Como os demais autores de sua época, Durkheim procurou compreender as modificações socioeconômicas ocorridas com o advento da sociedade moderna capitalista. Sua análise esteve focada em bases empíricas, com um método próprio de investigação, em que destacou como seu objeto de estudo os fatos sociais, considerando-os com características próprias, que os distinguiriam dos estudados pelas demais ciências. Este autor considerava que a sociedade precisaria ser analisada como
um fenômeno “sui generis”, portanto, as respostas aos problemas sociais deveriam advir
de seu próprio meio, ou seja, “os fenômenos sociais” estudados deveriam ser
observados enquanto sociais, coletivos e, portanto, como um sistema organizado de relações permanentes e mais ou menos definidos, com leis naturais de desenvolvimento que seriam baseadas na articulação de suas partes.
Segundo Aron (2008, p. 522-3), “sua explicação é sociológica porque propõe a prioridade da sociedade sobre os fenômenos individuais”, cujo objeto de estudo é o
“fato social”, sendo, portanto, necessário considerar os “fatos sociais como coisas” e
tendo como característica principal a de exercer uma “coerção sobre os indivíduos”.
Partindo desta percepção, Durkheim começa sua investigação, tendo como foco central de seu pensamento as relações entre os indivíduos e a coletividade. Assim, a questão do trabalho em sua obra não partiu de uma interpretação individualista, mas coletiva e funcionalista, tendo a divisão do trabalho um papel importante na organização da sociedade capitalista para o desenvolvimento intelectual e material das sociedades, indo além dos aspectos econômicos vinculados ao aumento da produtividade, possibilitando aumentar a força produtiva e as habilidades, proporcionando uma maior integração entre os indivíduos, tornando a “sociedade mais solidária” e estabelecendo
uma “ordem social e moral” (DURKHEIM, 2010, p. 27).
Na concepção deste autor, a divisão do trabalho possibilitava a transformação da sociedade em uma organização mais solidária, indo além do produtivismo, pois o parcelamento das tarefas não se constituía o aviltamento das capacidades individuais, ao
contrário, ao constituir as “especializações”, a divisão do trabalho acabava fortalecendo
os vínculos sociais na medida em que promovia a integração social, reforçando a consciência coletiva, ou seja, as maneiras de pensar e agir exteriores aos indivíduos.
150 O posicionamento de Durkheim (2010) em relação ao desenvolvimento da sociedade capitalista, portanto, era contrário ao apresentado por Marx. Para Marx (1989), como veremos mais adiante, o avanço da sociedade capitalista, associada ao acentuado grau da divisão do trabalho, traria como consequência o aumento das desigualdades sociais e seus conflitos, devido à maior intensidade da acumulação de capital e a própria natureza desigual da sociedade industrial. Para Durkheim, por sua vez, a divisão do trabalho verificada na sociedade industrial funcionaria como uma força libertadora, à medida que possibilitaria uma maior integração entre os indivíduos retirando-os do isolamento e inserindo-os num meio social; mesmo que esta proporcionasse uma diferenciação social, fenômeno característico das sociedades modernas, como condição criadora para a liberdade individual. Logo, para este autor, a diferenciação social, advinda da divisão social do trabalho seria, portanto, a solução pacífica da luta pela vida.
A divisão do trabalho é, pois, um resultado da luta pela vida, mas é um seu desenlace atenuado. De fato, graças a ela, os rivais não são obrigados a se eliminarem mutuamente, mas podem coexistir uns ao lado dos outros. Por isso, à medida que se desenvolve, ela fornece a um maior número de indivíduos que, em sociedades mais homogêneas, seriam condenados a desaparecer, os meios para se manterem e sobreviverem (DURKHEIM, 2010, p. 268).
Assim, Durkheim (2010) compreendia que na medida em que a sociedade se desenvolvia, esta seria conduzida à coesão social, à harmonia, configurando uma sociedade superior, decorrente das mudanças sociais por meio da regulação e da solidariedade promovida pela divisão do trabalho. Apenas nestes termos, seria possível superar a anomia social, compreendida como expressão dos problemas gerados na sociedade. Este sentimento de anomia social seria criado em meio à transição da sociedade antiga para a sociedade industrial, o qual provocaria certo desequilíbrio à medida que os sentimentos e a consciência comum da solidariedade mecânica fossem enfraquecendo, provocando a perda das normas morais, causando tensões e conflitos. (DURKHEIM, 2010)
Deste modo, na sociedade moderna, a divisão social do trabalho seria capaz de aumentar a complementariedade e a interdependência entre os indivíduos, favorecendo assim a unidade do conjunto, ou seja, do organismo social, pois, de acordo com Durkheim:
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A divisão do trabalho supõe que o trabalhador, longe de permanecer debruçado sobre sua tarefa, não perca de vista seus colaboradores, aja sobre eles e sofra sua ação. Ele não é, pois, uma máquina que repete movimentos cuja direção não percebe, mas sabe que tendem a algum lugar, a uma finalidade que ele concebe mais ou menos distintamente. Ele sente servir a algo. (DURKHEIM, 2010, p.390)
Na análise sociológica desenvolvida por Max Weber sobre a sociedade industrial, a categoria trabalho também ocupou lugar privilegiado, pois o reconhecia como elemento importante nas relações sociais, interferindo nas condições de vida dos indivíduos. Este autor procurou focar sua análise na diversidade da organização social, buscando negar o determinismo econômico tão presente nas obras de Marx. Assim, sua análise tornou uma crítica direta a este autor.
Buscando compreender a moderna sociedade industrial e suas formas socioeconômicas, Weber afirma que o instinto capitalista da avareza pelo lucro, percebido neste momento não se configura como algo novo e peculiar desta sociedade, pelo contrário, este também foi observado em outras sociedades mais antigas. Sendo um sentimento próprio da condição humana, este não seria, contudo, o elemento que determinaria a sociedade capitalista.
O impulso para o ganho, a persecução do lucro, do dinheiro, da maior quantidade possível de dinheiro, não tem, em si mesmo, nada que ver com o capitalismo. Tal impulso existe e sempre existiram entre garçons, médicos, cocheiros, artistas, prostitutas, funcionários desonestos, soldados, nobres, cruzados, apostadores, mendigos etc... pode-se dizer que tem sido comum a toa sorte de condições humanas em todos os tempos e em todos os países da terra, sempre que se tenha apresentado a possibilidade objetiva para tanto (WEBER, 2007, 26)
O que de fato configuraria o capitalismo atual seria o sentimento empreendedor e a busca permanente pela renovação dos lucros de forma racional e dinâmica, o que permitiria a consolidação das relações capitalistas e a utilização do trabalho livre. Segundo Weber (2007, p.28-9), esses fatores foram encontrados apenas na moderna
sociedade ocidental, em que se “desenvolveu a organização capitalista racional do trabalho livre, (pelo menos formalmente)” [...] que juntamente a outros dois, “a separação dos negócios da moradia da família” e o incremento de “uma contabilidade racional”, contribuíram para que o capitalismo deixasse de ser apenas um impulso
descomprometido como “uma aquisição capitalista aventureira”, voltando-se para uma
152 base o cálculo objetivo sobre o capital e a técnica adotada, direcionando o indivíduo
para uma “conduta racional”.
O autor argumenta que isso só ocorreu na medida em que a sociedade conseguiu romper com alguns preceitos religiosos tradicionais vinculados à igreja católica, onde a busca pela acumulação de riquezas era apresentado como uma conduta espiritual reprovável, pecaminosa, não condizente com a prática da abnegação da ética da salvação. Logo, segundo Weber, o que possibilitou o amadurecimento do sistema capitalista no ocidente foi o seu rompimento com a igreja católica e a adesão aos ideais protestantes que transmitiam a concepção de que se deveria enaltecer o trabalho, dimensionando-o como um ato vocacional, como mostra o autor:
[...] o trabalho deve ser executado como se fosse um fim absoluto em si mesmo, como uma vocação. Contudo, tal atitude não é produto da natureza. Não pode ser estimulada apenas por baixos ou altos salários, mas só pode ser produzida por um longo e árduo processo educativo. (WEBER, 2007, p.57)
Assim, Weber percebe que o rompimento com os preceitos católicos foi fundamental para mudar a concepção existente em relação à riqueza advinda do esforço pelo trabalho e a consolidação do capitalismo moderno, uma vez que se poderia justificar o comportamento empreendedor e a ambição pelo lucro como algo dignificante para o homem, podendo gerar proveito para toda a sociedade. Como ele enfatizou, isso não seria um resultado do “produto da natureza”, mas de um “processo educativo”, vinculado aos novos preceitos religiosos disseminados com a reforma
protestante. Nesse cenário, foi se desenvolvendo no ocidente, “um capitalismo diferente”, considerado “desconhecido” até então, no qual se passou a vigorar a
“organização capitalista racional do trabalho livre”, pelo menos em termos formais.
(WEBER, 2007, p. 28).
Posto isto, o trabalho assalariado passou a ser observado como uma alternativa de organizar a relação de trabalho de “forma racional” e “calculista”, podendo gerar benefícios tanto para os empregadores como para os empregados, em que o esforço de cada um e a ambição individual materializada no trabalho poderiam lhes assegurar uma vida farta e digna. Era isso que diferenciava o trabalho da economia pré-capitalista da economia moderna.
A constante motivação para o trabalho como elemento de prosperidade e de
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presente antes da ordem capitalista”. (WEBER, 2007, p.53). Porém, o autor nos afirma
que não se deveria ter no protestantismo como a única elucidação para a formação do capitalismo, mas apenas compreendê-lo como uma representação de um “tipo ideal” da
conduta racional do homem ao enfrentar “os problemas básicos da vida”, como
enfatizou:
[…] o desenvolvimento do espírito capitalista seria mais bem compreendido
como sendo parte do desenvolvimento do racionalismo como um todo, e que poderia ser deduzido das posições fundamentais do racionalismo sobre os problemas básicos da vida. (WEBER, 2007, p. 67)
No que se refere à noção de poder em Weber, este não o relacionou aos aspectos econômicos, conforme fez Marx ao percebê-lo como resultado da propriedade privada dos meios de produção e de sua utilização para exploração do trabalho alheio. Sua compreensão sobre dominação estava relacionada ao seu entendimento de poder. Assim, o autor compreendia a dominação como a propensão de um indivíduo dominador impor sua vontade aos outros, podendo se apresentar com diversas formas, em que se evidenciava a dominação por interesses no mercado, pela autoridade e pelo carisma. Para Weber, o que interessava do ponto de vista sociológico era a existência efetiva da obediência diante do “poder do mando”, estivesse este ligado a um quadro
administrativo ou não.
A situação de dominação está ligada à presença efetiva de alguém mandando eficazmente em outros, mas não necessariamente à existência de um quadro
administrativo nem à de uma associação, porém certamente – pelo menos em
todos os casos normais – à existência de um dos dois. Temos uma associação
de dominação na medida em que seus membros, como tais, estejam submetidos a relações de dominação, em virtude da ordem vigente. (WEBER, 2004a, p. 33)
Foi neste panorama que Weber investigou a sociedade capitalista, organizada em um quadro de regras e condutas racionais que revelavam a dominação em suas várias instâncias (família, instituições, empresas, entre outros). Portanto, a dominação não necessariamente estava relacionada a algum tipo de exploração, mas a determinação dos elementos indispensáveis para a construção de um sistema que respeitava a burocracia e a administração. Assim, a relação de assalariamento, por exemplo, era percebida como uma relação de dominação e obediência, já que o recebimento de determinado salário estaria subordinado ao cumprimento de algumas regras e disciplina. Esta relação era aceita conscientemente e revelava a condição de obediência, já que o trabalhador, em
154 sua função social, desempenhava um trabalho com base em suas habilidades e na busca por uma vida mais digna, submetendo-se às regras de comportamento capitalista.
Logo, Werber compreendia que a sociedade capitalista estava alicerçada, no benefício e na obediência às regras, como configuração de autoridade, o que ganhou forma na burocracia, com base no conhecimento profissional calculado. Nesse contexto, o trabalho como vocação e a sua racionalidade ocupam lugar privilegiado em suas reflexões.
Marx, em sua análise, enfatiza a centralidade do trabalho como elemento estruturante da sociedade contemporânea. Para este autor, desde a constituição da vida humana, o trabalho se apresenta como elemento central, por expressar o elo de ligação dos homens com a natureza, para dela obter e produzir os bens necessários para a sua sobrevivência. Este se configura, assim, como uma atividade vital, envolvendo a força física e psíquica dos indivíduos nos processos de transformação dos bens naturais para a reprodução da vida.
O que Marx procura enfatizar é que no processo de criação através do trabalho o homem se socializa, ou seja, torna-se um ser social, diferenciando-se dos demais seres vivos. Ele nos revela, assim, o caráter antológico do trabalho, seu caráter fundante do ser social, pois, como Marx (1989) mesmo salientou, foi através da transformação da natureza que os homens começaram a interagir entre si, desenvolvendo suas habilidades, deixando de ser esta uma ação isolada para ser social. Desta forma, o homem desenvolveu não só a sua sociabilidade, mas a sua própria humanização.
O processo de intervenção na natureza pelo trabalho ocorre inicialmente na mente do homem, portanto, quando ele cria um produto através de seu trabalho, ele se reconhece no produto gerado, já que este é previamente imaginado e concebido em sua mente antes de ser efetivamente produzido. Para Marx é isso que o distingue dos demais seres vivos.
No fim do processo do trabalho aparece um resultado que já existia antes idealmente na imaginação do trabalhador. Ele não transforma apenas o material sobre o qual opera; ele imprime ao material o projeto que tinha conscientemente em mira, o qual constitui a lei determinante do seu modo de operar e ao qual tem de subordinar sua vontade. (MARX, 1989, p. 202)
Nesse sentido, o trabalho estabelece-se num ato em que se tem uma consciência e o conhecimento prévio dos recursos que se vai utilizar e o que se espera conceber como produto final no processo de produção. Nesse processo, são produzidos novos
155 valores de uso que não existiam nos objetos em si, pois as propriedades da natureza que possibilitaram esta produção são transformadas em algo que estava preconcebido na mente do homem. Logo o diferencial do trabalho humano constitui pelo fato do homem fazer uma projeção antecipada em sua mente do produto que deseja, antes mesmo de executá-la, criando assim novos valores. Desta forma o homem se auto constitui e se
torna “livre”, colocando a natureza à sua disposição através do seu trabalho.
O processo de trabalho que descrevemos em seus elementos simples e abstratos, é atividade dirigida com o fim de criar valores de uso, de apropriar os elementos naturais às necessidades humanas; é condição necessária do intercâmbio material entre o homem e a natureza; é condição natural eterna da vida humana, sem depender, portanto, de qualquer forma dessa vida, sendo antes comuns a todas as suas formas sociais (MARX, 1989, p. 208).
Procurando compreender como ocorre esse processo, Marx (1989) inicia sua investigação buscando apreender como se determina o valor das mercadorias, pois, as considera como a “célula principal do modo de produção capitalista”. Tendo em sua
investigação o trabalho humano como categoria central e como essência do valor das mercadorias, este autor busca desvendar como se determina o valor destas e as relações sociais que permeiam a sua produção, pois compreendê-las representava elucidar a essência da dinâmica da produção capitalista.
A geração de valor e de riqueza no capitalismo, para Marx (1989), estabeleceu- se através de uma relação de poder do capital sobre o trabalho, sendo intensificada e retificada com o desenvolvimento das inovações tecnológicas na medida em que possibilitava o aumento da produtividade e uma utilização mais racional dos recursos produtivos, inclusive da força de trabalho.
A busca por maior lucro do capitalista através da inovação tecnológica representa uma forma de aumentar o grau de exploração da força de trabalho ou da taxa de mais valia. Esta exploração, em muitos casos, tem se dado de forma camuflada, não apenas em decorrência da intensificação do trabalho via a utilização de máquinas, mas também através de estímulos como concessões de prêmios, flexibilização das tarefas, ou até mesmo na (re)utilização do trabalho a domicílio, que aparentemente teria sido substituído pelo trabalho na fábrica, tendo como objetivo final o aumento da produtividade do trabalhador. Logo, para os trabalhadores, o avanço tecnológico não significou redução dos esforços no processo de trabalho, tampouco alterou a relação de dominação na produção social de valores. De fato, o que ficou notório na relação social
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de produção “foi o aperfeiçoamento das formas de controle do capital sobre o trabalho, por meio do progresso tecnológico, a pretexto da modernização e racionalização do
processo produtivo” (CARVALHO, 2009, p. 97).
De acordo com Marx (1989), a contínua recriação das formas de controle e exploração do trabalho, que muitas vezes apresenta-se dissimulada, consiste no movimento que assegura o sustento do modo de produção capitalista e sua reprodução. Segundo este autor, este é o princípio dialético da contradição existente na reprodução do capital, em que a reiteração das forças produtivas e das relações de poder constituem uma necessidade indispensável para a sua continuidade.
Percorrendo a discussão que permeia a categoria trabalho entre os clássicos da sociologia, percebemos que o desenvolvimento da sociedade não pode ser compreendido apenas tendo como foco de análise as relações materiais de produção, mas envolvem também elementos vinculados à política, à cultura e à subjetividade. Desta forma, aqui, os sujeitos são vistos não apenas como objetos de exploração e dominação, mas aptos a tomarem as rédeas de suas histórias, tendo posturas contra hegemônicas, construídas por seu trabalho. Assim, assumimos a posição de considerar o trabalho um elemento central na sociedade contemporânea, apesar de inúmeras posições teóricas terem sido levantadas ao longo do século XX47 contrariando este papel do trabalho, ao procurar atestar a sua perda de importância e seu papel político na formação do sujeito que necessita do trabalho para sobreviver. Nosso posicionamento também tem por base a tese desenvolvida por Antunes (1999), um dos estudiosos brasileiros, ao afirmar que as transformações que ocorreram no mundo do trabalho, nos últimos tempos, não significaram que o trabalho tenha perdido sua importância como elemento fundante do ser social, apenas está se metamorfoseando.
Ao defender a tese da centralidade do trabalho na sociedade contemporânea e o trabalho social como componente imprescindível para a criação de valores, Antunes (2000), à luz da teoria de Marx, se propôs a atualizar a discussão sobre o papel do trabalho e os caminhos da classe trabalhadora. Em sua exposição, salientou o caráter de movimento e contradição natural do capitalismo, que age como um conjunto de metabolismo ao qual os indivíduos devem se adequar. Assim, ele afirmou:
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Entre os teóricos que contradizem a centralidade do trabalho como elemento fundante do ser social na atualidade, temos: Harbermas, J. (2006; 2007), Off, C.(1989; 1994), Rifkim, J. (1995), entre outros.
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Não sendo uma entidade material e nem um mecanismo que possa ser racionalmente controlável, o capital constitui uma poderosíssima estrutura totalizante de organização e controle do metabolismo societal, à qual todos, inclusive os seres humanos, devem se adaptar (ANTUNES, 2001, p. 23).
Nesse movimento, o capitalismo cria e recria formas e mecanismos para sua expansão, destruindo e re(construindo) formas e relações de trabalho ao longo de sua busca pela superação dos limites que se apresentam à reprodução do capital. Nesse caso, o trabalho metamorfoseia-se, dando a parecer que sua importância na sociedade contemporânea atual tenha se esvaído. Assim, é importante compreender este processo, a fim de desmistificar as novas relações e o novo cenário em que está inserido a produção de mercadorias no contexto atual. Neste sentido, Antunes (2001) afirma que
Se é um grande equívoco imaginar o fim do trabalho na sociedade produtora de mercadorias, é entretanto imprescindível entender quais mutações e metamorfoses vem ocorrendo no mundo contemporâneo, bem como quais são seus principais significados e suas mais importantes consequências (ANTUNES, 2001, p. 16).
Percebe-se que, em meio a sua lógica de acumulação, contraditória e destrutiva, o capital, ao se expandir, tem provocado um processo continuo de “dessocialização”
pelo trabalho, entretanto, isto não significa que esteja alheio ao processo de lógica de reprodução do capital. Observado deste ângulo, o capitalismo ao promover a renovação das forças produtivas, também recria as formas de controle do capital sobre o trabalho, tornando este cada vez mais subsumido a sua lógica e imperceptível aos olhos de um