Resumidamente, apresentam-se três concessões legais que respaldam os professores municipais quando faltam às escolas: 1- faltas abonadas, consideradas como dias de efetivo exercício para todos os efeitos de pontuação, promoção ou qualquer outro tipo de valorização profissional; 2- faltas justificadas e 3- faltas
injustificadas que, além de acarretarem descontos em folha de pagamento, alteram a
pontuação afetando a vida funcional do professores, uma vez que, além de serem debitadas como dias não-trabalhados, alteram a contagem de tempo para efeito de aposentadoria. Essas concessões encontram-se descritas no artigo 92 do Estatuto dos
Funcionários Públicos do Município de São Paulo e foram regulamentadas pelos
decretos: 24.146 de 1987; 34.027, de 10/03/1994; 35.912/96 de 26/02/1996, 37.698 de 12/11/19984; pela Ordem Interna 64/93 de 07/05/1993 e pelo Comunicado SME nº 07/94 publicado no Diário Oficial do Município em 18/06/1994.
Do Estatuto do Funcionário Público destaco, inicialmente, a concessão de faltas
abonadas. Esse documento declara, em seu parágrafo único do capítulo II, referente aos
Direitos e Vantagens de ordem Pecuniária:
As faltas ao serviço, até o máximo de 10 (dez) por ano, não excedendo a 2 (duas) por mês, poderão ser abonadas por moléstia ou por outro motivo justificado a critério da autoridade competente, no primeiro dia em que o funcionário comparecer ao serviço.
No caso de falta abonada, o servidor não sofrerá quaisquer descontos de vencimentos e esse dia será considerado de trabalho efetivamente realizado para todos os efeitos legais. A lei estipula ainda que a falta abonada será concedida, mediante apresentação de motivo justo apresentado à autoridade competente e por ela autorizada (SÃO PAULO, 1979).
Além das faltas abonadas, os professores da rede municipal de São Paulo também têm a possibilidade de utilizar as denominadas faltas justificadas e injustificadas.
As faltas justificadas são em número de seis ao ano, caracterizando-se quando da impossibilidade de utilização da falta abonada, podendo: “o funcionário solicitar
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Legislação descrita em Informativo sobre Direitos e Deveres fornecido pelo Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal – SP (SINPEEM, s/d).
justificação, no dia imediatamente subseqüente ao da falta, mediante comprovação idônea da justa causa que a motivou” (Art. 4º do decreto 24.146);
No caso de falta justificada, o servidor perderá o vencimento no dia descontado do tempo de serviço para todos os efeitos legais. O procedimento de solicitação da falta justificada, até a sexta, é o mesmo da falta abonada (SÃO PAULO, 1987).
Em relação às faltas injustificadas que podem abranger até sessenta (60) dias de ausências interpoladas, durante o ano, as mesmas são caracterizadas como aquelas que:
ocorrem sem justa causa, perdendo o funcionário o vencimento do dia, descontando-se do tempo de serviço para quaisquer efeitos, além de ser deduzido como ponto negativo por falta apurada durante a permanência no grau até o último dia do ano anterior ao processamento da promoção (artigo 7º do decreto 24.146, SÃO PAULO, 1987).
Além da concessão de faltas abonadas, justificadas e injustificadas que, se concedidas a um único professor por ano, contabilizam setenta e seis dias de faltas, encontra-se também prescrito legalmente às possíveis licenças:
a) Licença para tratamento de saúde do próprio servidor; concedida pelo departamento de saúde do servidor (DSS), da própria administração municipal, o qual estipulará o tempo necessário de licença do servidor, mantendo integralmente seus vencimentos;
b) Licença para tratamento de saúde na família − cônjuge ou companheiro, pai e mãe, avô e avó, filhos e netos − também concedida pelo DSS. Essa licença não pode exceder vinte e quatro meses e acarreta descontos de um terço do salário do servidor quando exceder um mês, dois terços entre o segundo e o sexto mês de licença e no caso de prolongamento da mesma o desconto se torna integral.
c) Licença a funcionária gestante de cento e vinte dias, a partir do curso do oitavo mês de gestação; com vencimentos integrais.
d) Licença por acidente de trabalho: no caso de qualquer acidente ocorrido no ambiente de trabalho ou no percurso regular da residência ao local de trabalho e vice- versa.
e) Licença nojo: quando ocorrer falecimento na família de cônjuge, companheiro, pais, irmãos e filhos, de até oito dias e no caso de padrasto, madrasta, sogros e cunhados a licença é de até dois dias.
f) Licença gala: concedida por ocasião de casamento civil do servidor, pelo prazo de até oito dias.
g) Licença adoção: concedida à funcionária, quando da adoção ou guarda judicial para fins de adoção, por cento e vinte dias e com vencimentos integrais;
h) Licença paternidade: concedida por seis dias consecutivos aos funcionários do sexo masculino, na época de nascimento dos filhos;
i) Licença sem vencimentos para tratar de interesse particular (LIP): pode ser concedida a funcionários efetivos, ou seja, que não estejam prestando serviços através de contratos temporários; que já tenham obtido a estabilidade o que significa que já tenham completado três anos de efetivo exercício. Deve ser autorizada a critério da administração municipal, podendo ser de até vinte e quatro meses, podendo o servidor reassumir suas funções a qualquer tempo. Não há vencimentos durante o período de vigência dessa licença.
Além dessas possíveis licenças, os professores e todos os demais servidores municipais também podem se retirar das escolas para comparecer ao Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM). Há, porém, a necessidade de comparecer, no mesmo dia ao seu local de trabalho para assinatura do ponto e entrega do respectivo comprovante de comparecimento ao hospital.
Aos docentes e demais servidores que, porventura, preferirem ou tiverem a necessidade de utilizar os serviços médicos e/ou odontológicos privados, deverão ser cumpridos ao menos cinqüenta por cento da carga horária em sua função para que esse dia seja considerado como integral. No caso de solicitação de licença ao servidor por parte do profissional da rede privada, a mesma só é aceita pelo prazo máximo de três dias, sendo possível solicitar até duas dessas licenças num período corrido de 365 dias, pelo mesmo servidor. As licenças desse tipo que solicitarem mais de três dias exigem perícia médica pelo departamento de saúde do servidor (DSS). Também chamada de licença de curta duração, ela acarretou polêmica, inclusive na imprensa, no ano de 2005. O Prefeito de São Paulo, José Serra, revogou o decreto de 23 de dezembro de 2002, n° 42.756 assinado, pela então Prefeita, Marta Suplicy, substituindo-o pelo decreto 46.113, em 21 de julho de 2005. O decreto anterior possibilitava aos servidores municipais a apresentação de atestados médicos expedidos por profissionais da rede privada de saúde
e particulares (médicos e/ou dentistas) de até sete dias por mês, sem que houvesse a necessidade de uma perícia médica junto ao DSS.
A possibilidade de os funcionários públicos se ausentarem de seus postos de trabalho, utilizando faltas abonadas, justificadas, injustificadas ou mediante solicitação de licenças, parece não ser uma prática exclusiva dos funcionários públicos municipais de São Paulo. Ilustração disso é o que traz a Revista do Professor em edição publicada em maio de 1934. A revista descreve o resumo do decreto nº 6.461, de 25/05/1934, instituído pelo Governador do Estado de São Paulo, e destaca que o mesmo “concede
regalias aos professores normalistas nomeados para escolas primárias e dá outras
providências” (Revista do Professor, 1934, p. 35). A revista destaca a obrigatoriedade que os municípios do Estado de São Paulo passaram a ter com a instrução primária. Segundo ela, o decreto apresentava percentuais de investimentos obrigatórios às administrações municipais, que deveriam ser destinados ao pagamento dos vencimentos dos professores, ao custeio de material didático e à construção ou locação de prédios escolares. Estabelecia, ainda, que “os professores de escolas municipais serão considerados como funcionários estaduais (...) [e que seus vencimentos deveriam ser] fixados por leis municipais” (descrição dos artigos 6º e 7º transcritos pela Revista). Com relação à possibilidade de os professores se ausentarem de seus postos de trabalho, o resumo do decreto não traz o artigo na íntegra sobre o assunto, mas o editorial, do mesmo número enaltece a postura do Governador, considerando como excelentes as providências destinadas ao ensino primário nos municípios do Estado de São Paulo, principalmente com relação aos itens abaixo:
Os vencimentos desses professores seriam de 3:000$000 (três contos de réis) anuais, dando-lhes o Estado as seguintes regalias:
a) seu tempo de exercício seria contado para todos os efeitos;
b) poderiam entrar para a Caixa Beneficente dos Funcionários Públicos, pagando contribuição proporcional aos seus vencimentos;
c) gozariam das vantagens de justificação e abono de faltas, licenças, etc (Revista do Professor, p.2, 1934 – grifo meu).
O Governo do Estado de São Paulo passa, a partir de então, segundo a revista, a reconhecer que os professores primários que prestavam serviços nos municípios paulistas deveriam ser considerados como funcionários públicos podendo, portanto,
compartilhar das mesmas leis que regiam todo funcionalismo, daí a divulgação e a boa repercussão descrita pela mesma.
Em posterior publicação − fevereiro/1935 − a Revista do Professor traz informações em seção5 denominada Guia do Professor. Aí, foram descritos os dispositivos legais para a concessão de licenças por: moléstia do funcionário ou pessoa de sua família; licença-prêmio6; licença para moléstia grave; licença às gestantes e para moléstias contagiosas, repugnantes ou de cura incerta. Além da especificação legal, a revista também dava as normas de requerimento para solicitação das respectivas licenças, baseadas nos decretos nos. 6.055/1933 e 6.160/1933, que tinham como referência os funcionários públicos do Estado de São Paulo.
Outro exemplo de que as concessões de faltas não são exclusivas dos funcionários públicos municipais de São Paulo pode ser verificado com relação aos servidores públicos vinculados à administração do Estado, que em 1968, foram contemplados juridicamente com a assinatura do Estatuto dos Funcionários Públicos
Civis do Estado, sob a Lei 10.261 de 28 de outubro. Com relação às ausências desses
funcionários, o título IV, “Os Direitos e Vantagens de Ordem Pecuniária”, artigo 110, parágrafo primeiro, traz que:
As faltas ao serviço, até o máximo de 6 (seis) por ano, não excedendo a uma por mês, poderão ser abonadas por motivo de moléstia comprovada, mediante apresentação de atestado médico no primeiro dia em que comparecer ao serviço (SÃO PAULO, 1968).