2. ÇARPIŞMA FİZİĞİNDE TESİR KESİTİ ÖLÇÜMLERİ
2.5 Direkt İyonlaşma Olayı
2.5.4 Üçlü Diferansiyel Tesir Kesitleri ve Kinematik Durumlar
Ana Flávia De Santana Resende Nagem1, Nilmara de Oliveira Alves 2, Giveldna Maria Costa Pereira 3, Luiz Cláudio Cardoso Chaves 4, Viviane Souza do Amaral1,2
1
Programa Regional de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio ambiente, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, RN, Brasil
2
Programa de Pós-Graduação em Bioquímica, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, RN, Brasil
3
Graduação em Biomedicina, Centro de Biociências, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, RN, Brasil
4
Graduação em Ciências Biológicas, Centro de Biociências, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, RN, Brasil
ESTE ARTIGO FOI SUBMETIDO NO PERIÓDICO
CIÊNCIA E SAÚDE COLETIVA DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PÓS- GRADUAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA
Normas da revista ANEXO G
Resumo
O presente estudo teve como objetivo descrever os perfis de saúde e socioeconômico de 60 agricultores no Município de Touros/RN. A partir da análise de questionários foi possível identificar que 91% dos trabalhadores ganham até 3 salários mínimos, na qual a maioria tem jornada de trabalho de 40 horas semanais. Em relação à saúde, os agricultores apresentam frequentemente quadros de infecção, além de alguns sofrerem de doenças renais e cardiovasculares. A frequência de aborto foi de menos de 20% e alguns entrevistados (30%) declararam casos de doenças hereditárias. Além disso, foi possível observar que os agricultores não têm o hábito de procurar os postos de atendimento médico para fazer exames de rotina, exercendo uma implicação direta nos diagnósticos referentes a intoxicações agudas e crônicas. Desta forma, há uma dificuldade na associação de sintomas relacionados com as intoxicações de origem
ocupacional e este fator vem sendo uma preocupação no âmbito da saúde coletiva/epidemiológica. Por fim, esses resultados apontam para a necessidade de medidas sócio-educativas que tenham como objetivo a melhoria das condições de saúde e de trabalho para estes agricultores no município de Touros-RN.
Description of health and Socioeconomic profiles of Farmers in the Touros county-Rio Grande do Norte: A Reality Beyond Numbers
Abstract
The present study describes the socioeconomic and health profiles of sixty farmers from Touros county/RN. According to the analysis of questionnaires it was possible to identify that 91% of the workers earn up to 3 minimum salaries and that most of them work 40 hours per week. Concerning to their health, the farmers frequently presented cases of infection, besides suffering from kidney and cardiovascular diseases. The frequency of abortion was lower than 20% in women and approximately 30% of the interviewed reported cases of hereditary diseases. Furthermore, it was possible to observe that farmers are not used to look for medical support neither to do routine exams, affecting directly on diagnostics related to chronic and acute poisoning. Therefore, there are difficulties associating symptoms related to poisoning and occupational origin, reflecting a concern in the public health/epidemiology. Finally, these results show the need of socio-educational measures that has the proposal of improvement of health and work conditions for these farmers from Touros County - RN.
Introdução
Desde os primórdios da colonização até o século XXI, a agricultura tem passado por várias etapas de modificações tanto políticas, sociais e culturais, inicialmente na produção da cana- de-açúcar e do café, e, posteriormente, evoluindo para extensas monoculturas. O Brasil é um dos líderes mundiais na produção e exportação de vários produtos agropecuários. É o primeiro produtor e exportador de café, açúcar, etanol de cana-de-açúcar e suco de laranja; liderando o ranking das vendas externas do complexo soja (farelo,óleo e grãos). Além disso, o crescimento da produção agrícola no Brasil deve continuar acontecendo com base na produtividade. As projeções indicam que tanto a produção de grãos e a área de cultivo deverão expandir-se em 9,5% em 2020-21 de acordo com o Ministério da Agricultura - MAPA (2011)1 ,Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB (2012)2.
De fato, o setor de fruticultura dispõe de linhas de crédito com o objetivo de apoiar a comercialização de várias culturas, incentivando a agroindustrialização no setor e facilitando novos mercados (MAPA, 2011)1. No Brasil, o desempenho em relação ao rendimento (frutos/ha) e a área da colheita (ha) do abacaxi vêm crescendo desde 1970 EMBRAPA (2009)3. Além disso, os dados mostram que em cada Hectar (ha, 10.000m2) há uma variação na produção de abacaxis entre 17 a 27 mil unidades. Em 2009, o Nordeste foi a região com maior produção desta fruta comparado com outras regiões, atingindo uma média de 2,7 abacaxis por m2. Em contrapartida, a região Sul foi a de menor produção, sendo colhido 1,7 abacaxis por m2 Ministério do Desenvolvimento Agrário (2011)4. Consequentemente, esta intensa demanda agrícola no país reflete na necessidade de utilização de defensivos agrícolas. Considerando, em especial, a cultura do abacaxi, há um amplo uso de insumos químicos para que haja produtividade e rendimento. Associada as potencialidades dos agrotóxicos, com seus diferentes mecanismos de ação e a intensa prática agrícola no país, é crescente a comercialização destes defensivos agrícolas. Em 2009, de acordo com a Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ5, foram consumidos mais de um bilhão de litros de agrotóxicos. É importante destacar que, nos últimos três anos, o Brasil vem ocupando o lugar de maior consumidor de agrotóxicos no mundo de acordo com a Associação Brasileira de Saúde Coletiva – ABRASCO (2012)6.
Outro ponto importante relacionado ao comércio de agrotóxicos está no fato de que as indústrias químicas a cada ano investem no mercado e lançam novas formulações para atender a grande demanda existente no país. Em função disto, os defensivos agrícolas apresentam uma complexidade química, que impõe sérios riscos a saúde ambiental e humana. Várias agências de controle ambiental e de saúde vêm demonstrando o potencial destes compostos como
agentes poluidores do ambiente e consequentemente, nocivos à vida, em particular, à saúde humana. Segundo Ministério da Saúde (MS), os agrotóxicos estão entre os mais importantes fatores de risco para a saúde da população em geral, especialmente para os agricultores e para os ecossistemas próximos as áreas agrícolas (MS, 2010)7.
O elevado e indiscriminado uso de agrotóxicos no Brasil tem contribuído para a contaminação ambiental e para o aumento dos casos de intoxicações, principalmente as de origem ocupacional (JACOBSON et al, 2009)8. Soma-se a isto, (i) a falta de orientação técnica, (ii) o desconhecimento dos riscos associados ao uso, (iii) instruções no rótulo de difícil compreensão, (iv) manipulação e aplicação sem os devidos equipamentos de proteção individual (EPI), (v) o não conhecimento das normas de descarte de embalagens, e (vi) o baixo nível de escolaridade. Todos estes fatores potencializam os riscos de intoxicações pelos trabalhadores do meio rural (FIOCRUZ, 2010)1. Segundo as estatísticas oficiais do Ministério da Saúde (MS), utilizando o Sistema Nacional de Informações Toxico Farmacológicas - SINITOX, é possível verificar que, durante o período de 1999 a 2009, houve 149.171 casos de intoxicações ocasionadas por envenenamento por agrotóxicos no Brasil.
Dentro desta perspectiva de emprego de agrotóxico e saúde do trabalhador, o presente estudo teve como objetivo descrever o perfil de saúde pessoal e o perfil socioeconômico dos agricultores que trabalham na área rural do Município de Touros/RN/Brasil, além de criar um material socioeducativo em forma de cordel tendo como objetivo sumarizar os resultados encontrados na pesquisa e informar sobre medidas que possam minimizar o contato com os agrotóxicos. Este cordel poderá ser divulgado nas áreas de saúde, como no posto de saúde no município de Touros.
Material e Método
Área de Estudo
O presente estudo foi realizado na cidade de Touros - Rio Grande do Norte, Brasil, especificamente no Projeto Boqueirão reconhecido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA como projeto de assentamento. O município de Touros situa-se na mesorregião Leste Potiguar e na microrregião Litoral Nordeste, cerca de 87 km da capital . As principais atividades são a agropecuária, a pesca, a extração vegetal e a silvicultura. Destacam-se as culturas abóbora, mandioca e fruticulturacom manga, coco da baia, banana e principalmente abacaxi Instituto De Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte - IDEMA (2008)9.
Figura. 1. Localização do Minicípio de Touros –Rn- Brasil
Fonte: IBGE adaptado
De acordo com o censo demográfico 2010 (IBGE)10, a população residente no Município de Touros é de 31.089 habitantes, sendo que uma parte da população (7.922 hab) reside na área urbana e a outra parte (23.167 hab) residem na área rural. Dentro desse contexo, 16.068 habitantes são do sexo masculino e 15.021 são do sexo feminino. O projeto do Boqueirão localizado na área rural do Município de Touros – RN é dividido em três vilas: Assis, Israel e Mayne onde vivem 407 famílias, representando aproximadamente um total de 1142 pessoas residentes. A escolha da área de estudo foi feita por meio de informações pelo Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Norte – EMATER.
Procedimento Metodológico
Para a coleta de dados foi utilizado o questionário de Saúde Pessoal de acordo com o modelo recomendado por: International Commission for Protection against Environmental Mutagens and Carcinogens (ICPEMC) Mutation Research, 1988 com adaptações. Esse estudo foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte conforme o Protocolo número 178/11-P, CAAE – 0203.0.051.000-11.
Toda coleta de dados para análises ocorreu com o conhecimento do indivíduo, que assinou o termo de consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). As coletas de dados foram realizadas em campo em horário laboral no período de fevereiro a setembro de 2012. Com ajuda do GPS e através de um mapa (fornecido pela Secretaria do Estado de Assuntos Fundiários e de Apoio à Reforma Agrária – SEARA) os lotes foram identificados para a realização das coletas. O questionário foi aplicado somente com os trabalhadores agrícolas que aceitaram participar da presente pesquisa. Devido à dificuldade de encontrar agricultores no dia das visitas no Projeto do Boqueirão a amostra foi escolhida por conveniência.
Os critérios de inclusão da amostra foram: trabalhadores rurais, sexo masculino, ter idade acima de 18 anos, aceitar participar voluntariamente da pesquisa e assinar o TCLE. Após a assinatura do termo, os 60 indivíduos responderam o questionário que se apresenta em perguntas divididas em 7 módulos: história pessoal, história ocupacional, exposição, história de fumo, medicamentos e doenças, dietas e história genética.
Para a análise e interpretação dos dados foi usado o programa SPSS Statistics 15.0 (Statistical Package for the Social Science) e BioEstat versão 5.0. Técnicas estatísticas descritivas foram utilizadas, tais como a distribuição de freqüência e a tabulação cruzada (ou crosstabs). Além disso, para avaliar a correlação entre os resultados encontrados foi utilizado o teste de Coeficiência Contingência C (Quiquadrado), com significância p<0.05.
Resultados
O projeto do Boqueirão foi criado e implementado entre 1971 a 1975, sendo concedidos lotes para as famílias com o objetivo de proporcionar ao homem do campo uma possibilidade de trabalhar a terra de forma livre e independente. Em relação à população entrevistada no Projeto do Boqueirão a maioria dos agricultores trabalha em diferentes lotes dependendo da época do ano. A Tabela1 apresenta as características socioeconômicas dos entrevistados tais como: gênero, idade, etnia, estado civil, números de filhos, renda familiar e carga horária de trabalho. As faixas etárias estão distribuídas de acordo com o SINITOX . Do total de 60 entrevistados a média de idade foi de 37,4 sendo que apenas 1,7% dos entrevistados encontram-se na faixa etária entre 60 a 69 anos. Em relação ao estado civil, mais da metade dos entrevistados são casados legalmente ou constituem relações estáveis, na qual (31,7%) tem 4 ou mais filhos. A principal fonte de renda familiar é o trabalho na agricultura sendo que 45,0% das famílias ganham menos de 1 salário mínimo e outros 46,7% ganham entre 1 e 3 salários mínimos, sendo que os ganhos salariais dependem dos dias trabalhados, sendo em torno de R$120,00 semanais.
Em relação ao tempo de trabalho no mesmo local 40,0% trabalham há menos de 1 ano, 41,7% de 1 a 5 ano e a maioria trabalha 40 horas por semana.
Tabela. 1. Características socioeconômicas dos trabalhadores rurais entrevistados. Características Frequência *Porcentagem
(%)
Gráfico
Amostra geral 60 100
Faixa etária (anos)
15 a 19 3 5 20 a 29 15 25 30 a 39 15 25 40 a 49 16 26,7 50 a 59 10 16,7 60 a 69 1 1,7 Total 60 100 Etnia Sem resposta 2 3,3 Caucasiano 24 40 pardo 21 35 negro 13 21,7 Total 60 100 Estado Civil solteiro 23 38,3 convivente 13 21,7 casado 21 35 separado 3 5 Total 60 100 Números de filhos nenhum 6 10 1 filho 18 30 2 filhos 10 16,7 3 filhos 7 11,7 4 ou mais filhos 19 31,7 Total 60 100 Renda Familiar menos de 1 salário 27 45 entre 1 e 3 salários 28 46,7
acima de 3 salários 2 3,3
Total 60 100
Tempo que trabalha no mesmo local
menos de 1 ano 24 40 1 a 5 anos 25 41,7 6 a 10 anos 4 6,7 11 a 16 anos 2 3,3 17 a 21 anos 2 3,3 acima de 22 anos 3 5 Total 60 100
Carga horária de trabalho por semana
30h 1 1,7 35h 2 3,3 40h 45 75 41h 1 1,7 48h 10 16,7 70h 1 1,7 Total 60 100 *valores aproximados
Outro ponto abordado nesta análise está apresentado na Tabela 2.
De acordo com os dados obtidos nos questionários sobre a utilização de algum tipo de proteção (71,7%) dos indivíduos responderam que usam, (25,0%) não usam, (3,3%) às vezes usam. Dentre os que citaram o uso de proteção, declararam que o uso de calça comprida, blusa de manga longa e boné representam a proteção. Quanto ao tipo de exposição, foi relatado que 81,7% se expõe a agrotóxicos, 1,7% a soda caustica e 16,7% não responderam.
Tabela. 2 Histórico de Proteção e Exposição dos trabalhadores rurais.
Variável Frequência *Porcentagem % Gráfico
Você usa algum tipo de proteção?
Sim 43 71,7
Não 15 25,0
Às vezes 2 3,3
Tipo de exposição Sem reposta 10 16,7 Agrotóxicos 49 81,7 Soda caustica 1 1,7 Total 60 100,0 *valores aproximados
Considerando o estilo de vida, a Tabela 3 apresenta as principais características relacionadas a hábitos de fumar, consumo de bebidas alcoólicas, dietas, uso de medicamentos, doenças e história genética. No que se refere à história de fumo (51,7%) dos entrevistados já fumou alguma vez na vida e (48,3%) nunca fumou. Nesse contexto, 33,3% fumam e 66,7% não fumam atualmente. Outro aspecto questionado foi o consumo de bebidas alcoólicas. Em destaque aos que bebem cerveja (58,3%), uma considerável parte dos entrevistados (40,0%) relatam consumir 1 a 6 garrafas por semana. Outros tipos de bebidas foram questionados e 31,7% afirmaram que bebem vinho e 50,0% consomem outras bebidas destiladas, como a cachaça.
Com o objetivo de conhecer a dieta dos agricultores, os hábitos alimentares foram questionados. Os dados obtidos mostraram que 53,3% dos indivíduos consomem carne pelo menos 1 a 2 dias por semana e 36,7% consomem peixe pelo menos de 1 a 2 vezes na semana. Em relação ao histórico de medicamentos observou-se que 25,0% diz usar algum tipo de medicamento com prescrição médica enquanto que 55,0% usam medicamentos sem prescrição médica. Em relação aos problemas de saúde mais declarados pelos indivíduos, 56,7% são quadros de infecção bacteriana e viral. Além disso, 21,7% dos indivíduos relataram diversos incômodos, tais como: (a) dor nos olhos e ardência; (b) dor nas articulações; (c) dor renal; (d) dor no estomago; (e) dor no corpo; (f) dor nos ossos e falta de apetite; (g) dor na coluna e (h) pressão alta. Somente (1,7%) tem conhecimento que teve hepatite e 3,3% doença cardiovascular. Nenhum entrevistado relatou doenças como câncer, diabetes, herpes e AIDS. No que se referem a vacinações nos últimos 12 meses apenas 26,7% dos indivíduos relataram estar vacinados. Observou-se que 13,3% dos entrevistados declararam que os mesmos ou a esposa tiveram dificuldades reprodutivas e 8,3% dos filhos nasceram prematuros. É interessante ressaltar que 18,3% relataram que a esposa já abortaram e esse fato é recorrente em algumas famílias.
É importante destacar um caso em particular no qual o agricultor relatou que na sua família sete bebês recém-nascidos morreram, além de ter tido 1 caso de aborto.
Considerando o surgimento de malformações congênitas e de doenças hereditárias, 30,0% relataram ter conhecimento de algum defeito de nascimento ou doença genética que afetou seus pais, irmãos ou seus filhos. Os distúrbios relatados foram: (a) língua pregada; (b) problemas intestinais; (c) epilepsia; (d) má formação óssea dos membros inferiores e diabetes; (e) problemas oculares; (f) problemas neurais. Ao correlacionar os indivíduos que estão expostos a agrotóxicos com o quadro de dificuldades de engravidar e abortos, esses dados não foram significativos, (p) =0,2757 e (p) =0,26 respectivamente. Entretanto, para os quadros de infecções mostrou-se significativo com (p)= 0,0025. Também foram feitas as correlações do hábito de fumar e consumir bebidas destiladas com doenças cardiovasculares, defeito genético, bebês prematuros e os resultados não foram significativos.
Tabela. 3. História de fumo consumo de bebidas alcoólicas, dietas, medicamentos, doenças e história genética dos trabalhadores rurais.
Informações Frequência *Porcentagem (%) Gráfico
Alguma vez você já fumou?
Sim 31 51,7 Não 29 48,3 Total 60 100,0 Fuma atualmente? Sim 20 33,3 Não 40 66,7 Total 60 100,0
Você bebe cerveja?
Sim 35 58,3
Não 25 41,7
Total 60 100,0
Consumo semanal de cerveja
Nenhuma 25 41,7 Menos de 1 garrafa 7 11,7 1 a 6 garrafas 24 40,0 7 a 12 garrafas 2 3,3 13 a 24 garrafas 2 3,3 Total 60 100,0
Você bebe vinho?
Não 41 68,3
Total 60 100,0
Consumo semanal de vinho
Nenhum 42 70,0
1 a 4 copos 12 20,0
5 a 8 copos 5 8,3
Acima de 16 copos 1 1,7
Total 60 100,0
Consumo de outras bebidas alcoólicas
Sim 30 50,0
Não 30 50,0
Total 60 100,0
Com qual frequência você come carne?
Não come 2 3,3 1 a 2 dias 32 53,3 3 a 4 dias 19 31,7 5 a 6 dias 3 5,0 todos os dias 4 6,7 Total 60 100,0
Com qual frequência você come peixe?
Não come 7 11,7 1 a 2 dias 22 36,7 3 a 4 dias 14 23,3 5 a 6 dias 9 15,0 Todos os dias 8 13,3 Total 60 100,0
Tem tomado algum remédio prescrito pelo medico?
Sim 15 25,0
Não 45 75,0
Total 60 100,0
Tem tomado algum remédio sem prescrição médica?
Não 27 45,0
Total 60 100,0
Você teve ou tem algum dessas doenças? Infecção bacteriana ou viral
Sim 34 56,7 Não 26 43,3 Total 60 100,0 Doença cardiovascular Sim 2 3,3 Não 58 96,7 Total 60 100,0 Doença Renal Sim 5 8,3 Não 55 91,7 Total 60 100,0 Outras doenças Sim 13 21,7 Não 47 78,3 Total 60 100,0
Você tomou algum vacina nos últimos 12 meses?
Sim 16 26,7
Não 32 53,3
Não lembra 12 20,0
Total 60 100,0
Você tem conhecimento de algum defeito de nascimento ou outra desordem genética ou doença hereditária que tenha afetado seus pais, irmãs ou seus filhos?
Sim 18 30,0
Não 42 70,0
Total 60 100,0
Você ou sua esposa teve ou tem dificuldade reprodutiva?
Sim 8 13,3
Não 52 86,7
Você já teve filho prematuro? Sim 5 8,3 Não 55 91,7 Total 60 100,0 Já teve aborto? Sim 11 18,3 Não 49 81,7 Total 60 100,0
Quantos filhos prematuros
0 56 93,3 1 4 6,7 Total 60 100,0 Quantos abortos 0 49 81,7 1 6 10,0 2 3 5,0 3 1 1,7 4 1 1,7 Total 60 100,0 *valores arredondados
Referente ao uso de agrotóxicos no Projeto do Boqueirão, foram relatados 9 tipos: dentre eles com finalidades de herbicidas, inseticidas, fungicidas, Tabela 4.
Tabela. 4 Agrotóxicos mais utilizados no Projeto Boqueirão, Rio Grande do Norte.
Classe Grupo Químico Classificação Toxicológica Potencial de periculosidade ambiental (PPA) Recomendação
Herbicida Uréia IV – Pouco
Tóxico
II - Muito Perigoso Ao Meio Ambiente
Única Aplicação, Uso Exclusivamente Agrícola, Usar EPI
Inseticida Metilcarbamato De
Oxima
I –
Extremamente Tóxico
II- Muito Perigo Para O Meio Ambiente
Usar EPI, afastar de qualquer calor,
altamente móvel, uso exclusivo agrícola
Inseticida Avermectinas III -
Medianamente Tóxico III - Perigoso Ao Meio Ambiente Altamente persistente no meio ambiente, uso de EPI,exclusivamente agrícola, Inseticida Antranilamida ou Diamida Antranílica III - Medianamente Tóxico II - Muito Perigoso Ao Meio Ambiente
Não deve ser utilizado em mistura
de tanque com qualquer outro agrotóxico, não entrar na área em
que o produto foi aplicado antes da secagem completa da calda (no mínimo 24 horas após a aplicação),uso de EPI
Inseticida Piretróide III –
Medianamente Tóxico I – Produto Altamente Perigoso Ao Meio Ambiente
Uso de EPI, manter afastado do calor e fontes de ignição, altamente bioconcentrável em peixes. Fungicida Acetamida (Cimoxanil) E Ditiocarbamato (Mancozebe III- Medianamente Tóxico III- Perigoso Ao
Meio Ambiente Uso de EPI e exclusivamente agrícola Fungicida Oxazolidinedionas Ou Oxazolidinedionas, Ou Ditiocarbamatos (Mancozebe I Extremamente Tóxicos II Muito Perigoso Ao Meio Ambiente
Perigoso para transporte e usar EPI
Fungicida Benzimidazol IV- Pouco
Tóxico
III- Perigoso Ao Meio Ambiente
Uso Exclusivamente Agrícola,
Uso de EPI Altamente Persistente
no meio ambiente
Fungicida Triazol III –
Medianamente Tóxico II – Produto Muito Perigoso Ao Meio Ambiente Uso Exclusivamente Agrícola,
uso De EPI evite o máximo possível
o contato com a área tratada
Fonte: Informações extraídas das bulas das empresas fabricantes de agrotóxicos. Nota: Os agrotóxicos listados foram relatados pelos produtores.
Discussão
O presente estudo apresenta o perfil da saúde e o perfil socioeconômico de agricultores rurais que trabalham na área rural Município de Touros/RN/Brasil especificamente nos lotes inseridos no Projeto Boqueirão. Os dados socioeconômicos dessa população em estudo mostraram que a população economicamente ativa está na faixa etária entre 20 a 59 anos. O fato da maioria dos entrevistados serem casados implica que os mesmos tem uma grande responsabilidade para o sustento da família e encontram na agricultura o meio de sobrevivência, mesmo que as condições de trabalho não sejam ideais para a saúde e ainda, com um salário relativamente baixo. As observações de campo relacionado a escolaridade nos mostraram que a maior parte dos entrevistados teve pouco tempo de estudo, alguns eram analfabetos sendo incapazes de assinar o TCLE, dessa forma a coleta da impressão digital se fez necessária. Os dados relacionados ao analfabetismo de pessoas que vivem no Nordeste segundo o IBGE, 2010, correspondem a 52,2 % da população. Contudo vale ressaltar que em