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Üniversiteler Arasında Yapılan İkili Anlaşmalar

STRATEJİ 4.11 Sanatsal, kültürel ve sportif etkinlikleri düzenleme organizasyonlarının iyileştirilmesi ve daha geniş bir kitleye yayılmasının sağlanması

A. Mali Bilgiler

2. Temel Mali Tablolara İlişkin Açıklamalar

1.3. Üniversiteler Arasında Yapılan İkili Anlaşmalar

Para compreender o sentido da formação para o grupo de multiplicadores, utilizou-se, além das entrevistas, a narrativa sobre o curso de formação e o recorte histórico sobre a Vila Horizonte. Retoma-se Critelli (1996, p. 131), como direcionamento de investigação:

Este sentido de ser não é um sinônimo de significado; embora precise ser expresso através da linguagem para poder aparecer. Ele é mais um rumo que apela, uma solicitação que se faz ouvir, um apelo obstinado que se insinua e persegue.

O apelo que se fez ouvir pelo grupo de educadores, transcende a formação e indica um modo de ser deste grupo, não sendo possível compreender o sentido da formação sem explorar um contexto mais amplo, do qual a formação fez parte. Inicialmente, os educadores que se propuseram a realizar a formação, compreenderam que esta os aprimoraria em suas atividades profissionais, conforme explanam:

(...) eu achei interessante, novo conhecimento, como a gente trabalha lidando diretamente com a família, eu achei importante conhecer um pouco mais, como lidar com a família, como fazer trabalho com a família. Como ser um futuro multiplicador. (Mariana, entrevista)

Multiplicadores pra mim, pra mim eu assim priorizei no sentido assim, de conhecimento e como trabalhar da melhor maneira para com a comunidade. (Valéria, entrevista)

O curso apareceu como uma possibilidade em julho de 2011 e duraria dois anos. Alguns educadores se interessaram e escolheram realizá-lo, enquanto outros não, levando em conta que todos os educadores da instituição estão em formação continuada. Até a data de finalização desta pesquisa ainda não havia sido possível realizar o registro formal nos relatórios do ECOFAM quanto a ingressos e egressos, porém, observa-se que a formação apresentou certa rotatividade dos multiplicadores desde seu início. Alguns se fizeram presentes em encontros esporádicos, enquanto outros participaram por um período e depois não retornaram mais. Não era objetivo do ECOFAM, tratando-se de um curso de extensão, controlar a presença/ausência dos participantes. Há, no entanto, o relato de Anita, que conta na última entrevista individual realizada, que no início da formação, foi imposto aos educadores que participassem do curso. Não há

86 outros dados sobre o ocorrido, impedindo que se discorra com detalhes sobre este acontecimento. Em sua entrevista, Anita relata:

(...) eu não tinha interesse porque eu tinha uma sobrecarga por conta da Faculdade e eu não gosto de fazer nada imposto, e no começo o que aconteceu com a formação era meio que imposto pra gente e eu não gosto disso. Eu acho que assim, você tem que procurar conversar com a pessoa, conscientizar ela e procurar incutir alguma coisa nela. Fazer... não é fazer, mas procurar falar pra ela, o despertar, despertar o interesse nela. Eu não gosto de nada que você impõe. Então eu falei, eu não vou fazer. E não fiz. Eu fiz depois que me gerou o interesse. (Anita, entrevista)

Anita relata um conflito entre o grupo de educadores e suas lideranças quanto a possibilidade de escolha em se fazer o curso, mas, entende-se, a partir de sua fala e da dinâmica “errática” dos participantes relatada acima, que para escolherem não realizar a formação foi preciso resistência daqueles que não queriam cursá-la. Contudo, pode ser observado nesta pesquisa e ao longo do curso que manteve-se na formação quem encontrava nela sentido, como é observado na entrevista de Anita e também na de Flávia, que afirmou ter postergado seu ingresso por problemas em sua vida pessoal.

Os multiplicadores acreditaram na proposta, pois vislumbravam possibilidades futuras para a realização do curso. De acordo com Pompéia e Sapienza (2011, p.26):

O ser livre do Dasein faz com que ele ultrapasse o real para retornar ao real, e isso quer dizer que ele é convocado para realizar, para tornar real aquilo que era uma possibilidade.

Os multiplicadores confiaram na possibilidade de tornar real um modo de trabalho que desse conta dos problemas observados nas famílias da comunidade.

Compreende-se que há um modo peculiar dos educadores em seu relacionamento com o entorno. Observa-se que, desde a constituição da Vila Horizonte, as instituições comunitárias (Associação de Moradores, CEI e CCA) e seus colaboradores, incessantemente, aprimoram suas formas de trabalho, e a maioria dos multiplicadores entrevistados morava na comunidade há mais de dez anos e estava diretamente envolvida com as instituições comunitárias há, pelo menos, cinco anos.

Antes do início do curso, ser multiplicador era apenas uma possibilidade, mas já representava uma escolha de cuidar das crianças e da comunidade.

87 Foram escolhas sucessivas como esta que mantiveram os participantes da pesquisa nesta trilha, definindo o que estaria sob seus cuidados e de que forma cuidariam, conforme aponta Critelli (1996, p.120):

Individual e/ou coletivamente, os homens escolhem o que vai estar sob seus cuidados, aproximando-o e afastando-o de sua cercania, de sua cotidianidade, de seu mundo vivido, de sua atenção, de seu interesse.

Conforme um recorte do relato da história do CEI, feito por Ferraz (2011), compreendemos que a escolha de cuidar da comunidade é constante neste grupo, principalmente em relação às crianças, e continua sendo feita:

Um ano depois de aberto, por motivos de falta de administração, o CEI foi fechado. (...) o Padre João, que já morava na Itália, queria que ele fosse entregue à Igreja e, para que isso não acontecesse, Pedro e algumas mulheres que já trabalhavam com as crianças antes desse espaço ser fechado decidiram reabri-lo com 65 crianças. (...) Pedro diz que as condições estruturais do CEI eram péssimas, pois não tinha recursos suficientes para mantê-lo. A luz, por exemplo, era clandestina.

Outro ponto relevante no que tange as escolhas de cuidar dos participantes refere-se ao montante de responsabilidades às quais se dedicavam os multiplicadores enquanto realizavam a formação. Viviam cheios de afazeres, mas mesmo assim, investiram nas possibilidades do curso, alguns ainda realizavam a graduação obrigatória em Pedagogia, exigida para trabalhar como educador. As entrevistas contêm relatos sobre as dificuldades em organizar a vida pessoal para realizar a formação e manter suas atividades profissionais em ordem. A formação foi privilegiada, exigindo reflexões dos multiplicadores quanto às possibilidades de cursá-la:

Gosto de participar do multiplicadores, pra mim está sendo tudo novo porque eu fui chamada anteriormente mas devido muitas coisas estarem acarretando não tive condições de ta participando desde o começo, aí surgiu uma oportunidade falei, porque não, porquê não participar pra mim vai ser enriquecedor (...). (Flávia, entrevista)

(...) fiquei com muito medo, tem as famílias, então falei: não vou dar conta e tem meu trabalho... mas graças a Deus tá dando para conciliar, mas teve um momento em foi difícil, que eu falei: não vou conseguir, era trabalho da faculdade, era tempo pra ler, o trabalho mesmo aqui (Laura, entrevista)

88 Nas entrevistas existem, ainda, exemplos de atitudes voluntárias que se fizeram presentes nas ações e escolhas dos multiplicadores, no cuidar da comunidade, culminando no ingresso na educação, além do termo voluntariado que também é utilizado como definição da postura do multiplicador:

Mudei pra cá praticamente com um ano, um ano que eu estava aqui, eu comecei já resolver alguns trabalhos voluntários para o bairro mais voltado pra creche, para o bairro também. (Paulo, entrevista)

Isso, reuniões, trabalhar com a família, reuniões aos sábados essas coisas. E aí me engajei mais, comecei a participar mais, o trabalho também de terça feira que é o plantão com a família que a gente vai até às oito da noite (...) Eu, Paulo e Pedro estamos desde o comecinho, entendeu. E assim não ganhamos nada, trabalho voluntário mesmo. são quatro horas (...). Então assim, as famílias vão lá pra falar de tudo. (Laura, entrevista)

(...) o curso de multiplicadores pra mim... é um voluntariado, doar, pra outros, dá oportunidade pra outras pessoas conhecerem ou fazerem algo que não teve oportunidade de fazer, desistir também do que não quer fazer, deixar as pessoas... no sentido assim, o livre arbítrio. (Valéria, entrevista)

Os multiplicadores cuidavam de si e da comunidade com sobrecarga, mas persistiam em sua escolha. O cuidado voluntário pode ser compreendido como a profunda sensibilização com que o mundo que percebem à sua volta os toca na abertura de seu ter-que-ser, convocando-os para a ação, disponibilizando grande energia no cuidado para com a comunidade.

A procura por um novo modo de trabalho, em conjunto com o extenso relacionamento entre a Profª. Heloísa e o ECOFAM dava sentido para acreditarem na proposta da formação de multiplicadores, pois partiam de um conhecimento prévio da prática do grupo de pesquisa:

Cheguei ao PFM através da longa, persistente e fértil parceria com a “Equipe PUC”, coordenada pela Profa. Heloisa, o Projeto Diálogo contribuiu muito na abertura de novas perspectivas para a Associação Horizonte. (Pedro, entrevista)

(...) agora não me recordo o ano, (...) mas logo no começo quando a Heloisa veio com o projeto diálogo, eu comecei participando (...), depois veio o projeto (...) era projeto de elaboração de projeto pedagógico, participei. Então essa parceria que teve com a PUC e a instituição eu participo dela tem anos (Paulo, entrevista)

89 A compreensão inicial do curso foi se transformando ao longo dos semestres, porém suas expectativas iniciais revelaram a supremacia do conhecimento teórico, referindo-se a absorção de conteúdos a fim de transmiti-los à população atendida, além de oferecem críticas à prática dialógica como forma de trabalhar com as famílias, no sentido de que havia a suposição de que a demanda não era por diálogo, mas por soluções para seus problemas.

O entendimento quanto à prática dialógica no primeiro encontro do curso era de que esta seria um empecilho para trabalhar com as famílias, que de acordo com os educadores, necessitavam de respostas prontas. Havia, então, uma previsão do que as famílias precisavam, fundada em um conhecimento genérico de suas características, que não partia do modo como as famílias se apresentavam, mas sim de como eram concebidas pelos educadores. As famílias eram compreendidas enquanto desinteressadas, distantes, passivas, sem conhecimento. Este modo de olhar para as famílias pode ser compreendido como a diluição do ser-aí no “a gente”, o mundo que nos é próximo (HEIDEGGER, 1981), no qual os educadores atribuíam um olhar generalizado às famílias, sem conhecê-las. Contudo, cuidava-se delas de uma maneira autoritária, na qual, portando-se respostas, poderiam instruí-las no melhor modo de se viver.

Nos exercícios sobre a realização da entrevista reflexiva, no 3º semestre de curso, ainda se podia notar este modo autoritário e generalizado de compreender a formação e as famílias, quando educadores queriam se utilizar do encontro com os pais escolhidos para lhes dizer como deviam cuidar de seus filhos. Pode-se compreender que o modo de cuidado dos multiplicadores para com as famílias, acontecia como propõe Heidegger (1981) ao discriminar o “pular sobre o outro” como forma de solicitude. Ao modo positivista de pensar, os multiplicadores, afetados pela vulnerabilidade que observavam, em sua compreensão, procuravam eliminar os problemas do outro:

Este modo de solicitude é o que assume o encargo que é do outro de cuidar de si mesmo. O outro é lançado para fora de seu próprio lugar; ele retrocede quando algo precisa de sua atenção (...) o outro pode tornar-se alguém que é dominado e dependente, mesmo que esta dominação seja, para ele, tácita ou lhe permaneça oculta. (HEIDEGGER, 1981, p.41)

90 Esta forma de trabalhar resolveria a angústia dos próprios multiplicadores quanto à situação das famílias, como demonstraram durante a entrevista:

(...) você cria um vínculo com ele que termina assim, vai, numa situação meio que paizão no meio deles ali. (...) Faz parte da minha vida, faz parte de mim, e você começa ter uma preocupação, um envolvimento, uma dedicação não é uma coisa voltada para o trabalho. É uma coisa que toca em você (...) (Paulo, entrevista)

Às vezes não ouvia o que eles me... às vezes eles falavam alguma coisa aí você só meio que falava assim, não você tem que fazer isso, olha você está fazendo tal coisa e está errado. (Anita, entrevista)

Mas nesse momento da formação, mais propriamente em setembro de 2012, este modo de compreender o outro e seu trabalho com as famílias já começava a demonstrar mudanças. Os multiplicadores identificaram a realização da entrevista reflexiva como o ponto de mudança em seu olhar para o outro, para o diálogo e para a formação:

(...) uma coisa influenciou muito o trabalho que eu estou fazendo hoje dentro da comunidade, sempre atendendo nas questões do terreno, mas de 2004 pra cá a gente fez um atendimento mais aberto, de estar dando apoio, buscando orientar as famílias, mas sempre na forma de um atendimento, não de uma entrevista, a gente mais que comprava a briga das pessoas, mas não fazia com as pessoas e não tinha um ouvido verdadeiro para as pessoas, não se ouvia. A gente tinha a questão do preconceito frente o que a gente via. Então o que eu aprendi foi o seguinte: pra gente ter uma ação primeiro tem que parar e ouvir a pessoa. (Paulo, encontro de encerramento)

(...) antes você... por mais que você ouvia a família, por mais que você tentava entender sempre... ainda existe mas sempre existe aquele pré-conceito, aquele julgamento e agora depois desse ano, semestre, na prática fazendo a entrevista reflexiva, eu acho que eu aprendi a ter mais respeito com as famílias, eu aprendi a ouvir melhor, e também não esperar muito das famílias, porque cada pessoa tem o seu limite. (Mariana, entrevista)

A maneira como os educadores vivenciaram esta mudança de compreensão evidenciou-se de maneira mais clara pelo grupo no penúltimo encontro do curso, quando, ao contarem sobre sua experiência com as entrevistas, sensibilizaram-se consideravelmente, relatando dificuldades em conter a própria emoção ao ouvirem seus entrevistados confiarem-lhes suas histórias de vida. O outro passou a ser visto de uma nova maneira, não a partir de

91 uma pré-concepção, mas respeitado em sua singularidade, permitido que fosse quem ele era, mesmo que entrasse em desacordo com as expectativas do multiplicador, conforme relatam:

Tem famílias que conseguem ir além, tem outras que não, então procuro respeitar esse limite, tem pais que querem falar, tem pais que não querem falar. Aprendi lidar com cada pai de uma maneira diferenciada. (Mariana, entrevista)

Eu aprendi a ouvir mais e a compreender mais o outro, porque a gente tem muito daquele pré-julgar e com essa formação, a gente já passou a ver com outros olhos. (Laura, entrevista)

O outro pode se manifestar em uma relação horizontal com os multiplicadores, desta forma, nota-se a mudança de compreensão dos educadores quanto à prática dialógica a partir da abertura ao outro e da suspensão de seus próprios preconceitos. De acordo com Heidegger (1981) a solicitude pode ser mostrar de outro modo, um cuidar autêntico no qual se pretende voltar o outro às suas próprias possibilidades, chamada por ele de “Pular adiante do outro”. Não se protege o outro, mas se facilita que assuma seu próprio ser. Este modo de cuidar é, segundo Heidegger (1981), orientado pela consideração e paciência. Contam os multiplicadores:

(...) por exemplo, chega alguém e traz uma necessidade. E aí eu vou tentar, eu junto com essa pessoa buscar alternativas pra ele. Só que eu não vou levar a pessoa a fazer isso. Pegar eles pelo braço pra fazer isso. Tenho que trazer meios, alternativas pra que eles se descubram. (Valéria, entrevista)

E ela chegou a chorar, e ela perguntou pra mim o que eu faria. Eu falei pra ela não posso te dar uma solução, eu to aqui junto com você pra a gente tentar uma solução conjunta porque eu também não sei o que fazer, não é? E eu achei isso muito legal você tentar chegar numa solução os dois juntos, não eu dar uma receita pra ela, porque eu também não sei. (Anita, entrevista)

(...) a gente tem aquele pré-julgamento, fala que a mãe não quer participar, mil coisas, sei lá, fala que é preguiçosa tem mil julgamentos e no final descobri assim ‘n’ coisas que a impediam de ir, assim, ela é sozinha, tem seis filhos (...) então inclusive assim, eu até me emociono, porque ela chorou muito no final da... e assim, eu fiquei muito emocionada junto com ela, até parei de fazer um pouco, porque ela chorava e eu chorava junto com ela, porque ela falava que ela tinha muita vergonha porque ela via as outras mães vindo para a reunião, mas ela não tinha um marido do lado para acompanhar, entendeu? Para estar dividindo esta parte. E aí eu me sinto assim também, como se fala? Um pouco

92 culpada por ter julgado mal ela, de pensar, p.! Ela não vai porque ela tem um monte de filho, muitas vezes eu usava até palavrão, ah, é uma v.! Tem um monte de filho, não pensa no futuro dos filhos... mas ela falou que se sentiu assim: ah, eu me sinto muito culpada porque eu coloquei muitos filhos no mundo e não consigo dar conta agora e não tenho um companheiro do meu lado para... eles tem pai, mas cada filho é de um pai (...) nossa cada coisa na infância dela, teve violência, agressões, muita coisa ela viveu. Então assim, eu pré-julguei, eu tô vendo realmente o que ela... e assim, como eu vou poder ajuda-la? (Laura, encontro entrevista reflexiva: método)

Neste momento, o outro não era mais uma presença genérica, mas se revelou aos educadores em sua singularidade e estes, por sua vez, não cuidaram de forma autoritária, mas sim dialógica, ouvindo-os em sua humanidade, como aponta Freire (1983, p.28):

E ser dialógico, para o humanismo verdadeiro, não é dizer-se descomprometidamente dialógico; é vivenciar o diálogo. Ser dialógico é não invadir, é não manipular, é não sloganizar. Ser dialógico é empenhar-se na transformação constante da realidade. Esta é a razão pela qual, sendo o diálogo o conteúdo da forma de ser própria à existência humana (...) não pode travar- se numa relação antagônica.

Podendo ouvir o outro, vê-lo a partir de como este se mostrava, afetados pelo que lhes era revelado, os educadores passaram a ouvir a si mesmos, voltando para si sua reflexão, pensando sobre sua postura, adotando novas atitudes:

Reflito mais, acredito que tem sido um diferencial em todas as minhas atuações. Consigo perceber quando estou dialogando e quando estou transmitindo uma instrução ou ‘ordem’. (Pedro, entrevista)

Heidegger (1981), afirma que a compreensão de si mesmo é uma compreensão “com”, ou seja, o ser-aí se compreende em conjunto com o mundo, com o outro, e tendo os multiplicadores sido afetados pelo outro, passaram a desenvolver uma nova compreensão acerca de si, de seus modos de cuidar e novos sentidos se abriram a partir da formação.

A troca dialógica com o ECOFAM também se fez importante para a ampliação dos sentidos da formação. Observa-se nos discursos das entrevistas e os relatos dos encontros, diferentes concepções quanto aos sentidos de ser

93 multiplicador. Alguns tinham como foco em sua atuação o trabalho na escola, enquanto outros demonstravam preocupar-se com uma abrangência mais ampla, voltando-se para questões do bairro. Porém, ao mesmo tempo, mostrou-se uma pressão para a padronização da atuação do multiplicador, restringindo suas possibilidades. A partir do primeiro encontro de 2013 com os educadores, as possibilidades de atuação passaram a ser tema de conversas entre o ECOFAM e o grupo. Anita comenta este ocorrido em sua entrevista:

(...) depois disso eu fiquei me questionando que eu não era multiplicadora... é quando eu respondi, eu não me considerava multiplicadora porque eu percebia que aqui se mudou isso, mas eu percebia que antes as pessoas não respeitavam o outro no diferencial dele. Existia um padrão de que ah você é multiplicador, mas, o que você está fazendo que você é multiplicador?

O ECOFAM buscou discutir em diversos encontros que a cada multiplicador caberia definir o próprio sentido da atuação e esta situação parece ter se revertido, pois pode ser observada nas falas de Anita e Pedro:

(..) [a formação] deu maior clareza do que é o diálogo. Não estava assim claro pra mim o que seria diálogo. Então o próprio projeto diálogo já começou a abrir essas possibilidades aí do curso que nós tivemos (...) formação dos multiplicadores foi o desfecho final pra entender pra mim hoje, entender com clareza o que seria uma relação dialógica. (Pedro).

Não que chegasse pra você e falasse você tem que fazer isso, mas no modo de se dirigir a gente, no modo de falar com a gente

Benzer Belgeler