2. TÜRKİYE’DE MÜKELLEFİN GENEL VE ÖZEL HAKLARI
2.1. GENEL VE ÖZEL MÜKELLEF HAKLARI
2.1.6. Özel Hayatın Gizliliği Hakkı
Aproximadamente 400 milhões de pessoas sofrem com a depressão, de acordo com o ex-secretário das Nações Unidas, KoĄ Annan. Segundo ele, em 2010 os custos da doença eram estimados em 800 bilhões de dólares no mundo todo, sendo que a previsão é de que o custo dobre nos próximos 20 anos10.
A depressão é frequentemente relacionada ao suicídio entre os idosos, porém, é importante a compreensão de que a decisão de encerrar a própria vida não está neces- sariamente ligada à depressão ou outras doenças. Segundo a OMS, embora em países desenvolvidos exista essa relação do suicídio e transtornos mentais (especialmente depres- são e alcoolismo), muitos outros casos acontecem impulsivamente em momentos de crises emocionais, Ąnanceiras, dor crônica, vivências de desastres, violências, abusos, perdas e sensações de isolamento. Grupos vulneráveis que sofrem discriminações como refugiados, migrantes, indígenas, LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e intersex) e prisi- oneiros tem taxas elevadas de suicídios (OMS,2014).
Vale ainda ressaltar que é necessária a discussão sobre os direitos de encerrar a própria vida, por meio do desligamento de aparelhos que mantém a pessoa viva, ou injeção de sedativos fortes o suĄciente para causar a morte (eutanásia); pela permissão de se ter uma morte natural, em que a pessoa Ąca no hospital ou em casa com cuidados paliativos para morrer sem intervenções (ortotanásia)11, existindo ainda a opção pelo prolongamento
da ŞvidaŤ por meio de recursos artiĄciais, em que apenas a vida biológica é prolongada (distanásia) (BRANDÃO, 2015).
Um estudo realizado na Suécia indica que o maior número de mortes por suicídio ocorre em idosos com mais de 75 anos e que os preditores do suicídio foram os conĆi- tos familiares, a presença de alguma doença grave, solidão e depressão (maior e menor) (NETO et al.,2013).
A prevalência da depressão geriátrica varia conforme fatores como população estu- dada, diagnóstico e a própria deĄnição de depressão, já que Şmuitos proĄssionais médicos consideram a depressão como uma consequência normal do envelhecimento Ť (NETO et al., 2013) apud (PINHO; CUSTÓDIO; MAKDISSE, 2009). As estimativas de prevalên- cia da depressão são mais altas em idosos institucionalizados com boa função cognitiva (60%) - em pessoas com doenças crônicas, hospitalizados ou em unidades de atenção pri- mária esse número chega a 25% - e as taxas mais baixas estão entre os residentes das comunidades (10%).
Conforme citado anteriormente, a atividade física regular contribui positivamente para a prevenção da depressão e redução de seus sintomas quando a doença já estabeleceu-
10 Depressão já é a doença mais incapacitante, aĄrma OMS - http://goo.gl/HrCf81 11 http://brasil.elpais.com/brasil/2015/05/07/politica/1431030917
Capítulo 3. Contribuições dos exergames para longeviver melhor 76
se no indivíduo. É um meio alternativo para liberar tensões, emoções e frustrações acu- muladas diariamente.
De modo semelhante, no processo de envelhecimento, estudos demonstram o valor positivo da atividade física no combate à depressão. Um estudo feito com 40 participantes idosos (67 anos em média), comparou a prevalência da depressão em grupos praticantes e não praticantes de atividade física (GABRIEL; POZZOBON, 2014).
Para avaliar os níveis de depressão apresentados pelos participantes, foi utilizado o inventário de Beck (Beck Depression Inventory (BDI)), cuja escala avalia sintomas e atitudes como: tristeza, pessimismo, sensação de fracasso, sentimentos de culpa, puni- ção, autoacusações, ideias suicidas, crises de choro, irritabilidade, indecisão, distorção da imagem corporal, distúrbios do sono, entre outros. De acordo com a pontuação do BDI, quando não se tem o diagnóstico de transtorno afetivo, tem-se a classiĄcação em disforia (alteração leve e passageira do comportamento, uma reação a um desapontamento por exemplo (BRAZ et al., 2013)).
A prevalência da depressão nos grupos praticantes e não praticantes de atividade física pode ser veriĄcada no gráĄco a seguir, que indica que o grupo de praticantes teve uma porcentagem maior de indivíduos sem depressão (75%) em relação ao grupo sedentário:
Figura 39: Prevalência da depressão entre praticantes e não praticantes de atividade física
Fonte: (GABRIEL; POZZOBON, 2014)
O estudo concluiu, além do efeito da atividade física na redução da depressão em idosos, que os benefícios imediatos proporcionam alterações positivas não apenas durante mas também após sua realização, reduzindo os sintomas depressivos nos idosos.
Um nível mais leve de depressão é conhecida como subsindrômica, subclínica ou menor. Entre os idosos é ainda mais comum que a depressão maior. Indivíduos com depressão subsindrômica apresentam alguns dos sintomas da depressão maior, mas em
menor intensidade, entretanto sua presença aumenta as chances de evolução para um transtorno depressivo maior.
O sedentarismo e demais hábitos prejudiciais à saúde contribuem para o surgi- mento de doenças que associam-se à depressão. Estima-se que menos de 5% dos idosos sigam as recomendações para fazer as atividades físicas. A não adesão à atividade física é uma barreira aos programas de exercícios, pois a taxa de abandono destas atividades chega a 50% no período de 3 a 6 meses (ROSENBERG et al.,2010).
A atividade física regular associada ao uso dos games é alternativa possível para modiĄcar a baixa adesão que os idosos tem em relação às atividades físicas, estimulando-os com o entretenimento e a interatividade dos jogos.
A ŞUniversity of CaliforniaŤ conduziu um estudo para veriĄcar a melhora dos sintomas da depressão, saúde mental e performance cognitiva (atenção, memória), além da adesão da atividade, avaliando durante 12 semanas 19 idosos na faixa de 63 à 94 anos, jogando o exergame Wii Sports em sessões de 35 minutos, três vezes por semana (ROSENBERG et al.,2010).
Os participantes jogavam em suas casas ou em um centro de idosos. Alguns deles reportaram um nervosismo inicial, preocupando-se com suas performances na aprendiza- gem dos jogos, mas ao Ąnal do estudo consideraram que seu desempenho em aprender e jogar o Wii Sport foi ŞsatisfatórioŤ.
Além de gostarem da experiência, acharam os jogos divertidos e desaĄadores. A medida do desaĄo e a diversão oferecida pelo jogo são importantes para manter o interesse pela atividade, não deixando que o jogador Ąque entediado pela facilidade do jogo, ou que o nível da frustração seja muito alto e o jogador não consiga evoluir no jogo.
Na avaliação dos participantes, os jogos mais prazerosos foram os de tênis e boliche, enquanto os jogos de golfe e baseball Ącaram entre os menos preferidos. No aspecto de esforço físico, o jogo de boxe foi o mais citado, comparado à atividade de correr ou jogar basquete. É importante lembrar que a preferência dos participantes pelos games esportivos pode ser inĆuenciada pelo contexto cultural do grupo estudado. No Brasil, por exemplo, os jogos de tênis, golfe ou baseball não estão entre os esportes tradicionais do país, assim, o resultado de uma pesquisa nacional sobre as preferências de games, possivelmente seria diferente.
O estudo veriĄcou que 37% dos participantes tiveram uma redução nos sintomas da depressão num percentual igual ou maior a 50%. Também veriĄcou que não houve lesões, nem eventos adversos (físicos ou psiquiátricos) durante o período analisado, apenas dois participantes tiveram um pouco de dor que resolveu-se rapidamente com cuidados mínimos.
Capítulo 3. Contribuições dos exergames para longeviver melhor 78
dade física, com melhoras na estimulação cognitiva e no afeto positivo (diversão, prazer), impactando na tríade Şpensar-mover-sentirŤ 12e portanto, não se restringindo apenas aos
tratamentos de depressão.
É interessante notar o estado inicial dos participantes, por se preocuparem com o desempenho e a aprendizagem dos jogos. É um comportamento possível de ocorrer em qualquer faixa etária, mas possivelmente, para muitos dos atuais idosos, a falta de intimidade com as tecnologias gera essa preocupação e, por consequência, duvidam da sua capacidade cognitiva. Pessoas com 60 anos mais tem capacidade de aprendizagem similar a dos mais jovens, o que deve-se considerar é a diferença na velocidade individual dos sujeitos em processar essas novas informações.
O mapa mental a seguir contém um resumo das informações sobre os aspectos emocionais, relacionados aos artigos citados. A área esquerda do mapa tem dois qua- dros delimitados por uma linha tracejada amarela, com o resumo das contribuições dos
exergames e os games utilizados nos estudos:
12 A tríade Şpensar-mover-sentirŤ pode ser lida como os aspectos Şcognitivo-físico-emocionalŤ, exem-
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