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Özel Veriler - Gayrimenkulun Bulunduğu Bölgenin Analizi

A concepção simbólica do termo inclina seus interesses para os fenômenos simbólicos. Assim, há uma preocupação essencial na interpretação dos símbolos e da ação simbólica. Thompson (2011) indica, no entanto, que este tipo de concepção apresenta certa fragilidade na proposta de Geertz, visto que para o antropólogo, as relações estruturadas não enfatizam os símbolos e ações simbólicas que perpassam tais relações. Partindo desse pressuposto, Thompson (2011) elabora o quarto tipo básico de sentido: a concepção estrutural, em cujos estudos baseia as formas simbólicas em contextos estruturados. Nesse âmbito, a análise da cultura parte de sua constituição significativa bem como da contextualização social de formas simbólicas.

Essa vertente dos estudos culturais surge, segundo Thompson (2011), com a ênfase do caráter simbólico na vida humana, suscitado por meio das reflexões ocorridas nas ciências sociais e humanas. Para ilustrar esta concepção, Thompson (2011) cita dois antropólogos: White, autor de A ciência da Cultura e Geertz, autor de A interpretação das culturas, esta última obra apresentando para ele a mais importante formulação do conceito e, justamente por esse motivo, desencadeando três problemas ou dificuldades, visto que para o antropólogo, as relações estruturadas não enfatizam os símbolos e ações simbólicas que perpassam tais relações. Delinearemos mais adiante essas três fragilidades em termos gerais.

White11, citado por Thompson (2011), considera o uso de símbolos ou a simbolização – como ele mesmo denomina –, um traço distintivo do ser humano. Nessa perspectiva define cultura como uma ordem ou classe distinta de fenômenos, eventos ou coisas que dependem do exercício de uma habilidade mental, peculiar às espécies humanas.

11 WHITE, L. A. The Science of Culture: A Study of Man and Civilization. Nova York: Farrar, Straus and

Apesar de White (1949) apresentar uma divisão de três sistemas incluindo o tecnológico, o sociológico e o ideológico, enfatizando o primeiro deles, sua concepção de cultura deixa de lado o caráter simbólico da vida humana e, por tal motivo, seu trabalho abre o caminho para outros pesquisadores nesse campo de estudos.

O principal nome relacionado à concepção simbólica de cultura é Geertz, quem descreve seu conceito como “semiótico”. Para Thompson (2011) essa definição carregaria a nomenclatura de “simbólica”, tal como batiza a concepção. No entanto, este autor não aponta uma diferença terminológica, já que para Geertz o cerne de sua teoria reside em questões relacionadas com significado, simbolismo e interpretação. Sua concepção de cultura aponta que o homem é um animal suspenso em teias de significado que ele mesmo teceu. Logo, a cultura seriam essas teias e sua análise, uma ciência interpretativa em busca de significados. Thompson complementa essa definição, apontando ainda que

cultura é uma hierarquia estratificada de estruturas significativas; consiste de ações, símbolos e sinais, de trejeitos, lampejos, falsos lampejos, paródias, assim como manifestações verbais, conversações e solilóquios (GEERTZ, 1989, p. 175)

Enquanto para Geertz o conceito de cultura passa por teias de significado, para Thompson, de modo similar, o entendimento desta se dá através de “emaranhadas camadas de significados”. Nesse aspecto, o sociólogo chama a atenção para o fato de que os escritos etnográficos nada mais são que interpretações de interpretações, isto é, descrevem e redescrevem ações e expressões sobre o curso da vida diária.

Paralelamente à abordagem interpretativa de Geertz (1989), Thompson (2011) descreve a sua própria concepção simbólica de cultura: “cultura é o padrão de significados incorporados nas formas simbólicas, que inclui ações, manifestações verbais e objetos significativos de vários tipos, em virtude dos quais os indivíduos comunicam-se entre si e partilham suas experiência, concepções e crenças”. (Thompson, 2011, p. 176). Salienta, portanto, que a análise cultural deve elucidar esses padrões de significado, bem como proceder à explicação interpretativa dos significados que se incorporam às formas simbólicas. Nesse âmbito localiza-se a grande diferença entre a concepção simbólica e aquela que aportamos anteriormente, a descritiva, em que os antropólogos se ocuparam da classificação da análise científica, por exemplo.

Como já sinalizamos, Thompson considera a obra A interpretação das culturas de Geertz (1973) um marco no desenvolvimento da antropologia. Para ele, apresenta a mais importante definição do conceito de cultura. Entretanto e, justamente por esse motivo, aponta

três dificuldades, fraquezas ou críticas desse trabalho. O estudo de Viana (2003) também foca essas fragilidades do trabalho de Geertz (1973). A primeira delas reside no fato de o antropólogo utilizar-se do termo cultura de várias maneiras: “padrão de significados historicamente transmitidos, incorporados aos símbolos”; e “conjunto de mecanismos de controle – planos, fórmulas, regras, instruções (...) para governar o comportamento”. Estas duas definições, para Thompson (2011), não deixam claro como as ideias de cultura se relacionam com a concepção simbólica – ou semiótica, para Geertz (1973).

A segunda dificuldade assinalada por Thompson está relacionada à noção de texto: primordial numa teoria interpretativa. Geertz (1973) baseia-se na noção de Paul Ricoeur, quem define as características-chave do texto para desenvolver uma teoria da interpretação. No entanto, Thompson (2011) aponta que Geertz (1973) emprega esta noção de duas maneiras distintas, ambas suscitando problemas. A primeira delas teria a ver com a relação que Geertz (1973) sugere entre a análise cultural e os textos, considerando que a prática de etnografia é produção de textos etnográficos que “fixam” o “dito” do discurso social. Esses argumentos que levanta Geertz (1973) não se encontram na obra de Ricoeur, uma vez que as propostas deste autor sobre fixação dos significados não têm relação entre o pesquisador e o objeto, sujeito de pesquisa. Para ilustrar esta questão, Thompson (2011) cita a obra “Deep Play Notes on the Balinese Cockflight”, na qual Geertz (1973), apesar de sua pesquisa etnográfica significativa, apresenta problemas metodológicos como a falta de entrevistas, que, se ocorreram não foram citadas, bem como a defesa pouco convincente do que significaria a briga de galos para os balinesios. No entanto, Thompson (2011) afirma que a relação entre o texto etnográfico e o tema sobre o qual o etnógrafo escreve pode ser mais complexa que os pressupostos metodológicos sugeridos por Geertz (1973).

Thompson (2011) também inclui, na segunda dificuldade do trabalho de Geertz (1973), a noção de texto que este emprega, especialmente porque os padrões de significado que o etnógrafo analisa são, eles mesmos, construídos como um texto; a cultura sugere uma “montagem de textos”, “documentos feitos ações” e “trabalhos imaginativos elaborados a partir de materiais sociais”. Thompson (2011), por sua vez informa que a analogia do texto é um instrumento metodológico imprescindível para os pressupostos nos quais se baseia e Geertz não apresenta tais pressupostos de forma clara, referenciando ocasionalmente o trabalho de Ricoeur, como fundamentação para seu uso da analogia. Thompson (2011) critica, nesse aspecto, o trabalho de Geertz (1973), portanto, pelo uso que o antropólogo faz da

analogia do texto: passando por um conjunto de problemas, sem uma confrontação direta, o que poderia suscitar dúvidas quando se pensa em cultura como “montagem de textos”.

A terceira dificuldade instala-se na insuficiente atenção que este aplica aos problemas de conflito social e poder. Para Thompson (2011), além de os fenômenos culturais contemplarem construtos significativos como formas simbólicas, devem também considerar as relações de poder e conflito. O autor inclui nesses fenômenos culturais os rituais, os festivais e obras de arte, realizados ou produzidos sob determinadas circunstâncias sócio históricas, por indivíduos com certas características como graus de poder e autoridade. Por outro lado, esses fenômenos produzidos circulam, são recebidos, percebidos e interpretados por outros indivíduos, que por sua vez, estão inseridos em determinada circunstância sócio histórica. É nessa perspectiva que Thompson (2011) inscreve os fenômenos culturais como associados às relações de poder. Entretanto, este tipo de consideração não é abordada por Geertz (1973), que enfatiza o significado em detrimento do poder. Para Thompson (2011), tal interpretação apresenta uma falha, o que o faz remeter-se aos contextos sociais estruturados em que os fenômenos culturais são produzidos, transmitidos e recebidos, fato este que o leva a delinear outra abordagem para o estudo dos fenômenos culturais: a concepção estrutural.

Antes de tratarmos da concepção estrutural de Thompson (2011), é importante recordarmos o intuito de nosso objeto de pesquisa – o cinema como elemento desencadeador da consciência intercultural no ensino de ELE –, uma vez que este se inscreve no fenômeno cultural associado a festivais e obras de arte, como já apontou o sociólogo. Também podemos afirmar que os filmes (ou o cinema em geral) em determinadas situações ilustra “rituais” dos mais variados. Percebe-se que estes três exemplos de fenômenos culturais são afins ao cinema de maneira geral e ao nosso objeto de pesquisa, de maneira particular, uma vez que os alunos de ELE nos auxiliarão a analisar como são recebidos, percebidos e interpretados dois filmes do Novo Cinema Argentino, sob o prisma da interculturalidade no âmbito do ensino de LE.