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2. Müdürlerin Yükümlülükleri

2.2. Özen Yükümlülüğü

A aptidão turística do QF se deve a vários fatores relacionados aos patrimônios natural e cultural. Além de possuir várias unidades de conservação, a região está inserida em dois produtos turísticos já definidos e que se complementam: o Circuito do Ouro e a Estrada Real.

O patrimônio natural do QF está presente em diversas áreas protegidas por lei, que conservam seus recursos naturais, incluindo, além de várias formações rochosas (relacionadas ao patrimônio geológico), nascentes de rios, cachoeiras e vegetação nativa de ecossistemas variados como cerrado, campo rupestre e remanescentes de Mata Atlântica. Na região, as áreas protegidas por lei se enquadram em categorias diferentes do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), incluindo as de uso indireto e direto. Nas unidades de conservação de uso indireto, somente são permitidas atividades ligadas à pesquisa científica e/ou à educação ambiental e ao turismo. Nas unidades de conservação de uso direto, são permitidas outras atividades como mineração, pecuária ou agricultura, desde que se desenvolvam com o compromisso da sustentabilidade.

Dentre as unidades de conservação de uso indireto, destacam-se, na região: (1) o Parque Estadual do Itacolomi, nos municípios de Ouro Preto e Mariana; (2) o Parque Estadual da Serra do Rola Moça, nos municípios de Belo Horizonte, Brumadinho, Ibirité e Nova Lima; (3) o Parque das Mangabeiras, no município de Belo Horizonte; (4) a Estação Ecológica do Tripuí, em Ouro Preto; e (5) a Estação Ecológica de Fechos em Nova Lima. Já dentre as unidades de conservação de uso direto, destacam-se: (1) a Área de Proteção Ambiental (APA) Seminário Menor de Mariana, em

Mariana; (2) a APA Cachoeira das Andorinhas, em Ouro Preto; (3) a APA Sul, nos municípios de Belo Horizonte, Brumadinho, Caeté, Ibirité, Itabirito, Nova Lima, Rio Acima, Santa Bárbara, Raposos, Mário Campos e Sarzedo.

Em relação ao patrimônio cultural, é importante salientar que o QF faz parte do Circuito do Ouro, assim denominado pela Secretaria de Estado de Turismo de Minas Gerais que apóia um programa de desenvolvimento do turismo no Estado, baseado em circuitos que unem municípios com uma mesma vocação turística. Desta forma, o Circuito do Ouro constitui um conjunto de trechos rodoviários que ligam as cidades que têm sua história relacionada com o ciclo da mineração do ouro, incluindo Ouro Preto, Mariana, Congonhas, Sabará, Ouro Branco, Itabirito, Santa Barbará, Santa Luzia, Caeté, Nova Lima, Belo Vale, Raposos, Cata Altas, Barão de Cocais, Bom Jesus do Amparo, Itabira, São Gonçalo do Rio Abaixo e Rio Acima (Figura 6.1).

Figura 6.1 – Circuito do Ouro e sua relação com o Quadrilátero Ferrífero. Fonte: Departamento de Estradas de Rodagem – DER/MG (2000)

No Circuito do Ouro existem trechos da Estrada Real (ER) que guardam registros passados remanescentes do Período Imperial como pontes, bueiros, galerias fluviais e pluviais, muros e muretas de pedra, restos de piso, minas antigas, além de povoados esquecidos. Segundo Santos (2001), o conceito de Estrada Real é historicamente impreciso e de difícil delimitação. Para o autor, o termo deve ser utilizado para designar: “estradas públicas de propriedade da coroa portuguesa e depois do governo imperial brasileiro”.

155 443 030 030 437 433 435 436 129 129 434 040 356 356 262 381 Espírito Santo/ Rio de Janeiro Ouro Branco Ouro Preto Mariana Itabirito Catas Altas Santa Bárbara Caeté Sabará Santa Luzia Itabira Belo Horizonte Rio Acima

RapososBarão de Cocais

Congonhas Belo Vale

Nova Lima

A lei do Estado de Minas Gerais que dispõe sobre o Programa de Incentivo ao Desenvolvimento do Potencial Turístico da Estrada Real, número 13.173 de 1999, usa o referido termo para designar “os caminhos e suas variantes construídos nos séculos XVII, XVIII e XIX, no território do Estado”. Assim, o termo Estrada Real se refere à união de três grandes caminhos de acesso às minas trilhados pelos colonizadores em momentos diferentes. Segundo Santos (2001), o marco inicial é a bandeira de Fernão Dias (1674-81) e seu marco final posiciona-se por volta de 1750, quando a economia mineradora atinge seu ápice.

O traçado dos três grandes caminhos de acesso às minas: Caminho Velho, Caminho Novo e Caminho para o Distrito Diamantino – aproveitou vias antigas, possivelmente oriundas de milenares trilhas indígenas. O Caminho Velho ligava São Paulo de Piratininga e as vilas do vale do Paraíba à região do Rio das Velhas e foi, na fase inicial das descobertas auríferas, a principal rota de chegada e de abastecimento da região das minas. O Caminho Novo foi contratado pela Coroa Portuguesa e aberto por Garcia Rodrigues Paes com o objetivo de ligar diretamente o Rio de Janeiro às minas. O Caminho para o Distrito Diamantino ligava dois centros dentro da mesma capitania das Minas Gerais: Vila Rica e o arraial do Tijuco.

A ER foi construída pela Coroa Portuguesa com o objetivo de fiscalizar a circulação das riquezas e mercadorias e funcionava como um poderoso meio de controle do território. Por ser a única forma de acesso à região mineradora, por ela deveriam passar os senhores e os escravos. Foi usada também por soldados, mercadores, músicos, aventureiros e intelectuais, tendo desempenhado um importante papel no desenvolvimento econômico, social, político, militar e científico de Minas Gerais. Vários pesquisadores estrangeiros, como Saint-Hilaire e Spix e Martius, utilizaram a Estrada Real em suas peregrinações pelo Brasil e se referem a diferentes trechos dela nos seus relatos de viagem, como no trecho transcrito abaixo:

Não querendo passar por uma região que eu conhecia, continuei a seguir, além de Itambé, pela estrada real que, sempre a leste da grande cadeia, vai de Mariana a Vila do Príncipe, e não deixei essa estrada senão entre as aldeias de Cocais e Catas Altas (Saint Hilaire).

A Estrada Real, ao longo de sua existência, passou por sucessivas mudanças causadas, inicialmente, pela urbanização e, posteriormente, pela industrialização. Segundo Santos (2001), longos trechos foram cobertos por rodovias modernas ou por largas estradas ainda não pavimentadas. Outros trechos se perderam, desapareceram em meio a pastagens e matas secundárias. No entanto, a estrada conserva ainda parte de um conjunto arqueológico, histórico, paisagístico e cênico que deve ser recuperado e conservado por sua importância para história de Minas e do Brasil e por seu grande potencial para o turismo.

CAPITULO 7

Benzer Belgeler