2. KAVRAMSAL ÇERÇEVE
2.2. Örgütsel Sinizm
2.2.5. Örgütsel Sinizmin Sonuçları
De uma forma geral, os modos como os contextos são concebidos por pesquisadores nas Ciências Humanas normalmente diferenciam-se daqueles adotados nas denominadas Ciências “duras”. Apoiando-nos em Robert Yin (2005, p.32), acreditamos que nas primeiras, “[...] os limites entre o fenômeno e contexto não estão claramente definidos”, enquanto que nas últimas, se propõem deliberadamente a controlar variáveis. Ou seja, nesta concepção é possível separar fenômeno de contexto estudado, regulando o ambiente, exemplos observáveis em investigações que se realizam em um laboratório. (YIN, 2005)
Parece-nos que a concepção acerca de contexto de investigação está estritamente relacionada a uma epistemologia de ciência que sustenta o próprio campo de pesquisa. Elliot G. Mishler (1979) nos lembra que nós, pesquisadores da área das Ciências Humanas e Sociais, herdamos um modo de fazer ciência/pesquisa que era próprio das Ciências Naturais. Como consta no texto de Mislher (1979), nós fomos influenciados por um “fazer ciência” que se fundamenta em regras de design experimental, de
procedimentos técnicos de medida e de análises estatísticas. São, portanto, orientações teórico-epistemológicas muito próprias da corrente filosófica do positivismo.
Como dissemos anteriormente, nessas áreas (ou campos de pesquisa), grande parte das investigações se realiza considerando context-free, ou seja, é possível observar o fenômeno de estudo desvinculando-o do contexto. De acordo com essa concepção, investigações de determinadas situações experimentais (em laboratórios) podem ser totalmente extrapoladas e, assim, é aceitável fazer generalizações do fenômeno observado para quaisquer outros contextos.
Todavia, este tipo de “fazer ciência” tem se mostrado inapropriado para nossas pesquisas. Concordando com Mishler (1979), na maioria das pesquisas no campo das Ciências Humanas e Sociais, o significado é altamente dependente do contexto (ainda que para algumas pode se adotar como mais e em outras menos) (MISHLER, 1979). Entretanto, o autor lembra-nos que, nesses campos de pesquisa, “os teóricos e pesquisadores tendem a se comportar como se o contexto fosse o inimigo do entendimento e não um recurso para a compreensão de nossa vida quotidiana”. (MISHLER, 1979, p. 2. Tradução nossa.) Mishler (1979) nos lembra ainda que, por haver essa co-dependência de contexto e significado, uma busca por leis gerais para explicar os fenômenos tem se mostrado uma tarefa extremamente difícil.
Em nossa pesquisa entendemos que a construção discursiva das relações teoria-prática são altamente dependentes do contexto. Portanto, consideramos que este precisa ser concebido diferenciando-se de apenas um setting, um mero cenário, um pano de fundo no qual a pesquisa se desenvolve.
Após assumirmos que o contexto investigado é uma dimensão sumariamente importante para respondermos nossos questionamentos, o próximo passo que se coloca é o de definirmos os limites desse contexto. Um bom número de pesquisadores têm tecido considerações sobre os estudos das relações entre contextos observando o que se tem denominado de instâncias macro e micro de pesquisas (GOODSON, 1995; GREENe DIXON, 1998; LOPES, 2006; BLOOME, et al, 2008), que podem ser também chamados de contextos locais e globais (STREET, 2003).
Ao tentarem compreender fenômenos situados em contextos educacionais, pesquisadores, de certa forma, deparam-se com questões das relações entre discursos
micro e macro em suas investigações. Assim, revelam-se perspectivas também
diversas associadas a essa relação. De uma forma geral, David Bloome e colaboradores (2008) lembram-nos de que tal diversidade abarca pelo menos dois modos de se observar essas relações. Em um modo, compreende aquelas investigações que concebem como se os discursos micro estivessem embebidos em processos macro. Nessa concepção, procura-se observar como questões promovidas por contextos macro têm repercussões na sala de aula. Abaixo reproduzimos uma figura adaptada da obra dos autores que permite melhor ilustrar essa relação:
Figura 1.1: Abordagens de análises do discurso no qual os discursos em nível micro estão embebidos em discursos macro. (Bloome et al, 2008, p. 21)
De outra maneira, os autores indicam um modo no qual as análises dos discursos micro incorporam elementos dos discursos macro e, assim, entende-se que os processos discursivos no nível das interações entre as pessoas são os que constituem e definem os processos macro (BLOOME et al, 2008). Reproduzimos a seguir uma figura extraída da obra dos autores que permite melhor ilustrar essa relação:
Figura 1.2: Abordagens de análises do discurso no qual os discursos em nível macro estão embebidos em discursos micro. (Bloome et al, 2008, p. 23)
Em seus próprios termos, Bloome et al (2008) descrevem essas abordagens de análises do discurso entre os níveis macro e micro da seguinte forma
[...] reflete o reconhecimento que enquanto as pessoas vivem as suas vidas ‘localmente’, interagindo umas com as outras, se movendo através do eventos, elas também são influenciadas por amplos processos, sociais, culturais, políticos, econômicos e históricos os quais existem muito além das situações locais em que as pessoas interagem. Afinal, nós todos nascemos em mundos que não são nossas próprias criações e nós devemos responder ao que já está nele, mesmo se nossas respostas sejam para resistir, transformar, ou criar alternativas. As pessoas tanto agem nos mundos em que elas vivem quanto são alvos da ação desses mundos. (BLOOME et al, 2008, p. 24. Tradução nossa.)47
Avançando esses dois modos de abordar as relações macro-micro, Bloome et al (2008) propõem, então, que deveríamos ver as relações entre os distintos contextos como uma sobreposição de múltiplas camadas. Na visão do autor, os contextos precisam ser entendidos como sendo “históricos (relacionando tanto passado com os eventos futuros), múltiplos (incluindo potenciais contradições e contextos contestados), em múltiplos níveis, assim como interativos (contextos afetam uns aos
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“[...] reflects acknowledgment that while people live their lives "locally," interacting with others, moving in and out of and across events, they also are influenced by broad social, cultural, political, economic, and historical processes that exist far beyond the local situations in which people interact. After ali, we are ali born into worlds not of our own making and we must re- spond to what is already here, even if our response is to resist, to transform, or to create alternatives. People both act upon the worlds in which they live and are acted upon by those worlds.” (BLOOME et al, 2008, p. 24)
outros)48”(BLOOME et al, 2008, p.37. Tradução nossa) Desse modo, Bloome et al (2008) consideram que mesmo em um dado evento podemos observar diferentes contextos interagindo. A ideia dos autores é a de que os eventos mantêm uma relação com outros eventos passados e com aqueles que irão sucedê-lo, da mesma forma que confundem-se, ocorrendo, simultaneamente, em contextos variados. (BLOOME et al, 2008) Reproduzimos a seguir uma figura extraída da obra dos autores que permite melhor ilustrar essa relação:
Figura 1.3: Eventos e contextos em relações históricas e mútiplas. (Bloome et al, 2008, p. 23)
Diante de tudo que foi exposto, consideramos que uma boa maneira de melhor considerarmos como essas relações macro e micro permeiam a construção de relações teoria-prática em sala de aula seria sob essa perspectiva proposta por Bloome e colaboradores (2008). Como vimos, para esses autores, encontramos nas salas de aula relações entre distintos contextos macro discursivos os quais se interpõem em uma sobreposição de múltiplas camadas. Com isso queremos dizer que se, por um lado, o que encontramos na sala de aula não é apenas uma mera reprodução desses outros contextos externos, por outro lado, não podemos afirmar que ela está totalmente alheia a esses outros macro contextos. Em dados momentos, alguns contextos terão maior influência, em outros, menor. Essa influência e seu significado para os participantes podem ser dimensionados a partir da análise das interações discursivas.
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“Context needs to be understood as historical (relating both to past and future events), multiple (including potentially contradictory and contesting con- texts), at multiple leveis, and as interactive (contexts affect each other).” (BLOOME et al, 2008, p. 24)
1.4 Adotando uma perspectiva para uma análise do discurso em sala de aula em