Como a mudança de estilo, na abordagem laboviana, relaciona-se ao grau de atenção dispensado à fala, Labov (2008) desenvolve um modelo de análise estilística pautado em um
continuum observável dentro dos limites do gênero entrevista. E para analisar essa variação de
estilo nos diferentes contextos, o autor elege cinco contextos de entrevista, a fim de organizar a variação intrafalante: Contexto B: situação dominante da entrevista face a face, caracterizado como estilo de fala monitorada considerada como de alto grau de formalidade;
Contexto C: estilo leitura, caracterizado pela leitura padronizada de dois textos escritos em
estilo coloquial. O primeiro com variáveis fonológicas dispostas em parágrafos suscetíveis e o segundo justapõe pares mínimos no texto; Contexto D: pares mínimos. Lista de palavras usadas para estudar as variáveis fonológicas; Contexto D’: pares mínimos. Leitura de uma lista de palavras em pares mínimos com apenas um traço fonológico que as diferenciam.
Além da definição desses contextos, Labov (2008) propõe-se observar, no espectro da entrevista, o contexto que definiu como A, isto é, aquele que escapa às restrições sociais de situação de entrevista. E assim projetou cinco situações contextuais a partir de critérios formais identificados como: Contexto A1, fala fora da entrevista formal, ocorre antes e/ou após o término da entrevista, também poderá ocorrer no tecimento de observações corriqueiras, por exemplo, dirigidas ao entrevistador, quando o informante abria uma lata de cerveja para o entrevistador; Contexto A2, fala com uma terceira pessoa; Contexto A3, fala que não responde diretamente a perguntas (emerge de atitudes emocionais do entrevistado);
Contexto A4, parlendas, rimas infantis (brincadeiras infantis/pré-adolescentes); Contexto A5,
morte).
A esses contextos mencionados acima, Labov (2008) acrescenta outros critérios formais para identificar o contexto informal de estilo casual, o que discrimina como as pistas do canal: modulações de voz, altura/pitch da voz, valores absolutos de ritmo, volume, respiração, observados a partir de valores contrastantes que possam manifestar indícios de uma indiferença entre o estilo de fala casual e o estilo de fala monitorada. Para Labov (2008), “os valores absolutos de ritmo, altura de voz, volume e respiração podem ser irrelevantes, mas os valores contrastantes dessas características são indícios de estilo A¹ e B²” (2008, p. 122), isto é, de uma fala casual (A¹), por exemplo, para uma fala monitorada (B²), em uma situação de entrevista. Assim uma mudança em um desses parâmetros acústicos da voz do falante pode, segundo Labov (2008), constituir sinais socialmente significativos. Observa-se assim que a variação estilística é analisada ao longo da dimensão de estilo vernacular-formal, como proposto por Labov.
Corvalán (2001, p. 116) distingue “três componentes básicos do contexto situacional em que ocorre a interação linguística: o cenário, o âmbito de uso e o propósito do falante.” Para a autora, a interação destes componentes motiva uma ampla e completa gama de estilos de formalidade sociolinguística ou variação diafásica. Os componentes do contexto situacional da interação linguística são:
Cenário - formado pelos espectadores, lugar e tempo;
O propósito – constituído pelo tipo de atividade (conversação, sermão, discurso,
classe) e pelo tópico da conversação;
Os participantes - formado pelos indivíduos, caracterizados como: a) indivíduo como indivíduo, que pode possuir traços mais estáveis (personalidade, interesse, aspirações, aparência física, estilo de vida etc) e traços menos estáveis (emoções, atitudes, estados de ânimo etc); b) indivíduo como membro de uma categoria social (etnia, classe social, sexo, idade, ocupacional); e pelas relações entre os
participantes instituída pelas: a) relações interpessoais (amizade, conhecimento,
simpatia, admiração) e b) pelas relações de rol e categoria (poder social, status social versus grupo estranho etc).
A forma de referência a um professor, por exemplo, pode variar de acordo com o cenário e/ou as relações pessoais estabelecidas entre ele e seu interlocutor. Assim, se estiver na sala de aula, ambiente caracterizado como formal e no qual as relações interpessoais
devam ser de poder social entre professor-aluno, pode ser tratado pela forma o senhor, mas se estiver em um ambiente mais informal, como cantina da Universidade, pode receber um tu ou um você, dependendo também do grau de amizade e intimidade entre ele e seu interactante.
4.4 Considerações finais do capítulo
Como o observado no transcorrer deste capítulo, procuramos enfatizar, no estudo da variação, a variedade de estilos existentes na fala, a partir da intervenção do contexto social na variação linguística, considerando, para a fundamentação de nosso estudo, as perspectivas teóricas de análise estilística de Bell (1984), Labov (2001) e Corvalán (2001). Explicitamos alguns trabalhos, como Kenyon (1948), Poplack (1978), Labov (1963) e Preston (1989), que consideraram a dimensão estilística da linguagem no tratamento da variação, assim como revelamos a posição de Labov (1965, 1993) sobre o aprofundamento deste tema nos estudos empíricos da língua e a correlação de uma mesma variável linguística entre a dimensão social e estilística.
A discussão de tais conceitos sobre variação estilística neste capítulo foi imprescindível, porque dele abstraímos a percepção de que a mudança de interlocutor, o cenário e/ou as relações interpessoais e regras sociais instituídas durante as interações verbais motivam o uso alternado das formas pronominais Tu/Você/o(a) Senhor(a), em análise aqui.
5 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Este trabalho é orientado pelos pressupostos teórico-metodológicos da Sociolinguística quantitativa ou modelo laboviano e pela perspectiva funcionalista de análise da língua, os quais pressupõem a não existência de estudos linguísticos desvinculados de fatores sociais, discursivos e contextuais e/ou estilísticos, o que implica optar por um realismo empírico e considerar que o objeto a ser analisado é o próprio discurso, com sua diversidade e variabilidade. Assim, sistematizaremos regularidades existentes na variação da fala, visando à identificação de fatores independentes que influenciam a ocorrência de uma ou outra variante. Para tanto, neste capítulo, apresentamos os passos seguidos para a concretização de nossa pesquisa, considerando natureza, técnicas, escolha dos instrumentos, coleta dos dados, amostra, sujeitos informantes, lócus da pesquisa – a cidade de Cametá, definição das variáveis e processamento dos dados no programa estatístico GOLDVARB X. Apresentaremos, portanto, o conjunto de preceitos ou processos de que se serve uma ciência, para atingir seus propósitos.
5.1 Natureza da pesquisa
A orientação teórico-metodológica basilar deste estudo,59, toma a língua como um sistema heterogêneo, passível de descrição. Então, para que possamos descrever e explicar o porquê da variação entre as formas de referência à segunda pessoa tu, você e o(a) senhor(a) na zona urbana do município de Cametá-PA, é preciso partir da observação da língua em uso, no seio desta comunidade de fala, através de uma pesquisa empírica, que permita observar e associar os fatores que contribuem para a escolha alternada destas formas de tratamento.
Para tanto, o método de abordagem adotado, que orientou os passos que seguimos nas etapas mais concretas de investigação e análise do objeto em estudo, foi o método indutivo (de base empirista), haja vista que partimos de dados particulares, isto é, de uma amostra de fala da comunidade em estudo, tratada formalmente para, a partir disso, tirarmos conclusões mais gerais acerca dos traços característicos e definidores do fenômeno variável desta pesquisa (LAKATOS; MARCONI, 1992).
O tipo de pesquisa adotado neste estudo foi o da pesquisa descritiva e da explicativa:
59
Parecer positivo do Comitê de Ética do Estado do Ceará para a realização da pesquisa, conforme documento no Anexo A.
descritiva porque visou a observar e sistematizar os fatores condicionantes do comportamento linguístico variável das formas tu/você/o(a) senhor(a), como sexo/gênero, escolaridade e faixa etária, observando o nível de significância deles para o objeto investigado, sem perder de vista a comunidade linguística investigada. Nesse sentido, a pesquisa torna-se também explicativa, porque, além da preocupação descritiva, ela tende a justificar o porquê da influência de tais fatores na variação das formas pronominais em estudo mediante correlação dos resultados ao princípio funcionalista da marcação, preconizado por Givón (2001), o qual concebe que categorias marcadas na língua tendem a caracterizar-se pela complexidade estrutural, menor distribuição de frequência e complexidade cognitiva60.
Para se alcançar tal objetivo e comprovar ou retificar as hipóteses levantadas neste estudo, adotou-se o procedimento de coleta de dados caracterizado como “pesquisa de campo”. A pesquisa de campo é importante aqui, porque poderá contribuir para o conhecimento da comunidade linguística investigada, tanto no que diz respeito a sua estrutura social como na interferência desta na organização da própria língua que ela usa, através da observação da linguagem em circunstâncias reais de uso.
5.2 Delimitação da amostra: os sujeitos/informantes
Os eventos de fala ou ocorrências linguísticas que constituíram o corpus para análise do fenômeno estudado nesta tese foram obtidos por meio de 16 gravações de situações interacionais. Em cada uma dessas situações comunicativas face à face, contamos com a participação de um grupo focal61 constituído por 04 sujeitos-informantes, sendo que um, dentre os quatro, foi o nosso informante-base. Temos, portanto, 16 sujeitos-informantes-base, interagindo cada um com mais três interlocutores, o que corresponde a mais 48 sujeitos informantes, todos também cametaenses, que serão controlados aqui quando necessário, totalizando 64 sujeitos interactantes envolvidos na amostra.
Assim, teremos, ao todo, 64 informantes, conforme o plano de amostra do quadro 5. Estes 16 sujeitos que participaram da pesquisa foram estratificados de acordo com faixa etária (08 na faixa etária I - 21 a 29 anos e 08 na faixa etária II – 32 a 42 anos); escolaridade (08 informantes com Ensino Médio e 08 com Ensino Superior); e sexo (08 do sexo masculino e
08 do sexo feminino).
O critério para a seleção dos informantes-base que compuseram a amostra não foi
60
Tais categorias ainda serão aprofundadas neste trabalho. 61 Abordado posteriormente ainda neste capítulo.
aleatório e nem subjetivo, mas sim orientado por uma enquete realizada com os moradores da zona urbana do município de Cametá, através de duas formas de coleta62 de opiniões: a primeira se deu por meio do site de relacionamento facebook63 e a segunda por meio de um questionário impresso64, distribuído às pessoas que se dispuseram gentilmente a participar da enquete. No geral, para as duas formas de enquete, convidamos mais de 250 pessoas a participarem da pesquisa, mas recebemos a enquete respondida apenas por 136 pessoas65, incluindo tanto a pesquisa pelo facebook - a de maior representatividade, como a do questionário impresso. Na enquete66, perguntávamos, primeiro, qual o profissional de maior
status social no município de Cametá e, em seguida, o porquê da escolha daquele profissional
(se foi o fator financeiro ou o nível de importância social para Cametá).
A escolha dos outros três interlocutores de cada grupo focal se deu a partir de uma rede de relações sociais entre eles e o informante-base, em conformidade com os princípios da
semântica do poder - “mais velho que”, “pais do”, “empregador do”, “mais rico do que”,
“mais forte do que”, e “mais nobre do que” ou “ “mais poderoso do que” [e desconhecido do] e semântica da solidariedade - “participou da mesma escola [amigos, colegas, casados]” ou “têm os mesmos pais” ou “exercem a mesma profissão. (BROWN; GILMAN, 1960, p. 257- 258). Dessa forma, configurou-se o grupo focal: informante-base; interlocutor de relação
assimétrica superior (manifestando poder sobre o informante-base); interlocutor de relação assimétrica inferior (o informante-base manifestando poder sobre este) e interlocutor de
relação simétrica (informante-base e interlocutor mantendo relações solidárias).
Além destes pré-requisitos já mencionados para a seleção dos sujeitos-informantes, outros critérios foram seguidos também, como: ser nascido e residente na zona urbana do município de Cametá ou que tenha chegado a este município até os cinco67 anos de idade, e que não tenha se deslocado desta região onde mora por mais de dois anos consecutivos.
62 A enquete tanto pelo FACEBOOK como por via impressa possuía a mesma estrutura, conforme Apêndice C. 63
Todos os participantes eram pertencentes a minha rede de relacionamento e não houve o critério de estratificação social. Esta pesquisa foi realizada entre os meses de julho e agosto de 2014.
64 Àquelas que não possuem ou que muito pouco acessam facebook. 65
Apêndice D.
66 A realização da enquete tinha como finalidade tornar objetiva a escolha dos profissionais de maior status no município de Cametá, a partir do ponto de vista dos próprios moradores da região.
67
Segundo Tarallo (2007), torna-se necessário considerar este critério na seleção do informante, para evitar que a escolaridade ou a interação com falantes de outras comunidades até a fase crítica da adolescência tenham reflexo sobre a marca sociolinguística do grupo estudado.
Quadro 5 - Plano de Amostra Estratificada dos informantes (total de 64 informantes).
FAIXA
ETÁRIA INFORMANTE GÊNERO ESCOLARIDADE
INTERLOCUTOR RELAÇÃO INTERPESSOAL Nº DE INTERLOCUTORES Faixa Etária I 21 a 29 ANOS 01 M ENSINO MEDIO Inferioridade 01 Igualdade 01 Superioridade 01 02 M ENSINO MEDIO Inferioridade 01 Igualdade 01 Superioridade 01 03 M ENSINO SUPERIOR Inferioridade 01 Igualdade 01 Superioridade 01 04 M ENSINO SUPERIOR Inferioridade 01 Igualdade 01 Superioridade 01 05 F ENSINO MEDIO Inferioridade 01 Igualdade 01 Superioridade 01 06 F ENSINO MEDIO Inferioridade 01 Igualdade 01 Superioridade 01 07 F ENSINO SUPERIOR Inferioridade 01 Igualdade 01 Superioridade 01 08 F ENSINO SUPERIOR Inferioridade 01 Igualdade 01 Superioridade 01 Faixa Etária II 32 a 42 ANOS 09 M ENSINO MEDIO Inferioridade 01 Igualdade 01 Superioridade 01 10 M ENSINO MEDIO Inferioridade 01 Igualdade 01 Superioridade 01 11 M ENSINO Inferioridade 01 Igualdade 01
SUPERIOR Superioridade 01 12 M ENSINO SUPERIOR Inferioridade 01 Igualdade 01 Superioridade 01 13 F ENSINO MEDIO Inferioridade 01 Igualdade 01 Superioridade 01 14 F ENSINO MEDIO Inferioridade 01 Igualdade 01 Superioridade 01 15 F ENSINO SUPERIOR Inferioridade 01 Igualdade 01 Superioridade 01 16 F ENSINO SUPERIOR Inferioridade 01 Igualdade 01 Superioridade 01 Total 16 Total 48
Total de informantes participantes da pesquisa 64 Fonte: própria
Em decorrência de termos diferentes profissionais, com formação acadêmica variada, participando da pesquisa, adotamos múltiplos temas para desencadear as situações interacionais. Portanto, dependendo da formação e/ou profissão do Informante-Base, elaboramos um roteiro68 de entrevista para suscitar a interação grupal. Os questionamentos elaborados a partir de cada tema da conversa foram definidos, também, em consideração ao conhecimento e domínio do próprio entrevistador69. Este possuía um papel fundamental na condução de todo o processo interativo do grupo, mantendo sempre o foco naquilo que estava sendo discutido e procurando construir uma relação simétrica de ideias e reações entre os interlocutores.
Com este formato de coleta de dados, pretendíamos obter, de forma confiável, trechos de fala sem alto grau de controle e monitoramento, e torná-los o mais próximo possível de situações conversacionais usadas quando não há a presença de um entrevistador e
68 Conforme Apêndice B. 69
Os questionários dirigidos foram elaborados pela autora deste trabalho, a qual também participou, como moderadora das discussões, em 14 (quatorze) grupos focais, dentre os 16 que constituem a amostra desta pesquisa.
nem de um gravador policiando a interação e, consequentemente, o estilo de linguagem. A obtenção de dados através da interação grupal decorre do objeto de análise deste trabalho, as formas de referência à segunda pessoa, formas gramaticais difíceis de se encontrar em entrevistas individuais, a não ser em relação ao entrevistador e a casos de fala reportada. Os traços sociais e as relações profissionais e/ou pessoais dos sujeitos-informantes participantes da pesquisa foram definidos intencionalmente com o objetivo de observarmos se há diferenciação ou não na forma de referência e estilo de fala empregada ao outro, e se isto é decorrente do status do interlocutor ou da relação social mantida com este, instituída não somente durante a conversação, mas na comunidade cametaense.
Além da entrevista, outros contextos situacionais poderão constituir objeto de análise linguística e por isso fazem parte do corpus que subsidiou a elaboração desta tese, tais como: os momentos de diálogo espontâneo entre os participantes, antes do início e após o término da entrevista; e outros gêneros textuais que não constituem uma situação mais formal de entrevista, como piada, relatos pessoais, e não fazem parte necessariamente do tema que está sendo discutido ou da situação dominante de entrevista face a face. O objetivo de considerar estes momentos conversacionais será o de avaliar, com sucesso ou não, as mudanças de estilo ocorridas ao longo de uma interação comunicativa.
Para melhor identificarmos os informantes pertencentes à pesquisa, tanto na utilização do programa GOLDVARB, como na caracterização dos dados citados neste trabalho, dar-se-á também uma codificação a eles, como podemos observar na figura 1. Tal codificação levará em conta as características sociais: número de ordem do informante, faixa etária, escolaridade e sexo/gênero. Assim, teríamos INFCAM01IMA para o primeiro informante do município de Cametá, pertencente à primeira faixa etária, do sexo/gênero masculino e com nível de
Figura 1- CÓDIGOS DOS INFORMANTES INF Informante CAM Cametá 01/02/03...
Ordem dos informantes
I/ II Faixa etária I - 21 a 29 anos II - 34 a 44 anos M/F Sexo M - masculino F - feminino A/B Escolaridade A - Ensino Médio B - Ensino Superior Fonte: própria 5.3 Lócus da pesquisa
As relações estabelecidas pelo homem, no meio social, sofrem transformações que abrangem diferentes segmentos da sociedade como economia, política, cultura e a própria língua que é viva e dinâmica. Por isso, torna-se importante, neste trabalho, a descrição da comunidade de fala, na qual esta pesquisa se realizou a fim de que se possam apontar os fatores não estruturais (ou sociais) que influenciam na dinamicidade de uso da língua pelos falantes cametaenses.
Os sujeitos que fizeram parte desta pesquisa são moradores do município de Cametá. Este constitui um dos municípios mais antigos do estado do Pará e possui importância econômica, cultural e histórica para a região. Sua sede localiza-se à margem esquerda do Rio Tocantins e pertence à Mesorregião do Nordeste Paraense e à Microrregião de Cametá.
Cametá encontra-se distante de Belém, capital do estado do Pará, cerca de 170 km, em linha reta. A cidade de Cametá foi fundada em 24 de dezembro de 1635, por Frei Cristóvão de São José, um frade capuchinho que, em 1617, chegou a Cametá a mando de Jerônimo de Albuquerque com a missão de catequizar os nativos.
É reconhecida historicamente por ter sido palco da grande reação popular à “Cabanagem”, movimento em que o povo paraense, sob a liderança de Eduardo Angelim e Francisco Vinagre, conseguiu chegar ao poder. Isso deu a Cametá o título de Cidade Invicta, por não ter estado em nenhum momento sob o domínio dos cabanos. O caráter reacionário da atuação cametaense gera orgulho a alguns e vergonha a muitos que acreditam no homem como ser pensante e construtor de sua própria história.
O município de Cametá é um dos mais antigos Municípios do Estado do Pará e é resultado do processo de expansão da colonização na Amazônia, dentro de uma estratégia geopolítica de defesa do território pelos portugueses contra a investida de outros colonizadores. No ano 1713, Cametá adquiriu o estatuto legal de categoria de Vila, convertendo-se "ipso-facto" em Município, muito embora não se encontrem instrumentos legais que comprovem a sua proclamação.
O nome Cametá é de origem Tupi e apresenta estreitas ligações com o hábito de moradia dos cametaenses. Segundo Pompeu (2002), Cametá originou-se do vocábulo
Camutá, que, numa tradução mais próxima da realidade vivida pelos habitantes originais da
terra, os Camutás, significa choupana suspensa em árvores à espera de caça. A palavra
Camutá resulta de cáa-mytá: cáa significa mato, floresta, bosque, e mytá quer dizer degraus,
armação construída no mato à espera de caça.
O município de Cametá insere-se na Mesorregião do Nordeste Paraense, integrando, assim, a microrregião de Cametá. Limita-se ao norte com os municípios de Limoeiro do Ajuru e Igarapé-Miri, ao sul com Mocajuba, a leste com Igarapé-Miri e a oeste com o município de Oeiras do Pará. A cidade de Cametá, sede do munícipio, também é um dos portos mais importantes do Pará e encontra-se distante de Belém, capital do estado do Pará, em linha reta – 146 km; por via fluvial, 180 km, cerca de 10h na viagem de barco; pela rodoviária – 156 km, aproximadamente 4h30min, e por via aérea - 146 km, cerca de 50 min. Apresenta ainda uma área territorial (km²) de 3.081,367 e uma densidade demográfica de (hab/km²) 39,23.
De acordo com os dados disponibilizados no ano de 2010 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e Censo Demográfico 2010, a população do município de Cametá compreendia120.896 habitantes e, para o ano de 2014, a população estimada é de
129.161. Do total da população (120.896 habitantes), 68.058 concentram-se na zona rural com 56,3% e 52.838 na zona urbana com percentual de 43,7%. A maioria constituída por homens com um total de 62.016 habitantes, 51,3% (deste total , encontram-se 26.136 na zona urbana e 35.880 na zona rural), e 58.880 mulheres - 48,7% (encontram-se 26.70 na zona urbana e 32.178 na rural), sendo que a maior parte, tanto de homens como de mulheres residem na