Conforme mencionado no item anterior, após muitos anos investindo em formação de professores para uso de tecnologias, demonstrando amplo interesse em associar as tecnologias aos aspectos pedagógicos, na última gestão (2007/2010), o foco da SEE centrou-se em ampliação de espaços para democratização do acesso à internet, como no Programa Acessa Escola, cujo objetivo foi a inclusão digital. Apesar de a iniciativa ter o seu mérito, desestabilizou muitos dos projetos educacionais que já estavam em andamento nas escolas, pelos motivos expostos anteriormente, incluindo o enfraquecimento das ações pedagógicas sob a responsabilidade dos NRTE e dos PCOP de Tecnologia e de muitos projetos em andamento nas escolas sob a mediação de seus professores.
Assim, o objetivo deste tópico consiste em se discorrer sobre a inserção do Projeto UCA no Estado de São Paulo, destacando-se a importância dele para a formação dos professores, assim como, procura-se demonstrar a concepção da atual política de governo, em relação ao uso de tecnologias para o desenvolvimento de projetos dessa natureza, e a contribuição de tal concepção para o alcance das metas estipuladas pelo projeto. Para isto, seguem informações sobre a inserção das escolas estaduais paulistas no Projeto UCA, em especial o envolvimento das equipes da SEE e o curso de formação na EE Antonio Carlos Ferreira Nobre.
O Estado de São Paulo sempre esteve presente no Projeto UCA. Isso aconteceu desde o início do projeto quando uma escola do município de São Paulo foi incluída entre os cinco experimentos da Fase I do Projeto. Nessa época, coube a USP a formação dos professores da escola municipal selecionada no Estado de São Paulo, sendo que a PUCSP ficou responsável pela escola localizada no Estado do Tocantins.
A partir de 2010, no Estado de São Paulo, a mediação pedagógica a distância e a formação presencial dos professores está sendo realizada pelas equipes designadas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) e Universidade de São Paulo (USP). A EE Antônio Carlos Ferreira Nobre, escola selecionada para coleta de dados e informações que subsidiam esta pesquisa, foi uma das escolas selecionadas para a Fase II do projeto, ficando a formação dos formadores e professores sob a responsabilidade da PUCSP
Com a expansão do projeto, em 2010, denominada Fase II, 13 escolas públicas paulistas, estaduais e municipais, passaram a integrar o Projeto UCA, contando com a parceria da SEE que passou a coordenar a implantação, ficando, inclusive, responsável pela certificação dos professores dessas escolas.
A certificação tem respaldo na Portariada Coordenadora da CENP, de 12-1-2011, que autoriza nos termos da Resolução SE 62/2005, o Curso de Atualização, proposto e executado por Órgãos da Estrutura Básica da SEE, em parceria com as três universidades mencionadas, tendo como público alvo Professores PEB I e PEB II do Ensino Fundamental e Médio, Coordenadores Pedagógicos, Vice-Diretores, Diretores, PCOP, Supervisores de Ensino e Profissionais da Secretaria de Educação e Fundação para o Desenvolvimento da Educação
envolvidos no Projeto UCA, assim como Professores do Ensino Fundamental e Médio, Diretores e Vice-Diretores da Rede Municipal de São Paulo.
A homologação no projeto pela SEE é uma demonstração de valorização do curso, o qual passa a se constituir em fator de pontuação para os professores, valendo para a sua progressão na carreira do magistério.
O Projeto UCA insere-se, portanto, em um contexto de mudanças na administração pública do Estado de São Paulo, cujo foco tem sido a valorização dos professores e a modernização dos serviços públicos e novas políticas de uso de tecnologias na educação, visando à melhoria do desempenho dos alunos e o desenvolvimento profissional dos professores. Percebe-se, pelas iniciativas da nova administração, atribuição de novos significados à tecnologia, valorizando o seu potencial para os processos de ensino e aprendizagem.
No segundo semestre do ano de 2011, o projeto foi incluído na pauta de workshop realizado pelo Grupo de Tecnologias Educacionais da SEE, criado para rever as políticas públicas de uso de tecnologias no sistema de ensino estadual paulista. Este workshop, realizado nas dependências da SEE, teve como finalidade apresentar os projetos envolvendo o uso de tecnologias na escola, implementados na SEE nos últimos anos. Como tais projetos haviam perdido visibilidade na última administração, a SEE considerou pertinente realizar um evento envolvendo os profissionais dos órgãos centrais que atuam nas áreas de tecnologia educacional, bem como seus parceiros em projetos desta natureza. Na ocasião, o Projeto UCA foi apresentado como um projeto inovador e com possibilidade de ampliação.
Em relação às ações relativas à formação de professores e gestores das escolas paulistas que participam do projeto, inúmeros foram os eventos, encontros e reuniões sobre o tema, conforme cronograma de ações descritos no Quadro 1, Capítulo II, e estrutura desses mesmos eventos, que sintetiza os registros do diário de bordo, a qual se encontra entre os apêndices – Apêndice 1. O Os documentos citados apresentam as ações mais amplas envolvendo todas as escolas de São Paulo que participam do Projeto UCA, bem como as ações mais específicas realizadas na EE Antonio Carlos Ferreira Nobre, uma vez que este trabalho foi realizado com base em dados e informações coletados na referida escola.
Desde o início da formação dos professores da escola pesquisada, equipes da SEE têm participado ativamente de reuniões conjuntas com as três universidades para o planejamento da formação dos professores. Participam, também, da formação presencial nas escolas colaborando com os formadores.
No caso da formação dos professores da escola pesquisada, representantes da Diretoria de Ensino da Região Norte 1 – Supervisor de Ensino e Professores Coordenadores da Oficina Pedagógica também têm participado dos encontros de formação na escola e de encontros paralelos por eles próprios organizados, com o objetivo de sanar as dificuldades de professores e gestores. A participação dos PCOP, em especial do PCOP de Tecnologia, tem sido fundamental para o desenvolvimento do projeto.
Ainda sobre o Estado de São Paulo, cabe informar queem São Paulo, o aluno-monitor é contratado para auxiliar o professor nas questões que dizem respeito aos problemas de
hardware, rede e, em alguns momentos, ajudando um aluno a localizar e a usar alguns dos
recursos do laptop. Cabe destacar que o trabalho pedagógico é função do professor da sala de aula. Os alunos-monitores “ficaram incumbidos de ajudar os professores na organização do uso do laptop” (MEC, 2010, p.14)
3.6 Estratégias presentes na Formação dos Professores da EE Antonio Carlos