• Sonuç bulunamadı

Üniversitemiz 2021-2025 Stratejik Planında; başta On birinci Kalkınma Planı olmak üzere, Orta Vadeli Program, kurumsal stratejik planlar ile Üniversitemizi ilgilendiren ulusal, bölgesel ve sektörel strateji

Belgede N VER 2008 (Güncellenmiş) (sayfa 30-33)

Na filosofia africana apresentada por Sengor (2007), sujeito e objeto são dialeticamente confrontados no ato mesmo do conhecimento, que é ato de amor. O negro- africano poderia dizer: “Eu sinto o Outro, eu danço o Outro, então eu sou”. Nesta perspectiva dialética, uma parte não existe sem a outra.

A concepção de jogo apresentada nessa pesquisa transcende concepções dicotômicas entre corpo e mente. O canto, o jogo de palavras, os sons e experiências, o raciocínio lógico e o encanto presentes no jogo da vida se dão em unicidade.

Ressaltamos ainda uma atenção a todo o processo, uma vez que nosso objetivo não se pauta no jogo pelo jogo, mas, sim, no jogo como possibilidade formativa na educação das relações étnico-raciais.

Neste sentido, as discussões, o trabalho conjunto, a solidariedade, a ludicidade, a circularidade e as emoções vividas compõem o cenário do “ser” junto ao “outro”, do “ser” dentro do jogo.

Segundo a concepção de jogo em que este estudo se apóia, foram vários os momentos aprendizagem e de ensino vivenciados acerca do jogo. De acordo dom Ferreira (1986) define a palavra jogo como “exercício ou passatempo entre duas ou mais pessoas das quais uma ganha e a outra, ou as outras, perdem”; “divertimento ou exercício de crianças, em que elas fazem prova da sua habilidade, destreza ou astúcia”.

Em contrapartida a esse conceito de jogo, ilustraremos algumas possibilidades com ele.

As atividades que compuseram as intervenções e a pesquisa perpassaram pelo jogo da cor (DC I-6), no qual foi possibilitada discussão sobre as diferenças. Este jogo é composto por uma música (DC I-6) cantada por todas/as participantes e, ao comando de um puxador, as crianças têm que procurar a cor mencionada. É um jogo divertido e contagiante, e nele as cores têm a mesma representatividade, ou seja, não existe uma hierarquia entre elas. O objetivo dessa atividade foi possibilitar a reflexão sobre a imposição existente nas sociedades com relação a características fenotípicas sobretudo a cor da pele.

Realizamos também o jogo Labirinto (PRISTA, TEMBE, EDMUNDO, 1992), que consiste na marcação de um labirinto no chão e através de desafios (par ou ímpar ou outras formas de desafio), quem ganha anda uma casa ao centro do labirinto. O objetivo é chegar primeiro ao centro. A partir desse jogo simples, porém prazeroso, discutimos e refletimos sobre os obstáculos ou os labirintos que temos de atravessar e, nesse sentido, sobre quais seriam os obstáculos que a população negra enfrenta (DC II-8).

Fig. 5: Ilustração do labirinto

Com o jogo Matacuzana (DC III), trouxemos um pouco de história de Moçambique, sua localidade, sua vegetação, formato do jogo e sua similaridade a jogos praticados no Brasil.

Fig. 6 e Fig. 7: Crianças jogando Matacuzana.

Vivenciar este jogo possibilitou um enfrentamento direto com ser negro. Durante a demonstração do jogo e durante a vivência, por conta da habilidade no manejo das peças do jogo, eu e uma criança negra tivemos nosso desempenho questionado por uma criança branca, que dizia: “vocês não vale, vocês só estão acertando porque vocês são africanos” (DC III-5). O relato dessa criança explicita o quão pouco ou nada é ensinado sobre história e cultura africana e afro-brasileira é desenvolvido na escola. Certamente, retrata o pensamento da sociedade de um modo geral, que associa particularidades sociais a características étnicas; é no mínimo curioso notar que isso aconteça com negros e africanos.

As diferenças de costumes e tradição entre índios, italianos, libaneses e portugueses são pensadas em termos culturais, e percebidas como englobáveis pela nacionalidade, mas a herança cultural africana remete as diferenças entre negros e brancos. (A COR DA CULTURA, 2009).

O jogo My God (PRISTA, TEMBE, EDMUNDO, 1992), além de desenvolver as capacidades e habilidades físicas das crianças como força, resistência, flexibilidade, bem como corrida, salto e lançamento - serviu como instrumento de aprendizagem de nomes de países africanos, pois, para a realização da brincadeira, as crianças deveriam saber o nome de alguns deles. (DC VI-1).

Fig. 8: Crianças durante o jogo My God.

Ao término das atividades, eu perguntava às crianças o que foi preciso para que o jogo acontecesse, ou para se ter sucesso nele. Para ter sucesso no jogo, é preciso ter muita “esperteza”, “agilidade”, “força”, “inteligências” respondiam as crianças. e refletindo, eu relacionava estas qualidades com o jogo e, consequentemente, com os africanos.

A musicalidade, a corporeidade, a ludicidade sempre estiveram presentes nas vivências dos jogos africanos; ritmo, coordenação, ginga, canto, dança e arte compuseram o cenário dos jogos.

O jogo Bon Kidi ((PRISTA, TEMBE, EDMUNDO, 1992), assim como a maioria dos jogos utilizados nesta pesquisa, representa o cotidiano do espaço onde ele é praticado. No Brasil existe um jogo bem conhecido e muito semelhante ao que os moçambinos praticam, a saber, bolinha de gude.

Fig. 9 e Fig. 10: Crianças jogando Bon Kidi.

Esse jogo consiste em tentar acertar com um milho, um pequeno círculo a uma distância aproximada de cinco metros da linha de início. As crianças tiram “par ou impar” ou gentilmente escolhem a ordem da execução por critérios estabelecidos pelo grupo, cada criança tem direito a uma jogada até que todas executem pelo menos uma vez, caso ninguém acerte o alvo, volta-se à sequência inicial de lançamento, só que, desta vez, lança-se o milho de onde ele havia parado na jogada anterior. Quem acertar o alvo primeiro ganha todos os milhos da rodada. (DC XII-4). Esse jogo possibilitou uma discussão interessante a respeito da vitória e da derrota. Em um dos grupos, uma aluna (Ana Beatriz) ganhou todas as rodadas, deixando o pessoal com quem jogava sem grãos. A profª. Élen, que acompanhava esse grupo, perguntou se este era o fim do jogo. Como estávamos no final da aula, reuni todos os grupos para compartilhar a experiência e perguntei o que fazer nessa situação. O aluno Lindemberg disse que tinha que acabar o jogo, porque assim são os jogos (DC XII-5).

Disse-lhes, no entanto, que essa poderia ser uma opção, porém, na filosofia africana o mais importante é sempre dar ao outro a oportunidade do recomeço; sendo assim, Ana Beatriz poderia doar um grão para cada participante de seu grupo para que o jogo continuasse. Lindemberg ainda insistiu: “mas daí ela pode perder tudo”, e a aluna Sândi respondeu: “mas daí darão a ela a oportunidade de recomeçar”. Este fechamento foi muito interessante, talvez difícil de compreender por vivermos na lógica da competição ocidental (DC XII-5).

Nesse sentido, de acordo com Gregório Filho, citado por Brandão (2006):

Somos aquilo que vamos adquirindo ao longo da ida. Os primeiros jogos, as brincadeiras, as cantigas, os contos vão imprimindo em nós um pouco daquilo que vamos ser quando adultos. Não somos passivos às experiências , a cada uma aprendida, incorporamos informações, transformamos, acrescentamos parte de nossa “herança” e vamos construindo nosso jeito de nos olhar e de olhar o mundo. Produzindo saber, saberes, comprometidos com nossa época e lugar (p.36)

Contudo, o jogo, instrumento de que faço uso como meio para a educação das relações étnico-raciais nos revela grandes possibilidades no que diz respeito a compreensão da história e cultura africana e afro-brasileira.

Belgede N VER 2008 (Güncellenmiş) (sayfa 30-33)

Benzer Belgeler