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Örgütsel Vatandaşlık Davranışlarının Nezaket Temasına İlişkin

4. Araştırma Bulguları

4.2. Lise Öğretmenlerinin Örgütsel Vatandaşlık Davranışlarının Nedenlerinin Nitel

4.2.3. Örgütsel Vatandaşlık Davranışlarının Nezaket Temasına İlişkin

Disse François Furet que “o historiador é como o pintor de estilo: o quadro é o período, o assunto é aquilo que ele vai escolher do período”.191

A proposta desta tese, já detalhada na primeira parte, nos obrigou a estender nosso olhar para um período mais recuado de forma a detalhar como a marcha fúnebre foi trazida para Brasil. Esse fato nos levou ao início do século XIX, precisamente até a cidade do Rio de Janeiro, que se colocou como a sua principal porta de entrada.

Em 1808, quando D. João VI (1767-1826) chegou ao Brasil, no calor da expansão napoleônica, fugindo das tropas do General Junot que estavam prestes a tomar Lisboa, o Rio de Janeiro não estava preparado para receber a corte e as mais de 15 mil pessoas que vieram junto com o rei e sua família. A cidade, muito precária, abafada, mal traçada e mal cheirosa, viu, de uma hora para outra, sua população aumentar 30% saindo dos 50 mil para 65 mil pessoas,192 tendo de “abrigar uma família real com seu gosto e seu comportamento de

corte”.193

Não havia morada para todos, a distribuição de água deixava a desejar “apesar das

muitas fontes públicas”194

existentes e o “abastecimento de alimentos era deficitário, principalmente o de carnes, cujo consumo era um luxo só presente em poucas ocasiões festivas no ano”.195

Apesar das condições adversas, a corte soube se instalar e preparar um ambiente parecido ao que tinha em Portugal: mandou construir teatro e biblioteca, fazer funcionar uma gráfica e transformar a capital no centro de cultura mais importante da Colônia. Sob o comando de um amante da música, esses membros da corte não se furtaram de dar continuidade a alguns costumes, como participar de procissões, ir à ópera ou à igreja para assistir à missa ou para

191

FURET, François. A oficina da história. Lisboa: Gradativa Publicações, s/d, p. 21. 192

MALERBA, Jurandir. A corte no exílio: civilização e poder no Brasil às vésperas da Independência (1808- 1821). São Paulo: Companhia das Letras, 2000, p. 125-131.

193

MONTEIRO, Maurício. A construção do gosto, p. 16. 194

LUCCOCK, John. Notas sobre o Rio de Janeiro e partes meridionais do Brasil tomadas durante uma estada de dez anos nesse país, 1808-1818. São Paulo: Martins Fontes, 1942, p. 52.

195

Jurandir Malerba, em depoimento. Cf. em <http://www.revistadehistoria.com.br/secao/reportagem/o-outro- lado-de-1808>. Acesso em: 18 set. 2012.

ouvir um Te Deum Laudamus.196 Os eventos dos quais participavam revestiam-se de grande significado, pois, ao assistir a festas, entradas solenes,197 acompanhar procissões – que tornavam mais visíveis e próximas a pessoa do imperador e dos demais membros da corte –,

“os populares tinham a oportunidade de achegar-se ao rei ou à nobreza”.198

A partir desse instante, práticas comuns para essas pessoas de corte tornaram-se fatos corriqueiros para parte da população da capital da Colônia. Nesse ambiente festivo, foi possível aos compositores colocar suas partituras à disposição dos grupos de música para reforçar o embelezamento das cerimônias que deveriam, além da emoção, fixar na memória do povo as figuras dos principais personagens envolvidos.

Parte dos acontecimentos que envolviam a família real deveria ser vista pelo povo, cuja exposição pública em festas, enterros ou procissões solenes demandava uma organização que era ditada pelo cerimonial dos próprios príncipes, princesas e líderes católicos. Sob a égide dos poderes político e eclesiástico, que tudo controlavam e ordenavam, a organização de eventos públicos se intensificou com a chegada do rei e da sua comitiva. Desejosos de imprimir controle sobre as formas de sociabilidade, o cerimonial da corte tudo observava e autorizava de acordo com a vontade do rei.

Assim, fizeram com as procissões que desfilaram sob organização das confrarias, irmandades

e demais segmentos da sociedade, com regras preestabelecidas, que passavam “pelo crivo do

Estado e da Igreja”,199 quando “os signos de poder desse jovem Estado nascido na Idade Moderna, bem como a sua eficácia simbólica, exprimiam-se por meio de cerimônias e rituais públicos como os Te Deum, personagens constantes dessas festas”.200

D. João VI não poderia ter vivido em época melhor para se tornar um amante da música. Contemporâneo de gênios como Mozart, Haydn, Chopin e Beethoven, o imperador desenvolveu o gosto pela música tanto sacra quanto profana ainda jovem, desde o momento em que se dedicou ao estudo musical. “Sua predileção eram as composições sacras, inclusive

196

Canto alternadamente composto pelos dois Doutores da Igreja, Santo Ambrósio e Santo Agostinho, no dia em que este recebeu o batismo. Cf. BLUTEAU, Raphael. Vocabulário Portuguez & Latino, v. 8, p. 64.

197 “Entrada solemne de Rey, ou de Embaxador em alguma cidade”. Cf. BLUTEAU, Raphael. Vocabulário

Portuguez & Latino, v. 3, p. 147.

198

Del PRIORE, Mary. Festas e utopias no Brasil colonial. São Paulo: Brasiliense, 2000, p. 19. 199

FURTADO Júnia Ferreira. Desfilar a procissão barroca. Revista Brasileira de História, São Paulo, v. 17, n. 33, 1997, p. 251-279.

200

CHARTIER, Roger apud Del PRIORE, Mary. Festas e utopias no Brasil colonial. São Paulo: Brasiliense, 2000, p. 12.

o cantochão no qual dizem que ele se arriscava como cantor, e sem fazer feio”.201

E para satisfazer gostos que cultivava como assistir a missas diariamente, comparecer aos Te Deum e demais festas religiosas das quais se mostrava acompanhado dos familiares e outros membros

da corte, não vacilou em mandar contratar “maestros para lhes tocar música de igreja”.202

Por 13 anos, ao impor costumes e práticas trazidas de além-mar, fez com que os moradores da

cidade do Rio de Janeiro começassem a conviver com “novas maneiras de vestir-se ou

comportar-se à mesa ou em cortejos; [...] hábitos como ir ao teatro e às missas cantadas” além

de assistir “às mais imponentes festas de corte, como os nascimentos, os aniversários e as mortes, agora dignas de príncipes, rainhas e nobres”.203

Desses eventos cheios de música e das condições criadas para que os reinóis pudessem levar uma vida parecida à que tinham em Portugal, beneficiaram-se os moradores da capital imperial.

2.2 A contratação de músicos europeus: para a casa da ópera e para as bandas de