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Toda dominação é roubo. E o roubo violento pelo qual os trabalhadores da América Latina passaram ao longo dos últimos quinhentos anos, forjou, na sociedade como um todo, a máscara da alienação como verdade, o fetiche do dinheiro como moral e o sentimento de nostalgia como dúvida sobre esta verdade, e esta moral. Na dialética entre o destino pensado desde fora, por outros, e a construção contraditória emanada objetiva-subjetivamente desde o

16Para o estudo da atualidade do subimperialismo brasileiro na América Latina ver: VUYK, Cecilia (2013).

Subimperialismo brasilero y dependencia paraguaya: análisis de la situación actual. Buenos Aires: CLACSO (http://biblioteca.clacso.edu.ar/gsdl/collect/clacso/index/assoc/D8967.dir/VuykTrabajoFinalCLACSO2013.pdf) Acesso em 6 de dezembro de 2015; LUCE, Mathias (2011). A teoria do subimperialismo em Ruy Mauro Marini. Contradições do capitalismo dependente e a questão do padrão de reprodução do capital. A história de uma

categoria. UFRGS: tese de doutorado. Disponível em:

https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/36974/000817628.pdf?sequence=1 Acesso em: 10 de dezembro de 2015.

81 cotidiano destes trabalhadores, é que a disputa se materializa. E com ela as possibilidades de, ao entender o mundo, transformá-lo.

Como sustenta o mestre (FREIRE, 2002)

Esta é a razão pela qual o quefazer opressor não pode ser humanista, enquanto o revolucionário necessariamente o é. Tanto quanto o desumanismo dos opressores, o humanismo revolucionário implica na ciência. Naquele, esta se encontra a serviço da “reificação”; nesta, a serviço da humanização. Mas, se no uso da ciência e da tecnologia para “reificar”, o

sine qua desta ação é fazer dos oprimidos sua pura incidência, já, não é o mesmo o que se impõe no uso da ciência e da tecnologia para a humanização. Aqui, os oprimidos ou se tornam sujeitos, também, do processo, ou continuam “reificados”. (FREIRE, 2002, p. 75)

Segundo Paulo Freire, para que a classe dominante conseguisse legitimar seu poder – de mando e de apropriação privada sobre a vida -, os dominadores, de ontem e hoje, fazem uso de mecanismos concretos de opressão. Entre estes mecanismos destacam-se: a conquista, a manipulação, a divisão e a invasão cultural.

Trabalharei cada uma delas como violentas ações antidialógicas sustentadoras da superexploração da força de trabalho no continente, tendo como palco o desenvolvimento desigual e combinado do capital em geral17.

A) a conquista (violência territorial, espacial): mecanismo de opressão que institui os mitos para consolidar a falsa admiração. A conquista é entendida como apropriação violenta dos espaços territoriais e das produções culturais e sociais do grupo conquistado, oprimido. Processo violento que ressignifica o antes admirado e o põe a serviço do grupo opressor.

Ao violentar o outro desde a apropriação privada de seus espaços e territórios, o dominador consolida uma dinâmica de negação da vida encontrada e instauração de um modelo sustentado no poder das armas de fogo, da linguagem, da evangelização. A conquista, assim, é a primeira e mais violenta onda de opressão exercida pelos dominadores contra os dominados. Nas palavras de Freire, o processo histórico calcado na conquista desenvolve estruturas objetivas-subjetivas que demarcam o aprisionamento do ser, ainda que no pacto político formal se apresente como “livre” (FREIRE, 2002):

17 Publiquei na revista de filosofia da UNAM, Pensares y quehaceres, em 2006, um artigo sobre a importância

das categorias desenvolvidas por Paulo Freire. Título: Paulo Freire e a pedagogia do oprimido: entre a violência da dominação e a potência de libertação. México: UNAM, Revista Pensares y quehaceres, n. 2 nov/2005 a agosto/2006.

82 Daí que os opressores desenvolvam uma série de recursos através dos quais propõem à “ad-miração” das massas conquistadas e oprimidas um falso mundo. Um mundo de engodos que, alienando-as mais ainda, as mantenha passivas em face dele. Daí que, na ação da conquista, não seja possível apresentar o mundo como problema, mas, pelo contrário, como algo dado, como algo estático, a que os homens se devem ajustar. (FREIRE, 2002, p. 78)

Ontem e hoje significa o aniquilamento dos povos originários, sua penetração direta pela cultura dominadora, ou exclusão histórica daqueles grupos que não eram nem úteis, nem necessários ao surgido e avançado processo de acumulação originária, desenvolvido pelos donos do capital em terras estrangeiras.

B) divisão (violência econômico-política): elemento de apropriação privada do trabalho e do produto do trabalho do colonizado, como forma de instituir os mecanismos de poder do dominador. Em uma sociedade conquistada, antes livre destes tipos de mecanismos de opressão impostos pelo dominador, os processos de desenvolvimento próprios dos grupos originários ocorriam de forma totalmente distinta à dos povos invasores18.

Ao desconhecer o processo de vida do outro e o outro como ser social, o invasor transformou o conquistado em escravo, mercadoria, instrumento de trabalho a serviço de seu mando. Para Freire (2002):

O que interessa ao poder opressor é enfraquecer os oprimidos mais do que já estão, ilhando-os, criando e aprofundando cisões entre eles, através de uma gama variada de métodos e processos. Desde os métodos repressivos da burocracia estatal, à sua disposição, até as formas de ação cultural por meio das quais manejam as massas populares, dando-lhes a impressão de que as ajudam. Uma das características destas formas de ação, quase nunca percebida por profissionais sérios, mas ingênuos, que se deixam envolver, é a ênfase da visão focalista dos problemas e não na visão deles como dimensões de uma totalidade. (FREIRE, 2002, p. 81)

Essa concepção de homem, de natureza, de vida, a serviço de poucos foi a que legitimou o processo de “civilização e barbárie” historicamente estudado pelo mundo ocidental. Mas, nessa concepção violenta da história, a verdadeira civilização encontrada, nem inimiga nem conhecedora do outro, apenas própria em seu jeito de ser e estar sendo no mundo, foi barbaramente violentada em sua forma de ser. O trabalho livre, próprio das comunidades baseadas no sentido de coletividade, foi substituído pelo trabalho escravo e por sua posterior ressignificação: o trabalho assalariado. Todos esses são elementos da mesma

18 Inclusive vale a pena estudar o conceito de violência e de ethos social no interior das relações manifestas por

83 estrutura de poder que consolidou o modo alienado de fazer com que o outro produzisse aquilo de que o grupo dominante se apropriava.

A divisão, mecanismo gerador da violência econômica e política, tem a ver com a capacidade do dominador de separar os grupos e coletividades encontrados no território colonizado, transformando-os em indivíduos produtores de valor para outros.

Por outro lado, essa violenta forma de fazer do outro uma mercadoria, ao não permitir que o grupo encontrado se desenvolva como ser social dono do seu próprio processo de vida e de significação do trabalho, legitima uma estrutura de poder sustentada na figura dos líderes, dos enviados tanto da metrópole quanto da colônia, responsáveis por fazer desta “terra do nada e de ninguém”, uma promissora terra da bonança dos donos do capital.

A exploração do mundo do trabalho e da vida cotidiana dos povos originários da América Latina legitimou tanto a acumulação originária do capital desses bárbaros países autodenominados civilizados, quanto a estrutura de poder sustentada na figura de um líder- mito instaurador dos processos de desenvolvimento propostos pelo grupo dominador. Outro elemento não menos importante da violência gerada através da divisão é a institucionalização de práticas concretas de vendas e/ou compras de sujeitos para que os mesmos reproduzam, no interior da classe oprimida, os sonhos de inclusão e projeção próprios do grupo dominante. Com isso, os dominadores fazem uso de valores como a cooptação, corrupção e traição de alguns sujeitos no interior da classe dominada, transformando estes em portadores da possibilidade de inclusão no modo de vida dominante. Pois (FREIRE, 2002):

Somente na medida em que os homens criam o seu mundo, que é mundo humano, e o criam com seu trabalho transformador – se realizam. A realização dos homens, enquanto homens, está, pois, na realização deste mundo. Desta maneira, se seu estar no mundo do trabalho é um estar em dependência total, em insegurança, em ameaça permanente, enquanto seu trabalho não lhe pertence, não podem realizar-se. O trabalho não livre deixa de ser um quefazer realizador de sua pessoa, para ser um meio eficaz de sua “reificação”. (FREIRE, 2002, p. 82)

Na indução de hábitos, costumes, linguagens e, essencialmente, imagens e discursos de que o modo de vida do grupo dominante é o único modo viável e possível de ser realizado. Essa, objetiva e subjetiva, genealogia da violência põe em evidência não a natureza própria do ser humano, como sendo boa ou má, mas sim a construção social dos mitos, dos discursos e dos métodos de violência como próprios de uma sociedade que, ao ser dividida, tem como objetivo a opressão: transformar tudo e todos em objetos utilizáveis, e cada vez mais descartáveis, para os donos do poder, do capital.

84 C) manipulação (violência discursiva, educativa): condução do processo de dominação através dos discursos e práticas que legitimam e garantem a ação reacionária dos dominadores. É a venda e imposição de ilusões e mitos, com as quais as práticas da conquista geram a chamada civilização, reforçando a ideia do atraso e não desenvolvimento dos continentes invadidos. Ou seja, “a manipulação aparece como uma necessidade imperiosa das elites dominadoras, com o fim de, através dela, conseguir um tipo inautêntico de ‘organização’, com que evite o seu contrário, que é a verdadeira organização das massas populares emersas e emergindo” (FREIRE, 2002, p.84).

A manipulação, de ontem e hoje, é a constatação de que a história para ser protagonizada e contada pelos vencedores teve que ser construída desde seus próprios vocabulários, processos de poder e de reativação dos mesmos, desde as estruturas evangelizadoras dos “bárbaros encontrados”, negando a voz e a ação próprias desse grupo originário.

A violência discursiva e educativa da manipulação encontra, historicamente, nos processos doutrinários da religião e da conquista uma irmandade significativa. Isso porque o poder do clero e o poder dos donos do capital são indissociáveis. As exceções ficaram por conta de indivíduos “rebeldes” (solidários) no interior dessas estruturas, e não por conta de uma linha geral relativa às relações de poder menos preocupadas com a dominação, e sim com a descentralização de todos os mecanismos de poder geradores da separação entre os que possuem e os que não possuem os mais variados mecanismos de dominação.

A manipulação violenta das religiões e cultos também pode ser visualizada nos discursos e práticas dos agentes da religião que sustentam tanto a resignação (ante a pobreza econômica acumulada por um grupo devido às múltiplas formas de escravidão gerada pelos dominadores), quanto à compaixão (como forma de fazer dos ricos e dos que ideologicamente se sentem próximos a eles, os representantes formais de um sentido único sobre o dever ser), a ser sustentada por políticas voluntaristas e assistencialistas sobre os principais problemas estruturais da sociedade na qual vivemos. Em outras palavras, “a manipulação, na teoria da ação anti-dialógica, tal como a conquista a que serve, tem de anestesiar as massas populares para que não pensem” (FREIRE, p. 84).

Esses elementos evangelizadores, tanto do pensar quanto do agir, consolidam uma das mais cruéis formas de impedimento sobre a ação transformadora própria do ser humano: a escravidão do corpo e da alma. Criam corpos dóceis com o intuito de torná-los, não só sujeitos passivos, mas agentes que atuam de acordo com os princípios e regras definidos pelo

85 grupo detentor do poder, grupo dominante em cada época com instrumentos de dominação específicos a cada uma.

D) invasão cultural (violência ética-moral): imposição de visão de mundo e de valores próprios do dominador. É a imposição da história do grupo dominante como única, como verdadeira e necessária a ser aprendida-apreendida por todos. “A invasão cultural tem uma dupla face. De um lado, é já dominação; de outro, é tática de dominação”. (FREIRE, 2002, p. 86).

A invasão cultural legitima a violência da instauração dos valores ético-morais próprios de uma sociedade que aliena em vez de conscientizar, escraviza-mercantiliza em vez de emancipar, apropria-se privadamente em vez de socializar, dita em vez de democratizar, despolitiza em vez de permitir o participar, mata em vida em vez de coletivamente integrar. Institui violentamente o consumo, a propriedade privada, a acumulação de poucos sob a exploração do trabalho de muitos, a sociedade do espetáculo, do ter, em contrapartida à legitimação do ser.

O indivíduo eficaz, produtivo, assalariado substitui o ser social, pertencente, apropriador coletivo dos meios de produção e dos frutos do seu trabalho, ser solidário em comum-unidade com seu meio, os demais seres e demais povos. A invasão cultural tenta aniquilar, objetiva-subjetivamente, o poder do grupo dominado por dois motivos: 1º) porque sabe que é da coletividade organizada e consciente desse grupo que emana a resistência e rebeldia contra a classe dominante; e 2º) ante esse risco eminente, necessita negar os costumes e hábitos encontrados, os valores próprios do grupo dominado antes da invasão, para poder exercer o controle e a dominação sobre eles. Nesse sentido (FREIRE, 2002):

A invasão cultural, que serve à conquista e à manutenção da opressão, implica sempre na visão focal da realidade, na percepção desta como estática, na superposição de uma visão do mundo na outra. Na “superioridade” do invasor, na “inferioridade” do invadido. Na imposição de critérios. Na posse do invadido. No medo de perdê-lo. (FREIRE, 2002, p. 91)

É necessário negar a forma cultural, política e social dos grupos dominados, colocando esses sujeitos no caminho próprio da dominação de classes. Violento mecanismo de destruir e instituir outro padrão, de dentro para fora, como forma de dominar exercendo o controle sobre a vida cotidiana dos sujeitos ora sujeitados.

Tendo em vista a dialética do concreto que permite ao dominado, ora vencido ora rebelde, não ser absolutamente aniquilado, usurpado no seu direito a protagonizar sua própria

86 vida em comunidade como ser em si e para a classe, Freire argumenta que a ação dialógica própria do mundo revolucionário ocorre a partir da confirmação de ações negadoras, confrontadoras dos elementos anteriores. A colaboração, a união, a organização e a síntese cultural são alguns, entre tantos outros elementos que colocam em xeque a hegemonia dos grupos dominantes e de seus mecanismos de opressão, brindando, ao então oprimido, a real possibilidade de dar o grito em busca de seu protagonismo na realização para si da produção que efetiva. Essa tomada de consciência coletiva, é o que permite ao oprimido entender que seu ser, ao estar sendo - histórico, dinâmico, múltiplo - é muito mais do que por ora

legitimam os negadores, opressores, protagonistas da morte em vida, escravizadores do ser e apropriadores privados do mundo, dos demais seres, da vida. São por assim dizer, mecanismos que potenciam a ação rebelde rumo à vida, ao contrapor esta potência a do padecimento promovida pelos que negam o outro como ser social.

No movimento de resistência e luta, os protagonistas da classe trabalhadora reagiam, ora de forma ativa, ora de forma passiva à condição estrutural de violência instituída pelo capital. Nessa re(l)ação colocava em movimento outros processos dialógicos, dialéticos, em contraposição à ordem do capital.

Segundo Paulo Freire, o objetivo de dita luta é a libertação dos povos oprimidos, conscientes os mesmos da necessidade de, ao entender o conflito historicamente gerado por um grupo sobre o outro, lutar tendo como elementos alguns mecanismos estratégicos que permitam aos oprimidos protagonizar a cena rumo à libertação. A libertação é entendida, então, como conquista a ser concretizada (utopia) a partir do uso de instrumentos de construção do novo, pelo oprimido, que ao tomar consciência de sua ação transformadora, não suporta os mecanismos de submissão reais como forma de dominação instituídos sobre seus corpos, mentes, ações.

Ação ora negada pelo grupo dominante, mas que a partir do processo de resistência coletiva, de grito rumo ao novo, transforma-se em uma arma contra a qual esses sujeitos se rebelam e, a partir do enfrentamento, consciente, coletivo e organizado pelos mesmos na luta de classes, criam suas estratégias e táticas para instituir o novo. E na ação contestatória à ordem do capital, a classe trabalhadora produz quatro movimentos em contraposição à ação antidialógica do capital:

a) colaboração (potência de ação do encontro): principio chave da ação coletiva. Ato de saber que não estamos sós, nem somos sós no mundo opressor. Somos seres sociais em

87 permanente transformação e busca. Seres coletivos que geram com, e a partir do seu trabalho, outros tantos processos de vida possíveis e realizáveis por e para todos.

A co-labor-ação19 explicita, se recorremos ao método de alfabetização como ato formativo e político, palavras chaves do ethos social como, popular, coletivo, participativo, são retomadas como elementos de construção de textos e contextos muito maiores do que a primeira palavra trabalhada. Ou seja, é a potência de ação em movimento que, ao utilizar a palavra de uso cotidiano do sujeito, vai ampliando os horizontes de sentido e sentimento do uso e manejo dos conceitos, até que os sujeitos compreendam o sentido de totalidade manifesto no específico. É assim, a genealogia da criatividade ontológica dos sujeitos.

Uma palavra que engendra outras tantas palavras, um texto que evidencia múltiplos contextos. Um texto que explicita um contexto transformador viável desde o encontro solidário de um grupo que, ao ser dividido foi temporariamente impedido, mas não totalmente aniquilado, em seu processo de pertencer a uma classe em si, transformando-a para si. A colaboração é a potência de ação transformadora que gera encontros que, mais do que ressignificar a angústia de não poder ser em vida (análise crítica necessária para dar conta do atuar consciente), reascendem a chama revolucionária de ser mais, por ser protagonistas sociais dos atos necessários para a consolidação de um projeto material e humanamente distinto do executado pelos donos do capital.

b) União (potência de ação do pertencimento e da coletividade): A união é a condição vital de recuperação do ser social que, articulado, unido, pensa um projeto de sociedade que lhe pertence. A união tanto na luta pelas reformas essenciais, quanto na consolidação de um projeto diferenciado, novo, humanista concreto. A união como recuperação do significado de classe e de projetos que a represente, que ao sentir-se angustiada, no limite do banzo suicida, encontra novamente um espaço para transformar esse sentimento em um processo libertador ainda em vida. Assim (FREIRE, 2002):

Se, para manter divididos os oprimidos se faz indispensável uma ideologia da opressão, para a sua união é imprescindível uma forma de ação cultural através da qual conheçam o porque e o como de sua “aderência” à realidade que lhes dá um conhecimento falso de si mesmos e dela. É necessário desideologizar. (FREIRE, 2002, p. 100)

19 Eric Fromm em duas belas obras contribui a entender, nos marcos da crítica marxista sobre a psicologia

mercantil os elementos manifestos por Freire como mecanismos de dominação. Coração dos homens (1997), Ser ou ter? (1996), são obras com forte influência sobre Freire. Assim como Fannon em Os condenados da terra, 1963.

88 A união como a força essencial de uma classe que, ao se organizar coletivamente, se vê possibilitada para consolidar um projeto alternativo de implementação de uma nova sociedade. A união como a fonte energética da luta de classes, do projeto emancipador, da força do poder popular desde o reconhecimento da necessária adesão a algo distinto ao que sufoca nossas vidas em vida. A união como projeto comum dos povos oprimidos no interior do país, do continente e do mundo. A união como potência de ação da luta de classes internacionalmente articulada, coletivamente projetada, socialmente apropriada pela classe trabalhadora.

c) organização (potência da organização consciente, de classe para si): organização como a capacidade de estarmos unidos em torno de um projeto comum, uma visão de mundo compartida, um processo de vida a ser protagonizado por todos. A organização como a consolidação do projeto de libertação dos nossos povos com objetivos, princípios, valores e métodos bem definidos a partir da concepção de vida que nega qualquer critério de opressão, mas que sabe que, para libertar-se totalmente, é necessário ocupar os espaços legítimos de poder para, desse lugar, brigar por novas formas de instauração do novo.

A organização é o que permite o salto da concepção de individuo para grupo, coletividade representada. Nela, os critérios que separam dirigentes e bases não podem ser os mesmos instituídos pelos valores mitificadores dos opressores hospedados no oprimido, com vistas à superação. O centralismo democrático, aquele em que dirigentes e bases conscientemente atuam frente a um projeto comum, recobra vida inclusive desde uma reconstrução histórica sobre os equívocos de reprodução do poder do mundo opressor, quando

Benzer Belgeler