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Os profissionais responsáveis pelo atendimento e que estão em contato direto com o público nos museus têm recebido diversas designações, tais como: mediadores, facilitadores,

monitores, guias, animadores, funcionários encarregados de laboratórios didáticos (RODARI e MERZAGORA, 2007), além da designação de educador de museu. Entre as designações mais citadas, destacamos: mediadores e educadores. A sua função básica é possibilitar que o público possa estar mais próximo do conteúdo exposto nos museus, trazendo a linguagem da exposição para a linguagem daquele público visitante.

A função educativa do museu tem ganhado força e, com isso, tem se fortalecido o papel do educador nesse espaço. A pessoa que trabalha nessas instituições é responsável pela aproximação do público à exposição. Essa responsabilidade tem crescido continuamente, fazendo até com que os educadores passem a ter um treinamento mais elaborado para poder atender às pessoas que frequentam esses locais. Como ressalta Marandino (2008a), “É por meios dos mediadores que os visitantes conhecem os museus nos seus aspectos de conteúdo, mas também a sua organização, a sua arquitetura e a sua função social” (p. 5).

Ribeiro e Frucchi (2007) destacam que é necessário preparar o mediador para cumprir a sua missão, de acordo com as características de cada museu, pois esse ocupa um importante papel que envolve não apenas o domínio dos conhecimentos ligados à exposição, mas também uma certa formação didática que o permita adequar linguagem, ciência, tecnologia e ludicidade aos interesses do público,

A compreensão e interpretação de conteúdos, o domínio de conceitos e o estabelecimento do diálogo com o público em diferentes linguagens, a leveza na abordagem de temas complexos e de difícil entendimento, o conhecimento de processos, resultados e produtos científicos e tecnológicos, a ludicidade e interatividade com o público, o incentivo à curiosidade [...] (p. 69).

De acordo com o que foi descrito, anteriormente, pode-se verificar que a mediação dos educadores no museu permite que os visitantes possam ter acesso às informações e conteúdos (talvez por si só não tão claros na exposição) que dão significado àquilo que seus elaboradores gostariam de transmitir ao público visitante. Com isso, o trabalho do mediador pode colaborar para “[...] tornar uma visita significativa, preenchendo o vazio que muitas vezes existe entre o que foi idealizado e a interpretação dada pelo público ao que está exposto” (QUEIROZ et al., 2002, p.78).

Ao discorrer sobre a importância desse profissional, Grispun (2000) descreve que eles são

[...] a “fala” e o “ouvido” da exposição. Mas não uma “fala” aleatória e espontânea. É a fala de quem conhece os conceitos da exposição, mas sobretudo conhece os modos de uma fala que não se apóia em verdades, mas que faz emergir sentido na intersecção entre os contextos daquilo que está exposto e as interpretações de cada sujeito fruidor (p. 46).

Ainda sobre esse aspecto, Rodari e Merzagora (2007) consideram que esses mediadores, mais do que o ouvido da exposição, são os ouvidos das pessoas que administram o museu, para poder escutar a voz do público, pois “Todos os dias, em todo o mundo, eles ouvem milhões de visitantes. Eles sabem, ou têm o potencial para saber, quais são as questões-chave, as maiores esperanças e as mais fortes preocupações a respeito do desenvolvimento científico e tecnológico” (p. 10).

Mais do que o contato com os visitantes, a função de mediador de museu tem assumido outros importantes papéis no contexto museal. Marandino (2008b) afirma que esses profissionais “[...] devem estar envolvidos não só na elaboração das ações, mas na pesquisa e avaliação das mesmas, além de conhecer e participar das diferentes dimensões da instituição” (p. 1). Concordando com essa importância, Ribeiro e Frucchi (2007) salientam que “São os mediadores os personagens que acumulam competências e habilidades, tornando mais significativa a experiência de aprendizagem nos museus” (p. 69). Com essa experiência do contato direto com os visitantes, os mediadores são capazes de tornar a visita ao museu uma atividade cada vez mais produtiva, no que tange ao aprendizado, e podem aprofundar o entendimento das pessoas (com relação à exposição) que visitam esse local.

Mas, afinal, o papel que o mediador assume durante a visita é o de um professor? Ele deve assumir as funções inerentes a esse profissional, como ocorre no contexto escolar?

Apesar do reconhecimento da importância do museu como um espaço propício à aprendizagem e da importância dos seus educadores nesse processo, Cazelli et al. (2003) ressaltam que é importante estar atento para o fato de que:

Museus não são escolas e mediadores não são professores. Conhecer como professores utilizam o espaço do museu e como os profissionais da área educativa desenvolvem suas atividades de mediação – identificando os saberes que estão presentes nesses processos – se constituem um campo de investigação necessário (p. 101).

Fica claro que não é papel do educador de museu substituir o professor, mas sim servir como um mediador entre o público e a exposição. É importante que esse profissional, mesmo com a presença do professor, acompanhe a visita, pois ele conhece o objeto que ali está

exposto e está preparado para oferecer experiências desafiadoras para os alunos poderem explorar melhor esses objetos. O professor, nesse processo, tem condições de trazer para essa visita assuntos que estão sendo discutidos em sala de aula e que podem ser vistos e explorados de uma maneira, muitas vezes, mais prazerosa.

O mediador também deve estar preparado para tornar a visita um processo prazeroso, buscando não deixar o visitante cansado, e sim motivado pela exposição que está sendo mostrada. Para isso, deve considerar que o público “[...] não deve ser exposto a longos períodos de exposição oral, não deve ser submetido à leitura de textos imensos, mas deve, sim, saber se localizar, se sentir à vontade para interagir, podendo dialogar com seus pares e com o mediador” (MARANDINO, 2008a, p. 20).

Portanto, é preciso entender a importância desse profissional para o bom desenvolvimento de uma visita ao museu e, a partir desse entendimento, investir na sua formação continuada, proporcionando uma melhor qualificação e, consequentemente, maiores possibilidades de tornar esses eventos um momento de aprendizado através de práticas eficazes.

Essa preparação do mediador tem sua importância na medida em que esse profissional é responsável pela comunicação do museu com todos os públicos que o visitam, e é isso o que aumenta a complexidade dessa função, pois cada visitante tem níveis variados de conhecimento e expectativas diferentes com relação à visita. Com isso, esse profissional deve estar atento ao público que está atendendo para poder encontrar formas de atingir o melhor resultado na sua mediação, não importando a que tipo de pessoa ele se dirige.

Apesar da importância da mediação humana, é necessário estar atento ao fato de que a exposição não deve depender exclusivamente do educador da instituição museal para ser compreendida. É necessário existir outras formas de mediar a relação do objeto em exposição com o público, não se restringindo, unicamente, a esse profissional.

Portanto, uma mostra deve ser preparada de acordo com os seus objetivos, de forma a permitir os tipos de mediação que forem considerados ideais para o público. Em algumas situações, a exposição é preparada considerando a necessária mediação dos educadores de museu para o seu perfeito entendimento, assim como acontece quando existem determinados aparatos interativos que necessitam da manipulação e mediação desse profissional para que algumas experiências possam ser realizadas, o que exige a obrigatoriedade da sua presença.

Ao se falar sobre visita a museus, uma das palavras que aparece com grande força é interatividade. Mas afinal, o que é interatividade? Como ela pode ocorrer no ambiente dos museus?

Benzer Belgeler