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Öz-Anlayış İle İlgili Yapılan Araştırmalar

2.3. Öz-Anlayış

2.3.6. Öz-Anlayış İle İlgili Yapılan Araştırmalar

Perpassando por diversos espaços sociais, conseguimos observar ao longo deste trabalho alguns dos caminhos trilhados por Mattos e dos cargos/posições por este ocupados junto ao movimento.

Vinculando a sua participação com a Revolução Farroupilha, observamos ao longo das fontes que o círculo de relações de Mattos ultrapassou as fronteiras da então República Rio- Grandense, onde, ao entrar em contato com a região do Prata, estabeleceu novos e importantes vínculos com figuras políticas da região.

Designado como Ministro Plenipotenciário, durante o período em que assumiu a Presidência da República, com sede na então Piratini, Mattos foi enviado para estabelecer contato com Rivera e assim estimular uma relação de “amizade” e ajuda mútua.

Em correspondências para a Corte dos Encarregados dos Negócios142, compreendemos, mesmo que em parte, como se foi procedendo esse contato e os frutos alcançados.

Sinalizada pelo Encarregado dos Negócios Interino e Cônsul Geral do Brasil Manoel D’Almeida Vasconcellos a relação existente entre os políticos orientais e alguns líderes farroupilhas, este menciona, em carta do dia 25 de outubro de 1831, destinada ao Império: “Fui mais informado, que entre as principaes pessoas desta Republica e algumas das do Rio Grande do Sul existem correspondências secretas tendentes a desunir aquella Provincia das mais do Imperio [...].”143

Havendo o que o Encarregado apontaria como relações de inteligência entre Fructo e os Farroupilhas, este confirmaria o que antes já havia percebido:

São muitos os factos apontados de ter o inimigo passado e repassado a linha divisória, recebido soccorro de todo o gênero, principalmente cavallos, e mesmo reunido naquelle Estado por vezes, gente tanto Brasileira como Subditos da Republica, para invadir o territorio desta Provincia, como tem sucedido em muitos pontos, com a maior connivencia ou consentimento das autoridades Orientaes.144

Nessa mesma carta ainda enfatiza:

Em seus actos públicos os rebeldes sempre manifestarão que a Republica os protegia, e assim o affiançava o mesmo chefe Bento Gonçalves. Os rebeldes mandarão differentes enviados a Montevidéo, onde he de se suppor que alguma cousa hião tratar em seu beneficio, e até mesmo o chefe teve huma entrevista com o Snr. Presidente da Republica logo no começo da sedição.145

Dentre os enviados, José Marianno de Mattos se apresentou como um nome capaz para estreitar esses laços.

Em carta do dia 2 de janeiro de 1839, é anunciada a sua chegada por representantes das forças imperiais: “O rebelde José Mariano de Matos e seus companheiros chegados á pouco á esta Capital, sem embaraço algum apresentão-se em público com o tope e as divisas do intitulado Estado Rio-Grandense.”146

142 Correspondências publicadas pelo Arquivo Nacional/RJ.

143 Documentos do Itamaraty, Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Correspondências dos Encarregados

de Negócios em Montevideo; 1831-1840.

144 Correspondência para a Corte, Encarregado de Negócios em Montevideo, Publicações do Arquivo

Nacional/RJ: 1937.

145 Correspondência para a Corte, Encarregado de Negócios em Montevideo , Publicações do Arquivo

Nacional/RJ: 1937.

146 Correspondência para a Corte, Encarregado de Negócios em Montevideo – Pedro Rodrigues Fernandes

Sendo essa uma relação sigilosa, Mattos, ao escrever para Antonio Netto, alerta:

Podeis livrar a effeito nosso antigo, até hoje malfadado plano, mas condusindo-vos de modo que eviteis o contato de qualquer força ou authoridade d’este paiz, aparentando por todas as formas nao haver com Rivera inteligência sobre tal apuração, pois o contrario hiria seriamente comprometter as negociaçoens que sabeis se encetarão com o Gabinete Imperial e que muito nos podem utilizar, se, como o espero, forem manejadas como o tino, que se promete.147

Em carta do dia 26 de junho de 1841, Domingos José de Almeida comunica a falta de cavalos pela qual os farrapos passavam, solicitando a Mattos:

Empenhe pois tudo ao seu alcance, obtenha de S. Exª. O Sr. D. Fructo mil cavalos, e nos envie a Santana ao Tenente-Coronel Morais, sem perda de tempo. V. Exª não faz ideia do estado deplorável daquele Exército: eu considero prestes o reconhecimento de nossa Independência e coroados nossos trabalhos.148

Mas não foi apenas aos interesses coletivos dos farroupilhas que o Ministro dedicou os seus esforços, fazendo com que Rivera atendesse também algumas concessões particulares.

Importante frisar que essa proximidade entre ambos desagradava alguns conterrâneos de Rivera, principalmente quando o assunto estava relacionado a recursos financeiros, mais precisamente às remessas de dinheiro que enviava às famílias de Bento Gonçalves e Mattos, tendo como justificativa “[...] não só pelos apuros que estão, como também para os amaciar.”149

Fructuoso Rivera, por sua vez, ao tentar buscar uma posição de mediação, na verdade buscava meios de tirar partido de ambos os lados, tanto do Império, quanto dos farroupilhas.

Em carta de 5 de setembro de 1841, o encarregado do Império José Diaz da Cruz Lima relata:

Pelo que tenho ouvido me convenço mais da sagacidade de D. Fructo. Elle está acostumado a fazer sempre a sua vontade, ainda que o parecer dos Ministros seja contrario; e o que concluo He que elle estuda o meio de tirar partido de ambos, do Império e dos Farrapos.150

147 Coleção Alencar Araripe, lata 845, pasta 42, Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro – IHGB. 148 Coleção Varella –CV 1630, 26 de junho de 1841.

149 Correspondência para a Corte, Encarregado de Negócios em Montevideo, Publicações do Arquivo

Nacional/RJ.

150 Correspondência para a Corte, Encarregado de Negócios em Montevideo, Publicações do Arquivo

Nesse jogo de intriga e poder, de aliados e inimigos, Mattos se mostrava um grande articulador, consolidando cada vez mais a sua influência no movimento e o respaldo que tinha ao ser designado para essa tarefa.

O “mulato” não só circulava entre os líderes farroupilhas, mas também entre as principais figuras políticas da região do Prata, que não aparentavam, pelos menos nas cartas aqui analisadas, ter nenhum tipo de estranhamento ao tratar de secretos e importantes interesses políticos e econômicos entre as regiões.

Essa ressalva vem ao encontro da fala do próprio José Marianno de Mattos, ao ponderar as perseguições por ele sofridas. Em carta escrita ao Presidente da República Rio- Grandense conseguimos evidenciar como Mattos compreende as “ofensas” recebidas neste período, ao responder sobre uma possível nomeação para ser o Chefe do Estado Maior:

Exmo Snrº Presidente e Amigo =

Sabe V. Exa que os inimigos que conto na República não o são de José Marianno e sim do Vice-Presidente Mattos, do Ministro Mattos, do Encarregado de Negócios Mattos: não são inimigos do homem propriamente dito, e sim dos empregos que tem exercido e que esses ambiciosos os querem para sim e sua grei, e para isso tratão de espalhar a mesquinha, vergonhoza, egoística e ingrata ideia de provincialismo; em cuja propaganda sou considerado estrangeiro.

Através desse fragmento, podemos realizar importantes reflexões sobre o papel que Mattos tinha no movimento farrapo e a leitura feita por este, das ações e críticas em que estava envolvido.

Ciente de que a sua atuação na Farroupilha, despertou as mais variadas opiniões entre os “companheiros” da Revolução, ainda mais quando os principais cargos a ele eram designados, Mattos evidencia através deste manuscrito, sua interpretação dos acontecimentos em questão.

Observando que as desavenças existentes eram resultado da sua posição no movimento e dos lugares então ocupados, Mattos, ao fazer essa análise, vem corroborar com o argumento que defendemos neste trabalho: de que suas inimizades não estavam relacionadas ao homem José Marianno de Mattos, mas sim aos espaços nos quais este indivíduo conseguiu circular nesse período.

3.5 DE “MALDITO MULATO” A “GENTE DE VALOR”: O FIM DA REVOLUÇÃO