2. ÜRÜN YERLEŞTİRME VE TÜKETİCİ DAVRANIŞLARI
2.1. Ürün Yerleştirme
2.1.7. Ürün Yerleştirme ve Reklam İlişkisi
O marco histórico do foco das discussões que emergem sobre as mudanças curriculares e os objetivos pedagógico-formativos que os conteúdos de Biologia deverão cumprir na formação dos estudantes é melhor definido a partir do momento em que a LDB/96, ao considerar o Ensino Médio como a última e complementar etapa da Educação Básica, pela Resolução CNE/98, institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio.
A partir desse momento, organizaram-se as áreas de conhecimento e orientaram a educação com vistas à promoção de valores, como a sensibilidade e a solidariedade, atributos da cidadania, sinalizando-se para a forma como o aprendizado de Ciências e de Matemática deverá ser continuado nessa etapa da formação do estudante.
Segundo os PCNEMs (BRASIL, 2001), nessa nova etapa da formação, na qual já se pode contar com uma maior maturidade do estudante, os objetivos educacionais podem apresentar maior ambição formativa, tanto em termos da natureza das informações e dos procedimentos e atitudes envolvidas como das habilidades, competências e valores, que se espera sejam desenvolvidos.
Com isso, configuram-se as características distintivas do Ensino Médio, que interessam à sua organização curricular. Para a área das Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias, cada conhecimento deverá envolver, de forma combinada, o desenvolvimento de conhecimentos práticos e contextualizados que respondam às necessidades da vida contemporânea, além do desenvolvimento de conhecimentos mais amplos e abstratos, que correspondam a uma cultura geral e a uma visão de mundo.
Esse novo modelo curricular, de base interdisciplinar, também exige uma visão de escola criativa, ousada e com uma nova concepção de divisão do saber. A especificidade de cada conteúdo precisa ser garantida, paralelamente à sua integração num todo harmonioso e significativo. Avançar para um currículo interdisciplinar requer pensar interdisciplinarmente, isto é, ver o todo, não pela
simples somatória das partes que o compõem, permitindo que o pensamento ocorra com base no diálogo entre as diversas áreas do saber. (BRASIL, 2001).
Note-se que a interdisciplinaridade do aprendizado científico e matemático não dissolve nem cancela a indiscutível disciplinaridade do conhecimento. O grau de especificidade presente nas distintas ciências e nas tecnologias a elas associadas, tendo em vista as dificuldades para aprender durante o Ensino Fundamental, foi naturalmente reservado ao Ensino Médio. Torna-se importante perceber que, a partir dessa nova concepção de Ensino Médio, o conhecimento científico disciplinar deve ser visto como uma parte tão essencial da cultura contemporânea que a sua presença na Educação Básica e, conseqüentemente, no Ensino Médio, é indiscutível.
A nova proposta de Ensino Médio, ao mesmo tempo em que imprime um caráter de grandes mudanças, também instiga novas discussões em torno da definição do que deve ser ensinado na escola, partindo-se da variedade de conteúdos do currículo e levando-se em conta a diversidade de conhecimentos que deverá compor o saber escolar. Avaliar e selecionar pedagogicamente os conteúdos escolares, integrando-se com o cumprimento dos objetivos educacionais que o Ensino Médio deverá cumprir na vida do estudante, passam a ser uma condição conflitante que se reflete em diversos segmentos da educação básica e na ação docente.
Para que sejam desenvolvidas as discussões em torno da importância e dos objetivos que os conteúdos que compõem o currículo de Biologia das três séries do Ensino Médio deverão cumprir na formação do estudante, partiu-se da proposta dos PCNEMs (BRASIL, 1999), PCNs+ (BRASIL, 2002) e das Orientações Curriculares para o Ensino Médio. (BRASIL, 2006).
Para ensejar essas discussões, iniciemos com a proposta dos PCNEMs (BRASIL, 1999, p. 14), que definem como objeto de estudo da Biologia “[...] o fenômeno vida em toda sua diversidade de manifestações [...]”, o qual caracterizou como “[...] um conjunto de processos organizados e integrados, no nível de uma célula, de um indivíduo, ou ainda de organismos no seu meio.”
Para os PCNEMs (BRASIL, 1999, p. 16), a percepção da unidade da vida, diante da sua vasta diversidade, é dotada de uma grande complexidade, para toda a ciência, que:
[...] demanda uma compreensão dos mecanismos de codificação genética, que são a um só tempo uma estereoquímica e uma física da organização molecular da vida. Ter uma noção de como operam esses níveis submicroscópicos da Biologia não é um luxo acadêmico, mas sim um pressuposto para uma compreensão mínima dos mecanismos de hereditariedade e mesmo da biotecnologia.
Nesse sentido, dentre os objetivos do ensino de Biologia na escola, conforme esse documento há uns que têm relação com a construção da visão de mundo, enquanto outros são práticos e instrumentais para a ação, havendo ainda outros que possibilitam a formação de conceitos, a avaliação e a tomada de uma posição cidadã.
Nos PCNEMs (BRASIL, 1999), foi destacado, como tema central para a construção da visão de mundo: a percepção da dinâmica complexidade da vida, pelos estudantes, a compreensão de que a vida é fruto de permanentes interações simultâneas entre muitos elementos, e de que as teorias em Biologia, como nas demais Ciências, se constituem em modelos explicativos que são construídos em determinados contextos sociais e culturais.
Os conhecimentos de Biologia, que guardam relação com os aspectos práticos e instrumentais para a ação, de acordo com os PCNEMs (BRASIL, 1999, p. 14), são identificados quando passam a
[...] subsidiar o julgamento de questões polêmicas, que dizem respeito ao desenvolvimento, ao aproveitamento de recursos naturais e à utilização de tecnologias que implicam intensa intervenção humana no ambiente, cuja avaliação deve levar em conta a dinâmica dos ecossistemas, dos organismos, enfim, o modo como a natureza se comporta e a vida se processa.
Os PCNEMs (BRASIL, 1999) propõem um ensino que priorize o desenvolvimento das habilidades e competências que possibilitarão ao estudante a formação de conceitos, a avaliação e a tomada de uma posição cidadã (Quadro 1).
Representação e Comunicação
• Descrever processos e características do ambiente ou de seres vivos, observados em microscópio ou a olho nu.
• Perceber e utilizar os códigos intrínsecos da Biologia. Apresentar suposições e hipóteses acerca dos fenômenos biológicos em estudo.
• Apresentar, de forma organizada, o conhecimento biológico apreendido, através de textos, desenhos, esquemas, gráficos, tabelas, maquetes etc.
• Conhecer diferentes formas de obter informações (observação, experimento, leitura de texto e imagem, entrevista), selecionando aquelas pertinentes ao tema biológico em estudo.
• Expressar dúvidas, idéias e conclusões acerca dos fenômenos biológicos.
Investigação e Compreensão
• Relacionar fenômenos, fatos, processos e idéias em Biologia, elaborando conceitos, identificando regularidades e diferenças, construindo generalizações.
• Utilizar critérios científicos para realizar classificações de animais, vegetais etc.
• Relacionar os diversos conteúdos conceituais de Biologia (lógica interna) na compreensão de fenômenos.
• Estabelecer relações entre parte e todo de um fenômeno ou processo biológico.
• Selecionar e utilizar metodologias científicas adequadas para a resolução de problemas, fazendo uso, quando for o caso, de tratamento estatístico na análise de dados coletados.
• Formular questões, diagnósticos e propor soluções para problemas apresentados, utilizando elementos da Biologia.
• Utilizar noções e conceitos da Biologia em novas situações de aprendizado (existencial ou escolar).
• Relacionar o conhecimento das diversas disciplinas para o entendimento de fatos ou processos biológicos (lógica externa).
Contextualização sócio-cultural
• Reconhecer a Biologia como um fazer humano e, portanto, histórico, fruto da conjunção de fatores sociais, políticos, econômicos, culturais, religiosos e tecnológicos.
• Identificar a interferência de aspectos místicos e culturais nos conhecimentos do senso comum relacionados a aspectos biológicos.
• Reconhecer o ser humano como agente e paciente de
transformações intencionais por ele produzidas no seu ambiente. • Julgar ações de intervenção, identificando aquelas que visam à preservação e à implementação da saúde individual, coletiva e do ambiente.
• Identificar as relações entre o conhecimento científico e o
desenvolvimento tecnológico, considerando a preservação da vida, as condições de vida e as concepções de desenvolvimento
sustentável.
QUADRO 1 Competências e Habilidades que os conteúdos de Biologia, conforme os PCNEMs (BRASIL, 1999, p.14), devem construir no estudante.
Os PCNEMs (BRASIL, 1999) destacam que a apropriação dos códigos, dos conceitos e dos métodos de cada uma das ciências deverá servir para ampliar as possibilidades de compreensão do estudante, garantindo-lhe a participação efetiva no mundo e o desenvolvimento do saber científico e tecnológico, como condição de cidadania, e não como prerrogativa exclusiva dos especialistas.
De acordo com os PCNEMs (BRASIL, 1999, p. 14), o aprendizado da Biologia também deverá possibilitar a compreensão da natureza viva e dos limites dos diferentes sistemas explicativos, a contraposição entre estes e a compreensão de que a Ciência não tem respostas definitivas para tudo. Destaca como a principal característica desta a possibilidade de ser questionada e de se transformar.
O aprendizado dos conteúdos da disciplina em foco deverá permitir ainda:
[...] a compreensão de que os modelos na ciência servem para explicar tanto aquilo que podemos observar diretamente, como também aquilo que só podemos inferir; que tais modelos são produtos da mente humana e não a própria natureza, construções mentais que procuram sempre manter a realidade observada como critério de legitimação.
Os PCNEMs (BRASIL, 1999) ressaltam que, durante a escolha sobre o quê (e como ensinar) em Biologia, não se deve estabelecer uma lista de tópicos em detrimento de outra, mas selecionar os conteúdos no sentido de promover o que compete a essa área. Para esse documento, a escola é vista como parte do conjunto social no qual está inserida, devendo se comprometer, também, com os seus projetos, sem nunca se esgotar em si mesma.
Nesse sentido, o referido documento destaca a necessidade de se considerar a importância da dimensão local no planejamento educacional, integrado à relação escola-comunidade por meio de um projeto social comprometido com a melhoria da qualidade de vida da população.
É reconhecido o esforço das orientações contidas nos PCNEMs (BRASIL, 1999), no entendimento inicial da atual proposta do “Novo Ensino Médio”, no sentido de favorecer a implementação de um ensino de Biologia que atenda à demanda da reforma educacional, definida pela nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e regulamentada por Diretrizes do Conselho Nacional de Educação.
No entanto, essa publicação não deixou clara a proposta de organização dos conteúdos que devem compor o currículo escolar, como também não conseguiu
sugerir como deverá ser organizado o trabalho pedagógico do professor, para suprir essa nova demanda educacional. Nesse documento, se apresenta um diálogo que não aprofunda suficientemente as principais questões verificadas no cotidiano dos professores. Apesar de o texto trazer várias reflexões em torno dos conteúdos e do trabalho escolar, estes se mostram pouco efetivos quando aplicados em sala de aula. Ainda o mesmo documento, embora traga orientações gerais sobre os princípios norteadores da prática docente, falha quanto à apresentação de sugestões e propostas ao professor sobre o “como fazer.”
Com o objetivo de tornar estas e outras questões mais claras para os professores que buscam apoio pedagógico nesse documento, classificado como um orientador curricular, a proposta inicial dos PCNEMs (BRASIL, 1999) passou por algumas reformulações, a ponto de vir a ser lançada uma segunda versão: os PCNs+ (BRASIL, 2001), cujos objetivos e finalidades serão discutidos no próximo subtópico deste capítulo.