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Üçüncü ve Dördüncü Alt Probleme İlişkin Bulgu ve Yorumlar

4. BULGULAR VE TARTIŞMA

4.3 Üçüncü ve Dördüncü Alt Probleme İlişkin Bulgu ve Yorumlar

A questão colocada por Adler (2013) a respeito da proliferação das fontes de informação na web 2.0 implica também na reflexão de que não apenas o número de fontes de informação aumentou a partir do desenvolvimento tecnológico e cultural das mídias digitais, mas também a quantidade de informações difundidas nesses meios. Conforme colocam Elizabeth Saad Corrêa e Daniela Bertocchi (2012), o estágio de excesso de informação circulante, que é objeto de análise para diversos teóricos, deriva de um cenário em que tanto as instituições tradicionais que detêm o domínio sobre o conhecimento formal - universidades, bibliotecas, museus, entre outros - quanto os diferentes tipos de corporações, nas quais estariam incluídas as novas mídias, podem lançar mão dos meios digitais para colocar suas informações em circulação nas redes.

Com uma quantidade cada vez maior de fontes de informações, que se tornam acessíveis de forma mais intensa pelas redes sociais, surge nesse cenário a necessidade de personalizar o fluxo de informações que chega a cada usuário ou a cada grupo de usuários, com base em seus gostos e valores depreendidos de seus próprios usos das redes. A esse trabalho é atribuído o nome de “curadoria de informação” ou “curadoria de conteúdo” (SAAD CORRÊA; BERTOCCHI, in SAAD CORRÊA, 2012).

De acordo com Daniela Ramos (in SAAD CORRÊA, 2012), o conceito de curadoria constitui-se dentro do campo das artes, sendo definida como a seleção de artistas e obras merecedoras de legitimação por meio de exposições em museus e galerias. Segundo o autor, com o advento de diversas formas e manifestações culturais na contemporaneidade, o trabalho do curador desloca-se de uma função mediadora, contextualizando a arte em um determinado espaço para um determinado público. Assim, o curador assume o papel de mediador, não produzindo novas formas de cultura, mas organizando-as em outros formatos e contextos (RAMOS, in SAAD CORRÊA, 2012).

O conceito é adotado dentro do universo das mídias digitais para definir o trabalho de organizar e distribuir a variedade de informações disponíveis em rede aos diversos usuários que as consomem, mediante critérios estabelecidos. Assim

como na arte, a curadoria de conteúdos passa a ser encarada como uma forma de mediação de informações.

Na medida em que ocorre a expansão da sociedade digitalizada, o termo curadoria passa a ser utilizado para uma diversidade de ações que envolvem organização de dados a partir de critérios ou recortes. Nesse contexto, a “curadoria de informação” assume uma ideia muito mais de organização que de inauguração de uma nova proposta ou visão de mundo. [...] Sob o ponto de vista do campo da Comunicação, apreciamos uma imagem de abundância informativa, alavancada pelas redes digitais, e, ao mesmo tempo, o surgimento, na própria rede, de propostas curatoriais organizadoras. Ações essas exercidas na atualidade predominantemente por processos automatizados que assumem o papel de filtradores dessa abastança informativa. Como pano de fundo, tem-se os diversos aspectos de construção de conhecimento individual, coletivo e social que no contexto atual requerem uma intervenção mediadora (que mais adiante veremos como re-mediadora). (SAAD CORRÊA; BERTOCCHI in SAAD CORRÊA, 2012, p. 29)

Por conta dos recursos possibilitados pelas mídias digitais, o trabalho de seleção curadora de informações ocorre não apenas por meio das atividades humanas, mas também por meio de algoritmos que mapeiam os usos e práticas digitais de usuários das redes e definem não apenas quais informações e conteúdos podem interessar aos usuários, mas também produtos e serviços. De acordo com Saad Corrêa e Bertocchi (2012), o uso de tais algoritmos em sites e redes sociais constitui um dos aspectos principais da chamada Web Semântica, a terceira fase da web - por isso, também denominada web 3.0 - caracterizada por levar aos seus usuários conteúdos personalizados, que vão ao encontro de seus gostos e interesses.

Porém, as autoras fazem a ressalva de que, mesmo a curadoria feita com base na ação de algoritmos é produto das ações culturais humanas, já que a base para a análise de tendências feita pelos algoritmos são os conteúdos acessados anteriormente e as práticas feitas pelos indivíduos. Ou seja, pela perspectiva das autoras reafirma-se o caráter humano mesmo das tecnologias mais avançadas, que são definidas pelos usos humanos assim como os aparatos tecnológicos anteriores, conforme já verificado.

Outra ponderação feita por Saad Corrêa e Bertocchi (in SAAD CORRÊA, 2012) é a respeito das diferenças que se estabelecem entre a personalização de

conteúdos feita por curadoria algorítmica e por curadoria humana é o fato de, enquanto os algoritmos basearem-se nas mesmas referências a respeito de um determinado usuários, o curador humano é capaz de estabelecer conexões com outros conteúdos, podendo oferecer diferentes perspectivas aos usuários de redes. Assim , defendem a coexistência de ambos os trabalhos, de forma que possam se complementar.

Dessa forma, Saad Corrêa e Bertocchi (2012) apontam que, a partir da tendência de o público consumidor de informações demandar conteúdos personalizados de acordo com suas necessidades e preferências, seguindo o que Adler (2013) defende como um dos aspectos do cenário cibercultural da geração digital (TAPSCOTT, 2010), as atividades de curadoria seriam o destino de profissões ligadas à produção de conteúdo, como o jornalismo mencionado pelas autoras. Por meio desse nova perspectiva, a produção de conteúdos não seria mais a atividade fim de tais profissionais, já que conforme verificado, os recursos de participação das redes dotam todos os usuários de capacidade para produzir e difundir informações. Assim, o papel do profissional de comunicação passaria a ser o de selecionar e direcionar, entre o mar de informações produzidas pelo público, quais conteúdos são adequados para cada audiência.

Os leitores de informações assim são reduzidos às suas preferências, ao que consomem. A agenda setting passa a ser pessoal, única, personalizada e determinada por seus desejos. Processo indesejável do ponto de vista da comunicação social como um todo, em que diferentes pontos de vista, fontes, perspectivas e recortes são fundamentais para o alargamento da visão de mundo desses leitores e para a construção do conhecimento da humanidade (Pariser, 2011; Basulto, 2012). [...] O que inferimos é que a curadoria no jornalismo é capaz de se favorecer da evolução tecnológica, mas ela não é fruto de um determinismo. Ao contrário, ela é uma ação deliberada de quem assume papéis de re-mediação na sociedade, seja um ativista, um blogueiro, um pesquisador, um jornalista ou um comunicador. (SAAD CORRÊA; BERTOCCHI, 2012, p. 138-139)

Entretanto, da mesma maneira que as redes proporcionam a todos os usuários de mídia meios técnicos para a produção e difusão de conteúdo, o papel de curador de informação não se torna exclusivo a um determinado grupo ligado a relações institucionais ou profissionais. Conforme analisa Adriana Amaral (in SAAD CORRÊA, 2012), a curadoria estabelece-se também como prática cultural dentro

das práticas estabelecidas do ambiente cibercultural. Segundo a perspectiva de Shirky (2011), a dinâmica das redes digitais permitem que os usos midiáticos dos usuários agreguem valor aos conteúdos compartilhados nas redes. A partir dessa noção, o que se pode compreender é que a participação nas redes permite aos usuários ir além da produção e da difusão de conteúdos, sendo possível ainda a atuação como curadores digitais. dessa forma, a participação do usuário nos processos de personalização não se dá apenas no mapeamento de seus gostos e interesses por algoritmos ou curadores humanos. Ao compartilhar conteúdos em redes sociais, tornando-os acessíveis a sua rede de atores com os quais estabelecem conexões (RECUERO, 2009), os usuários selecionam quais conteúdos terão ou não difusão, comportamento esse compreendido dentro do que se considera como curadoria.

Além dessa justificativa numérica e centrada na informação em si, há também uma justificativa mais relacionada às práticas da cultura. David Jennings (2007), em seu livro sobre descoberta e recomendação musical na web, sublinha a atuação dos produtores de conteúdo especializados – no caso dele, especificamente nos blogs – como curadores da memória cultural, preservando materiais, arquivos e informações de diversos períodos da história e os tornando acessíveis através da digitalização. Nossa compreensão de curadoria está relacionada tanto aos formatos e plataformas, como aos processos e práticas e apropriações que ali ocorrem seja a partir da própria materialidade dos meios como dos usos deles decorrentes e seus significados sociais. Podemos depreender que há diferentes níveis ou formas de proceder a curadoria. (AMARAL, in SAAD CORRÊA, 2012, p. 44)

Benzer Belgeler