas.
Passar-se-á a apreciar mais detidamente cada uma dessas hipóteses, que, repise-se, somente interessam aos julgadores oriundos da advocacia, titulares ou suplentes, com assento no Tribunal Superior Eleitoral e nos Tribunais Regionais Eleitorais.
A primeira situação diz respeito à ausência de participação da OAB na escolha dos nomes que integram o Tribunal Superior Eleitoral e os Tribunais Regionais Eleitorais oriundos da advocacia.
É dizer: na composição de uma listra sêxtupla, ou de duas listas tríplices, a OAB não possui qualquer ingerência ou atuação.
Com efeito, quando a escolha é feita para ocupar vaga no Tribunal Superior Eleitoral, as listas (de titulares e suplentes) são elaboradas pelo Supremo Tribunal Federal e encaminhadas ao presidente da República.148
148 Como são duas vagas para advogados, ao invés de elaborar uma lista sêxtupla para que se promovesse a
escolha de dois nomes, o Supremo Tribunal Federal tem costumeiramente elaborado listas tríplices, escolhendo-se um nome de cada lista, ficando a escolha ao talante do presidente da República, havendo idêntica postura para a escolha dos suplentes, inclusive no âmbito dos Tribunais Regionais Eleitorais, sendo que para as Cortes Regionais, a lista inicialmente é escolhida pelos Tribunais de Justiça dos respectivos Estados da Federação, o procedimento é enviado para o Tribunal Superior Eleitoral, que faz uma análise da regularidade de composição dessas listas, apreciando-as à luz do artigo 25, parágrafos 1º, 3º e 5º do Código Eleitoral.
Não vigora nessa Justiça especializada a regra do artigo 94 da Constituição Federal, que estabelece competir à OAB a formação das listas sêxtuplas para as vagas nos Tribunais Superiores (STJ, TST e STM) e nos Tribunais Regionais Federais e Tribunais de Justiça, destinadas à advocacia.
Embora a OAB simplesmente não possua qualquer participação na composição dessas listas, o Tribunal Superior Eleitoral tem adotado regras e exigências para compor a lista tríplice idênticas às exigências impostas ao advogado, quando da composição da lista sêxtupla na disputa das vagas destinadas ao quinto constitucional, dentre elas o exercício profissional da advocacia por, pelo menos, dez anos.
Nesse sentido, cita-se recente decisão do Tribunal Superior Eleitoral, que afirma: Lista tríplice. TRE/BA. Decisão. Substituição. Reconsideração. Impossibilidade. Requisito. Prática forense. Preenchimento. Ausência. Comprovação. Indicação. Momento.
Indefere-se pedido de reconsideração de decisão que determinou a substituição de candidatos de lista tríplice que não comprovou o exercício de 10 anos de atividade advocatícia no momento de sua indicação. Nesse entendimento, o Tribunal indeferiu o pedido de reconsideração. Unânime.149
A segunda situação diz respeito à inexistência da figura do quinto constitucional assegurado no artigo 94 da Carta Republicana no âmbito da Justiça Eleitoral, significando dizer que não podem integrar o Tribunal Superior Eleitoral e os Tribunais Regionais membros do Ministério Público.
Essa hipótese é objeto de críticas por parte da doutrina, chegando-se a afirmar que “estranhamente, não sobrou uma cadeira para o Ministério Público – nem no Tribunal Superior Eleitoral, nem nos Tribunal Regional Eleitoral”.150
Existem autores que chegam, inclusive, a apresentar propostas de nova composição da Justiça Eleitoral (TSE e TREs), buscando um mecanismo que contemple o Ministério Público.
Nesse diapasão, cita-se o seguinte entendimento:
149 TSE
− Encaminhamento de Lista Tríplice n. 499/BA, rel. Min. Arnaldo Versiani, j. 10.03.2009, Informativo do TSE, ano 11, n. 6 (09 a 15 de março de 2009), Sessão administrativa, p. 2.
Uma possível solução para a questão aqui apresentada seria a designação de um juiz do quadro dos Tribunais de Justiça, oriundo do quinto constitucional reservado aos advogados, e de outro provindo do Ministério Público, para integrarem os Tribunais Eleitorais. Com efeito, diferentemente das vagas destinadas aos juízes eleitorais advogados, as vagas do quinto constitucional sempre foram preenchidas por membros da advocacia e do Ministério Público.151
Embora existam esses posicionamentos, o fato é que, por opção do legislador constituinte, inexiste participação de julgadores oriundos do Ministério Público no âmbito da Justiça Eleitoral.
Finalizando, deve-se deixar claro que também não houve interesse do legislador infraconstitucional em convocar membros do Parquet para comporem as Cortes Eleitorais; tanto assim é verdade que nem mesmo promotores de justiça ou procuradores de justiça aposentados que integrem a advocacia podem ingressar no Tribunal Superior Eleitoral ou Tribunais Regionais Eleitorais nas vagas destinadas aos advogados, ainda que estejam exercendo a advocacia por mais de dez anos.
Esta é a inteligência do contido no artigo 25, parágrafo 2º, do Código Eleitoral, que afirma: “A lista não poderá conter nome de magistrado aposentado ou de membro do Ministério Público.”
Ainda dentre as características citadas para os ministros do Tribunal Superior Eleitoral e os juízes eleitorais dos Tribunais Regionais Eleitorais oriundos da advocacia, o exercício da judicatura eleitoral não é impedido para o exercício da advocacia, havendo a ressalva, apenas e tão somente, quanto à advocacia na própria Justiça Eleitoral.
Aliás, essa questão voltou a ser discutida recentemente, havendo pedido de manifestação do Conselho Nacional de Justiça sobre a matéria, cujo plenário entendeu que “a incompatibilidade para o exercício da advocacia enquanto os advogados ocuparem o cargo de juízes eleitorais se dá apenas em relação à Justiça Eleitoral. No mais, a possibilidade do exercício da advocacia dá-se de forma ampla”.152
151 BARTELLI, Vilson; VIEIRA SÁ, Luiza, Reflexões em torno da composição dos tribunais, cit., p. 271-272. 152 CNJ
− Pedido de Providências n. 2007.10.000014851. Requerente: Associação Brasileira de Magistrados, Procuradores e Promotores Eleitorais – ABRAMPPE, rel. Cons. Técio Lins e Silva, j. 25.03.2008.
Ao agir dessa forma, o Conselho Nacional de Justiça manteve entendimento amplamente aceito pela doutrina e jurisprudência pátrias.
Por último, dentre as características específicas do advogado que vem a ocupar o nobilitante cargo de ministro do Tribunal Superior Eleitoral e ou de juiz eleitoral dos Tribunais Regionais Eleitorais, tem-se a inexistência de idade mínima e máxima para a investidura.
A Constituição Federal estabelece idade mínima e máxima para os postulantes ao cargo de ministro dos Tribunais Superiores (35 a 65 anos para o STJ – art. 105, parágrafo único da CF; TST – art. 111-A da CF, STM – art. 123, parágrafo único da CF), Tribunais Regionais Federais e do Trabalho (30 a 65 para os TRFs – art. 107, TRT – art. 115) e Tribunais de Justiça (art. 95 e 125 da CF).
No âmbito da Justiça Eleitoral, inexistem para o advogado ocupante desse honroso múnus público limites de idade (mínimo e máximo).153
Essas as peculiaridades diretamente ligadas à figura do advogado escolhido para ministro do Tribunal Superior Eleitoral ou juiz eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral.