2. İKİNCİ BÖLÜM
2.4. Örgütsel Sinizmin Türleri
Desde o inicio deste trabalho, procuramos anunciar que assumimos os pressupostos epistemológicos da teoria histórico-cultural e considerando os princípios filosóficos advindos do método materialista histórico dialético. Neste capitulo discorreremos sobre algumas contribuições teóricas que nos subsidiam no constante exercício dialético de fundamentação dos nossos trabalhos no método materialista histórico de Marx e Engels (MARX, 2011).
Vigotski (1999) define o método de conhecimento como parte fundamental e essencial de uma concepção teórica, pois determina o objetivo da pesquisa, a natureza da ciência e torna-se argumento, ferramenta e resultado de determinada investigação (ASBAHR, 2011).
A definição do autor é feita a partir da perspectiva teórico-filosófica do método materialista histórico dialético, o qual adota uma compreensão histórica e materialista acerca do desenvolvimento humano, e uma concepção de ciência que busca explicar e transformar a realidade. Nessa direção Marx (2011) coloca a prática como ponto de partida, pois, para ele, a atividade prático-sensorial deve ser considerada a base primária do
surgimento das faculdades intelectuais humanas, desde o pensamento, os sentimentos e a consciência.
É interessante notar que a teoria marxiana afirma que o conhecimento não deve ser reduzido à sua consciência, à sua atividade de pensamento, uma vez que todo conhecimento surge como decorrência da prática social do sujeito, como produto da reflexão sobre sua própria prática (MARX, 2011).
Na psicologia, Vigotski (1999) construiu uma concepção metodológica, a partir do método marxista e propôs alguns princípios metodológicos necessários para a realização de uma investigação realista do processo de desenvolvimento humano, no que se refere, principalmente, ao psiquismo humano. O autor defende a análise de processos e não de partes isoladas, enfatiza a explicação dos fenômenos e não a mera descrição dos fatos sociais, conforme nos lembra Asbahr (2011).
Nesse contexto devemos entender o caráter histórico, apregoado por Vigotski (1995), em relação à investigação do processo de desenvolvimento humano, uma vez que:
Estudar algo historicamente significa estudá-lo em movimento. Esta é a exigência fundamental do método dialético. Quando, numa pesquisa, aproximamo-nos do processo de desenvolvimento de algum fenômeno em todas as suas fases e mudanças, desde que surge até que desaparece, isto implica em desvelar sua natureza, conhecer sua essência, já que só em movimento demonstra o que existe [na realidade]. Assim, pois, a pesquisa histórica da conduta não é algo que complementa ou ajuda o estudo teórico, mas [sim] que constitui seu fundamento. (VIGOTSKI, 1995, p. 67-68).
Martins (2008) esclarece que para uma análise a partir do método materialista histórico dialético, proposto pela teoria marxista, deve-se pressupor como ponto de partida a apreensão do real empírico/ imediato, que posteriormente será convertido em objeto de análise e por meio dos processos de apropriação e abstração da teoria, tornará esse objeto um “concreto pensado”. Então, deve-se contrapor as estruturas analíticas, as quais são constitutivas do concreto pensado, para analisá-lo em sua totalidade concreta e, de fato, entender o fenômeno.
Segundo Tanamachi e Viotto Filho (2012, p.32) para realizarmos uma análise dialética da realidade pesquisada, devemos tomar como ponto de partida o todo caótico, ou seja, aquilo que é percebido de forma imediata pelo pensamento. Em seguida, respeitando
os princípios do método materialista histórico dialético, devemos decompor, sucessivamente, esse todo, de modo a:
Chegar [pela via do pensamento] às abstrações mais simples desse todo, às determinações mais simples dessa realidade. Atingido esse ponto, há que se realizar o caminho inverso e ascender novamente ao todo, ao ponto de partida, que foi representado inicialmente de forma caótica e reconhecê-lo, após sucessivas análises que implicam decomposição e composição, como uma totalidade composta de múltiplas relações e determinações.
Nos esclarece Martins (2008, p. 15) que a exegese analítica, as mediações do pensamento materialista histórico dialético, nos permitem partir do real (caótico) e retornar a ele, para compreendê-lo como real concreto, síntese de múltiplas determinações. É neste sentido, afirma a autora, que “o método marxiano tem a prática social como referência nuclear da construção do conhecimento e nela residem os seus critérios de validação”.
No caso da nossa pesquisa, entendemos que as compreensões que tomam por natural o desenvolvimento das crianças com Síndrome de Down representa o todo caótico, presente na realidade empírica das escolas de forma geral, pois esses sujeitos são compreendidos e caracterizados exclusivamente considerando o real aparente, ou seja, limitado à sua própria deficiência.
No entanto, à luz da teoria histórico-cultural, esse dado caótico, submetido as nossas análises considerando o exercício dialético de emprego do método marxiano, passa a ser reconhecido como um dado concreto, síntese de muitas determinações sociais e históricas as quais devem ser compreendidas no movimento contraditório do real na tentativa de desvelar a sua essência.
Nesse sentido, entendemos que a criança com Síndrome de Down, compreendida segundo a teoria histórico-cultural, avança da condição de sujeito deficiente, compreendido como incapaz e limitado, para a condição de sujeito social, historicamente determinado e, portanto, capaz de aprender e se desenvolver de acordo com as possibilidades reais/objetivas a ele oferecidas, principalmente no interior das escolas.
Constatada essa realidade caótica, nos dispusemos a avançar na construção de possibilidades histórico-culturais de desenvolvimento para as crianças com Síndrome de Down e, nesse movimento, enfatizamos o objeto cultural dança como importante instrumento de desenvolvimento psíquico para esses sujeitos, sobretudo para o
desenvolvimento da sua memória voluntárias. A partir da atividade da dança, construímos condições de aprendizagem com objetivo de transformar o todo caótico, ou seja, transformar qualitativamente a compreensão sobre a realidade da criança com Síndrome de Down na sociedade capitalista.
Entendemos que não há outra forma de transformarmos a realidade social, senão confrontando-nos com ela através de uma pratica social coletiva, a qual nos permitirá observar o todo caótico, compreender, intervir e modificá-lo, considerando o que nos é possível nesse momento histórico.
Por esse motivo, podemos entender que a questão de método na teoria histórico cultural tem duplo significado, uma vez que pertence ao campo teórico filosófico, que nos permite teorizar sobre os fatos sociais reais e concretos, e, também, ao campo das metodologias práticas de investigação cientifica.
Paulo Netto (2011) afirma que Marx utilizou de diversas metodologias para que pudesse compreender a sociedade capitalista a partir de um olhar materialista histórico dialético. Desde as suas primeiras reflexões sobre o método, Marx buscou na própria prática social as respostas para os problemas de sua época. Utilizou de frequentes entrevistas com trabalhadores, enquetes e observações empíricas da realidade social, assim como empreendeu esforços intelectuais para superar o idealismo hegemônico, assim como o materialismo mecanicista da época. Nesse movimento, enfatiza a necessidade de se compreender a estrutura e dinâmica da realidade concreta e multideterminada da sociedade capitalista e atua diretamente junto aos sujeitos desse processo.
Vigotski (1996), baseado no método marxista, afirma a importância da realidade vivida pelos seus sujeitos de pesquisa e enfatiza a realização de situações experimentais sociais, com objetivo de investigar e compreender o processo de desenvolvimento das funções psicológicas superiores em seu movimento histórico e social. O autor explica que somente as formas intencionais de intervenção na realidade dos sujeitos nos permitem compreender as determinações sociais presentes nesse processo, uma vez que se busca compreender o desenvolvimento humano em sua estrutura e dinâmica de totalidade.
Portanto, temos utilizado metodologias de intervenção que abarcam a realidade dos sujeitos nas suas múltiplas determinações e procuramos diferentes instrumentos e procedimentos metodológicos tais como observação sistemática e participante dos sujeitos,
conversas e entrevistas, filmagens e fotos de situações específicas, conversas com pais e professores, visitas as escolas, além de vivências efetivas com os sujeitos durante todo o processo de intervenção (conversas, jogos e brincadeiras, passeios, danças e representações teatrais, dentre outras atividades interativas), com objetivo de compreender o desenvolvimento dos sujeitos em seu movimento histórico-social.
Apresentaremos agora, um pouco da história e metodologia de trabalho do GEIPEE, as quais possibilitaram a construção do caminho metodológico da Pesquisa que ora realizamos.
5.2 – O caminho metodológico