• Sonuç bulunamadı

BÖLÜM 1: KAVRAMSAL VE KURAMSAL ÇERÇEVE

1.2. Ötekiliğin Toplumsal İnşası

1.2.2. Ötekileştirme

Nos trinta anos que se seguem à crise econômica de 1929 até os anos 1960, a região administrativa de Ribeirão Preto reestruturou-se economicamente e foi considerada a segunda em importância agrícola para o estado de São Paulo. No entanto, paralelamente à reestruturação deste setor e ao seu desenvolvimento contínuo, ocorreram diversas alterações na economia paulista, principalmente no que diz respeito ao desenvolvimento dos setores industrial e terciário.

Simultaneamente a esse processo, e sendo uma de suas consequências diretas, ocorreu um aumento significativo da quantidade de empregos urbanos disponíveis nos anos 1940 e 1950 na cidade: conforme dados divulgados por Calil Jr. [2003, p.96], na primeira década citada identificou-se um crescimento de 12,6% desta taxa, enquanto que nos dez anos subsequentes essa elevação foi de 14,7%. Levando em consideração o aumento de empregos criados unicamente pelo setor terciário, observou-se um crescimento de 10,6% e 16,0% nos anos 1940 e 1950, respectivamente.

A população economicamente ativa identificada pelo censo do IBGE de 1940 distribuía-se da seguinte maneira: no setor primário encontravam-se 53,3% dela; no secundário, 14%; e no terciário, 32,7%. Houve, portanto, um aumento verificável desse último setor, entretanto a produção agrícola ainda mantinha uma importância para a economia local.

Os rebatimentos sócio-espaciais desse processo foram identificados, então, no aumento populacional da região administrativa como um todo; no crescimento do número de pessoas residentes nas áreas urbanas do município; na alteração das dinâmicas na região Central de Ribeirão Preto – com intensificação da sua setorização funcional e surgimento de uma setorização social –; e na proliferação de loteamentos aprovados pela câmara municipal, com especial destaque para os conformados na região Sul e Sudeste, destinados aos extratos populacionais de renda elevada.

De acordo com dados divulgados pelos recenciamentos do IBGE, nos anos 1940 a população do município constituía-se de 79.771 habitantes elevando-se 15,5% até a década de 1950, quando se registraram 92.160 residentes na cidade. A taxa de urbanização de Ribeirão Preto destes mesmos censos era de 71,8% [em 1940] e 81,7% [em 1950].

A partir de 1956, com a eleição de Juscelino Kubitschek para o governo federal e a implantação das políticas econômicas advindas do Plano de Metas, registrou-se uma importante modificação em relação ao desenvolvimento industrial de Ribeirão Preto: ao lado das indústrias da região que se restringiam, até então, ao processamento de gêneros da agricultura local, instalaram-se as indústrias metal-mecânicas, que contribuíram para o desenvolvimento da agroindústria. A indústria pesada produziu produtos e maquinários que tencionaram para a racionalização do processo de produção na agricultura. Tal fato introduziu uma relação entre a produção agrícola e a industrial, articulando a primeira às demandas da nova etapa [industrial] capitalista.

Esseàfatoàte à o oà o se ü iaàaàsu o di aç oàdaàag i ultu aà àa u ulaç oài dust ial,à ueàseàe p essaàpo à meio da tecnificação e quimificação da produção agrícola [Negri, op.cit]. [...] A nova dinâmica, própria do capital industrial, provoca profundo impacto no urbano, com a complexificação dos insumos e serviços exigidos pela nova produção.115

A superação e o desenvolvimento econômico identificados na região de Ribeirão Preto nessa época, paralelamente ao aumento da demanda de empregos urbanos e da taxa populacional local, introduziram um conjunto de alterações na composição territorial da cidade. Tais modificações ocorreram simultaneamente e podem ser descritas da seguinte maneira: uma setorização de atividades voltadas ao comércio e serviços nas áreas centrais, constituindo uma subdivisão de três regiões especializadas na região Central; um processo de expansão urbana baseado em um modelo de crescimento horizontal de pequenas densidades, com desdobramentos diferenciados entre os vetores Sul-Sudeste em relação aos quadrantes Norte e Oeste; e o surgimento de pequenas aglomerações comerciais e de serviços localizadas fora da região Central, para atendimento da população local.

Conforme a pesquisa de Calil Jr. [2003], a região Central especializou-se neste período, constituindo três subsetores com funções urbanas diversificadas: o da praça XV de Novembro, o da estação ferroviária Mogiana e o do bairro Higienópolis. Para além da distinção de suas atividades, identificou-se uma diferenciação de cada um deles quanto ao extrato social da população que predominava em suas áreas, tanto a residente como a que era atendida pelas atividades urbanas gerais encontradas em cada um dos respectivos subsetores, [vide FIGURA 57].

Enquanto o comércio, os serviços urbanos, os órgãos públicos, as agências bancárias e as atividades de lazer e cultura permaneceram concentrados nas imediações da praça XV de Novembro e no entorno da estação ferroviária Mogiana, proliferou-se o uso habitacional no bairro Higienópolis, sobretudo voltado para os extratos médios e altos da população.

A partir de 1940, entretanto, o setor da praça XV de Novembro não teve grandes expansões em área, mas intensificaram-se os usos para atendimento da elite local. No entorno do setor da estação Mogiana observou-se um atendimento vinculado à população de baixa renda, com o surgimento de um comércio popular diversificado, além das já existentes atividades atacadistas e industriais, [apesar de sua expansão em área também ter sido inexpressiva].

A especialização de cada um desses subsetores da região Central, levando em conta o extrato social cujas demandas buscavam atender, tornou-se mais perceptível na década de 1960, após a transferência do edifício da estação ferroviária para a zona nordeste da cidade, nas proximidades da rodovia Anhanguera [SP-330], em 1967.

115

FIGURA 57: Região Central do município de Ribeirão Preto e os seus três subsetores.

Tal deslocamento auxiliou na proliferação do comércio e dos serviços populares no local da antiga estação, já que as atividades ligadas ao transporte ferroviário acabaram por se transferir junto ao novo edifício.

Noà fi alà dosà a osà ,à oà e t o,à ueà seà a a te izaà pelaà sepa aç oà dasà ati idadesà oltadasà sà lassesà altas daquelas voltadas às classes populares, com a formação do setor de comércio e serviços de luxo no setor da praça XV de Novembro e no seu entorno, abriga também o setor bancário, os órgãos públicos, a sede da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto, atividades de lazer e cultura e vários edifícios. Com a transferência da estação Mogiana para a periferia da cidade, no vetor Nordeste, e o deslocamento das atividades relacionadas ao transporte ferroviário, o comércio e serviços populares passam a predominar no setor.116 Em todo o bairro Higienópolis, desde os anos 1940, edificaram-se os edifícios de múltiplos pavimentos. Primeiramente, eles se destinam às atividades comerciais, ao abrigo das dependências dos serviços urbanos em geral, incluindo escritórios de empresas privadas e órgãos públicos, predominando um uso misto. Entretanto, segundo Migliorini [1997, p.91-100], a partir da década de 1960, essas edificações passaram, primordialmente, a abrigar o uso residencial.

Até a década de 1960 era muito pequeno o número de apartamentos de fins residenciais construídos no Quadrilátero Central, havendo um claro predomínio das edificações comerciais, ou na melhor das hipóteses, de uso misto. Na década de 60 ocorre um sensível aumento na oferta de apartamentos residenciais, que cai um

116

pouco na década de 70 e volta a subir a partir de 1975, atingindo uma média de 40 unidades por edifício na d adaàdeà .117

Vale lembrar que a existência de edificações de múltiplos pavimentos nas áreas centrais data de 1933, com a construção dos já citados edifícios que compõem o Quarteirão Paulista e o próprio edifício Diederichesen. Todavia, apenas em 1948 voltou a se construir na cidade esse padrão de edificação, com a inauguração do Hotel Umuarama. Daí em diante, os processos de verticalização do bairro Higienópolis aceleram-se. Segundo a pesquisa de Migliorini [1997], na década de 1950 foram edificados 10 edifícios de 11 a 19 pavimentos, totalizando 21.487,59 m² de área construída. No entanto, apenas 28 unidades de apartamentos compunham a parcela destinada à habitação, salientando a ênfase no uso comercial.

O uso residencial extrapolou, portanto, as delimitações da região Central. Vários loteamentos foram implantados em diversos setores da cidade, seguindo um padrão de ocupação horizontal e de baixas densidades em todas essas regiões. Segundo dados da Secretaria de Planejamento Urbano e Gestão Pública Municipal, enquanto na década de 1930 apenas dois deles foram aprovados pelo poder legislativo – em 1937, a Quinta da Alvorada e, em 1938, a Vila Gertrudes –, entre 1940 e 1959 constituíram-se 74 loteamentos no município de Ribeirão Preto, sendo 28 na zona Norte, 20 na zona Oeste, 13 na zona Sul e 13 na zona Leste. [vide GRÁFICO 3 e FIGURA 58].

Como se pode observar, todas as regiões da cidade possuíram uma expansão significativa a partir da implantação desses loteamentos e, enquanto nos quadrantes Norte e Oeste do município eles foram destinados aos extratos populacionais de menor renda, a zona Leste acabou sendo ocupada pela população de renda mensal média e, na zona Sul, instalaram-se os segmentos populacionais de renda elevada.

Gráfico 3: Gráfico que ilustra o número de áreas [estimadas] dos loteamentos aprovados entre 1930 a 1959, respectivamente, para as regiões Norte-Oeste, Leste e Sul de Ribeirão Preto.

117

Benzer Belgeler