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D) Tedavi Masrafları Teminatı

2.10. Özürlülüğün Dünya Çapındaki Değerlendirmeleri

O cenário internacional estava marcado pela II Guerra Mundial. Os resultados do conflito bélico, além de demandarem reflexões de ordem ética, exigiam ações emergenciais de reconstrução dos países afetados e de suas economias. Esse processo gerou perspectivas inovadoras para a área da saúde. Uma delas foi a disseminação de uma idéia de seguridade social sustentada no princípio da existência de direitos fundamentais universais do ser humano. A propagação, no plano internacional, desse conceito de seguridade social partiu da Inglaterra no contexto da II Guerra, quando o governo inglês decidiu avaliar seu sistema de seguros sociais. Contudo, o termo social security, de acordo com Boschetti (2003), popularizado e universalizado após sua incorporação no Plano Beveridge, já havia sido utilizado oficialmente pela primeira vez nos Estados Unidos, em 1935, pelo Governo Roosevelt em seu Social Security Act, mas com sentido bastante restritivo se comparado ao atribuído por Beveridge (Boschetti, 2003). A avaliação dos sistemas de seguro ingleses resultou no Relatório Beveridge, de 1º de dezembro de 1942, que propôs um sistema de seguridade social que passaria a vigorar após o término da guerra. Beveridge “arrogou-se a tarefa de consolidar os vários planos de seguro social, padronizando os benefícios, quando oportuno, e adicionando novos benefícios quando necessários” (Marshall, 1967, p. 98). O sistema propunha a universalidade, pela qual todos contribuiriam para que todos pudessem usufruir os benefícios, que deveriam abranger a maior gama possível de riscos sociais, entre eles o risco doença (Raeffray, 2005). Existiam experiências realizadas por alguns países (Rússia – 1919, Estados Unidos – 1935, Suécia – 1939, Chile – 1938, Nova Zelândia – 1938) que contemplavam a questão da saúde na perspectiva de seguridade social. Contudo, foi a partir do Relatório Beveridge que a saúde, como componente fundamental de um sistema de seguridade social, entrou na agenda internacional. Na Inglaterra, a proposta de Beveridge abriu a possibilidade do recebimento de benefícios sociais para os indivíduos sem emprego formal.

Juntamente com a contabilização das perdas humanas e materiais, ao final da Guerra houve a contabilização das perdas e ganhos econômicos e políticos. A matemática da Guerra favoreceu os Estados Unidos, econômica, política e ideologicamente. A Guerra também descortinou novas possibilidades de articulação internacional entre os países. O mundo passou a assistir ao florescimento de organizações internacionais, como o Banco Mundial, sob a égide da manutenção da paz mundial e da reconstrução dos países que haviam sido desolados pela Guerra. O Banco Mundial surgiu no bojo do esforço empreendido pelos vencedores da Guerra, para estabelecer “um arcabouço institucional multilateral, que assegurasse a estabilidade social e econômico-financeira no pós-guerra e garantisse um comércio internacional sem fronteiras” (Rizzotto, 2000, p.54). Essa instituição passou paulatinamente a influenciar a formulação das agendas de políticas sociais nos estados nacionais graças a sua capacidade de mobilizar recursos financeiros para esse fim e ao caráter de cientificidade que conferiu a suas propostas (Rizzotto, 2000). A necessidade de superação da crise gerada pelo longo período de guerra e a urgência na retomada do crescimento econômico e social fez com que a questão da saúde assumisse um papel importante no novo contexto que se inaugurava. A interferência estatal “na área da saúde parecia promissora como forma de transformação social e econômica” (Raeffray, 2005, p. 105).

No contexto pós-guerra, também surgiu o movimento pelos direitos humanos, incentivado pela criação em 1945 da Organização das Nações Unidas, que se propunha a primar pela promoção e incentivo do respeito aos direitos humanos como uma de suas principais propostas (Nygren-Krug, 2004). Inspiradas nesse propósito surgiram novas organizações voltadas para setores específicos, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), criada em 1946, que ratificou, no plano internacional, a questão da saúde como direito fundamental de todo ser humano. A OMS inaugurou um novo paradigma para a saúde, que rompia com o conceito de saúde restrito ao bom funcionamento biológico do corpo, afirmando que a saúde era um somatório de bem-estar físico, psíquico e social. A Organização Mundial da Saúde assumiria, nesse sentido, importante papel junto aos Estados nacionais, disseminando a idéia de que a melhoria das condições de saúde seria capaz de modificar o desenvolvimento econômico dos países, perspectiva que motivou muitos programas no Brasil patrocinados pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) em conjunto com a OMS.

Em 1948, a Assembléia das Nações Unidas lançou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que, em relação à saúde, retomava o princípio do direito à saúde como um bem universal defendido pela OMS e em conformidade com princípios enunciados pela seguridade social.

Todo homem tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle (Declaração Universal dos Direitos Humanos, art. XXV, 1948 apud Gauderer, 1991, p. 219).

Na visão pós-guerra sobre a saúde, “o Estado torna-se responsável pela sua proteção. Era o mínimo que se podia oferecer ao povo ofendido, doente e miserável, especialmente o da Europa” (Raeffray, 2005, p. 104). Se a universalidade do direito à saúde e de outros direitos sociais na Europa estava relacionada às demandas geradas pela guerra, no Brasil e em outros países subdesenvolvidos o ideário apregoado pelas agências internacionais era o de combate à pobreza com vista ao desenvolvimento econômico e ao enfrentamento do fantasma do comunismo. Havia a preocupação, por parte das agências internacionais, em relação às berrantes desigualdades sociais que assolavam o terceiro mundo. Diferenças que, na visão ideológica americana, poderiam insuflar conflitos e alimentar as propostas comunistas que rondavam esses países. Então, se fazia necessário que os estados garantissem o mínimo para a sobrevivência da população a fim de evitar rebeliões. O combate à pobreza tornou-se o grande ideário das agências internacionais e quanto maior fosse a disposição dos governos nacionais em responsabilizar-se por uma cesta básica de direitos – incluído o direito à saúde –, maior seria a possibilidade de injeção de recursos dessas agências no desenvolvimento de programas para minorar os efeitos da desigualdade. A OPAS exerceu um papel importante no Brasil na formação de profissionais da saúde dedicados aos serviços de saúde pública, principalmente, através das Escolas de Saúde Pública e Coletiva, ajudando na disseminação do paradigma da saúde preventiva, que mais tarde seria incorporado pela Lei Orgânica da Saúde.

1.2.2. A “era Vargas” e a primeira “universalização” da assistência médica

Benzer Belgeler